domingo, 12 de novembro de 2006

Quem decide?!

E em relação ao aborto?? O homem também tem voto na matéria e poder de decisão?
Pois eu acho que NÃO!! E não me venham falar de igualdades!! Falem-me antes do repeito pelas diferenças!!

26 comentários:

his_tory disse...

O tema é polémico, mas se por um lado estamos a falar do ventre da mulher, algo privado, por outro estamos a falar de um acto biológico de criação, pois a paternidade masculina não se resume ao acto em si. Por isso, a voto do homem é relevante e IGUAL ao voto da mulher. Não posso admitir uma leitura diferente desta, e não é um caso de machismo...
Se bem me recordo, foram as próprias mulheres que contribuíram decisivamente para a derrota do anterior referendo, e não é necessário ser expert em matemática: as mulheres constituem mais de metade do universo eleitoral português (e de todos os países do mundo).

everything in its right place disse...

há que ter cuidado com essas afirmações, Nefertiti!
recentemente andei de comboio e comecei a educar um rapazote que ia sentado no banco do lado a defender pontos de vista pepezeiros.

quando as meninas que iam à minha frente disseram "isto é que eu acho graça, homens a discutir o aborto" levaram com um olhar fulminante e com um "porquê, só vocês o podem discutir?".

claro que quem sofre as maiores consequências físicas são as mulheres, o que não faz com que qualquer Homem (sim, com H grande) não tenha que se ralar com isso!

Woman Once a Bird disse...

Não concordo que o parceiro não tenha uma palavra a dizer.
O voto do homem é IGUAL? Aí já não terei tanta certeza. Só é IGUAL quando convém, quando dá jeito. Quando tal não acontece, o problema é dela e só dela. em muitos casos, o problema reside exactamente aí; porque o voto não é igual. Porque de repente, já não são dois, mas apenas um. O voto IGUAL parte, vira costas. O voto IGUAL alega que deixou de ser um problema dele.

Quanto à contribuição das mulheres para o resultado do anterior referendo, caro His_tory, tenho abordado isso mesmo nos posts anteriores. A aprendizagem cultural não acontece só para um dos lados. Estamos impregnados de preconceitos e, neste caso, entra ao barulho também dogmas religiosos, o que complica muito mais o assunto.

Woman Once a Bird disse...

Ainda assim, não considero que a questão filiar seja um caso tão claro quanto isso; não possuo qualquer instinto maternal. Não pretendo ser Mãe. E isso implica que nunca admitiria que um companheiro quisesse sobrepôr-se ao meu direito em não engravidar.
Porque o trabalho de parto é muito mais gravoso que uma espera numa sala fria. E aí, a decisão deve passar por quem passa efectivamente pela experiência, por quem se arrisca, se transforma.

nefertiti disse...

Neste campo acredito que só a mulher é que decide! Mesmo havendo uma lei que proíba, vai existir sempre, sempre existiu!! Há mulheres que assim o decidem! Do que adianta termos uma maioria? Uma lei!! Só pode é dificultar a decisão da MULHER.
Não devo ter cuidado com estas minhas afirmações. Durante muito tempo (desde a antiga Grécia, o chamado berço da civilização ocidental!), a mulher não tinha qualquer ponto de vista (nem sequer dela própria, era propriedade do senhor, assim como os filhos e os escravos) e, mais tarde, quando lho(ponto de vista!!) "concederam", foram limitidas: " assunto só para homens".
Por que agora não posso dizer que a decisão do aborto não compete só às mulheres!! Não concebo a ideia de alguém obrigar-me a ter um filho!!
A nossa "democracia" ainda ñ salvaguarda as diferenças! É uma democracia muito cega, demasiado cega e coxa!!
(ATENÇÃO: não significa que seja a favor do aborto ou que o faria!!! mas também nunca iria votar contra! Pois é uma decisão feminina e individal. Assim como a eutanásia... Para quê referendos?! Para privar o outro de uma decisão... duma liberdade que só a si diz respeito?!
Eu não quero cader às crenças nem às ideologias de uma sociedade que se rege pelas maiorias!!! Na igualdade deve haver também excepções!!!
Abraço a todos e uma feliz semana.

nefertiti disse...

correcção:onde se diz "não compete" deve-se lê-se na afirmativa! depois onde digo "cader" deve-se ler ceder!! Enfim... juro que só bebi água!! : ))

Woman Once a Bird disse...

Digo, questão filial.

nefertiti disse...

Digo, deve ler-se!

nefertiti disse...

e pronto, concluo então: "Pior a emenda que o soneto" :)))

his_tory disse...

WOaB,
Agora o feminismo veio ao de cima, pois o voto da mulher tem mais valor que o do homem?! Estamos a entrar num beco sem saída...

Eu sou a favor do aborto porque acho que a decisão do mesmo compete à mulher, mas também ao homem (pelo menos quando começa com H). Além disso, será uma forma de evitar o sofrimento e a discriminação da mulher quando recorre a esquemas paralelos para conseguir esse desiderato.

Não acho que a mulher deva ser forçada a ter filhos, mas por enquanto desconheço outra forma de perpectuar a Humanidade (mas não através da obrigação, como é óbvio!).
Decidir ter ou não ter filhos é uma opção reflectida a dois (tradicionalmente, pois hoje em dia a técnica já o permite a um, mas por enquanto com o contributo do outro). O problema pode ser o número de filhos e não tanto ter ou não ter, até porque se pode sempre adoptar. Neste caso o papel de mãe concretiza-se sem o sofrimento a que aludias. E o filho adoptivo não será menos que o biológico, porque a educação de uma criança é um acto cultural.

O problema do nosso país é que a liberdade ainda está muito verde. Veja-se o aumento do consumo da pílula do dia seguinte e agora, com a eventual aprovação do aborto, podemos assistir ao abuso dessa prática para resolver imaturidades culturais. Isso sim, será um problema... E um custo para o serviço nacional de saúde.

nefertiti disse...

...mas se a lei salvaguarda as diferenças, por que é assim tão inconcebível ser só a mulher a escolher se deve ou não prosseguir a gestação?! é claro que a mulher precisa da ajuda do Homem (H. maiúsculo) para tomar a SUA decisão... A dignidade do ser só é possível com o contributo de todos.
é grave uma mulher após ter tomado uma decisão tão violenta(sim, porque não deve ser fácil!!), ainda ter que responder perante a sociedade e, por vezes, ter até que enfrentar prisões, humilhações...!! julgo que é uma caminhada que SÓ as mulheres têm feito. posso até estar enganada!! mas só tenho conhecimento de testemunhos de mulheres que foram presas por terem feito um aborto. e os homens? sinceramente, não sei!!

Woman Once a Bird disse...

O feminismo não veio ao de cima. Até porque ele sempre lá esteve. ;)
Mas sinceramente, parece-me que não podemos conceber uma decisão equalitária (e aqui falo na gravidez, não na hipótese de abortar), quando os riscos são incontavelmente maiores para um do que para o outro. Ora, é tudo muito bonito, mas esse processo biológico pesa muito mais para a mulher do que para o homem.

Woman Once a Bird disse...

O que quero dizer é isto:
Essa história do "decidimos NÓS se engravidas TU" entende-me um bocado os nervos.

Anónimo disse...

Sinceramente, apesar de tender a uma opinião extremista, acho que, na realidade, esta questão (partindo do princípio que o casal comunica e é relativamente civilizado) deve ser discutido entre o homem e a mulher. Agora, se a vontade da mulher for a de abortar, o homem tem duas hipóteses: ou apoia incondicionalmente ou não apoia, não aceita e escolhe outra parceira.
Apesar de não querer ter filhos e não entender a realidade de ter de optar por abortar ou não, acredito que o extremismo não é o melhor caminho. A escolha da mulher, todavia, deve prevalecer sobre a do homem. Mas, quer no caso de levar a gravidez avante quer no caso de interrupção da mesma, as sequelas no corpo e na mente pertencem apenas à mulher - dependendo da escolha ser acertada ou não.

everything in its right place disse...

olha, WOAB, muitas vezes as mulheres decidem por si próprias engravidar e ter os filhos para amarrar um qualquer desgraçado!!!!!!!

que raio!

Woman Once a Bird disse...

Concordo contigo, Isobel. Acho que expuseste muito bem aquilo que tenho tentado dizer.
Everything, mais um bocadinho elas engravidam por obra e graça de Nosso Senhor e escolhem um pobre coitadinho e inocente para arcar com as culpas.

his_tory disse...

O sofrimento é sem dúvida da mulher, mas há muitos homens que "sofrem" pelas mesmas razões, embora não fisicamente. Logicamente que se a mulher decidir não engravidar ou quiser abortar, o homem pouco pode fazer, além do apoio ou desagrado. Mas sejamos honestos: essa decisão não devia ter sido tomada ANTES, pelo casal, pois existem muitas formas para o fazer. Se a mulher não desejar engravidar e o homem sim, então não deviam estar juntos, e vice-versa.
Essas coisas resolvem-se sempre pelo conhecimento e diálogo sincero, entre quatro paredes. Sejamos claros, pois o referendo até nem devia ter razão de existir... Mas é a única forma de alterar uma lei penalizadora para a MULHER, e não para o homem que é co-autor do problema (às vezes só paga a conta).
Por último, não é novidade nenhuma que as mulheres ou casal optam por ter um filho para estreitarem os laços, só que por vezes o tiro sai pela culatra...

everything in its right place disse...

isto do fundamentalismo é uma coisa que cheira um bocadinho mal, seja no futebol, seja na política, seja no feminismo!

Woman Once a Bird disse...

Ok Everything, rotula de fundamentalismo, se quiseres. Nunca afirmei que devia ser uma decisão unilateral. Defendi si que não concebo, por outro lado, que o peso da decisão seja repartido igualmente. E, pelos vistos, também isto constitui fundamentalismo. Como quiserem.
His_tory:
Suponho que a conta, em muitos casos seja repartido entre os dois, principalmente quando falamos em maioridade (económica e, espera-se, mental). Nos outros casos, também não será propriamente o parceiro a suportar a conta, mas eventualmente familiares.
Óbvio que a decisão deve ser tomada antes; mas também sabemos que estamos perante uma tessitura com inúmeros fios e nuances.

Anónimo disse...

His_tory, a questão não se resolve apenas recorrendo ao referendo. Se houvesse vontade política suficientemente forte, resolvia-se sem ter de referendar.
E resolvia-se muitas outras questões que se adiam por razões de agenda política. Porque a vida das pessoas não devia ser adiada ou depender de referendos. É ilógico dizer-se que o aborto, o casamento entre homossexuais, a despenalização das drogas leves, são questões secundárias, quando comparadas com a situação económica do país. São questões que deviam ser sempre discutidas porque, felizmente, somos capazes de pensar e discutir sobre muitas coisas ao mesmo tempo.
Peço desculpa de misturar outras questões à questão do aborto mas foi apenas uma maneira de exemplificar o que queria dizer.
A liberdade devia ser sempre A prioridade. Liberdade de escolha, possibilidade de escolher, que não obriga a resposta negativa ou positiva.

Woman Once a Bird disse...

Concordo em absoluto, Isobel.

Lady of the Lake disse...

Vou tentar resumir a minha opinião depois de tudo o que li (sei que já vem tarde). Os meus argumentos referem-se ao facto de quando o aborto é legal, se o homem tem o mesmo direito que a mulher para decidir sobre a sua realização, ou não:

1. Acho que houve momentos nesta discussão em que se confundiu a decisão em abortar com a decisão em engravidar. Na minha opinião e considero-me feminista também (no sentido de lutar pela IGUALDADE DOS DIREITOS ENTRE GÈNEROS) a mulher terá todo o direito em decidir que não quer ser mãe, nem engravidar, da mesma forma que o homem terá todo o direito em abandonar essa relação porque quer ser pai.... Se uma mulher foi obrigada a engravidar então já estamos a falar de uma violação e de um crimonoso que claro não terá qualquer legitimidade em opinar.

2. Agora quanto à questão da decisão do aborto, a não ser que haja riscos de vida para a mulher, a decisão, na minha opinião, deverá ser dos dois: Se à mulher assiste o direito de não querer esse filho, ao homem também assiste o direito de o querer criar (e sinceramente acho que o argumento do trauma do parto não é legítimo para vedar a alguém do direito de ser pai; se é verdade que um parto pode ter sequelas físicas, também é verdade que isso poderá acontecer com um aborto – mesmo que feito legalmente!. Seria tão cruel impedir um homem de CRIAR uma criança que já foi concebida, como obrigar uma mulher a criar um filho que não é desejado por ela (um segredo para uns(umas) e novidades para outro(a)s: os homens também sofrem e podem realmente ficar psicologicamente afectados por serem ignorados ou impedidos de serem pais de uma criança, da qual desejam, tal como uma mulher!

3. Da mesma forma que existem homens irresponsáveis, cretinos, etc. (que viram as costas no caso de uma gravidez), também existem mulheres irresponsáveis, cretinas, etc., que à partida também não terão condições para opinar nesta matéria. Ou seja, nem vale a pena considerarmos essas pessoas, na teoria claro!, INDEPENDENTEMENTE DO GÉNERO, como argumento de quem deverá participar numa decisão como esta, porque estamos a falar de situações em que AMBAS as partes são pessoas conscientes e sensatas.
4. Acho que excluir o homem nesta decisão seria cair no mesmo erro que a humanidade caiu durante toda a sua História, quando excluiu a participação da mulher em temáticas importantes da sociedade. As duas faces do SER HUMANO têm de facto uma palavra a dizer, independentemente de ser a mulher quem engravida e dá à luz...... Um filho ainda é um projecto a dois e se por um acaso assim não acontece então deverá decidir quem está implicado (fisicamente e/ou emocionalmente) nessa situação. Obviamente que terá de haver estruturas legais que responsabilizem as pessoas pelas decisões que tomaram e toda esta “negociação” (em casos de um dos implicados não querer a criança) deverá ser devidamente acompanhada por entidades de saúde e legais, para não haver decisões arbitrárias (de ambas as partes - sempre!).
5. quanto à opinião “muitas vezes as mulheres decidem por si próprias engravidar e ter os filhos para amarrar um qualquer desgraçado!!!!!!!”, acho que é perfeitamente irrelevante para a discussão como disse antes: existem cretinos nos dois sexos, não podemos levá-lo(a)s em consideração e utilizá-lo(a)s como argumento para chegarmos a uma conclusão e marcarmos uma posição!

6. Concordo plenamente com o His_tory quando diz que “se a mulher decidir não engravidar ou quiser abortar, o homem pouco pode fazer, além do apoio ou desagrado.” – isto para mim é desigualdade de direitos, algo que nós mulheres temos vindo a reclamar ao longo dos tempos e agora com a mesma arrogância que eles nos presentearam ao longo dos tempos, achamos que devemos vedar ao homens um direito que lhes assiste! “Liberdade de escolha, possibilidade de escolher” sim, mas para ambos os lados, ou então andaremos em permanente desiquilíbrio do que é verdadeiramente SER-SE HUMANO!

Lady of the Lake disse...

E Nefertiti, falo de igualdades, sim senhor! Porque se temos utilizado esse argumento (nós mulheres) para lutar pelos nossos direitos até hoje, não o vou alterar agora para “respeito pelas diferenças” (aliás um argumento muito utilizado, em tempos e ainda hoje, pelos homens), só porque agora nos convém!

nefertiti disse...

Lady, concordo contigo! Mas eu falo da decisão de conceber ou não um filho e nunca na decisão de criar, julgo que há ddierenças. Se a mulher não quer por qualquer razão (deve haver sempre razões muito fortes, pelo menos para ela!!!), o homem não poderá criar...
A nossa sociedade estabeleceu que um filho é um "projecto a dois", o que nem sempre se verifica noutras sociedades... agora também não nos compete julgar os "outros projectos" se são melhores ou piores. o "projecto a dois" poderá também ser um preconceito social. Eu, sinceramente, também acho que é a melhor solução... (por enquanto penso assim).

Eu defendo a diferença!E se todos admitissemos as nossas diferenças, não andavamos com a treta dos referendos e a discutir o assunto!

Só a mulher é que pode decidir se quer ou não ter um filho! A natureza assim o quis.

nefertiti disse...

P.s: tbém acho que o peso desta decisão não é uma conveniência!! É apenas um realidade (por vez bastante dura!)

nefertiti disse...

e se a própria MULHER estivesse consciente da sua DIFERENÇA, talvez houvesse menos imaturidades ou abortos ou lá o que for !!

(considero o direito à maternidade e o direito à paternidade outro assunto...)