terça-feira, 22 de agosto de 2006

No princípio era Sacra.

Em dia de espera(nça), os minutos arrastam-se como se dias fossem e, entre um bocejo ao computador e dois perante o ecrã de televisão, jaz o comando de TV, que marca a descontinuidade das horas mortas. E nessa tentativa de quebra, de ruptura, detenho-me em alguns canais que supostamente divulgam música. O movimento é o mesmo... fulanas magras, lindas de morrer, com maquilhagem que encheria seguramente um contentor, esfregam-se em algum lado (ou em alguém), munidas dos seus biquinis e saltos dourados. Por vezes, fingem que o segredo está no canto - e não na curva. A primeira vez que me recordo sentir horrorizada com um rebolanço do género, foi há uns anos atrás e, surpesa das surpresas, não foi com uma qualquer moçoila internacional, nem tão pouco a gemer algo que se poderia assemelhar com R&B (???). Era noite cerrada, e os protagonistas encontravam-se na Áustria (se não estou em erro), num programa que versava, essa noite, sobre o compositor húngaro Franz Lizst. A conversa decorria entre a (muito) plástica Bárbara Guimarães, com perguntas improváveis ao Maestro Vitorino de Almeida. E, suponho que para ilustrar o dilema do compositor - oscilou sempre entre a sua queda para a volúpia e uma vontade igualmente irresistível para a beatude (tornou-se religioso) - o programa tem um momento inenarrável em que, no interior de uma catedral, o Maestro observa, ao som da música sacra de Lizst, a boa da Bá(r)ba(ra) a rebolar-se voluptuosamente nos degraus que conduzem ao altar. De rir e chorar por muito menos, na verdade. Mas o que é certo, é que a tendência abandonou catedrais e alastrou-se à música (???) profana e é ver as mocinhas feitas em linha de montagem, com os mesmos corpinhos a rebolarem por onde podem e com quem conseguem. E vendem.

15 comentários:

gaia disse...

Tb espero ou desespero. Não deve ser para hoje.
Esfregar?! Acabei de esfregar a Wc, enquanto empatava a espera. Portanto, estamos a fazer o mesmo.
A B.G. continua a fazer as mesmas perguntas (absolutamente improváveis), aos entrevistados, que lhe saem pela boca gigantesca e plastificada de vermelho.
Vendem.e há quem compre e chore por mais.

gaia disse...

Desculpa, mas acabei de me lembrar de uma Senhora Linda. Linda de morrer. Vou fazer um post e linkar para aqui ( nem peço autorização).

Anónimo disse...

arre, que até doeu. Estamos um bocadito para o cáustico, não?

SG

rps disse...

A Barbie é insuportável.
O Vitorino é um pateta simpático e inofensivo.

nefertiti disse...

ri-me tanto! adorei!

Dirim disse...

olha que as perguntas nem eram escritas por ela - nunca são, de resto, por isso, dá-lhe o desconto. O rebolanço nos degraus talvez tivesse saído directamente da cabeça dela - ou talvez estivesse no guião - dá-lhe o desconto na mesma. Afinal de contas, a rapariga é jornalista. Jornalista que assina um contrato de casamento e não sabe - acontece, a muitos e a muitas, como é do conhecimento geral. A jornalista até é casada com um filósofo - dá-lhe outro desconto. Além do que, a periodicidade só pode ser diária... confidenciou-lhe o MM. E o Cupido, claro, esse ser estranho com asas, jamais pode ser um deus. Qual deus, qual quê. Se tem asas é anjo - venham cá com enciclopédias que eu (e a maquilhadora) vos digo. É anjo e posso prová-lo. Dá-lhe um novo desconto. Com tantos descontos espero não a ter feito desaparecer. Ah! Claro... e é estrela. É vip. Faz parte do Star System. Por isso, fuma onde mais ninguém o pode fazer. E ganha o que poucos ganham. Na sociedade independente de comunicação as coisas funcionam (também) assim. E vende, seguramente que vende.

Eu disse...
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Eu disse...

por estas e por outras, é q o manuel maria escreve livros: é q é só apedrejar mentiras à família com o calcário da mentira!

desde qd a bárbarinha faz perguntas improváveis? sim, como é possível afirmar que a rapariga usa o improvável para calibrar as suas questões?

inspirado pela acidez deste texto quase me apetece dizer que as questões não são improváveis - até se provam - são é intragáveis (mas ainda bem q Eu não sou ácido!)

;)

Woman Once a Bird disse...

S:
Cáusticas? Naaaaaaaa!
RPS:
E ainda mais insuportável a partir do momento que achou que o casamento com o outro era um upgrade para a inteligência.
Dirim:
E a salada sem alface? Duh, isso não existe! ;)
Eu:
Deixe lá, eu não tenho grande paciência para doçuras ou melaço. ;)

Dirim disse...

olha... nem me lembrava...

everything in its right place disse...

chamo a isso "o talho da MTV"...

anónimo disse...

"E vendem."!,
ou seja, as pessoas compram!
ou seja, dão dinheiro para em troca levarem aquilo para casa?
ou seja, vêm aquilo em casa?

Woman Once a Bird disse...

Supostamente, ouvem (já que falamos de "música").

horvallis disse...

A TV virou tão uma empresa narcisista cujo alvo é de criar as próprias estrelas e, depois, de inventar ocasiões e pretextos para exibir as ditas estrelas. Qualquer assunto vale, desde que a apresentadora tem a oportunidade de mostrar os peitos e as pernas.

Woman Once a Bird disse...

Tem toda a razão Horvallis. Hoje vende-se de tudo, desde que o embrulho seja apresentado por peito, rabo e pernas.