domingo, 31 de dezembro de 2006

Lullaby de Fim de Ano

Palavra de ordem: Tolerância!


Diz-se que mais um ano terminou, mas para mim foram mais umas férias que terminaram. Foi uma pausa bem apetecida e saboreada junto daqueles que mais amo.
Na rotina criada durante estes dias, a leitura dos blogs da minha preferência estiveram na ordem dos meus afazeres. O tempo é generoso nestas alturas. Depois, li alguma informação, pois aqui os jornais só a 20km de distância e a televisão só a “quatro canais”.
O calor da lareira aproximou a família, o cão e a gata, mas não aproximou posicionamentos. As divergências confluíram sempre em intermináveis conversas. O cão e a gata, laconicamente, também intervieram para reclamar comida ou carinho.
Cá em casa, todos somos pouco dados às festividades, principalmente quando são de índole religiosa e de muitos trabalhos. A festa é estarmos juntos.

Antes que o ano que-se-diz-estar-a-terminar e de se fazer votos para que TOLERÂNCIA seja a palavra de ordem para todos nós, gostaria de partilhar um pequeno excerto de um livro que ando a ler e que acho muito interessante. Daqui, um sopro desta aprazível brisa sob forma de palavras:
“ Quando, na pausa de dois tempos em que o cansaço me não assalta, olho para a caligrafia dos temas que, nas curvas mais recentes do dia, me têm ocupado os sonhos e as memórias (…) descubro rostos e silhuetas que tanto se me impõem, quando se me escondem nas máscaras com que me desafiam, Verifico, então, que é dos encontros e desencontros que se faz o pensar da vida e que a vida em nós se pensa.
Encontramo-nos em tempos já chamados de “pós-modernidade”, com os desencontros que nos constituem: culturas várias na pluralidade das suas linhas e nas lembranças das suas proximidades, feitas de secantes, de paralelas, de dissonâncias e de convergências, sedimentam-se em camaradas com peles de muitos rostos e com rostos de muitas peles; sonhos e utopias de um dia convertem-se em “distopias” de muitas madrugadas em que o medo e o terror nos paralisam as horas povoadas de silêncio, sombras e murmúrios (…).

(…) mostrar que, afinal, é no diálogo que realizamos o conhecimento, a paz e a concórdia no seu sentimento mais literal de encontro de corações que, na diferença, convergem para a unidade.”


“Introdução” in Diálogo Intercultural, Utopia e Mestiçagens (em tempos de globalização), João Maria André, Ariadne Editora, 2005.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Silly Season

São tempos de reencontro; com as palavras aladas da pena a que sempre voltamos. Emprestar o dedo ao desfiar das frases, do novelo de pensamento que teima em se manter fora do alcance do (primeiro) olhar.

As viagens são sempre tempos de abundância; de cheiros e sabores, de gente, de livros e de (novos) sons.
São também sempre lugar de não pertença, de desconforto, de espanto.
São, em cada caso, uma dádiva.
Adivinham, sempre, saudade.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Lullaby de Natal

A ele retorno sempre, obssessivamente...
There's no fear about
If we all hold hands and very quietly shout
Hallelujah
God is in the house
God is in the house
Oh I wish He would come out
God Is in the House

sábado, 23 de dezembro de 2006

Menino Jesus

(...) Tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu tudo era falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés espetados por um prego com cabeça, E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças. O seu pai era duas pessoas - Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque nem era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E que nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça! Um dia que Deus estava a dormir E o Espírito Santo andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o Sol E desceu no primeiro raio que apanhou. Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz ao braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E que toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças E levanta-lhes as saias. (...) Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar para o chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espírito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou - "Se é que ele as criou, do que duvido." - "Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória, Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso se chamam seres." E depois, cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços E eu levo-o ao colo para casa. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... (...) A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é saber por toda a parte Que não há mistério no mundo E que tudo vale a pena. (...) Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens E ele sorri porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do Sol A variar os montes e os vales E a fazer doer aos olhos dos muros caiados. (...) ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Esta é a história do meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam ? Alberto Caeiro

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Desassossegos 2 - Crónica de uma gata sitiada


Caros amigos:

Os meus dias continuam sombrios. Sou uma gata cada vez mais confinada aos meus aposentos que, apesar de não serem maus de todo, ainda assim não se comparam ao cheiro da terra, às águas sujas dos vasos de flores ou ao sabor incomparável das ervas de que tanto gosto. Há muito que perdi o travo do exterior, o cheiro e a memória da vida ao ar livre. Continuo entre portas, graças a esse mafioso de que há algum tempo vos deram conta.
No outro dia, o energúmeno apanhou-me numa das minhas raras incursões ao pátio; a aventura custou-me um bocado da perna traseira e por isso ando a antibióticos. Uma situação deveras desagradável e dolorosa, já que é absolutamente humilhante e desagradável enfiarem-nos metade de um comprimido nojento pela garganta. Eu bem esperneio contra a coisa e tento não engoli-lo, espumar até que já nada resista. Nada a fazer; apertam-me os bigodes até que engula em seco. Perdão, até que engula em comprimido.
Mas voltando ao causador dos meus piores pesadelos... A criatura é horrenda, com uma cabeça enorme e uma cauda que nunca mais acaba. Gordo, por vezes confundo-o com um texugo (sou uma gata informada, que tem um gosto particular pelos documentários do Odisseia). Adora ameaçar-me por entre os vidros e volta e meia aparece à porta só para que não me esqueça que ele anda por ali. Certo é que, por norma, não me aventuro sozinha.
Já não sei que faça para além de ficar entre portas e desabafar nas teclas do pc do andar de cima. É a única coisa que ainda me dá algum gozo, principalmente quanto a Woab também está a teclar. Tem muita piada tentar deitar-me em cima do teclado e destabilizar o texto todo, ou morder-lhe delicadamente os dedos que se movimentam. Uma gata tem que passar o tempo com alguma coisa, que isto de só comer e dormir não chega para mim (quase, mas ainda assim não chega).
Pois bem, dado que o meu problema persiste e parece-me que tem tendência a agravar, venho por este meio pedir a Vªs Exas (que toda a gente diz que, por andarem em duas patas, são muito inteligentes) o que devo fazer para me livrar da Besta!
Sem outro assunto de momento, agradeço desde já as vossas sugestões.

Kiara

PS: A única vantagem que o malcheiroso me trouxe foi a de, à força de ficar reduzida ao espaço interior, tornar-me perita na abertura de portas.
Mais um esforço e não tarda nada estou como vós. Em duas patas!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Uma história de fome

Há alguns dias atrás, li algures sobre o resultado de um estudo efectuado sobre as refeições servidas aos doentes, nos hospitais. O estudo concluía que a ementa é manifestamente inadequada e que a tendência é a de os pacientes emagrecerem. Pelos vistos, muitas das nossas unidades hospitalares servem sem olhar a quem e temos pacientes com dificuldade em deglutir, a lidar com a necessidade de o fazer para conseguirem alimento. Mais, recolhem-se os tabuleiros sem a preocupação sequer de saber porque não foi tocado ou porque a maior parte da comida continua intacta. E, portanto, as pessoas emagrecem. Este foi o grosso da notícia que li. Não fiquei de todo chocada. Só fiquei horrorizada por perceber que o problema estende-se pela maior parte de unidades hospitalares. Há dois meses atrás, frequentei por força maior uma unidade hospitalar. Alguém querido jazia numa daquelas camas de enfermaria e tornei-me visita habitual. No nosso País, não basta alguém estar a morrer de dores; não basta alguém usar aquela bata horrorosa e descansar nos lençóis que jazem sobre as camas articuladas. Ou os sofás escuros, que constituem a sala dos pacientes. Ou deslocar-se lentamente à casa de banho, arrastando atrás de si o soro e os analgésicos que mantêm a dor temporariamente arredada. Não basta estar a morrer. E a minha amiga estava. Apesar de tudo, quando lá entrava e entregava o meu cartão de identificação, queria acreditar que, por um sortilégio qualquer, a encontraria melhor do que nos dias anteriores. Houve dias desses. Claro que, lá para o final, já nem isso conseguia. Eu sabia que estava perto do fim; ela também. Nunca o admitimos claramente. A minha amiga morria de cancro nos intestinos. A minha amiga tinha dores horríveis e não conseguia manter os alimentos no estômago durante muito tempo. Comia vagarosamente e poucas colheres de cada vez. E de todas as vezes que lá estive, as refeições eram intragáveis. Naquela enfermaria, povoada por células devoradoras de gente, servia-se peixe frito ao almoço e jardineira gordurosa ao jantar. Naquela unidade de gente cansada, servia-se macarrão com carne e molho de tomate para quem não conseguia aguentar duas colheres seguidas de gelatina. E quando reclamamos da ementa, explicaram-nos enfadadamente que o hospital tinha uma única ementa para todos os andares e enfermarias e que por essa mesma razão, a comida podia parecer inadequada. Não parecia. Era efectiva e escandalosamente inadequada. Entrei sempre naquele hospital com sacos. Com gelatinas, com frutas e gelados, que o frio acalma o estômago de quem arde por dentro. A minha amiga tinha a família e os amigos, que transformaram o carinho em alimento. Muitos não têm essa sorte. E definham não só de dor, mas também de fome.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Lullaby de Domingo

tempos de grandes apertos


Sorrisos forçados e cansados, movimentos acelerados, suspiros impacientes e o sistema informático desencontrado, meditativo… muito mesmo, por vezes, creio, no estado Zen.
É assim que se vive o grande momento no local onde trabalho. Balançados fazemos balanços.

A mim só me vinha à ideia o quadro famoso, e até reproduzi-o com expressões faciais e gestuais, em tom de brincadeira, quando uma colega/amiga saudou-me. Rimo-nos.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Lullaby de Domingo que não aconteceu.

Em tempo de balanço de competências, discussões acaloradas, trabalhos fora de prazo, grelhas de excel, critérios, actas, pautas (que não de música) e afins, passou-se um domingo sem lullaby. Prometi mentalmente que deixaria para ontem. É que 13 de Dezembro é o dia do senhor e não o queria deixar sem post. Passou-se o dia (não o Senhor) e nada de post. Apenas uma miserável sms, enviada num intervalo, mão esquerda nas teclas, mão direita no café (quase) engasgado. Assim sendo, nem domingo nem treze, mas com todo o carinho...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

De como quero banir a palavra "Reunião" do meu léxico

Duas mãos! Só tenho duas mãos. Por isso, este blog vai ficar (ainda mais) em stand by (pelo menos da minha parte). Estou farta de tanta burocracia, papelada para preencher, reuniões a preparar, assistir, documentar.... Pelos cabelos. A época natalícia apenas contagiou o ritmo do trabalho. Mais nada.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Parabéns, Woab!!

Mais uma vez… mas estes versos assentam-te tão bem… “ (…) Forte, límpido olhar, como o do diamante, Com enigmas de luz, súbitas, a vibrar:

Tem um olhar profundo, às vezes muito agudo, Varando a Superfície, em busca da Essência, Num ar de cutilar, de penetrar em tudo, De afundar-se, de ver além da aparência. (…)” João Lúcio

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Dei-te a mão uma última vez. Ainda bem que te foste embora. Apanhou-me de esguelha, provavelmente quando me despedia de ti. Pressentiu-me a sós, quando te virei costas. Atacou-me na garganta, quer arrancar-me as cordas vocais.
Silenciar-me. Não percebo bem porquê. Permaneço em silêncio. Sempre.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

o peixinho habilis, pois então!

Há dias… dias e dias e mais dias que não há mesmo pachorra! Hoje, entrei numa sala, onde supostamente deveria ter gente, e deparo-me com cardume de roncadores! O meu sermão era constantemente interrompido por aqueles animaizinhos que, por vezes, até conseguiam, apesar do imenso esforço, proferir e entender palavras… Ao ver que um desses peixinhos ficava imóvel sempre que o olhava, perguntei-lhe: - Criatura de Deus, que tendes escondido nas vossas barbatanazinhas? E o peixinho, depois de hesitar, com um certo receio responde: - Nada… Eu, então, digo-lhe: - Não querereis dizer antes: “são rosas, rosas senhora”? Ou “algas” ou “búzios” ou “minhocas” ou o que for!! Pelo seu ar confuso, logo apercebi-me que a fé não reinava naquele espírito(ziiiiinho). Enquanto este quase-diálogo decorria, os outros roncadores emitiam sons em coro. Por fim, depois de muito pensar (não sei se é bem o termo certo…), o peixinho decide abrir a barbatanazinha… e de lá caíram papelinhos bem dobradinhos e… um “elásticozinho”. O meu espanto:”Ena! Mas que material já tão sofisticado”. É claro que fiquei radiante, pois aquele peixe já sabia construir uma catapulta, se bem que ainda muito rudimentar… Por fim, mandei aquele peixinho habilis para um sítio mais sossegado e arejado, pois precisava de aperfeiçoar aquele engenho tão promissor para a espécie. Eu sempre valorizei a criatividade e só Deus sabe o quanto!!!

Altos Voos

Quem já não se sentiu tentado a responder à publicidade brilhante da maioria das agências de viagem? Londres à distância de 90 euros, Paris por 80, Brasil a 300... Ontem fui comprar um bilhete para Lisboa. Desengane-se quem julgue que o território nacional proporcione preços mais acessíveis. Ao colocar a mãozinha na porta de entrada da nossa companhia aérea, já sabia que deixaria gentilmente naqueles balcões cerca de 180 euros. 180 euros, por uma viagem de cerca de 90 minutos, em território nacional.
Julgava eu que seria atendida condignamente. Ao invés, três balcões em funcionamento para cerca de 30 clientes. Esperei (im)pacientemente mais de uma hora na fila. Os sofás de cabedal, elegantemente dispostos no espaço estavam vazios, já que o sistema de ticket's não estava em funcionamento. Assim, num espaço modernizado, com funcionárias impecavelmente vestidas, os clientes aguardam na tradicional fila de marcação de chegada. Em pé, portanto.
Chegada a minha vez, todo o processo é feito assepticamente. Tenho a sensação que a funcionária não chega a olhar directamente para mim; vai fazendo as perguntas de olhos fixos no pc, à espera que este lhe responda. Respondo eu e suponho que no seu universo relacional, ela julgue que é ele que lhe responde. Os olhos permanecem fixos no ecrã. Só na altura em que se levanta para a efectuação do pagamento, tenho a vaga impressão que me olha; ou melhor, olha pelo menos para a mão que lhe estende o cartão multibanco. Cobra-me 196 euros e 50 cêntimos. Pergunto o motivo da discrepância entre a quantia inicial aquando da marcação do voo (180 euros) e a que pago agora. Aí tenho a certeza que me olha de frente e responde enfadada: Taxa de emissão de bilhete. Saio com a certeza de que ando a sustentar gatunos. E ainda têm a distinta lata de afirmar que a linha de voos domésticos dá prejuízo... Só mesmo no bolso do cliente.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Por todas as estradas radiosas que nos abriu... um obrigada.

lembra-te
Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos
Mário Cesariny

domingo, 26 de novembro de 2006

Me and a gun

Na continuação do tema sobre a eliminação da violência contra as mulheres e em agradecimento da lembrança da WOAB ;) deixo aqui outra música da Tori Amos (ou não seria fã dela) que relata um episódio pelo qual ela própria passou (para quem não sabe actualmente preside uma Associação de apoio a mulheres vítimas de violação): 5am friday morning thursday night far from sleep I'm still up and driving can't go home obviously So I'll just change direction cause they'll soon know where I live And I wanna live Got a full tank and some chips It was me and a gun and a man on my back And I sang "holy holy" as he buttoned down his pants You can laugh Its kind of funny Things you think Times like these Like I haven't seen BARBADOS so I must get out of this Yes I wore a slinky red thing Does that mean I should spread for you, your friends Your father, Mr Ed It was me and a gun and a man on my back But I haven't seen BARBADOS so I must get out of this And I know what this means Me and Jesus a few years back used to hang And he said "it's your choice babe just remember I don't hink you'll be back in 3 days time so you choose well" Tell me whats right Is it my right to be on my stomach of Fred's Seville? It was me and a gun and a man on my back But I haven't seen BARBADOS so I must get out of this And do you know CAROLINA Where the biscuits are soft and sweet These things go through your head when there's a man on your back And you're pushed flat on your stomach it's not a classic caddilac It was me and a gun and a man on my back But I haven't seen BARBADOS so I must get out of this I haven't seen BARBADOS so I must get out of this

Lullaby de domingo

Sendo uma feminista vociferadora, absolutamente desgrenhada pelas convicções no que diz respeito às questões de género( mas isso existe?), não poderia deixar passar em silêncio absoluto o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Assim sendo, e porque a tonalidade da minha vociferação já é demasiadamente conhecida por estas bandas, deixo passar outra voz, bem mais melodiosa... E que tenho a certeza que encherá as medidas da Lady Of The Lake. Excuse me but I be you for a while My dog won't bite if you sit real still I got the anti-Christ in the kitchen yellin' at me again Yeah I can hear that Been saved again by the garbage truck I got something to say you know But nothing comes Yes I know what you think of me You never shut-up Yeah I can hear that But what if I'm a mermaid In these jeans of his With her name still on it Hey but I don't care Cause sometimes I said sometimes I hear my voice And it's been here Silent All These Years...

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

"Eyes Wide Shut"

Lamentável, que um documentário como o que passou 2ª feira na 2:, comece às 23.30. Porque tal significa que muitos não o podem sequer ver; porque tal significa que a maior parte dos restantes não resiste até ao fim (pecadora desta hipótese me confesso); e finalmente, porque tal significa que muito poucos resistiram até ao fim. E, para todos os efeitos, os julgamentos de Nuremberga pedem mais do que resistência e luta contra o sono. Ou melhor, pedem outro tipo de luta contra outro tipo de sono. Consegui, contudo, resistir até ao final da parte que dizia respeito a Albert Speer. De certa forma, o único que soube jogar em Nuremberga como, de resto, o soube fazer ao longo da sua convivência e conivência com o regime nazi. E por isso, anos mais tarde considerou que a melhor qualidade para sobreviver em política seria o carisma. Não errou então, não erraria agora se repetisse a advertência, que espelha bem (cada vez mais) os meandros dos corredores da coisa (que se torna) pública.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Por falar em inteligências...

Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma. Bakunine

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Natal é sempre que o homem quiser...

São hoje 21 de Novembro de 2006. Por todo o lado, a decoração natalícia polui os ambientes. Estou farta de Natal e ainda nem estamos em Dezembro. A 25 comemora-se o quê? A festa de maioridade de J.C.?

domingo, 19 de novembro de 2006

com todo o respeito que tenho pelo bicho...

O abutre é um animal que me causa alguma repugnância… Contudo, reconheço-lhe qualidades… Este necrófago fedorento é resistente, embora não pareça (o seu ar triste e depressivo é enganador...), e é sempre o último a chegar… mesmo sem ser convidado, reclama sempre a sua parte! -Agora, Sr. Abutre, faça-me um favor, coma e engula rápido, antes que os restos empestem o meio ambiente!

Lullaby de Domingo

Foi fim de semana de 24 Hour Party People. Intercâmbios permitem a fuga à acefalia generalizada dos canais televisivos. Assim, andei todo o fim de semana a trautear algumas pérolas, com a imagem de Ian Curtis a balouçar frente a uma televisão que transmitia um qualquer programa com uma galinha a bambolear... Non sense que baste, para um filme inspirado por quem viveu realmente a adrenalina da época e inspirador para quem foi tocado por. Assim, como não podia deixar de ser, fujo aos Happy Mondays (que poderiam ser obrigatórios) e deixo a fechar este domingo estes outros, bem mais significativos para mim.

sábado, 18 de novembro de 2006

Por todas as razões e por nenhumas...

No dia em que se assinalou o dia Internacional da Filosofia, os alunos das escolas portuguesas assinalaram o seu direito à greve (uns melhores que outros). Alguns dos meus alunos também a fizeram. E quando lhes perguntei ontem o que reinvindicavam, as respostas foram múltiplas. Se uns evocavam a existência de aulas de substituição no secundários, outros evocaram simplesmente o seu direito ao sono. "Fiz greve, para poder ficar em casa a dormir. Sem fazer nada." Aos 15 anos, é preocupante...

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

cansaço...

O que há em mim é sobretudo cansaço O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço.Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...

Alberto Caeiro

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Pura Provocação.

Uma vontade incontrolável empurra-me para o teclado e para esta página. Com reuniões para preparar e um Dia Internacional da Filosofia para dinamizar, encontro-me neste estado: em Pausa. Frente ao computador, sustenho todos os murmúrios - que digo - todos os gritos ensurdecedores das tarefas que ainda tenho para cumprir, todos os papéis por preencher, todas as actividades por limar. Tudo em suspenso, em cinco minutos de pura malícia. Apetece meter-me com ele. Que fazer, quando o brilhozinho nos olhos passa por provovação? Ceder, como é óbvio. Afiar a intenção e ceder. O meu "feminismo" é proporcional ao gosto dele pelo futebol. Minto. O meu "feminismo" é proporcional ao gosto dele pelo (F)CP. Ainda não. Assim é que é... O meu "feminismo" é quase tão grande quanto o gosto dele pelo (F)CP. Mas ainda não se lhe compara. ;)

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

beijo

(Funchal)
Toda a natureza, exceptuando as gaivotas, estava calma como se tivesse a suster, por uns instantes, a respiração perante algo incrível e maravilhoso. “ Para onde vai aquele beijo voador?! " – Gritaram as gaivotas. Misterioso e silencioso o beijo voou, voou, voou... com um destino certo.
(priminha, recebeste?! o beijo vai para a tua morada.)

Da Importância do Título.

Da profusão de filmes agendados (não tenho mãos nem carteira a medir), coube ao passado (e saudoso) fim de semana a visita à Dália. Graças ao título, confesso. Nenhuma sinopse me cativaria tanto quanto este título com cheiro a flor, se não maldita, pelo menos trágica. E em rigor, na realidade não decepcionou. Apesar de algumas passagens menos interessantes, apesar de um desenrolar não propriamente cativante, certo é que o filme cumpriu rigorosamente o que dele podia esperar. A Dália Negra que vi no cinema foi efectivamente esta mulher, deslumbrante, que eclipsa do ecrã essa outra estilizada de boquilha entre dedos. Nada tão deslumbrante como o olhar lançado à câmara nas suas raras aparições.

domingo, 12 de novembro de 2006

Nem de propósito...

...His_tory. A coisa (continua a ) funciona(r) desta forma.

Quem decide?!

E em relação ao aborto?? O homem também tem voto na matéria e poder de decisão?
Pois eu acho que NÃO!! E não me venham falar de igualdades!! Falem-me antes do repeito pelas diferenças!!

Lullaby de Domingo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Aqui chorei... de riso!

http://profteresa.no.sapo.pt./Contos_Infantis.wma

Eu simplesmente chorei...

A História do Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado é uma história triste de amor, que me fez simplesmente chorar. É simplesmente muito bonita e muito comovente. Um resumo da História:http://profteresa.no.sapo.pt/videogato.htm (O sítio da Prof. Teresa foi um acaso muito feliz!)

Ainda não é tempo...

Começou por ser um comentário de resposta. Passou a post.
Concordo plenamente consigo Talisca. A conquista pelos direitos no feminino é ainda muito recente, muito frágil. Por tudo isso, as minhas escolhas. A escolha do nick não foi inocente (como de resto, o nome do blog também não o foi).
Esta obra, é para mim, actual e secretamente feminina. Espartilhada, de costas, em negação de si e da sua relação com os outros. É assim que nós, mulheres, continuamos a agir, pese embora as conquistas no domínio público. Em privado, continuamos esmagadas pelos nossos medos, pela nossa forma de nos aprendermos e que nos foi veiculada. Perpetuamos preconceitos, discriminações e padrões de conduta. Continuamos a deixar que nos transformem em "mulherzinhas". Quando olho a obra de Witkin, vejo uma nudez atroz... uma mulher a sós com o seu corpo, um corpo normal que tenta sofregamente seguir os chavões que lhe são impostos. Se ontem pagou pelo corpo que tinha (corpo fonte de pecado porque fonte de desejo), hoje paga pelo corpo que não tem (e que lhe é quase imperativo ter). Novamente, corpo objecto, assumidamente objecto. Mas ainda corpo dos outros, dos olhares dos outros, não efectivamente corpo de e em si mesma. Parece que a ouço sussurrar "Este é o meu corpo, tomado por vós." Em prece, pede que a reconheçam e que a deixem reconhecer-se sem cadeados, sem os padrões de beleza que a mantêm apertada (e em que ela própria se sufoca). Ainda não é tempo de olhar para nós, porque "não nos é possível ainda, falar de amor". E porque ainda não nos permitimos voar.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

teria umbigo?

Numa conversa de café, alguém, divertidamente, lança uma pergunta: “Eva tinha umbigo?”
Achei a pergunta bastante pertinente e curiosa... ainda por cima feita por um padre, aliás, por um ilustre professor universitário! Contudo, a resposta foi... um grande riso. Palavras para quê?

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Já que ando com a mão no roubo (1 e 2), aproprio-me, por esta vez, da ideia lançada há alguns meses no Tónel. Contudo, o meu desafio prende-se com a fotografia que tem o título que adoptei para (a minha) personagem deste blog. Agora, solicito que digam de vossa justiça. Que olhar vos suscita "Woman Once a Bird"?
(Fotografia de Joel-Peter Witkin)

domingo, 5 de novembro de 2006

Lullaby de Domingo

Em jeito de conclusão do post anterior, cá ficam... Esta (soberba) "It's a new day It's a new life For me And I'm feeling good" E Esta, que também está muito interessante. "And this old world is a new world And a bold world For me"
Mulher, madeirense, funcionária pública, mais concretamente na carreira docente. Como podem constatar, a minha vida é absolutamente ideal. É que roubo toda a gente: primeiro como Madeirense, porque tenho a meus pés os "Continentais" a pagar pelo meu extremo conforto (nada como viver por cá, meus senhores). Logo em seguida, roubo como funcionária pública, já que passo os meus dias a lambusar-me com a produtividade alucinante dos privados. Por último, docente! Ou seja, duplamente funcionária pública. É que há com cada coisa. Poderia eu ter sonhado com vida mais regalada?

sábado, 4 de novembro de 2006

"Post pseudo-masturbatório"

Tenho sido muito mimada pelos meus alunos do ano passado. Dá-me logo outro ânimo para corrigir as provas que tenho para este fim de semana. Dos alunos do presente. Título descaradamente surripiado ao post do Everything.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

cheirou-lhes a mar...

Depois de uma visita a um museu "com muito cheiro a mar", meninos do 1º ciclo (3º ano) deram forma ao seu pensamento... Eles ouviram falar de "mares nunca d'antes navegados"...

("Uma sereia"... de uma menina de 8 anos, natural da ilha do Porto Santo)

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Ainda sobre o vício dos dados...

A propósito dos rankings das melhores e piores escolas do País, que entretanto se mantém agarrado às calculadoras a calcular médias, percentagens e soluções de pacotilha... Comparamos escolas, como se não existissem variáveis que escapam ao controlo da estatística sobre o exame nacional. Esse é cego, não pondera o ambiente socio-cultural, nem o número de turmas que é avaliado em cada escola, nem tão pouco o número de alunos que se submete a exame. Digno também de riso, o item que compara o "desvio" entre classificação interna final com a média de exames. Até aqui tudo bem, não fosse o pormenor de um traduzir critérios completamente díspares em relação ao segundo. Temos uma legislação que postula uma avaliação contínua, avaliadora de duas grandes componentes: cognitiva e sócio-afectiva. Contudo, o exame, obviamente apenas contempla a primeira componente. E aí fala-se em "desvio" e reprova-se a avaliação malandra, que andou ali a beneficiar o aluno, que afinal não merecia aquela primeira classificação. A ser assim, assumamos de uma vez. contemplemos apenas os momentos de avaliação sumativa, que o resto é conversa. Seria bom que decidíssemos onde está o desvio; se da parte de quem avalia ou da parte de quem postula os critérios de avaliação. E valha-nos a santa burocracia! Os documentos oficiais que temos que preencher em função disto...

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Sempre amor!

Há quem diga que não há amor como o primeiro... Pois eu acho que não há amor como o primeiro nem como o segundo nem como o terceiro nem como quarto...
Todos iguais, todos diferentes, OS AMORES!
( Pintura de Marc Chagall)

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Destilar algum do mau humor...

Alguém explica porque a maior parte das lojas nos toma por parvos? Abomino aquela ideia de t'shirts e afins com o nome da marca estampado em letras garrafais ao peito. É que não há paciência! Anda uma pessoa a tentar arranjar uns trapitos decentes, e as boas das funcionárias aparecem-nos com exemplares do género, como se da pólvora se tratasse. E quando respondo que não pago para publicitar a loja, só falta gritarem sacrilégio! O ar de incredulidade e censura é indescritível. Só falta alguém refugiar-se dentro de um provador de roupa e berrar... Santuário, Santuário!

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

O (en) encanto da Pequena Sereia

O (en) canto da Pequena Sereia “ Na imensa e secular rotina em que nos perdemos”, surgem “vozes” que pincelam os nossos Invernos com cores quentes. É preciso ouvir para sentir. A permanência de uma gélida estação dá-se quando recusamos aprender a escutar os sons que não nos são familiares.Durante algum tempo destes meus pardos dias, ouvi uma voz que me importunava, no início, sempre; depois, quase. “Já leu?”. Por falta de tempo e de paciência, ainda não tinha lido. Os meus pensamentos da “cor-de-burro-quando-foge” diziam-me que nada de interessante me ia dizer aquela voz tão verde, tão nova. Adiei e fui adiando. Mas… ai de mim! Sou tão humana, erro tanto! “Desculpa” (é enervante o uso e abuso que faço desta palavra que, se fosse tecido, estava esburacada ou mesmo desfeita).
Quando o dever chama, os pestilentos humores passam, e eu li:“ - Trabalho de Português (8º ano): sob forma de diário, relembra um dia da tua vida que tenha sido importante para ti.
O dia do meu transplante renal foi o dia mais desejado, mais longo dos meus 17 anos já feitos nesta vida.As horas, minutos, segundos passavam no relógio posto no meu pulso ao som e ritmo do tic tac infinito. Durante o meu calmo e descontraído descanso, vejo, entretanto, uma equipa de enfermeiros a aproximar-se e a levar-me, muito calmamente, para um dos blocos operatórios do Hospital de Santa Maria. Ao chegar ao bloco operatório, a minha mãe ficou à porta, e eu segui um pouco mais à frente. Olhei em volta, enquanto esperava por novas ordens da equipa que estava comigo.
De seguida, disseram-me para passar para a sala de operações, e assim foi. Logo depois, deitei-me em cima da chamada “mesa de operações”. Reparei que na parte superior do bloco havia dois espelhos para os estudantes de medicina.Olhei com mais atenção e vi um ajudante de cirurgia, estava a vascularizar um órgão e percebi logo que era o rim que me iam pôr. Lamentei com a enfermeira: “Aquilo parece um frango a esticar a argola!”.
Além de mim, a equipa estava nervosa, porque sabiam todos que iria ser um transplante muito complicado. Logo de seguida, anestesiaram-me.
Acordei. Estava no recobro. Olhei à minha volta e perguntei à minha mãe quantas horas tinham sido, e ela disse-me “cerca de 8h e 30m de transplante. A Dr.ª que me tinha operado disse-me que, apesar de ter sido muito tempo, muitas horas, a operação tinha sido um sucesso. Fiquei tão contente que só pensei: “Agora tenho que ter uma boa recuperação”.
Desde daí, já passou um ano, dois meses e três semanas e eu estou muito feliz e espero continuar por muitos e muitos anos com a parte da vida de outra pessoa.Hoje posso dizer que faço parte da zona VIP dos milionários deste universo."
A autora deste texto chama-se Elsa Freitas, frequenta o oitavo numa escola da Madeira e, tal como as sereias, não consegue andar, por isso, usa uma cadeira de rodas para levar o encanto do seu sorriso e da sua voz. É linda e muito amiga dos humanos, esta Pequena Sereia.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

"E por isso não perguntes por quem os sinos dobram...”

Este é o meu desejo. Desejo que a morte se visite no hospital; se sinta prostrada numa dessas camas. Que não consiga comer e esteja cansada. Que sinta as pernas a incharem, o corpo a esvair-se. Que fique na pele e no osso, apenas os olhos; que não os consiga abrir, pelo cansaço. Desejo que a morte sinta na pele a morte de outrém, que compre flores e se cubra de negro. Que sofra por alguém. Que experimente a ausência, o corte. Quero que a morte sofra. Que não diga adeus. Que não tenha tempo de dizer adeus. Que recuse até ao fim dizer adeus. Desejo que a morte se ausente de si, que não estenda constantemente a mão à dor, como se de alívio se tratasse. Que não apareça como benesse, como benção, com um golpe de alma, no corpo. Quero que acompanhe o cortejo fúnebre de si mesma. Título roubado a um excerto de John Donne, citado por Hemingway.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

«Nem todos os jornalistas chegam a editores, só os melhores»

Pena que o rigor avaliativo não chegue ao partido, ao parlamento ou aos gabinetes ministeriais. Por enquanto. Aguardemos pela proximidade da próxima "avaliação", a ver se o rigor, sobriedade e meias verdades se mantêm em frente aos microfones e na ponta de um dedo para enviar sms a convocar a imprensa.

Para Ti...

"Cada dia é mais evidente que partimos Sem nenhum regresso no que fomos, (...). Sophia de Mello Breyner Andresen



domingo, 15 de outubro de 2006

sábado, 14 de outubro de 2006

Se tivessem que sair à rua e vender qualquer coisa, qual seria a vossa escolha?

Quando os porcos tomam a casa grande... 2

Já percebem porque toda a gente quer ser Doutor ou Engenheiro? Para ter um microfone em frente e poder chamar todos os outros de ladrões. A melhor defesa sempre foi o ataque, principalmente na política. Isso, e uma gravata vermelha.

Quando os porcos tomam a casa grande... 1

Sigo o fio puxado pela Tamodachi e chego à conclusão que nos dias que correm, uma das ocupações mais proveitosas é ser assessor do assessor de alguém que percorra gravemente os corredores políticos portugueses e, de sobrolho levantado, apele à contenção de despesas.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Esta é a história de uma disciplina que morre...

Muita coisa tem mudado, com este Mi(ni)stério da Educação; informações contraditórias, reformas aplicadas à pressa, exames que foram, são e deixam de ser, exames que não eram, não são mas que até ao final do ano lectivo ainda podem ser...Enfim, e tudo isto com uma Ministra a afirmar angelicalmente que não percebe assim muito bem os protestos (que não têm que ver só com isto, mas também). E no meio desta salganhada, leva-se a cabo, silenciosamente, o assassinato lento da filosofia, a ver se ninguém nota e ninguém reclama. No ano em que se decide que nem para entrar no Curso Superior de Filosofia é permitido exame a Filosofia, o Brazil assume postura inversa e reintrega a disciplina de filosofia nos cursos médios. Curioso que quando por cá se fomenta uma política de abate da disciplina, um outro País (privado da mesma graças a uma ditadura) a ela regresse e lhe reconheça a perenidade, apresentando o facto como "uma vitória da luz" (César Callegari, sociólogo). Isto diz muito de nós e do rumo que tomamos. Isto diz muito de quem diz saber o que é melhor para o nosso País. "Estamos reintroduzindo o ensino crítico e oferecedo aos jovens a possibilidade de entender melhor o mundo em que vivem", afirma o Ministro da Educação brasileiro. A "nossa", informa sobre as suas decisões no que diz respeito à disciplina, sem as explicar ou sequer discutir. Acabam-se os exames, as faculdades recebem a informação que não lhes é permitido solicitar o exame de filosofia. Mata-se a filosofia e são poucos os que notam. Mas também, para que queremos nós que se ofereça a possibilidade de compreensão de mundo? Desde que votem no quadradinho certo e não pensem muito sobre o assunto... até aqui, tudo bem. Não é? (Ilustração do post roubada a Magritte)

domingo, 8 de outubro de 2006

Lullaby de Domingo 2

Quando hoje cheguei, sorrias. Apesar de seres olhos apenas, por hoje, os teus lábios também sorriram muito. E isso fez-me esquecer a música de ontem, fez-me desejar outra totalmente nova. Não quero luas azuis a determinar como estás.

Lullaby de Domingo.

"The killing moon* Will come too soon" Em triste domingo, uma verdadeira lullaby enche o silêncio.
"Fate Up against your will Through the thick and thin He will wait until You give yourself to him" * Clicar na opção de "Killing Moon", para ouvir...

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

é assim que eu sinto!

Não entendo nada de arte... mas gosto.
Só consigo fazer uma leitura ou interpretação de um objecto dito arte, quando este consegue traduzir e despertar algo de e em mim...
Eu não sei... mas quando tenho dores de cabeça, lembro-me sempre da escultura do conceituado artista Rui Sanches... traduz realmente aquilo que por vezes sinto. Hoje, lembrei-me dela.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Os fundamentalistas moram ao lado.

De morrer a rir, o que descobri no Síndrome de Estocolmo. No País das Maravilhas, farol da humanidade no que diz respeito à liberdade e cidadania, criou-se uma nova cruzada digna do século XXI, materializada na exortação à abstinência sexual como forma de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.* Vai daí que, o empreendedorismo (adoro esta palavra) norte-americano , desata a criar produtos tentadores para este novo nicho de mercado. Agora, os adolescentes podem animar as aulas aborrecidas com exemplares destas deliciosas canetas, em variadíssimas cores, muito modernas. Contudo, a ousadia não se fica pela escrita e um adolescente verdadeiramente ousado não deixaria de usar ao peito esta pérola da joalharia desenhada para homem (os homens também usam jóias, ou não costumam ver os vídeos do pessoal radical rodeados por carros, jóias e gajas boas?). E como um bom empreendedor (também) pensa nos mais discretos, quem não ousar levar a peito a máxima, sempre pode levá-la carinhosamente no bolso, no formato de guarda-chaves (para além de tentar "guardar" o óbvio).
No entanto (e porque o melhor vinho guarda-se para o fim), a pérola desta campanha genial reside neste singelo objecto, a ostentar orgulhosamente ao peito por qualquer adolescente e mulher emancipada...
São Rosas, Meu Senhor, são Rosas! Já dizia a outra ao esposo, enquanto revelava o que transportava no regaço...
*Esta questão só vem confirmar que por cá continuamos num País de 3º mundo. Andamos preocupados em referendar a liberalização do aborto, quando estes já estão muito à frente, cortando o mal pela raíz. Afinal, no princípio (do mal) era o sexo!

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

O mal do sistema!!

"O sistema está de mal a pior e a culpa é dos professores!! Repito: OS PROFESSORES É QUE TÊM CULPA!
OS CULPADOS SÃO OS PROFESSORES PORTUGUESES E OS PROFESSORES DA MADEIRA E DOS AÇORES!!! Apesar de serem de países diferentes... tODOS SÃO CULPADOS!!"
TENHO DITO!!"

terça-feira, 3 de outubro de 2006

A Queda

Uma lista com uma data de livros e filmes a adquirir... Faço-a porque preciso de a apresentar, mas acrescento alguns à minha lista pessoal. Repesquei títulos que acumulavam pó nas minhas prateleiras; e abri-los, ainda que para retirar referências, levou-me lá atrás, ao momento da compra, ao prazer da primeira leitura. Foi, portanto, uma tarde prazeirosa. Busquei também palavras e actos, que há muito não tinha a oportunidade de ver... como estes. Figura nas duas listas.

domingo, 1 de outubro de 2006

Lullaby de carácter extraordinário.

A magnífica Callas, em luta com Tito Gobbi. Não uma, mas duas. Este é o beijo de Tosca. Que caiam os Scarpias!

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Silly post fora de época 2

Alguém explica o empreendedorismo? Está na boca de toda a gente, discorre-se alegremente sobre metodologias, elogios à loucura, kit's de sobrevivência para ... empreendedores e continuamos atolados em porcaria?

Silly post fora de época

O cansanço como único fio condutor. E a interromper, o desagrado pela voz do Pedro Mexia. Prefiro-o escrito.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Beep-Beep


Um mês de reclusão... num sítio idílico, onde costumo andar descalça, apanhar as frutas das árvores e os legumes da horta. Tenho Cão e Gato como fiéis amigos. Colho todos os dias sorrisos lindos. Ouço as histórias da tia Céu, tia Clarinda, tio António... sobre os tempos. Algumas histórias são intemporais... As amizades re-re-.... recomeçam.
Depois... quando regresso:
No aeroporto, só porque deixei as bagagens por uns instantes, dizem-me que posso ser suspeita de terrorismo?! Sou chamada pela polícia e os agentes dão-me "nas orelhas" até à exaustão! Quase que choro... Os seguranças olham-me de cima a baixo com um ar desconfiado e perguntam se falo português? Corro, salto, atropelo malas, pessoas, grades... Peço desculpas, desculpas e mais desculpas, e digo obrigada, muito obrigada e muitíssimo obrigada, e, por fim, o voo que pretendia foi-se à vida. Fico por terra com um selo a dizer stand-by!!
Horas depois voei dali para fora! Já era sem tempo!!!
Ena, mas que mudança!!

domingo, 24 de setembro de 2006

Lullaby de Domingo.

Primeiro, uma visita a estas bandas. Depois, toca a ouvir estes senhores para ver se entramos no espírito da coisa...
We don't need no education We dont need no thought control No dark sarcasm in the classroom (...) Hey! Teachers! Leave them kids alone! All in all it's just another brick in the wall. All in all you're just another brick in the wall.

sábado, 23 de setembro de 2006


Ri-me com vontade, ao ler a entrevista a Bill Emmott, na Visão desta semana. É que a certa altura, perante uma pergunta inspiradíssima, a saber, "Como pode um pequeno País como Portugal tirar vantagens da globalização, em vez de ser esmagado por ela?", o cândido senhor responde com: "Utilizando os seus recursos humanos, investindo em educação de elevada qualidade e certificando-se de que a sua economia é flexível (...)." Estamos mesmo completamente perdidos, não estamos?

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

"Flores que colho ou deixo..."

Quando respondi ao desafio da Feniana, escolhi propositadamente um único blogger masculino . É a minha nova paixão blogosférica, pois acho os seus posts absolutamente deliciosos. Aqui ficam, a título de exemplo, alguns que recomendo... este, este e ainda este. Espero que gostem tanto quanto eu. O título foi colhido de um poema de Ricardo Reis.
 

Não sei se é bem este o desafio.....

Passo os meus dias de trabalho a orientar adultos na construção de um dossier pessoal onde deverão falar sobre si e valorizar o seu percurso de vida, reflectindo sobre as aprendizagens realizadas até então e no entanto.... sete linhas para falar sobre mim, parecem uma eternidade. Enquanto me preparo para deixar um local de trabalho e adaptar-me, muito em breve, a outro ainda que com a mesma missão profissional, vigio atentamente os meus ovários e útero no sentido de saber se é este mês que se dignam a trabalhar em parceria com uma célula masculina, tentando espantar a ansiedade causada por estes turbilhões na minha vida.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Resposta a Feniana...

Aceito o desafio de escrevinhar sete linhas sobre mim mesma, ainda que não saiba assim tanto - sete linhas, que são muitas. Compota de pitanga (a favorita), barrada no pão lembra-me a de laranja, Chá de gengibre e coco, acompanhado pelo Rochedo de Tânios, que me embala nos últimos tempos, enfiado na bolsa e nas horas mortas. E carrego também os amigos, as conversas de café e as de blogues, alguns com rosto e outros só com dedos. Estendo o desafio a outras seis... Lady Of The Lake Nefertiti Dirim Isobel Sleep Well Salomé e com ele, sete.

Aceitam-se sugestões e posologias...

fotografia de Abelardo Morell
Que fazer quando o vazio e o cansaço nos ataca, quando não nos apetece cá vir e deixar algo... e, quando apetece, apenas o negro do nada se destaca? A vazio, a vazio!

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Ainda a tempo de recordar


Considero perfeitamente legítimo que se recorde os acontecimentos do 11 de Setembro de 2001 e que se homenageie as vítimas dos mesmos. Só não entendo porque é que não se dá o mesmo ênfase e visibilidade internacional a outros acontecimentos tão ou mais importantes, que vitimaram também inocentes, ainda que noutras nações e que em alguns casos, inclusive, continuem a acontecer sem que ninguém faça alguma coisa sobre isso. Se se considera que o atentado às torres gémeas foi um ponto de viragem para qualquer mudança a nível mundial, que ainda não percebi muito bem qual (ou será este um pretexto para justificar algumas atitudes que têm sido tomadas desde então?), tal como a queda da Bastilha marcou o início da Revolução Francesa (essa sim uma mudança na forma de ver o mundo e a Humanidade), se a queda das torres gémeas tem de ser um símbolo qualquer, então prefiro vê-la como o símbolo de todos os atentados, massacres, genocídios e afins que a humanidade tem vindo a assistir nos últimos tempos, em muitas nações; por isso deixo aqui a minha homenagem às vítimas, também inocentes, também pessoas como nós:
  1. Mais de um milhão de mortos aquando a invasão do Tibete pela China em 1959;
  2. Centenas de mortos no massacre de Santa Cruz em Timor Leste em 1991;
  3. Milhares de mortos no genocídio que ocorreu na Bósnia;
  4. Meio milhão de mortos no genocídio no Ruanda;
  5. Milhares de mortos na guerra civil da Colômbia.
Infelizmente, como podem constatar, esta é apenas uma pequena homenagem às vítimas, de algumas das muitas atrocidades que já ocorreram (e ainda ocorrem) em 4 dos 5 continentes existentes no nosso planeta, a partir da segunda metade do séc. XX. E embora não tenham caído torres, nem grandes edifícios, tombaram pessoas, culturas, as suas formas de viver, pensar e em que acreditar... e por isso devem ser recordadas também.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

domingo, 10 de setembro de 2006

Lullaby de Domingo.

Este Domingo, a lullaby vai direitinha para estas duas meninas... e para quem queira trautear esta versão. A do Iggy, fica para depois.
Get into the car We'll be the passenger We'll ride though the city tonight We'll see the city's ripped backsides We'll see the the bright and hollow sky We'll see the stars that shine so bright Stars made for us tonight.
 

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Se fosse uma personagem do Sexo e a Cidade, qual seria?

Se fosse uma personagem do Sexo e a Cidade, qual seria? Esta é certamente uma pergunta que muitas mulheres já discutiram entre si, no seu grupo de amigas... eu pelo menos sim! E embora pensasse que identificava-me mais com a Charlote, qual não foi o meu espanto quando ao fazer o teste da Verdade me saiu esta resposta:
Você é Carrie: Você até é muito descontraída e divertida, mas no que diz respeito às relações gosta de sentir compromisso e seriedade. Ainda pensa muito no passado e isso impede-a de andar para a frente. É inteligente mas deixa-se levar pelo coração.
WOAB, desculpa a pretensão da minha parte mas considero que te conheço como a palma da minha mão! E não resisti fazer o teste.... por ti. E eis que a Verdade surgiu.... quem diria! (esta fica pela indiscrição da Aba larga ;)).
Você é Miranda: Você tem um espírito independente e proclama alto e bom som que o amor não é prioridade – o que não deixa de ser verdade, mas esconde também algum medo de ficar só. É muito opinativa e mesmo sarcástica.
Como uma luva! Mas fica o link para conferires....

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Do que nos esquecemos?

O Duplo de Tirésias Tu já foste da morte o mensageiro E tocaste a trombeta do destino: Em Tebas foste o rosto da tragédia Foste em Veneza a trágica poção. Chamaste a fome, a peste e a demência, E deste o nome à guerra e à tortura. Tens os olhos suspensos sobre o mundo, Tens a vida suspensa nos teus olhos: Tu acendeste os fornos em Auschwitz E marcaste no mapa Hiroshima Passaste por Kosovo e por Timor Por Saigão, por Paris e por Berlim... Era fácil dizer que és um deus! Mas só homens se esquecem de ser homens, Só os homens recusam ser humano. In Rostos Suspensos, João Maria André

Nefertiti, dá uma olhada por...

... Aqui. Agradável surpresa, não achas?

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Bela merda, caríssimo espectador.

Os "nossos" canais televisivos insistem em passar atestados de atraso mental aos seus clientes. Suponho que seja a possibilidade de o público não perceber os elaboradíssimos enredos das porcarias que transmitem que os faz repetir, até à exaustão, os episódios dos seus programas de eleição.
Já é suficientemente mau esbarrar uma vez; é necessário ter de repetir a desagradável experiência na manhã e tardes do dia seguinte? Até parece a pílula do dia seguinte em dose cavalar, uma espécie de abortemos os cérebros que ainda restam. A não ser que julguem que o público é tão acéfalo quanto os guionistas daqueles horrores... Arre, que já nem se consegue ter o aparelho ligado! Até o zapping se transformou num exercício de nervos...

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Madre Teresa de Calcutá


"O bem que faz hoje muitas vezes é esquecido pelas pessoas amanhã. Faça-o mesmo assim."
MadreTeresa
Madre Teresa de Calcutá, cujo nome verdadeiro é Agnes Gonxha Bojaxhiu, (Skopje, 27 de Agosto de 1910 — Calcutá, 5 de Setembro de 1997) foi uma missionária católica albanesa, nascida na República da Macedónia e naturalizada indiana. A sua existência fustigou a fome, o desespero e a doença. Foi "Madre", plantou e semeou muita esperança e escreveu muitas palavras de fé e de Amor. Existiu muito bela e existirá sempre muito bela.
 

domingo, 3 de setembro de 2006

Lullaby de Domingo.

O formato é diferente. Interessados em ouvir, cliquem no último título - Bella (feat Phoebe).

sábado, 2 de setembro de 2006

A Sopa da Mafalda


A cena começou invariavelmente da mesma maneira. Li este post e comentei o que me pareceu óbvio. O Funes respondeu com este onde expôs metodicamente os seus argumentos, especialmente para mim e para a Maria Papoila, para que evite aproximar-se de uma loja que venda trapos e, percebi eu agora, que venda sapatos. Ora, não posso deixar de retribuir a gentileza. E depois de ler atentamente a explanação, aqui registo as minhas pequenas reflexões. No final do post, fiquei com o velho travo a engodo. A máxima utilizada pelo camarada Funes é também utilizada pela maior parte (friso, maior parte, já que alguns começam a romper a regra) dos esposos após meados do século XX, pelo que não constitui novidade.
Desde que a mulher começou a fincar o pé e a requerer partilha de tarefas na casa que é deles (casal - não só dela, portanto), o homem percebeu (ou pelo menos alguns perceberam) que o velho tabefe, seguido de "cala-te e faz" já não resultava (em grande parte dos casos, salvo infelizes excepções). É que depois de algumas tentativas pela velha cartilha, casos houve em que as moças puseram-se porta fora e aí... nem metade; ficavam todas as tarefas enfadonhas por fazer. Daí a urgência em remodelar a estratégia. Era preciso inovar, foi preciso progredir.
Depois de aturada pesquisa, reinventou-se a noção de homem como o incapaz de serviço. A História demonstra que a táctica resulta. Primeiramente, o "Cavalheiro Jones" em Busca da Empregada Quase Perdida, tomou o exemplo dos escritos ditos sagrados. Reparou que os mesmos defendiam que o pecado do homem era, na verdade, culpa da mulher e que a única salvação da mulher (cristã), residiria então no seu recato, a fim de preservar o homem da tentação que o seu corpo suscitava; na verdade, um autêntico apelo à misericórdia feminina quanto à fragilidade confessada do masculino, no que diz respeito ao domínio do desejo. Ora, o investigador moderno não pretende uma mulher recatada, esmagada pelo peso da culpa do desejo masculino. O pecado já não mora aqui. Mas o investigador moderno astutamente agarrou-se à ideia do apelo à misericórdia feminina quanto à fragilidade confessada do masculino. E que melhor argumento para o escape às tarefas necessárias, mas enfadonhas do dia-a-dia? E vai daí que o conceito vingou e propagou-se à boca pequena… - Claro que lavo a loiça ( e pelo caminho parto metade, que é para aprenderes que não tenho jeito para isto). – E a companheira, confiante na inépcia da sua cara metade, erra quando pela primeira vez cede e solta um “Deixa que eu faço.” A partir daqui, está tudo perdido. Entrou em campo a velha e irreflectida misericórdia feminina.
O que a mulher tem que perceber é que um homem que tem capacidade para aprender, que mantém um escritório, um emprego, certamente consegue lidar com uma data de pratos e talheres… ou com a confecção de um jantar ou, aligeiremos a fasquia, lidar com uma simples aquisição de umas calças ou um par de sapatos.
É deixar partir pratos durante uns tempos; tal como os miúdos, depois do berreiro, acabarão por comer a sopa. Faz-lhes bem.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Odisseia aos Armazéns do Carmo

A minha adolescência, como a de muitos (ou mesmo da maior parte), foi uma fase complicada... carreguei um fardo nada fácil que foi o de ser filha de uma professora da escola que frequentava, o que me conferia o "direito" (na visão do conselho directivo, pouco pedagógica e social da altura) a pertencer às primeiras turmas, “aleatoriamente” preenchidas por filhos de professores, médicos, advogados, etc., etc. Ora, todos os dias confrontava-me com uma realidade diferente da minha e inatingível, já que a minha mãe pertencia à "classe" dos professores, sim, mas não tinha o poder de compra que os pais dos meus colegas teriam. E é neste cenário que surge o dilema das marcas de roupa a utilizar: enquanto os meus colegas desfilavam as suas calças Levi's, Charro e afins, as suas camisolas Lacoste, Benetton, etc. e ainda as sapatilhas All Star, Nike e Adidas eu, rezando para que passasse despercebida, revestia o meu corpo com peças de marca desconhecida dos....Armazéns do Carmo. Ora, passo a explicar para quem não sabe, os Armazéns do Carmo é um estabelecimento comercial, muito bem localizado na urb, de produção em série de todas as peças de vestuário possíveis e imaginárias, bem como de roupa para o lar, dispostas em gigantes cabides ao longo do espaço físico e que os clientes manuseiam para escolherem a peça desejada (uma espécie de feira com tecto e paredes), peças estas que não iam além dos 5 contos (na altura), razão pela qual terá sido uma alternativa bem apelativa para os meus pais. Pior do que usar estas roupas na escola (algo que tentava disfarçar fugindo das conversas cujo tema seria marcas de roupa e afins...), era o pesadelo de saber que tinha de entrar e sair do recinto para efectuar uma compra e ser avistado por um dos meus colegas de escola, algo que exigia de mim uma estratégia rápida e eficaz para isso não acontecer: a entrada era rápida, sem olhar para trás; à saída procurava, no entanto, acelerar o passo e inclinar o meu corpo de forma a, se por acaso alguém conhecido me visse, tivesse a sensação que não ia a sair da bendita loja, mas que já circulava no passeio vinda de um outro lugar qualquer! Os anos passaram e hoje sei que o que procurava estava longe de serem as marcas tão aclamadas, mas sim a identificação com um grupo no qual estava inserida, a procura da minha própria identidade, enfim...o meu lugar no (naquele?) mundo e os afectos que, na altura a moeda de troca parecia ser, numa ilusão própria da idade, o corresponder às expectativas dos outros. Graças aos meus pais, por me terem levado, inclusive, aos Armazéns do Carmo, com o passar do tempo foi-se a forma e ficou o conteúdo: não faço questão das marcas, mas sim dos afectos, que dou e recebo, conquistados, merecidos. E hoje... são o centro do Meu mundo!

Andante doloroso 2

E quando as vozes nos surpreendem, de repente, anunciadas por um toque igual aos outros... E quando a saudade se materializa em cumplicidade durante mais dez minutos, que anulam as interrupções forçadas... E quando do outro lado se diz que o nó na garganta não é só nosso, que o medo é comum e a saudade também... E quando se termina com um até amanhã, por hábito, quando afinal é um até qualquer dia... Setembro chega manso, mas radicalmente diferente.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Marilyn Monroe (1926-1962)


A sua existência ultrapassou as fronteiras dos país e dos tempos... Marilyn Monroe não chefiou nações; não assinou tratados de paz; não descobriu nenhuma vacina; não se dedicou às obras de beneficência ou caridade; não lutou por causas ou ideais... Não escreveu livros; não teve filhos e não plantou árvores (disso não tenho a certeza...). Marilyn Monroe existiu bela e existirá sempre bela. 

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Buda&peste


Budapeste é a capital da Hungria e está dividida em duas partes distintas: Buda, na margem ocidental do rio, e Peste, na oriental. Ambas se uniram numa única cidade em 1872. Budapeste: existe lá uma mescla de construções românicas, góticas e barrocas; tem muitas pontes e museus; há por lá curiosas adegas cavadas nas encostas; é referida como sendo o habitat dos vampiros; foi cenário de algumas catástrofes climatéricas e bélicas; conheço as "noites de Budapeste - sempre a rock & rollar" dos Mão Morta. Além destes aspectos/itens, também vem-me à memória uma história que pouco ou nada tem a ver com a cidade... mas isso fica ao critério de quem conhece realmente a capital. Esta história verídica, contada por um amigo, é acerca de um casal, esposo e esposa, que deu ( já faleceram) razão àquela ideia comum de "os opostos atraem-se". O certo é que, apesar de se darem lindamente, eram muito diferentes. Ele era obeso, bondoso, afável, altruísta, calmo, bem humorado... um verdadeiro Buda. Ela era magra, conflituosa, intriguista, egoísta, egocêntrica, arrogante... uma verdadeira Peste. Eram, então, conhecidos como "os BUDA/PESTE".

Uma mulher com visão...

"Mas não fiquemos mais no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar mais hum pouco. Pois as mudanças que tenho em mente como o senhor já sabe, vão além da libertação dos captivos. Quero agora dedicar-me a libertar as mulheres dos grilhões do captiveiro doméstico, e isto será possível através do Sufrágio Feminino! Si a mulher pode reinar também pode votar!" Carta de D. Isabel ao Visconde de Santa Victória, de 11 de agosto de 1889, na ortografia da época.

domingo, 27 de agosto de 2006

Lullaby de Domingo.

É o que estou a ouvir...
"But as it came down near, so did a weary tear
-I thought it was a bird, but it was just a paper bag
(...)
-I thought he was a man
But he was just a little boy."

It's raining men, aleluia!

( Golconde, Magritte)

E quando andamos todo dia a trautear músicas que não gostamos e nem nos apetece ouvir? Sons que martelam insistentemente na cabeça durante tempos e tempos... Por vezes, quase sempre, procuro a cura para esse mal através do canto. Solto as pseudo-melodias que desassossegam e consomem o meu espírito!! E, depois, "Quem canta, seu mal espanta!"

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Palavras sábias

Não quero que minha casa seja cercada por muros de todos os lados e que as minhas janelas estejam tapadas. Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa com o máximo de liberdade.
Mahatma Ghandi

terça-feira, 22 de agosto de 2006

No princípio era Sacra.

Em dia de espera(nça), os minutos arrastam-se como se dias fossem e, entre um bocejo ao computador e dois perante o ecrã de televisão, jaz o comando de TV, que marca a descontinuidade das horas mortas. E nessa tentativa de quebra, de ruptura, detenho-me em alguns canais que supostamente divulgam música. O movimento é o mesmo... fulanas magras, lindas de morrer, com maquilhagem que encheria seguramente um contentor, esfregam-se em algum lado (ou em alguém), munidas dos seus biquinis e saltos dourados. Por vezes, fingem que o segredo está no canto - e não na curva. A primeira vez que me recordo sentir horrorizada com um rebolanço do género, foi há uns anos atrás e, surpesa das surpresas, não foi com uma qualquer moçoila internacional, nem tão pouco a gemer algo que se poderia assemelhar com R&B (???). Era noite cerrada, e os protagonistas encontravam-se na Áustria (se não estou em erro), num programa que versava, essa noite, sobre o compositor húngaro Franz Lizst. A conversa decorria entre a (muito) plástica Bárbara Guimarães, com perguntas improváveis ao Maestro Vitorino de Almeida. E, suponho que para ilustrar o dilema do compositor - oscilou sempre entre a sua queda para a volúpia e uma vontade igualmente irresistível para a beatude (tornou-se religioso) - o programa tem um momento inenarrável em que, no interior de uma catedral, o Maestro observa, ao som da música sacra de Lizst, a boa da Bá(r)ba(ra) a rebolar-se voluptuosamente nos degraus que conduzem ao altar. De rir e chorar por muito menos, na verdade. Mas o que é certo, é que a tendência abandonou catedrais e alastrou-se à música (???) profana e é ver as mocinhas feitas em linha de montagem, com os mesmos corpinhos a rebolarem por onde podem e com quem conseguem. E vendem.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Virar de páginas.

"Não basta matar os nossos inimigos, (...), não somos homicidas mas executores, devemos agir em público, para servir de exemplo. Matamos um homem, aterrorizamos outros cem mil. Todavia, não basta executar e aterrorizar, é igualmente indispensável saber morrer, pois se ao matar desencorajamos os nossos inimigos de empreender o que quer que seja contra nós, ao morrer do modo mais corajoso ganhamos a admiração da turba. E desta turba sairão homens para se juntarem a nós. Morrer é mais importante que matar. Matamos para nos defendermos, morremos para converter, para conquistar. Conquistar é um objectivo, defendermo-nos é apenas um meio."

(in Samarcanda, de Amin Maalouf, fotografia de abelardo Morell)

Qualquer semelhança com a realidade (e com as múltiplas verdades com que tantos se digladiam), é pura coincidência.

domingo, 20 de agosto de 2006

sábado, 19 de agosto de 2006

"A verdade estava no meio, nem dita nem calada."


"O maior processo do século começa com um réu fantasma. Ela quis ver com os próprios olhos o único criminoso de guerra nazi sobrevivente face aos juízes de Israel, e é isto! O homem é insignificante. (...)
Afinal, não passa de um cabrito encurralado, a balir. Perturbada, apercebe-se que o medo vem dela própria. Da banalidade de um processo de justiça quando estava à espera da grandiosidade do teatro antigo com o castigo solene do culpado. Tem medo da banalidade do homem, da banalidade do réu, da do procurador de Israel, da do público, e até das pobres testemunhas.
Teme sobretudo descobrir o pior de tudo: a banalidade do próprio mal, uma vez que o mal teve que passar por aquele homenzinho apagado. (...), não duvida, nem por um instante, da culpabilidade do réu. Mas também não duvida, nem por um instante, de que diante dela não está o verdadeiro culpado.
O verdadeiro culpado está em todos. Sem excepção."

(Catherine Clément, O Último Encontro)

O anti-semitismo não começou com o Partido Nazi de Hitler, nem tão pouco circunscrito a um País. A barbárie permitiu-se, porque teve todo um berço de ouro, de séculos de cultivo de ódios além fronteiras e que sobreviveram ao holocausto dos campos nazis; Adorno fala-nos sobre isso, quando apresenta o anti-semitismo vivo e saudável nos EUA, nos anos seguintes à 2ª Guerra Mundial.
Se evoco tudo isto, é porque parece-me que sentimo-nos muito tranquilos com a possibilidade de apontarmos os outros, como se tocássemos exactamente na ferida, esquecendo que foi provocada muito antes e que foram muitos mais os punhais do que aqueles que são acusados. Acima de tudo, tendemos a esquecer o peso que os ódios mais comezinhos têm a longo prazo. O que começa por aversão, ao longo dos tempos termina em ódio, desejo de extermínio, a face do mal cada vez mais visível e extensa... Até ao desferir do golpe, até ao horror imediato - logo esquecido, porque placidamente continuamos a alimentar velhos (e novos) preconceitos.
Permitimo-nos diariamente a pequenos ódios, raivas e amarguras, esquecendo que podem crescer sobremaneira...
Há uns anos atrás, através de um documentário transmitido pela 2, soube que não se ouvem as composições de Wagner em Israel; na altura, não deixei de pensar que perdiam por não separarem o homem do músico, por não usufruírem do que de bom conseguiram escrever aquelas mãos numa pauta de cinco linhas. Com Heidegger, a história repete-se; o homem inscrito no partido nazi, o reitor que redigiu elogios ao Führer precede muitas vezes o filósofo do pensamento vagabundo.
Nos tempos que correm, de mão na boca, desde que veio à tona o passado de Günter Grass. Todos os que nunca saíram da segurança das suas casas e dos seus redutos morais, apressam-se a alegar a legitimidade de lhe retirar o direito de escrever o que escreve, como escreve e porque escreve.
Mais uma vez, a história repete-se; na cegueira de quem se esconde no conforto de nunca estar confrontado com um verdadeiro dilema, de nunca ter sido confrontado com a escolha, com uma tomada de posição. Mas uma tomada de posição que não se esbata nas letras de uma coluna de opinião, que se arruma assim que se fecha o jornal. Ou na página do blogue.
(O título do post também pertence ao Último Encontro de Clément).

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Cheshire

Entre muitas personagens insólitas e fantásticas, Alice, no País das Maravilhas, encontrou um gato muito sorridente... muito mesmo!
O nome do gato é Cheshire e é dono do inesquecível sorriso contido na obra de Lewis Carroll.
E cá vai uma fabulosa e deliciosa passagem:
"- Disseste porco ou torto? - disse o Gato.
- Eu disse porco - respondeu Alice - e gostava bem que não estivesses sempre a desaparecer assim de repente. Fazes que uma pessoa fique tonta de todo.
- Está bem - disse o gato; e desta vez desapareceu muito devagarinho, começando primeiro pela cauda e acabando com o sorriso, que ficou a ver-se durante algum tempo, já o resto tinha desaparecido.
"Vejam lá, já vi muitas vezes um gato sem sorrir", pensou Alice, mas um sorriso sem Gato... é a coisa mais esquisita que já vi em toda a minha vida!"
in Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll

"Nice idea with this site its better than most of the rubbish I come across."

A culpa da sopa de letras é de tretas como as supracitadas, que têm pululado na caixa de comentários. Sorry.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Fazer derramar sangue, por gosto.

Esfregam-se as armas de felicidade, no nosso País . Começa hoje a época de caça, onde os titulares da civilidade têm autorização para dar largas a essa nobre arte de inflingir dor em prol do seu ego.
E os fatos e gravatas, saltos e batons escondem esse prazer secreto partilhado por muitos que respondem por gente, de aplaudir arenas com animais em sangue e ilusionistas da coragem de bandarilha em riste, de disparar sobre a liberdade em bruto, de descartar responsabilidade quando já não lhes serve ou dá prazer.
E depois de tudo isto, quando alguém pergunta pela Humanidade, têm a lata de gritar presente.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

A dose certa

(aqui ficam as flores da minha preferência, as hortênsias)
Estamos na época em que o calor aperta e eu, sinceramente, não gosto nada, pois prefiro épocas de climas mais temperados, menos excessivos. Também fico, no Verão, desolada e doente com as barbaridades excessivas que se cometem contra a natureza. O elemento fogo é em excesso! Que Inferno!
A vida dá-nos um grande leque de condimentos / temperos, mas não nos dá a receita com as doses certas... e, por vezes, só depois de várias tentativas e experiências é que conseguimos apurar as doses certas aos nossos sentidos. Nada fácil dosear os temperos, falo por experiência. Basta ter um tempero a mais ou a menos e... tudo estragado! E não me venham cá com números que não vale a pena! A forma de fazer uma receita varia de pessoa para pessoa, quer a nível da quantidade quer a nível da qualidade. Por exemplo, mesmo tendo a melhor das intenções, Eva nunca deveria ter "receitado" uma maçã ( talvez seria melhor se fossem duas, três... ou nenhuma, não sei...) a Adão, pois ele é que deveria ter, por iniciativa própria, experimentado. Mas o certo é que um naco de maçã, que não estava ao sabor dos sentidos de Adão, ficou excessivamente entalado na garganta e originou uma catrafilada de problemas e um estigma de má-da-fita à pobre Eva. Que tremendo mal entendido!! Mas também ninguém adivinhava tais efeitos..., e que alguns sabores são tão nocivos.
O Homem deveria saber/aprender temperar a sua vida, conseguir encontrar a sua medida certa e acabar com esses excessos tão prejudiciais à sua saúde e à dos outros. In Íntimas Suculências (tratado filosófico de cozinha) a autora, Laura Esquivel, idealiza o Novo Homem como aquele "que consegue reintegrar na sua vida o passado, os sabores perdidos, as músicas já esquecidas, os rostos dos avós, os gestos dos mortos. É o homem que não esquece que o mais importante não é o produto, mas sim o homem que produz. Que o bem-estar do homem – de todos os homens – deve ser o objectivo principal do desenvolvimento do homem."
A guerra é a totalidade de excessos e dela chega-nos relatos de sabores amargos, azedos e sem os sabores da vida...
Que tenho feito? Saboreado, porque também acredito que " sem sabor, a vida não vale a pena ser vivida, e que sem o sabor da vida, a literatura não existe"(l. Esquivel)!

domingo, 13 de agosto de 2006

Lullaby de Domingo.

Este blog está duplamente em festa: pelo regresso anunciado de Nefertiti (finalmente resgatada à terra dos mortos) e porque Nefertiti (re) nasceu a 13 de Agosto. Leoa, portanto, com um feitio condizente. Porque também ela (quase) nada lamenta...

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Para memórias adormecidas...

Não, não era bem isto que procurava (Público de hoje, cultura, página 30). Não fico entusiasmada com a descoberta do novo túmulo no Vale dos Reis, nem tão pouco com a possibilidade de pertencer a Nefertiti, "a mais bela mulher do mundo antigo". Ficarei entusiasmada com a ressurreição de Nefertiti ao nosso mundo. Ou melhor, com a reinvenção de Nefertiti.

Já lá vão duas semanas ...

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Um blog que seja de Kiara também

A época de calor ataca a minha gata, já por natureza transtornada. Tem estado por aqui enquanto digito; por vezes faz questão também ela de escrevinhar qualquer coisita. Já quis também apanhar, com as patitas, bolas saltitantes de uma apresentação de powerpoint. Por vezes pára e mia-me segredos. Agora, quer apenas deixar-vos uns dos seus versos.
A quatro patas:
««««9OONBLOM,< 
 

Silly Season 2

Desde ontem que o horizonte está escondido por uma estranha neblina. A humidade ataca impiedosamente e, em algumas partes, não conseguimos ter a percepção do final das águas. Ainda que longe de terras em chamas, parece que também por cá o céu verte a tristeza pelo atear dos fogos (e ódios). E quem vai a banhos de consciência tranquila?

terça-feira, 8 de agosto de 2006

O Pecado começa nos dedos que viram as páginas.

Depois de semanas a arrastar a leitura do Kafka à Beira-Mar (sacrilégio, eu sei, mas a verdade é que ainda não me tornei uma leitora compulsiva), ponho-o de lado (again) para agarrar (de mão-cheia) a minha última incursão pelas estantes maléficas de uma livraria... Voltei voluptuosamente ao Maalouf. Com Vossa licença, abandono o local para me dedicar ao pecado da gula.