domingo, 2 de março de 2008

Senhoras e senhores, suas"excelências", os excelentes profissionais

Ando há que tempos a reunir coragem para me meter na pasta (do Ministério) da Educação, mas a verdade é que me sinto cansada mesmo antes de começar. Pior. São incontáveis as possibilidades de começo, pelo que me deixo ficar quietinha. Contudo, confesso que me divirto a ler o que se escreve por aí; alguns, que "não amam" a "educação", conheço-os de ginjeira. A entrada na escola deu-se do mesmo modo como em tudo o resto: à caça do cargozinho. Na maior parte das vezes a estratégia resulta. A esses, acredito que o modelo de avaliação somado à proposta de gestão de escolas seja suficientemente aliciante, dado o grau de possibilidades que lhes são disponibilizadas: é que não tenham dúvidas nenhumas, que a avaliação "rigorosa" que se apregoa apenas vai beneficiar os que raramente, ou mesmo nunca, colocam o seu real traseirinho numa sala de aula. E é vê-los inchar o peito e perorar sobre excelência.

9 comentários:

Rosa Oliveira disse...

Woman, mas pensas seriamente que alguém no seu perfeito juízo vai à caça de cargos na carreira docente? Estás a brincar, por certo.
Mas alguém quer ser professor no panorama actual? Por amor de Zeus!

A maioria das pessoas que foi para o ensino, foi-o pela saída profissional da sua formação académica (esquecendo aqueles que entraram no sistema no pós 25 de Abril, quando foram necessários...). Tu, querias ser professora de Filosofia, ou querias estudar Filosofia? Eu queria estudar Filosofia.

A quem te referes quando falas dos que «raramente, ou mesmo nunca, colocam o seu real traseirinho numa sala de aula»?

Woman Once a Bird disse...

Rosa:
Conheço alguns que usam a escola como trampolim para as suas ambições políticas. Depende dos meios. Aliás, este tipo não te é estranho, até porque conhecemos casos desses na escola onde ambas leccionamos. Mas também é verdade que oportunismos e oportunistas não pululam apenas nas escolas, como bem sabemos. Apenas habituamo-nos a achar que a classe docente é toda incompetente e mal intencionada e que a virtude se encontra em todas as outras profissões.

quando fui para Filosofia queria estudar Filosofia, como muito bem apontas. Entretanto, também aprendi a gostar de estar em sala de aula - não a fazer avaliações ou algo que o valha. Não me imagino a fazer outra coisa, mesmo com o triste panorama que se apresenta. Mas falo apenas em meu nome.

Rosa Oliveira disse...

«Conheço alguns que usam a escola como trampolim para as suas ambições políticas. Depende dos meios. Aliás, este tipo não te é estranho, até porque conhecemos casos desses na escola onde ambas leccionamos.»

OK!!!!!!
Repara, nem me estava a lembrar desses.
OK, bem observado!!


«Apenas habituamo-nos a achar que a classe docente é toda incompetente e mal intencionada e que a virtude se encontra em todas as outras profissões.»

WOB, por todos os motivos, please, não vamos escrever este tipo de comentário que será lido por pessoas que o descontextualizam de forma pejorativa. Penso que me faço entender.







(Voltou, como deves saber. Tristeza!, sem comentários...)

Woman Once a Bird disse...

Ultimamente só ouço falar da suposta incompetência dos professores que, por artes mágicas, pelos vistos atinge a classe, deixando todas as outras com uma aura de virtuosísmo ímpar. Incompetentes em Portugal? Só nas escolas, a educar os nossos filhos. É a isto que me refiro quando escrevo "habituamo-nos".
Aliás, gostei de ver os apalsos arrebatados que recebeu a Ministra da Educação pelas Associações de Pais, as palmadinhas nas costas por estar a "limpar" corajosamente a casa. É disto que falo. Os mesmos Pais que, na maior parte dos casos depositam as crianças/adolescentes e apenas querem saber dos resultados, sem se preocuparem com o percurso ou com o desenvolvimento efectivo das mesmas. Pais que (e já disse isto algures por aí), no ambiente privado de um gabinete de atendimento do DT confessam não saber como dar a volta ao filho, ou que querem que subitamente a Escola resolva o comportamento menos correcto que a criança manifesta em casa. Nessas alturas, o professor é suficientemente competente e sério e é o melhor amigo.
Também é verdade que, comprovadamente, somos muito mais corajosos em grupo do que quando a sós. E olhar nos olhos de um professor, num gabinete, e afirmar que a culpa é toda dele é bem mais difícil.

E sim, Rosa. Também estou agastada com tudo isto. Por isso mesmo ainda não tinha aflorado o assunto.

Rosa Oliveira disse...

WOB
com toda a sinceridade não há paciência (modo de expressão)... mas calma, os problemas da escola e da educação não radicam apenas nos pais demissores, nem nos professores.... não me apetece trazer à baila os argumentos disto e daquilo. Não me apetece!
Pena que João Formosinho esteve a pregar aos peixes.... naquele debate (?) televisivo.

Woman Once a Bird disse...

Não afirmo que o problema radique nos Pais. Apenas aponto o que li hoje no Público. Assim não vamos a lado nenhum.
Quanto ao João Formosinho, como especialista que é, já saberia que aquele ambiente não seria propriamente propício à aprendizagem. Contudo, também considero que não defendemos as questões apenaspela metade. Ou seja, implementarmos medidas soltas em um sistema caduco (como se tem feito, aliás). É preciso diminuir as retenções? Por certo. Mas que alternativas se apresentam? Ou fazemos como tem acontecido até agora e temos alunos no secundário sem saber ler? (já nem pergunto por algo mais complexo como, por exemplo, interpretar).

Tenho-me escusado a comentar o "debate".

Rosa Oliveira disse...

A questão não era a da diminuição das retenções. Não foi isso que Formosinho disse, nem defendeu. A questão é da problematização da retenção... que sentido tem reter um aluno ou aluna de 7 anos de idade no 2º ano do 1º ciclo? essa retenção é significativa para o seu percurso escolar/educativo/formativo? Porquê uma escola divida em 3 períodos lectivos? Porquê? Essa divisão facilita a aprendizagem dos estudantes, ou facilita o trabalho numa escola massificada, concebida para funcionar como uma fábrica?...............

Eu, se fosse o João Formosinho, teria pensado que, um ambiente com a presença de educadores e a Ministra da Educação, seria o auditório privilegiado para fazer passar uma mensagem da caducidade do sistema. Acontece que ele quis discutir a educação e a maioria discutiu um emprego.Ambas as discussões são importantes, mas distintas, obviamente.

João Formosinho tem um trabalho importantíssimo na área da educação que não podemos menosprezar. Como ele, outros, em Portugal.

O discurso jornalístico não me serve de fundamento para a discussão da educação.

Sancho Gomes disse...

Mas o que é que o Formosinho disse que merecesse ser ponderado?
Vi-o apenas defender um ensino que promove e desenvolve uma cultura de facilitismo, sustentada no que de pior o estruturalismo deixou na pedagogia. Para além disso, e como diria o outro, não eram ideias originais, nem boas.
Por isso, não percebo que sermão ele pregou

Rosa Oliveira disse...

O que entende por cultura de facilitismo e quais foram as palavras de Formosinho que denotam isso que designa por cultura do facilitismo?