terça-feira, 15 de abril de 2008

Cinderela, versão gandulo

Há bué da tempo havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil,e que vivia com a xunga da madrasta e as melgas das filhas. Cinderela, Cinde prós amigos, parecia viver num xelindró, quase sem tempo para enviar uns mailes. Perante tal desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta mandava-lhe bué de cortes. É então que a Cinde toma conhecimento da alta desbunda que ía acontecer. A garina curtiu a ideia mas as chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou verdadeiramente passadunte, mas depois de andar à toa durante algum tempo, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana, e ela ficou uma granda febra. No entanto, só podia afiambrar-se de tal cena até ao bater das 12. A tipa mordeu o esquema e foi prá borga sempre a abrir. Ao entrar topou com um mano cheio de papel que era bom comó milho e que também a galou. Passou-se dos carretos! Desbundaram toda a noite até que, ao ouvir das 12, ela teve que bazar. O tipo ficou completamente abardinado e foi atrás, encontrando pelo caminho a bota da Cinde. No dia seguinte, com uma alta fezada, andou à procura de um chispe que entrasse na bota. Como um ganda postal que era, teve sorte e encontrou a brasa, para ganda desatino das fatelas! Estas tiveram um vaipe quando souberam que eles iam a modos que ajuntar-se. Mas mesmo assim, a garina e o chavalo foram bueréré de felizes!!!!"

domingo, 13 de abril de 2008

Há que tempos...

...não lavava a alma(??) com isto e não me mexia com tanto afinco.
(lullaby de Domingo)
Para além disso, verdadeiramente maravilhada com o casalito que insistiu em dançar isto como se de uma kizomba se tratasse (já agora, de registar que tudo o resto lhes soou a kizomba).

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa. Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... (...) Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Em Abril, águas mil!"

Decidi apagar o post naïf (pronto, o amigo Pêssego ensinou-me como se põe o trema!) por uma (ups) questão de respeito. Este tempo está a causar muitos estragos e aflições! Mesmo assim, vale a pena carregar no provérbio!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Pagadora de Promessas

Ora cá está ele, o gracioso programa:


Clicar na imagem para poder ler o programa sem recorrer a lupa.

Caro Funes, bem mais belo que as colunas do Desidério (não as vislumbrei ainda).

Where Is My Mind

Quem estiver nas redondezas - que é como quem diz, na Ilha* - convém estar atento ao que por aí vem, sob pena de perder a oportunidade de pensar algumas questões muito próximas de todos nós. Para já, o link do recém inaugurado blog; mais à frente, deixaremos por cá o gracioso programa do ciclo.
*Aos do lado de lá, há sempre a opção de apanhar um avião. Ou arriscar a vinda a nado.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Paradoxos

Mulheres pequenas em sapatos demasiado altos. Falta anca (e perna) para tamanho sapato.

Um caso sério*

O que escreveria se tivesse talento e desenvoltura para tal. Concordo em absoluto. Apesar das últimas provocações, já saí em defesa do conspirador e agora até o recomendo. E tudo isto depois da afronta Tate's!
*Velhíssima rubrica cá do sítio, perdida algures nas brumas da memória. Perdi a conta de todos os casos sérios que já passaram por cá, por isso não sei o número correspondente a este.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Post-it*

Sócrates trai Sócrates ao evocar estados de alma.
*Em atraso

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Não revelo como passei neste exame

Pela manhã de ontem, uma autoridade (muito temida e respeitada) da escola entregou-me um documento com os seguintes dizeres:
Os docentes oriundos de Portugal Continental deverão ser submetidos a um exame para aferirem a sua competência linguística no que diz respeito aos nossos regionalismos. para o efeito, deverão preencher o texto que se segue, usando palavras do quadro à direita.
Depois de realizar devidamente o exame, o texto ficou assim:
"O senhor João estava na paragem à espera do horário, quando reparou que o seu relógio estava a dar bêbras. Viu o céu muito forrado e logo de seguida começou a lubrinar, por isso decidiu chamar uma abelha. Esta andava aos soquetes que até parecia que ia trambulhar devido aos caboucos que encontrava no caminho.
Quando chegou ao seu destino começou a cramar da sua sorte a um amigo que andava a passear o seu grade.
Já era tarde e, como gostava de ajativar as suas coisinhas, ainda tinha de passar pelo mercado para comparar o preço das pimpinelas, das bogangas, dos tabaibos, da vaginha e dos bisalhos.
Depois foi à padaria demitado comprar brindeiros.
O padeiro estava somenos, com os braços cheios de bábedas e uma cara muito enfiada.
Teve tempo de ir à venda comprar uma caixa de palhetes e um cajirão.
De regresso a casa, viu uma gasguita com uma gavela de erva à cabeça. Para carregar melhor, arranjou uma molhelha.
Bebeu uns copos e chegou a casa com uma bicuda.
Já em casa, a mulher deu-lhe umas taponas valentes, deixando-o negro de tanto pancume.
Por fim, para mais informações: hhp://www.umapetafechadanagaveta.pt"

terça-feira, 1 de abril de 2008

Serial Killer

Hoje, em tom de brincadeira, disse a um jovem que, no sentido figurado ou conotativo, ele era um serial killer, pois matava a paciência de qualquer um com muita facilidade, sem dó nem piedade. Este ficou irritado e disse:
- Fique sabendo que, traduzindo à letra para português, serial killer significa "matador de cereais"!

sábado, 29 de março de 2008

Da permanência

Da separação: entre dois infinitos, a melancolia 2

Ao fundo das Monumentais, o rastro das passadas apressadas. Um trajado, apenas um, percorre os 125. Os restantes trajam os dias normais: a moça de mini-saia, a outra vestida de cor de rosa, a de óculos e malinha a tombar-lhe elegantemente no braço. As sapatilhas popularizaram-se e o largo corredor drapeado parece um prolongamento dos corredores do secundário. Engano-me. São os meus olhos que deixaram de vislumbrar gente crescida e atestam apenas miúdos com passadas largas de tanto quererem parecer gigantes. As escadas, as mesmas. Imponentes, cansativas, desgastantes, separam os miúdos das salas que os deverão tornar mais homenzinhos. E revejo-me a subi-las há tantos anos atrás, apressada, descompassada, despreocupadamente leve. Não usava sapatilhas, eu.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Saudade



Definição de saudade:


"Saudade é uma vizinha que, de vez em quando, vem bater à minha porta."


do aluno Luís Carlos, 9º 7

quinta-feira, 27 de março de 2008

Na bagagem, entre outros, um novo livro de respostas.

(imagem retirada daqui)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Pérolas a porcos

Vivemos como sonhamos - sós...
jjj
O Coração das Trevas, Joseph Conrad

sexta-feira, 21 de março de 2008

à minha porta

Rua Torta
Lua Morta
Tua Porta
Cassiano Ricardo

quarta-feira, 19 de março de 2008

Do princípio demo-crático

Assim se faz política no Ministério da 5 de Outubro. Primeiro, escaparates que anunciam semiacordos inexistentes. Qualquer notícia de rodapé que desminta a anterior será sempre suave. Depois, depois... Depois, temos Isto. A política não se faz na rua, segundo a Ministra. tem toda a razão. É essencialmente jogo de bastidores, de aparências, de meias verdades e de (des)enganos propositados. Clap, clap!

Pérolas a porcos

Cada vez mais nos tornamos consumidores de simulações em vez de lidarmos directamente com a vida, actores que abandonaram o palco e desceram para a plateia.
dddd
Guia para os perplexos, Gilad Atzom

terça-feira, 18 de março de 2008

Mentecapto

"Larga, isso é música de pretos!" - disse o progenitor mentecapto à sua pequena cria que, bastante divertida, mexia nos CDs.

segunda-feira, 17 de março de 2008

To know or not to know

escreves? quero ler-te sei que escreves

Da separação: entre dois infinitos, a melancolia

Chega às mãos a marcar compassadamente o oceano da Ilha. As memórias são sempre ensopadas de lágrimas, por uma cegueira rasa de água. É o melhor ponto de vista, sussurra o Mestre. A chave encerra o local onde está pousado o embrulho, o local secreto onde o ontem cruza o hoje e deixa saudade. Abre a caixa e soçobra. Encerra-a novamente, por falta de tempo. Desembrulha-a agora, quase fora do tempo, quando quase se esgota e poderá eventualmente espraiar-se pelo compasso de espera dos dias por-vir.
"Ce que j'apelle la différance avec un a: interruption ininterrompue(...)". (J. Derrida)
Lê e encerra-se. Deixa-se interromper, sair do tempo, mortalmente ferida pela separação (desde sempre ferida), pelos dias que correm sem correr, pela desinterrupção dos dias normais. Suspende-se nas palavras lidas, ditas, sussurradas pelo filósofo, repetidas na Tradução também ela Obra.
"Mon seul désir reste de donner à lire l'interruption." (J. Derrida)
O único desejo é conseguir lê-La. Sabe que não é leitora à Sua altura.

Casos abandonados...

Por convicção (da polícia) de se tratarem de falsas denúncias: "She told me she did not believe she had been raped. She was just annoyed that (the alleged offender) had not stopped having sex with her when she said no." Cá para mim, eu também ficaria bastante annoyed... melhor, ficaria furibunda - a ponto de ficar traumatizada, mas desconfio que este detective soubesse o que isso é. Da minha parte, recomendo-lhe umas leituras sobre coping: "Coping (Serra, 1988) é o termo que se aplica às estratégias que o indivíduo utiliza para lidar com situações indutoras de stress (dano, ameaça ou desafio). A ameaça envolve uma antecipação de algo que pode vir a acontecer; os esforços de coping centram-se, pois, no futuro, de forma a que o indivíduo consiga manter o seu estatuto ou neutralize os aspectos maléficos da situação. No caso das situações de dano, as tentativas de coping são dirigidas ao presente, em termos de tolerância ou de reinterpretação do mal sucedido. No caso das situações de desafio, o indivíduo sente que as exigências podem ser alcançadas ou ultrapassadas; neste caso, pode ocorrer uma distorção da realidade ou uma forma de auto-engano, não sendo qualquer delas adequada." Em todo o caso, fica a questão: o facto de acreditarmos torna mesmo os factos reais? Será que só por eu acreditar que ganho bem, passarei efectivamente a ser bem remunerada?

domingo, 16 de março de 2008

Lullaby de Domingo ou Longo Suspiro Endereçado a Oh (My Private) Lord

"It must feel nice To leave no trace (no trace at all)"
Verdadeiro dilema, a escolha desta lullaby. Há exactamente oito dias que lhe ouço o novíssimo Dig, Lazarus, Dig. Aqui fica Moonland.

sábado, 15 de março de 2008

DilemaS


Consta que falo demasiado bem para quem anda à procura de emprego;
Ouço que tenho que controlar a (minha) forte presença (e peço logo à sombra que anda a meu lado que desapareça);
Diz-se que tenho que controlar o (meu) snobismo (não consigo disfarçar a minha ascendência britânica - can't help it);
Aparentemente, parece que possuo uma empresa e não que procuro uma onde possa trabalhar.


Haverá algum lugar de accionista vago? E não, não me direccionem para a Bolsa de Valores, por favor, à qual já concorri e explicaram-me... do alto do seu snobismo.... que não possuo o perfil indicado.

Boas férias!

No que se refere à paideia das crianças e dos jovens e à educação do povo, é de sublinhar, por um lado, a sua dimensão lúdica e, por outro, a sua realização como aplicação concreta e literal da antiga metáfora de que o mundo é um livro. A Sapiência fez adornar as muralhas externas e internas dos sete círculos com pinturas que representam todas as ciências: a Geologia, a Botânica, a Biologia, a Geografia, as Artes Mecânias, a História, a Religião e a Astrologia. E é assim, lendo o que está escrito ou pintado nos muros, que se aprende, pois, como diz Campanella, "há professores que explicam estas pinturas e habituam as crianças a aprender sem fadiga, quase que a modo de divertimento, todas as ciências, mas com método histórico." Os mestres são anciãos e o ensino feito na infância, a partir do primeiro ano, é um ensino integral e pluridisciplinar em que se cruza a teoria com a prática e em que a aprendizagem é um jogo permanente em todo o espaço: cidade e campo, oficinas e estádios, templos e escolas.
Também aqui muito teríamos a aprender, em tempos de especialização e profunda unidimensionalização do ensino, pois bem melhor é exercida a cidadania quando os cidadãos são cultos e com uma boa formação humanística, para além da respectiva especialização científica, do que quando são incultos, bárbaros e ignorantes (para já não falar dos políticos cuja ignorância, hoje, de tão ostentória, bem pode ser considerada um triste sinal dos nossos tempos...).
" As utopias do Renascimento" in Diálogo intercultural, Utopia e Mestiçagens em Tempos de Globalização, João Maria André , Ariadne Editora, Coimbra, 2oo5

* "ridendo, castigat mores"

Enquanto almoçávamos no bar da escola, um grupo de colegas e amigos iam dizendo piadas e anedotas. No decorrer daquela galhofa, alguém ia saindo para pôr a sua louça no balcão. Passado pouco tempo, regressava novamente à mesa com um guardanapo, ou com a sobremesa ou com um café. Depois de ter absorvido de forma silenciosa, impávida e serena tudo o que comia, bebia, ouvia e via, interrompe o incauto grupo divertido e diz: - Sabiam que agora os professores estão proibidos de dizer anedotas nas escolas? Fiquem sabendo que vem na Lei, foi a ministra que mandou decretar! Alguns já foram contactados pela polícia, e há quem diga que vão sofrer represálias. Isto desencadeou imensas reacções e problemas para quem queria engolir o que ainda tinha na boca. E ainda, não se dando por satisfeito, diz: - Agora é só uma piada, mas… nunca se sabe! Conclusão: isso não se faz!! Temos que estar preparados para digerir as novidades. Tudo de repente faz mal, muito mal.
* "A rir castigam-se os costumes"

Especialidades gastronómicas em tempo de jejum

Páscoa é sinónimo de saída da Ilha.Como tal e porque passaremos pela Invicta (Nefertiti e moi), solicitamos a Mr. Funes uma re-edição do jantar do passado mês de Fevereiro para a próxima 6.ª Feira (santa?), dia 21. Sugestões ou reclamações para a caixa de comentários ou para o mail.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Pérolas a porcos

Há estrelas mortas que ainda brilham porque a sua luz ficou aprisionada no tempo.
Como situar-me em face desta luz, que, em bom rigor, não existe?
hhhhh
Cosmópolis, Don DeLillo

quinta-feira, 13 de março de 2008

Post Scriptum de post scriptum

Medição de pulso: Não, o palavrão do post de baixo ainda não me passou. Prova-se assim que a autoconsciência não significa que se resolva a maleita.

Post Scriptum

A autocomiseração também.

De joelhos: Why (not) me, Lord?

Já quase apenas se distingue a ponta dos meus cabelos por entre a papelada com que tenho que me amanhar. Entretanto, toca o telefone e procuro-o freneticamente. Atendo-o após esforço hercúleo para afastar o peso da responsabilidade. Do outro lado ouço: "Só para te informar que estive no Tate's e lembrei-me de ti. Amanhã, calmamente, verei a exposição de Man Ray e companhia." Bufo e rogo alguns insultos mentais, nomeadamente em francês. A inveja é realmente muito feia.

Síndrome de mãe

Sempre que tento pôr a comida nos pratos, há sempre alguém que diz: - CUIDADO! Ela tem o síndrome de mãe!
Depois, vejo mãos em cima dos pratos e ouço: - Deixa, eu sirvo-me!
Fico sempre com a colher cheia de comida suspensa e com o coração partido. Fico muito triste. Não mereço isso! Filhos ingratos!!

terça-feira, 11 de março de 2008

O admirável mundo da bola

As equipas eram feitas à pressão e segundo o grau da amizade que tínhamos uns pelos outros. Eu, por exemplo, ficava sempre na equipa do meu irmão e das minhas primas. As balizas eram duas pedras paralelamente alinhadas e a distância entre elas era incerta, dependia sempre do número de jogadores e do critério de quem organizava o jogo, ou de um entendimento unânime. O campo era a rua alongada e pouco larga. Não existia meio campo. As linhas laterais eram os muros das casas. Estávamos equipados com aquilo que calhava: saias, chinelos, sapatilhas, calças, etc. As cores das camisolas eram ignoradas, nós reconhecíamos facilmente quem eram os “nossos”. Aliás, as cores eram muitas, só que se misturavam. Depois de criarmos as condições necessárias, iniciávamos então o jogo propriamente dito e com “tudo ao molho e fé” na pontaria. Os penaltys eram marcados conforme a sensibilidade do lesado; por norma, eram assinalados e, quando calhava, marcados assim: “já não brinco mais”; “levas um murro”; “vou dizer à minha mãe; “levas uma canelada” e de muitas mais maneiras que já não me lembro. Estes ditos e feitos eram sempre acompanhados por impropérios que não vale a pena referir. Enquanto jogávamos, havia sempre alguém mais (pseudo) entendido no assunto que relatava o jogo, e que resultava mais ou menos assim: Chalana passa a bola para o Pelé, Pelé perde a bola, e é o Eusébio, o Pantera, o Maior, o Admirável que tem a bola, finta Maradona, finta Cadete, finta Rui Águas, finta outro e mais outro e é… GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLO! Nem todos os golos eram consensuais, as dúvidas e as polémicas podiam surgir a qualquer momento. Discutia-se então: “foi ou não foi com a mão”, “a bola passou ou não passou por trás da pedra”, “as pedras estavam ou não estavam no lugar inicial”. Enfim, eram sempre momentos de profundos e, por vezes, conflituosos debates. O jogo lá aí prosseguindo, mas com muitas baixas. Os jogadores iam desistindo à medida que as mães chamavam ou à medida que aquele jogo se tornava cada vez mais competitivo e selectivo. Por fim, só ficavam os “loucos da bola”. Restavam sempre pouco mais do que três ou quatro jogadores.

segunda-feira, 10 de março de 2008

007 - Sem licença

De manhã é complicado e aborrecido conjugar roupas. E se for às sete horas da manhã, é um verdadeiro quebra-cabeças. Acho que a farda seria uma solução para este meu problema. Hoje, antes de sair de casa, olhei para o espelho e vi um detective. Capa bege, cabelo apanhado e óculos escuros! Correu mesmo mal. Voltar a trocar de roupa? Fora do meu alcance, o tempo era nenhum. Lá fui eu mesmo assim e a pensar ou a consolar-me: “Só tu é que vês um detective e, já agora, a Pantera Cor-de-rosa, faça o favor! Esta imaginação é, por vezes, uma verdadeira tortura. Idiota, isso não interessa! E se pareces? Qual o problema? Esquece, ninguém se lembra de tal coisa.” O dia correu bem, até que, mesmo no momento em que dava por terminadas as minhas tarefas profissionais, ouvi um miúdo a dizer para o colega do lado: “ A Professora, hoje, parece um detective!”. Fiquei destroçada.

domingo, 9 de março de 2008

Há dias assim!


Não ter recebido mensagens e saudações no dia da mulher, foi uma conquista pessoal. A minha lição foi bem dada e assimilada por aqueles que me conhecem bem. Já agora, deixo aqui o tópicos da matéria, a saber:

- Ok, sou mulher e depois?;

- Parabéns?;

- O meu dia? Desculpa, mas não é. Hoje não estou mesmo nos meus dias!;

- É óbvio que sou mulher, mas ainda não te apercebeste disso? Credo!;

- Quando é o dia do homem?;

- Não gosto de flores cortadas e muito menos dentro de casa.


( de Miró)
Mais clara, concreta e concisa? Impossível, só mesmo se fosse um homem.

A brasileira e o homem pobre

Ando entretida a tentar perceber (!) como é que na era dos testes de sangue e de ADN, os nossos tribunais ou a respectiva jurisprudência se sai com mimos destes: "(...) ouvido o presidente da Junta de Freguesia como forma de ajuizar o comportamento de Luísa, vem o mesmo correar aos autos afirmações pouco abonatórias da seriedade e honestidade dessa no campo sexual. Seguramente se conclui não haver prova que o indigitado Pedro seja o pai do menor" (extracto de autos de um processo de averiguação oficiosa de paternidade) Mas ao ler os comentários do Luís Lavoura a um post da Fernanda Câncio sobre a novela que opõe uma família adoptiva a um pai biológico, suspeitei que este fosse um dos juízes dos quais tenho lido algumas pérolas:

"A Fernanda não tem em conta duas coisas: que este caso se passa com uma brasileira e com um homem relativamente pobre.

Quando a mulher vai ter com Baltazar e lhe diz que está grávida dele, Baltazar pensa, muitíssimo legitimamente, que boa parte das brasileiras que vivem em Portugal são mulheres engatatonas, que ganham parte das suas vidas em prostituição e artes similares. Talvez seja maior a fama do que o proveito das brasileiras, mas é a fama delas. Então Baltazar raciocina que a mulher deve ter tido relações sexuais com muitos outros além dele, e que, embora até seja possível que a menina seja sua filha, não há grande certeza nesse sentido. E então decide não a perfilhar. É uma solução razoável, em minha opinião. A Fernanda saberá que estudos realizados em países desenvolvidos mostram que 10% das crianças não são filhas biológicas de quem julgam que são. No caso das brasileiras residentes em Portugal, talvez a percentagem seja maior.

Ou seja, Baltazar não tem qualquer obrigação de perfilhar uma criança quando tem fundadas suspeitas de que a sua mãe não é uma mulher séria.

Resumindo: Baltazar nada fez de errado, tendo em conta que é pobre - não se pode dar ao luxo de andar a pagar testes de ADN a crianças que, com boa probabilidade, não são suas - e tendo em conta que a mulher com quem se envolvera é uma brasileira. Ou seja, mais ou menos, uma puta." Caramba, este senhor é um génio! Como é que tal nunca me tinha ocorrido? A nacionalidade da mãe, bem como as condições económicas do provável pai são os elementos cruciais para averiguar a paternidade de uma criança. Sendo que, se a nacionalidade da mãe é o elemento mais fidedigno para comprovar a sua (tão crucial nos tempos que correm) honestidade sexual.

Faço meu o título de Funes: Covarde!*

Sócrates (infeliz necessidade de evocar tal nome em vão) desapareceu do mapa, na tentativa de não arder na fogueira que ajudou a atear. Aliás, é sintomática a sua predilecção para o jogging. Uma espécie de treino de fôlego. Mas pensará (??) realmente que os 100 mil que tiveram a oportunidade de se manifestar nas ruas não o farão nas urnas? Mas julgará que o descontentamento se fica pelos 100 mil cidadãos que hoje saíram à rua? E onde pára o P.M. no dia em que 100 mil eleitores lhe manifestam o descontentamento? Enganei-me. A lullaby de hoje deveria ter sido o Requiem de Mozart. Pensando bem, ainda bem que não a escolhi. Bom demais para ilustrar (musicar) a covardia de Sócrates. *Subscrevo o post de Funes. Não apenas o título.

Lullaby de Domingo

O Dia Internacional da Mulher não se resume às comemorações bacocas e ao merchandising amoral que se criou. É a perversão do seu verdadeiro intuito, a acefalia generalizada por entre rosinhas e prendinhas e jantarinhos e sorriso condescendentes. E no entanto, as mentalidades continuam (quase) as mesmas:



Por forma a denunciar o estado morno das coisas, a alterar a vergonha em assumir uma feminilidade que revele maioridade: que se coloquem as questões em cima da mesa!


sábado, 8 de março de 2008

Resposta a Jorge C

Governo porreiro, pá!

Um governo cujo Primeiro-ministro teve problemas com os seus diplomas e não se sabe bem quando, onde e como os angariou. Um governo que se auto – elogia. Um governo cuja ministra de educação ignora que o arquipélago dos Açores é território português. Um governo que não vê o fosso abismal que está a haver entre ricos e pobres. Um governo que perde tempo a discutir projectos megalómanos, como foi o caso da OTA. Um governo que gosta de se projectar com cimeiras que ninguém percebe bem para que servem. Um governo que só quer saber de estatística e sondagens, e ignora os problemas que ele próprio cria. Um governo pouco sensível ao drama dos nossos idosos. Um governo que ignora a criminalidade crescente. Um governo que quer combater a desertificação de certas zonas do país fechando centros de saúde. Um governo que aumenta a carga laboral, aumenta impostos e, acima de tudo, aumenta o baixo poder de compra. Um governo que não cria perspectivas futuras nos jovens. Um governo que vive às custas de todos nós e que se sente lesado e indignado com as contestações. Porreiro, pá!

Da clandestinidade e da vergonha na cara

Há muito que alguns gostam de se intitular donos do 25 de Abril. Para engalaná-lo de cravos vermelhos nas passadeiras da mesma cor em que desfilam durante as comemorações de um dia que representa a memória de inúmeros mortos, de um lápis azul, de tortura e de presos políticos, do Tarrafal, da miséria, do analfabetismo, do machismo. Esquecer os clandestinos, tentar branquear o papel de alguns por antipatia ao partido de origem daqueles, é no mínimo, revelador do carácter (abjecto) de quem profere estas aberrações.
E terão efectuado o registo da patente?

Digno de ser recitado no Circo

"Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço."
Bem sei que o facto de isto ser publicado no Correio da Manhã já é indício do real valor do artigo. Mas não posso deixar de registar que os meus alunos de 11.º ano seriam perfeitamente capazes de desmontar este texto de Emídio Rangel. Bom exercício para detecção de argumentação falaciosa.

Declaração de responsabilidades 2

Expectante quanto ao dia de amanhã (em rigor, já hoje, daqui a algumas horas). A consequência mais previsível é que Sócrates, na sua oportuna(ista) sageza, numa atitude absolutamente adequada com a época que se aproxima, lave as mãos e declare: crucifiquem-na. A diferença substancial é que nem a Ministra tem espírito messiânico, nem Sócrates é tão "ingénuo" quanto Pilatos. Muito provavelmente a saída de Maria de Lurdes Rodrigues acontecerá. No entanto, estou em crer que nada de substancial sofrerá alterações. Urge que se desmonte a máquina propagandística deste Executivo que tem conseguido fazer com que o líder se safe quase incólume. É necessário desmontar o discurso manipulativo de Sócrates*. * O que remete, aparentemente, para essa já clássica pergunta: "E tu sabes o que é um paradoxo?"

sexta-feira, 7 de março de 2008

Cogitações avulsas de uma esquerdina

Finalmente percebo de que "diálogo" falava a Ministra da Educação na entrevista de ontem: frisou que o Ministério o mantinha com os sindicatos, mas que a negociação estava fechada e repetiu até à exaustão que mantinha o "diálogo" com as Escolas. A ser verdade o que tem sido veiculado na Imprensa - de que a polícia tem visitado algumas Escolas a fim de averiguar quantos professores tencionam participar na manifestação de sábado - podemos perceber que tipo de "diálogo" defende este Ministério. E que intermediários pretende. Recomendação: consulte-se o dicionário. Sejamos mais rigorosas na utilização das palavras.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Vaca que anda no monte não tem boi certo


Quando achamos que o STJ já perdeu a capacidade de nos surpreender, eis que surge a Helena Machado para nos provar do contrário.

P.S: inicialmente, pensei que a brejeirice que está no título era um original de uma criatura chamada a testemunhar num caso de (a)filiação. Enganei-me, afinal é um provérbio.....

Picture by Phillip Halsman

"Autismos"

(...) Num sentido mais restrito, o autismo foi apontando por Bleuler como um dos sintomas fundamentais da esquizofrenia: o indivíduo sofre de introversão extrema, a realidade exterior perde cada vez mais significado e não lhe é possível relacionar-se com os outros. O doente sente-se diferente, isola-se, queixa-se de que ninguém reconhece as suas potencialidades e vive o quotidiano em busca de identidade.
Em busca de um sentido mais comum, peço ajuda ao Dicionário Houaiss: "Autismo - polarização privilegiada do mundo dos pensamentos, das representações e sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo circundante.
(...)
Não ignoro o mal-estar de muito docentes, facto que tenho denunciado, por escrito e oralmente, em múltiplos contextos onde intervenho: as escolas estão a ser transformadas em escritórios de papelada burocrática, com os professores a ter cada vez menos tempo para falarem com os alunos; a indispensável avaliação dos professores e o imprescindível estatuto do aluno foram transformados em mais fichas cheias de alíneas, com a agravante de porem professores uns contra os outros, com alguns a espreitar as aulas de colegas, num ambiente de desconfiança apressada que não terá bons reflexos no clima escolar. Sei, no entanto, que há professores, sobretudo aqueles que pertencem às direcções das escolas, a apoiar algumas medidas actuais e que se apressam em cumpri-las: têm todo o direito de pensar desse modo e de se reunir a propósito!
(...)
Temos sobretudo de denunciar o "autismo" de membros do Governo que todos os dias, nos querem fazer crer que tudo caminha para melhor, quando a realidade do quotidiano de muitas famílias mostra o contrário. A solução para esse " autismo" só pode ser uma: ouvir muitas opiniões, sobretudo daqueles que não têm acesso aos "media" nem às estruturas do Largo do Rato. E José Sócrates não precisaria de criticar professores que se manifestam se, lado a lado com os dirigentes do Ministério da Educação, se dispusesse a falar com professores de várias zonas do país, sem agenda prévia nem resumos dos acessores."
"Autismos", Daniel Sampaio - In Pública, 24-2-2008

terça-feira, 4 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

Tanta guerra, tanto engano...

No mar tanta tormenta e tanto dano, Tantas vezes a morte apercebida; Na terra tanta guerra, tanto engano, Tanta necessidade aborrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano, Onde terá segura a curta vida, Que não se arme e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno? in Os Lusíadas (I, 106), Luís Vaz de Camões

domingo, 2 de março de 2008

Declaração de responsabilidades

Insisto na questão do Ministério e, no executivo e, em última instância, em Sócrates (um nome tão promissor e no entanto...). Que não se julgue que considero o estado de coisas da exclusiva responsabilidade da Ministra da Educação; esta é apenas o rosto de uma equipa, integrada numa política que se estende por quase todas as áreas. O ilustre Primeiro, que tenta passar incólume e de fininho, é pai das posturas autistas que assistimos desde que tivemos a infelicidade de o eleger e que se multiplicam como estilo de governação nos vários Ministérios.

Em terra de cego...

Leio autênticos tratados sobre a questão dos resultados no desempenho de um professor, que é uma questão com muita piada. Não sejamos ingénuos ao pensar que os resultados constituem uma visão limpa e esclarecida do modelo (des)educativo que temos. Compreendo que para quem está por fora os "resultados" constituam uma obsessão... ora, como em tudo, esta história das estatísticas tem muito que se lhe diga. Principalmente quando os mecanismos são concertados para que se obtenham os resultados desejados. São loucos os que julgam que este Ministério procura uma população mais esclarecida; são loucos os que julgam que este Ministério investe no verdadeiro conhecimento. Interessam os gráficos e estatísticas para Europeu (e Português distraído) ver. O resto é paisagem.

Senhoras e senhores, suas"excelências", os excelentes profissionais

Ando há que tempos a reunir coragem para me meter na pasta (do Ministério) da Educação, mas a verdade é que me sinto cansada mesmo antes de começar. Pior. São incontáveis as possibilidades de começo, pelo que me deixo ficar quietinha. Contudo, confesso que me divirto a ler o que se escreve por aí; alguns, que "não amam" a "educação", conheço-os de ginjeira. A entrada na escola deu-se do mesmo modo como em tudo o resto: à caça do cargozinho. Na maior parte das vezes a estratégia resulta. A esses, acredito que o modelo de avaliação somado à proposta de gestão de escolas seja suficientemente aliciante, dado o grau de possibilidades que lhes são disponibilizadas: é que não tenham dúvidas nenhumas, que a avaliação "rigorosa" que se apregoa apenas vai beneficiar os que raramente, ou mesmo nunca, colocam o seu real traseirinho numa sala de aula. E é vê-los inchar o peito e perorar sobre excelência.

Lullaby de Domingo

Uma lullaby bilingue, das minhas favoritas em relação ao que foi feito por estes senhores. Vi-os várias vezes ao vivo, mas nunca tive a sorte que a interpretassem.
"Nous sommes derangés Toujours par des mirages, Mais ça fait réver plus, Ça donne du courage!"

sábado, 1 de março de 2008

Vírus no sistema


Na sexta-feira, enquanto trabalhava, ouvia da televisão os senhores deputados e, desde logo, pensei que fossem vírus que estavam a contaminar e a deturpar o som, pois só diziam disparates! Uma falha no sistema pode muito bem acontecer nos dias que ocorrem.

Na falta de Educação

Não sou contra as avaliações de professores, contudo ficarei mais sossegada se esta for feita por um organismo devidamente preparado e exterior à escola onde me encontro a trabalhar. Sou a favor da imparcialidade na avaliação. Não estou minimamente preocupada que venham às minhas aulas, até sou a favor, aliás, eu já convidei encarregados de educação para o fazerem, mas “os Desejados Assistentes” e, supostamente, interessados ainda não apareceram (nem nos dias mais nebulosos). Sou a favor da escola inclusiva, mas responsável e progressiva também. O crescimento de qualquer ente passa, fundamentalmente, pela experiência, e esta deve ser positiva. Acho que seria uma óptima ideia que os pais fossem multados sempre que não viessem à escola buscar as notas dos filhos ou sempre que fossem convocados e não comparecessem. A ideia da multa também serviria para aqueles alunos que se portassem mal na escola e que faltassem às aulas sem quaisquer justificações (julgo que há escolas inglesas que já aplicam este tipo de multas!). Sou a favor do civismo, mesmo que este seja imposto. As leituras seriam pagas! Por cada livro lido receberiam uma pequena quantia de dinheiro (a ideia também não é original, li numa revista)! Sou a favor da leitura com um certo (a)preço. As Actas, processos, projectos, grelhas de avaliação, relatórios e mais não-sei-quê que exigem nas escolas, em suporte informático. O papel deveria ser vendido a peso d´ ouro! Sou a favor das novas tecnologias ao serviço da educação ambiental. Para se ser Ministro da Educação, eu sou a favor de alguém que tenha conhecimento da matéria ou que seja, no mínino, um professor titular.

The day I fall in love with Johnny Depp

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

À beira de um ataque de nervos 2

Após corrida desenfreada para chegar a horas ao consultório, duas horas depois permanecia sentada, impacientemente à espera. Se primeiramente abriu o livro com gosto, ao fim de algum tempo o teor do mesmo, aliado à falta de paciência, azedou-lhe a espera. O único momento mais rizível foi quando se deparou com o seguinte: "Pergunta: como fazer para não se perder tempo? Resposta: senti-lo em toda a sua extensão. Meios: passar os dias na sala de espera de um dentista, numa cadeira desconfortável; viver à nossa varanda as tardes de domingo; ouvir conferências numa língua que não se compreende; escolher os itinerários de caminho de ferro mais longos e emnos cómodos e viajar de pé, naturalmente; fazer bicha nas bilheteiras dos espectáculos e não tomar a sua vez, etc, etc."
Albert Camus, A Peste

À beira de um ataque de nervos 1

Não foi uma ideia particularmente boa levar Camus para a sala de espera de um consultório médico.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Ao JorgeC

Por isso sai, sai da minha vida. Vai, não quero sofrer, Sai que eu morro de Ciúmes, Ai, dessa [MÚSICA] da outra mulher. Por isso sai, sai da minha vida. Vai não te quero ver, Sai sem nenhum queixume, E leva [ a música] da outra mulher. Perfume de Mulher (adaptada), de Ágata

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

CUIDADO COM O CÃO!



-É MEIGO e morde apenas se não for com a pessoa;
-É COMPANHEIRO, só foge na altura do cio e reaparece já moribundo;
- É LIMPO se não avistar "porcarias";
- É OBEDIENTE se não houver por perto gatos ou carteiros;
- É ALTRUÍSTA: urina sempre para o próximo;
- É AMIGO do seu osso também;
- É COMPREENSIVO, mas não lhe puxem muito o pêlo...
...e quando gosta de alguém torna-se um "lambidor" descontrolado!
É o Chico.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Demências

Já não bastava Nick Cave, agora a santíssima trindade - até 26 de Maio no Tate Modern (low cost, pessoal, low cost).
(Rrose Selavy, fotografia de Man Ray)

"-Tem-se a impressão de que cada vez que é levado a tomar uma posição, você retira-lhe a importância pela ironia ou pelo sarcasmo.
- Sempre. Porque não acredito nela.
- Mas em que acredita?
- Em nada! A palavra «crença» é um erro também. É como a palavra «julgamento». São dados terríveis sobre os quais o mundo está baseado. Espero que, na Lua, não seja assim.
- Todavia acredita em si?
- Não.
- Nem isso?
- Não acredito na palavra «ser». O conceito ser é uma invenção humana.
- ama assim tanto as palavras?
- Ah! Sim, as palavras poéticas.
- Ser, é muito poético.
- Não, nem por isso. É um conceito essencial que, na realidade, não existe, no qual não creio, mas muita gente crê ferrenhamente. Não se pode ter a ideia de não acreditar nas palavras «eu sou», não é?"
Marcel Duchamp, Engenheiro do Tempo Perdido - Entrevistas com Pierre Cabanne

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Hoje dei uma para a caixa (do lixo)!


No fundo da sala estava uma bola de papel enorme. Automaticamente apanhei-a e, sem me lembrar que era a professora, fiz pontaria e... não é que acertei em cheio no caixote do lixo?! Ena, encestei!
Hoje fui uma espécie heroína para os meus alunos do nono ano.
Contudo, o tempo que estive na ribalta foi como um “sol de pouca dura”, mas enquanto durou soube-me muito bem!
(Agora percebo melhor o poder da Bola. Bolas! Onde andei eu este tempo todo?)

Desassossegos 3 - Crónica de uma gata (semi) sitiada

Caríssimos: Há muito que não vos presto contas de mim, mas o certo é que aguardei pacientemente que perguntásseis. Com o desenrolar dos tempos, passei por várias fases: primeiro, tédio, a aguardar as vossas solicitações. Depois, impacência, perante a vossa displicência em nem perguntar por mim. Finalmente, raiva. Odiei-vos, caros amigos, odiei-vos. A vós principalmente, Mr. Lekker, que ainda pensei que tivéssemos um relacionamento especial. A única coisa que sei é que nunca mais perguntou por mim nem por minhas dietas. Vigiei constantemente este pc, à espera de notícias. Nunca chegaram. Enfim, sou uma gata abandonada à sua sorte. O motivo por que os meus bigodes surgem novamente por cá é o seguinte: contar-vos as últimas do ranhoso, velho arqui-inimigo. É que, nos últimos tempos, a criatura revelou uma faceta surpreendente. Continua agressivo para comigo - que os rancores não lhe passam (nem a mim, nem a mim). Mas é um rancor mais desimportado. Com menos esperas e menos espuma no canto da boca. Com rosnares mais mansos. Tornou-se um estranho, o patifezinho. Quase simpático. Ignora-me, o bandido, como se eu fosse gata para ser ignorada (o recado também serve para vós). Até certo ponto, concedo que este quase abandono melhorou o meu dia-a-dia; já me atrevo a colocar as quatro patas no quintal e até, por vezes, a acompanhar orgulhosamente a apanha do correio - diverte-me provocar os idiotas de quatro patas que ladram (literalmente) à minha arrogante passagem. Na maior parte das vezes, o monstro dorme e não me dispensa meio minuto de atenção. Ergo a cauda e as orelhas e passeio-me olhando-o de soslaio, não vá o diabo (o próprio) tecê-las. A cena tem-se repetido invariavelmente e até é comentada nas redondezas. Primeiro, ignorei o desinteresse do velho iracundo. Pensei que se lhe passava a generosidade. Uma febre que rapidamente teria cura. Contudo, surpreendeu-me, o ignóbil. A gota de água deu-se quando percebi que a criatura ganhou ternura (confesso que até se me descaíram os bigodes - e admito que me acontece com alguma frequência), mas informava eu que o bicho feio ganhou ternura porque deu-lhe para ser Pai! Leram bem, caros ingratos (até fiz parágrafo para voz dar tempo a digerir a novidade). Pai! A criatura tomou a seu cargo dois ranhositos das redondezas que o seguem por todo o lado. E é vê-los, preguiçosamente a dormir debaixo do meu nariz - como quem diz, que em rigor dormem debaixo do carro da Woab. Amorosamente os três. Enconstados, deliciados com o sol, com ronronares suficientemente sonoros para despertar a atenção de quem circula. Inclusive apanhei os dois projectos de patifezinhos a afilar as unhas no corpanzil do velho doido, muito satisfeitos como se a criatura tivesse útero e os tivesse parido. Está tudo doido! Menos eu, está claro. PS - E vai sem fotografia, face à desconsideração de que tenho sido vítima.

sábado, 23 de fevereiro de 2008


A ânsia da escrita passara,
A intensidade das palavras esgotara-se.
Abdicara agora da memória,
Desse pedaço de lembranças expurgadas no tempo

Decidira que ao fechar os olhos não veria
Mais os seres de outrora
De ora em diante
Formalizara o contrato com a deusa

E ela - e outras - não mais lhe enviariam mensagens.
Já não era preciso.
She had learn her lesson:
Fo(r)-ever.

Foto de Rupak de Chowdhuri

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"É muito perigoso ser-se feminista em Portugal."

Pode ler-se, a voz de Isabel Barreno sobre a morte de Madalena Barbosa, feminista exemplar. Qualquer dificuldade que mulheres como eu encontrem hoje ao hastear a bandeira do feminismo (e por cá imagine-se os sobrolhos), não será comparável com a coragem que mulheres como esta tiveram, ao erguê-la em tempos bem mais sombrios e escusos. Muito lhes devemos. Madalena Barbosa, obviamente, faz parte da Comissão Promotora do Congresso que se avizinha. Militou sempre por um País mais esclarecido no que diz respeito às questões sobre as Mulheres. A nossa homenagem.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Longe, a distância

Só, incessante, um som de flauta chora, Viúva, grácil, na escuridão tranquila - Perdida voz que de entre as mais se exila, - Festões de som dissimulando a hora. Na orgia, ao longe, que em clarões cintila E os lábios, branca, do carmim desflora ... Só, incessante, um som de flauta chora, Viúva, grácil, na escuridão tranquila. E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora, Cauta, detém. Só modulada trila A faluta débil ... Quem há-de remi-la? Quem sabe a dor que sem razão deplora? Só incessante, um som de flauta chora ... Camilo Pessanha, Ao longe os barcos de flores

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

"I Have a Dream"

Um dia, (quase) todos os meus alunos ficarão igualmente entusiasmados com um excerto de um diálogo platónico. Confissões (que não as de Agostinho de Hipona - que recuso atribuir-lhe o epíteto de santo): Digamos que a Alegoria da Caverna não teve a recepção desejada.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Vai daí...

"Sócrates - (...) Achas que os oradores falam sempre com vista ao maior bem, na preocupação constante de melhorar os cidadãos com os seus discursos, ou que o seu empenho se cifra em agradar ao povo, pospondo o interesse comum ao seu interesse particular e tratando os cidadãos como crianças, a quem tentam agradar a todo o custo, sem curar de saber se os tornam melhores ou piores com estes processos? Cálicles - A tua pergunta exige que se faça uma distinção: há oradores que falam tendo em vista o interesse público e outros que são, na verdade, como dizes. Sócrates - Admitamos que sim: se há, de facto, dois aspectos a considerar nesta questão, teremos uma eloquência política que não é mais que uma adulação e uma vergonha, e outra que é bela e vive empenhada em melhorar o mais possível as almas dos cidadãos, esforçando-se sempre por dizer o melhor, seja ou não agradável ao auditório. Mas tu nunca viste uma retórica deste segundo tipo."
Platão, Górgias, (502e -503a)

Cogitações avulsas de uma esquerdina

Recomendo vivamente que, em dias mais depressivos, se dediquem à leitura das vociferações de "boys" profissionais em relação a "tachos" e "competências" de outros. Ouvi algures que a melhor defesa é o ataque. Não devo ter sido a única, pois há quem se apresse a colocar em prática (como se de "ciência" se tratasse) esta pérola do senso comum.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Cooooooooooooonqueeeeest

The White Stripes - Conquest

Cada vez mais iguais

"Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros." O Triunfo dos Porcos de George Orwell

Muito pertinente. Gostei

Everything in its right place disse... "... desde que fazes estes posts morreram mais crianças às mãos assassinas dos seus pais do que aos dentes caninos destes cães. Será que devemos privar todas as crianças dos seus pais?"

Lullaby de Domingo

(um post que remete também para coelhos)
Impõe-se, graças às últimas pessegadas. Assim, aqui ficam pêssegos de todas as cores e feitios (ainda que fora de época): ampla, ritmada e indecorosamente comentados.
Esta lullaby também é maliciosamente dedicada ao RPS, graças a este post que tanto nos agradou. Deixa chegar o Verão, RPS, deixa chegar o Verão...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Afinal, apetece-me mudar...

(imagem roubada d´algures que já não me lembro)

... eis a minha imagem! (Fumo e tudo, ena! Estou surpreendida!)


Pior do que isto só mesmo os pêssegos

Chega esbaforida e diz-me: - Vou retirar o D. da tua aula de apoio, porque tu és demasiado boa pessoa e ele precisa de alguém com mais pulso! Ah, o outro motivo é porque tens mais alunos do que é permitido nessas aulas. Está bem? Apanhou-me desprevenida e porque, talvez, sou demasiado boa pessoa, respondi-lhe: - Ok. Mas lamento dizer-lhe que o D. nunca veio às minhas aulas! Não conheço o aluno. Depois de cair em mim, pensei: - Nunca tive problemas em ser boa pessoa; - Sempre consegui controlar os meus alunos; - Já fui tutora de currículos alternativos e nunca tive quaisquer problemas; - É o segundo ano que sou Directora de Turma de alunos problemáticos e, até agora, tenho conseguido desempenhar da melhor forma (apesar de sentir-me ultimamente sem grandes forças). Este género de pessoas desmoraliza-me, porque sempre achei reprovável e precipitada a atitude de alguém fazer julgamentos a nível do desempenho profissional tendo como referência o aspecto e a maneira de ser da outra pessoa. Opinar ou alvitrar é válido, mas agora julgar? É uma estupidez latente, latejante e rastejante. Obviamente que o meu método de ensinar não deve agradar a todos, pois, por norma, um óptimo professor é aquele que se impõe através do aspecto físico ou da sua maneira autoritária de agir. É importante saber obedecer e, acima de tudo, para mim, é importante que saibam pensar por que têm que o fazer. Quando não atingem esse requisito, pura e simplesmente, dou nota negativa.
Acredito que o ritmo de aprendizagem varia de pessoa para pessoa. Agora não consegue, mas amanhã conseguirá. É uma questão de tempo. Sou persistente no que respeita ao ensino. Tenho um aluno que era péssimo no ano passado, quer a nível do comportamento, quer a nível do aproveitamento e, actualmente, sempre que tem testes positivos (positivas baixas, mas positivas!) vem ao meu encontro de peito inchado e diz-me: - Ó Boss (sou novamente a sua professora/ directora), diga-me lá agora que eu não sou um génio? Gosto de ser boa pessoa e se isso impede de ser também boa professora, prefiro abdicar da minha profissão, porque eu apenas consigo melhorar enquanto ser humano e aquilo que faço (profissão) é apenas um suplemento. Mudar? NUNCA! A liberdade conquista-se e não se impõe. A liberdade ensina-se e não se incute. A liberdade compreende-se e não se decora. A liberdade quer-se ou não se quer.
E, por favor, não me venham com as estatísticas ou com os “pulsos fortes”, porque pior que isso só mesmo os pêssegos.

Pêssegos para todo(s) o(s) (des)go(s)tos














O rótulo é publicidade enganosa.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Uma história de saudade: "A Despertar" (em três actos)

Ano um:
"Contar-te longamente as perigosas coisas do mar. Contar-te o amor ardente e as ilhas que só há no verbo amar. Contar-te longamente, longamente." Manuel Alegre
Agarra o fantoche tosco, construído em uma sala de trabalhos manuais, carinhosamente vestido com tecidos recolhidos aqui e ali; é Ana, aventureira inglesa que escapa ao Pai que lhe tolhe o amor com Machim. A fuga, a cargo de Carl Orff, com o seu Amor Volat Undique. Desembarcam na Ilha, ao som de Fausto, logo após uma tempestade incrível sob a batuta de Grieg (Suite n.º2, Op.55), acompanhada por um cenário de papel brilhante com ondas (in)seguras de mãos invisíveis.
Ano dois: A cena é apadrinhada pela Dança da Fada Torrão de Açúcar, do Quebra Nozes de Tschaikovsky. Os longos cabelos loiros pendem da varanda do camarote, cabeleira improvisada em moça morena de olhos negros. A maquilhagem burlesca, o fato improvisado. Hoje é Vanina, que (não) escuta nervosamente o seu Guidobaldo: a deixa, a deixa, não me posso enganar na deixa. Ensaio após ensaio, Guidobaldo de caracóis, balbucia o poema e atreve-se a ajoelhar no chão, batalha de encenadoras contra orgulho de macho-criança que não gosta de declarações ao varandim (ainda por cima de joelhos). Ano três:
"Anjo és tu, que esse poder Jamais o teve mulher, Jamais o há-de ter em mim. Anjo és, que me domina Teu ser o meu ser sem fim; (...) E minha alma, forte, ardente, (...) Covardemente sujeita Anda humilde a teu poder. Anjo és tu, não és mulher." Almeida Garrett
É Julieta na Ilha, recriação tosca da velha história. Machim, que também foi Guidobaldo e agora é Romeu, está mais rebelde. Ela também. A adolescência fervilha no palco e Julieta tenta acordar o seu Romeu com estalos que não são propriamente encenados. Romeu não perde a pose e não acorda, aguenta os bofetões de olhos rasos de água. A sua declaração será feita mais tarde, depois de terminar a história, nos créditos finais. Dançam os dois ao som de Azembla Quartet, e embora esqueçam tudo o que se disse, Romeu não esquece o estalo e retribui com real pisadela à Julieta dos seus tormentos. Entorna-se o caldo e a história de amor transforma-se em drama de faca e alguidar, só resolvido com o pulso firme das encenadoras, quase mortas de riso.
Cai o pano.
3 anos depois: Reencontrei Ana/Vanina/Julieta esta semana, que me escreve a saudade dos nossos teatros. Eu também. Também tu, não é, Nefertiti? De Machim/Guidobaldo/Romeu, nada sei.
"(...)
Enquanto houver no mundo saudade Quero que seja sempre celebrada. (...)" Luís Vaz de Camões

"Espelho meu"

(de Magritte)

Objecto de Obsessão 3

No início, a culpa foi do Bartebly, que a deu a conhecer (em 2005/2006?). Entretanto, depois de algumas tentativas, acabei por enviá-la para um recanto mais obscuro da minha memória. Recuperei-a esta semana (danke).
Em estado de repetição/obsessão:
"I wanted someone to enter my life like a bird that comes into a kitchen And starts breaking things and crashes with doors and window Leaving caos and destruction. (...) We got to know each other by caressing each other's scars Avoiding getting too close to know too much. (...)."

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O que eu também acho da praxe

O tempo passa
e lembras com saudade
o saudoso tempo da universidade
foste caloiro
e quintanista
já comes caviar
esquece o alpista
P`ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar, ladrar
lamber de quatro o chão
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p`ró estudante
que não quer ser popriamente
um ingnorante
Empurrar fósforos com o nariz
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes
eis tradição
sem ser o que era dantes
(...)
Não vou usar
mais exemplos concretos
é rastejando
que se ascende aos tectos?
Então vejamos
preto no branco
as cores da razão
porque a praxe eu desanco
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
Maçã com bicho, Sérgio Godinho

Objecto de Desejo 2

Como resistir ao súbito (re)aparecimento de uma paixão antiga?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Post-it endereçado à Isabela

Estamos perante uma triste comédia. Não cai ele - caímos nós. Lenta e dolorosamente. E isto só me faz lembrar uma célebre tira da Mafalda, em que a miúda se queixa de que o irmão ainda não consegue discernir muito bem a quem deve atribuir as culpas. Nós por cá fazemos o mesmo. E alegremente nos enterramos. Ganham as hienas com este suicídio colectivo.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Livro das Respostas

"A primeira ligação já se tinha involuntariamente partido, e eu me despregava da lei, mesmo intuindo que ia entrar no inferno da matéria viva - que espécie de inferno me aguardava? mas eu tinha que ir. Eu tinha que cair na danação de minha alma, a curiosidade me consumia."
Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H. acompanhada por Astor Piazzola

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

"Les femmes ont intériorisé le fait qu'il est plus acceptable, quand ont leur demande de justifier leur choix, d'invoquer le bien-être d'un enfant inexistant que celui d'une femme qui, elle, exist déjà"

Bonecas de Luxo

Quando for grande, não quero articular uma frase que não seja sobre cabelos, trapos, restaurantes de sushi ou assuntos assim tão in, in, in, in, in, in.
Quando for grande, pouparei no cérebro e não desperdiçarei tempo a pensar em livros e música e ciência e essa coisa que dizem que é amor à sabedoria. Não quero Pessoa, nem Gedeão, nem Alegre ou Andrade. Mas sorrirei muito ao Fernando, ao António, ao Manuel ou ao Eugénio.
Baterei freneticamente os meus longos cílios optimizados por uma máscara DKNY, farei beicinho coroado por um baton Channel e bambolearei as minhas ancas ritmadamente acompanhadas por uns magníficos saltos Dolce Gabanna.
Praticarei afincadamente a sobranceria sem motivo e pouparei ao máximo o meu tiny, tiny cerebrozinho. Aliás, se puder, troco-o por uma mala Vuitton, num pestanejar voluptuoso de olhos.
Serei antipaticamente in, in, in, in.

(Pintura de Frank Cowper)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Tomber amoureux


Apaixonava-se cada vez mais pela palavra escrita. E imaginou-o caligrafia: inscrição a tinta-da-china, a povoar-lhe as páginas em branco. Desenhou-lhe um beijo.

Fotograma de Man Ray

LOLlaby de Domingo (ao Sábado)

Na senda dos paternalismos, assentos laterais e sacristias, não poderia ser outra que não esta:
Com toda a seriedade que a problemática suscita.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Procura-se companhia

Uma amiga mandou-me este email:
"PRETA E SOLTEIRA. Procuro companheiro macho, a origem étnica não é importante. Sou muito boa fêmea e adoro BRINCADEIRAS. Gosto muito de passeios nas matas, gosto de andar de jeep, de viagens para caçar, acampar e pescar, de noites de Inverno aconchegadas junto à lareira. Jantares à luz de velas fazem que vá comer-lhe à mão. Quando voltar a casa do trabalho, esperá-lo-ei à porta, vestindo apenas o que a natureza me deu. Telefone para 218756420 e pergunte pela Micas. Aguardo notícias suas..."
RESULTADO DO ANÚNCIO: mais de 15.000 homens deram por si a telefonar para a Sociedade Protectora dos Animais - Secção de Caninos.