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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Hoje a minha deusa deixou de ter o calcanhar em sangue




Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos.

Manuel António Pina



Algures em Março de 2000.
16 de Dezembro de 2013


sexta-feira, 13 de setembro de 2013



Fernando Alves canta Natália Correia

Espólio Natália Correia da Biblioteca Nacional

[e não lhe contemos os anos, pois a sua poesia - e ela - não têm idade, nem são marcadas pelo tempo]
E por ora, a imagem que quero registar é a dos traços da sua caligrafia.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Para ti, sabes porquê

John William Waterhouse



One sits; the other, without.
Daylong a duet of shade and light
Plays between these. 


In her dark wainscoted room

The first works problems on
A mathematical machine.
Dry ticks mark time 


As she calculates each sum.
At this barren enterprise
Rat-shrewd go her squint eyes,
Root-pale her meager frame. 


Bronzed as earth, the second lies,

Hearing ticks blown gold
Like pollen on bright air. Lulled
Near a bed of poppies, 



She sees how their red silk flare
Of petaled blood
Burns open to the sun's blade.
On that green alter 


Freely become sun's bride, the latter

Grows quick with seed.
Grass-couched in her labor's pride,
She bears a king. Turned bitter 

And sallow as any lemon,
The other, wry virgin to the last,
Goes graveward with flesh laid waste,
Worm-husbanded, yet no woman.

Two Sisters of Persephone, by Sylvia Plath

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Boa Semana

Brian Oh foi a minha mais maravilhosa descoberta durante a minha existência no Second Life (SL) e costumo pensar nele como tendo um pouco de Manoel de Oliveira (pela lentidão de certos planos), mas sobretudo, como um Burton do segundo mundo.

Esta é apenas uma das suas muitas estórias. Brian é pintor, mas o seu mundo há muito que não cabia nas telas, de modo que, apostou na tecnologia do SL para dar corpo a certas ideias «que não funcionariam tão bem numa tela a óleo».

Eis Anna, who:
was a quiet girl
who through eyelashes
watched the world

And though she appeared 
to be quiet meek
inside she harboured
a dark streak



tired of body apps
that people used
to feel their gaps

so with a touch
of profound sadness
Anna embraced 
what we've call madness

Acho que agora bem que estava a calhar um segundo mundo, um segundo país - será este irrecuperável?