Estou mesmo, mesmo contente!
sexta-feira, 17 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
«A poesia está na rua» - e só mesmo na rua
Porque os jardins de S. Bento e o Palácio de Belém estarão fechados ao público - que é como quem diz, aos/às cidadãos/ãs.
Na Assembleia apenas serão permitidas as criancinhas das escolas básicas; espera-se que não percebam bem a significância da data nem saibam cantar Zeca.
Ou Godinho.
Ou Ary dos Santos.
Ou ...
Ou...
Ou Godinho.
Ou Ary dos Santos.
Ou ...
Ou...
quarta-feira, 24 de abril de 2013
As portas que nos querem fechar
(...)
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
(...)
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
(...)
1975
terça-feira, 23 de abril de 2013
São feitios...
Tenho muito respeito pelas pessoas que não concordam com o casamento com pessoas do mesmo sexo (mas não precisam de se preocupar, podem casar com pessoas de sexo diferente ou nem sequer casar, não é obrigatório).
Tenho muito mais dificuldade em perceber quem diz não se importar muito com a união de pessoas do mesmo sexo mas não concorda que se lhe chame casamento, que «devia chamar-se outra coisa qualquer». Mas já arranjei uma maneira simples de resolver o meu problema, a essas pessoas não lhes chamo inteligentes, chamo-lhes outra coisa qualquer.
São feitios...
sexta-feira, 19 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
3.ª Edição do Festival Literário da Madeira
A Nova Delphi trouxe uma das minhas feministas preferidas a Portugal! Mas nem só de Naomi Wolf vive o Festival Literário da Madeira. A festa continua até 7 de Abril e ainda temos muito para ver (e ouvir)!
quinta-feira, 21 de março de 2013
Boa Semana
Há quanto eu não dizia isto?
Bring it Back!
segunda-feira, 11 de março de 2013
De pequenino se educa o ouvido
Encher os pulmões.
domingo, 10 de março de 2013
Lembram-se do psiquiatra (João Vilas Boas) acusado de violar uma paciente grávida de 8 meses, que o tribunal da Relação
do Porto entendeu absolver alegando que o médico não exercera violência suficiente
sobre a vítima, apesar de ter agido sem o seu consentimento? O tal que, depois, foi condenado pelo supremo tribunal, ao pagamento de uma indemnização à vítima no valor de 100 mil euros -
a maior de sempre numa situação destas?
É que, segundo o Correio da Manhã, «O
psiquiatra, que é dono de um extenso património - que passa por mais de 30
imóveis ou terrenos em seu nome - entrou com um pedido de insolvência
individual. Cinco meses depois da decisão ter transitado, João Vasconcelos
Vilas Boas, de 50 anos, requereu um Processo Especial de Revitalização - passo
que antecede a declaração de falência particular. Estima ter contraído dívidas
superiores a 350 mil euros, sendo os principais credores os pais e outro
familiar. O clínico diz que lhes deve cerca de 175 mil euros, a que acresce uma
dívida de 40 mil euros ao BPI.»
Pronto, é isto:
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| Mariel Clayton |
«Super-rapidíssimo» - mantém-se a tradição na família
Diz que não, que não quer trabalhar aos fins-de-semana.
Veremos se amanhã sempre será segunda-feira.
sábado, 9 de março de 2013
De pequenino se educa o ouvido
Eu fui ao fundo do mundo, vou ao fundo de mim
quarta-feira, 6 de março de 2013
Festival Literário da Madeira (FLM) - Zygmunt Bauman
A organização do Festival da Madeira (FLM) continua a levantar o véu sobre a programação do Festival Literário da Madeira.
Não será de desdenhar o facto de este ano a edição contar com a presença do sociólogo Zygmunt Bauman. Ao que parece, festa vai ser rija.
sábado, 2 de março de 2013
A propósito do 2 de Março neste nosso País
Um bom mote será esta pequena entrevista a Rui Zink.
Não poderei - poderemos - estar hoje na manifestação. Mas estarei - estaremos - em espírito.
Aqui fica a nossa homenagem a todos/as os/as que marcharem hoje por um País mais humano.
De pequenino se educa o ouvido
Dizem que está quase.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Uma pessoa sabe que está a precisar de sair mais de casa quando passa pela porta do Ritz e não reconhece a entrada.
Em noite de concerto de lançamento de album, os Fuzz Drivers tocaram para uma sala repleta de amigos/as. Nem todas (bandas) se podem gabar do mesmo, sobretudo quando ainda não têm o nome nos escaparates. A bateria inclui um gongo (!) e é linda de se ver (e ouvir!). O vocalista é muito comunicativo e um contador de histórias (a história da banda, a história de cada música, a história do CD, etc.). O desenho é da autoria do holandês Konahin (adoro a capa deste CD).
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Festival Literário da Madeira - Manifesto às Artes ou subsídios para a desinstalação do medo
- A senhora está a sentir-se hesitante, não é? É bom sinal, é sinal de que a instalação do medo já começou. Sabe, minha senhora, isto da instalação do medo tem uma parte física e uma parte metafísica.
A mulher assente.
- Ou seja, não cabe só a nós instalar o medo, é preciso que também haja, da parte dos concidadãos, um estado de disponibilidade mental (eu diria mesmo moral) para aceitar o medo.
Rui Zink (2012). A Instalação do Medo. Lisboa: Teodolito, p.19.
Rui Zink é uma das presenças confirmadas no Festival Literário da Madeira (1 a 7 de Abril de 2013).
Ide e espalhai a Boa Nova.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido
Cada vez mais próximo.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O Festival Literário da Madeira já mexe
De 1 a 7 de Abril, no Teatro Baltazar Dias.
Para já, sabemos que a conferência de abertura será feita pela Naomi Wolf.
Já estou a salivar.
Já estou a salivar.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
In one sense, all feminism is by definition 'radical', challenging the central tenets of legal and political thought and demanding full citizenship for women in society.
Hilaire Barnett
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Passos Coelho outra vez
Há que reconhecer mestria neste anúncio de Passos Coelho (custa, é verdade, mas a César o que é de César - sendo que «César» é quase uma hipérbole).
Paulo Portas, que até ao momento faz parte do governo mas condena as medidas do governo, Paulo Portas que até viaja quando as «medidas»* são anunciadas para afirmar, de longe, que só comenta quando estiver em território português, acaba de ficar com o menino dos 4 milhões no colo.
Vai ser bonito de se ver, assumir pela primeira vez que alinha em privado o que nega em público.
*Se quiser, pode substituir o termo «medidas» pelo termo «saque», que é mais adequado.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido
Que disparate. É claro que choram.
Às sextas-feiras
Cansa-me ouvir Passos Coelho (na Assembleia). É acintoso e cínico nas respostas. Não responde diretamente às perguntas que lhe são feitas pela oposição; devolve-as invariavelmente com o rótulo de demagogia, e que por isso não responde.
Escuda-se no facto de ter sido eleito (sob falso pretexto, é bom recordar) e esquece sistematicamente que quem o interpela também o foi. Esquece o papel regulador daquela casa. Instrumentaliza-a, aparecendo às sextas-feiras para se investir de uma legitimidade que insinue um espírito respeitador da democracia (que não somos).
Para esta criatura e o seu séquito de bons malandros, a porta da rua tem que ser, urgentemente, serventia desta Casa.
De resto, importa também dizer que fico cansada ao ouvir (ou ver) Passos Coelho também nos restantes dias.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Segundo as previsões, 1 mês
(e sim, os ouvidos pequenos também se educam para Callas)
Primeira voz
Possuo a lentidão do mundo. Espero pacientemente
Que o meu tempo se escoe, o sol e as estrelas observando-me atentamente.
A preocupação da lua é mais íntima:
Passa e volta a passar luminosa como uma enfermeira.
Será que lamenta o que está prestes a acontecer? Não me parece.
É apenas o espanto perante a fertilidade.
Quando eu sair daqui, serei um acontecimento notável.
Não vale a pena preocupar-me ou sequer ensaiar.
O que me está a acontecer, seguirá o seu curso naturalmente.
O faisão está de pé na montanha;
Exibe as suas penas castanhas.
Não posso deixar de sorrir ao pensar no que sei.
As folhas e as pétalas esperam-me. Estou pronta.
Sylvia Plath (2004). Três mulheres: poema a três vozes. Lisboa: Relógio d'Água.
De pequenino se educa o ouvido
Lhasa é sempre uma excelente tutora. Basta ouvir...
(e mais do que nunca, não há um fim para esta «história»)
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
A corrida espacial: um programa intercontinental
Ouço no Jornal das 8 (SIC) que Mahmoud Ahmadinejad dispõe-se a ser lançado no espaço, a bem do programa espacial iraniano. Eu aplaudo (como suponho que muitos/as iranianos/as, principalmente se o deixarem em órbita ad aeternum*). Perante tanta abnegação, tanto sentido de Estado (psiu, Portas), ocorreu-me que Portugal poderia abrir os braços a este projeto (a História recente demonstra que não temos pudor em apertar a mão a quem quem quer que seja, desde que essa mão traga dinheiro) e propor uma parceria entre Portugal e o Irão.
Para tal, sugiro que a equipa de astronautas portugueses a integrar esta nobre missão seja a tríade Coelho/Portas/Gaspar. E com jeitinho, se não for pedir muito, também poderíamos mandar Cavaco nesta aventura épica. Nós sabemos como esta gente é capaz de se sacrificar pela glória do País.
Tenho a certeza que ficaríamos todos/as orgulhosos/as. E aliviados/as*.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido
Para quê Vivaldi e Mozart quando podemos ouvir Beethoven?
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
O Ulrich que aguente
«Sou do tempo do Banco Borges & Irmão. Por lá continuei depois da "anexação" deste banco pelo BPI, e amanhã corto de vez com o meu vínculo.
Por causa das declarações do Ulrich? Claro! Não concebo pagar mais um cêntimo que seja a uma instituição gerida por aquele parasita.
O Ulrich aguenta com o encerramento da minha conta? Ai aguenta, aguenta!»
(no mural de facebook de uma muito querida amiga)
(imagem roubada aqui)
Eu só não lhe sigo as pisadas porque não tenho conta no banco gerido por este senhor. Apenas posso manifestar o orgulho em ser amiga de quem assume posições como esta.
As modas
Diane Arbus
Ao contrário do que se apregoa, a moda não está no politicamente correto. Está no extremo oposto. E que cansados/as que andamos de ter em atenção o significado das palavras. Que saudades do uso das palavras preto, puta, velhos, bruxa, deficiente, panasca, corcunda, perneta, gorda. Se as palavras existem são para serem usadas! Sem medo dos ismos (que estão fora de moda; já não há machismos ou racismos, ou outros do género).
Gente desempoeirada, e moderna, e bem pensante, gente que usa as palavras quando elas são necessárias.
E desde que se refiram aos outros. Que o inferno seja dos outros.
sábado, 26 de janeiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido
Sobre tudo o que sabemos, sobre tudo o que eles sabem
Sobre o correr dos dias num país à deriva, entregue aos lobos
Sobre sermos abocanhados lentamente
Sobre educar para o País que temos e para a Europa que (não) somos.
sábado, 19 de janeiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido
(nem por isso, mas não deixa de ser uma bela música)
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Maria de Lourdes Pintasilgo - 18 de janeiro de 1930
No programa do V Governo Constitucional (1979:2) pode ler-se:
«Apesar de balizado no tempo, o Governo não pode abstrair do seu dever nacional contribuir para um futuro de paz, de progresso e de liberdade para todos os portugueses, sem excepção.»
Maria de Lourdes Pintasilgo esteve à frente do V Governo Constitucional, em tempos extraordinariamente difíceis. Por isso é quase obsceno que Passos Coelho, ninguém (porque ninguém aconselhou os e as portuguesas a emigrar), se atreva a afirmar (para legitimar as medidas que tem tomado com o desacordo de todos os restantes sectores deste País) que Portugal atravessa o pior período desde 1974. É, de facto,um muito mau período, mas agravado pelas medidas que têm sido aplicadas e que não foram, de todo, sufragadas. A citação extraída do programa do V Governo Constitucional não poderia estar mais longe da realidade deste XIX Governo Constitucional (acrescentar a palavra Constitucional a este governo é cada vez mais um abuso).
Volto a Maria de Lourdes Pintasilgo, que faria hoje 83 anos. Importa recordar a sua linha de pensamento que é, na minha ótica, cada vez mais necessária e atual:
«Uma ética do cuidado pode dar um novo ponto de partida ao papel do Estado em relação às verdadeiras prioridades políticas de sociedades em que a pessoa humana deve ser o centro e o fim último de toda a decisão política.
Não bastará então acrescentar piedosamente à democracia política a democracia social, económica e cultural.
Haverá sim que construir a democracia simultaneamente sobre a justiça e sobre o cuidado, sobre os direitos e sobre as responsabilidades».
Maria de Lourdes Pintasilgo, (2012). Para um novo paradigma: um mundo assente no cuidado.
Porto: Edições Afrontamento, pp. 138-139.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido (extraordinária)
Porque o vi quando te vi, quando nos vi.
Génese. Nossa. No princípio o verbo, mas também a pauta de música e a doçura de um filme que nunca vimos a dois, mas que é nosso. Ouvir a três.
sábado, 12 de janeiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido
Subsídios para evitar os lobos (não apenas à porta, mas à frente dos destinos de um País).
domingo, 6 de janeiro de 2013
É preciso partir os ovos
A quantidade de mulheres que é dispensada durante a gravidez dos seus empregos é assustadora. Apesar dos mecanismos legais que procuram evitar tais abusos, a verdade é que oficiosamente as mulheres continuam a ser despedidas porque a licença de maternidade não será lucrativa para as entidades empregadoras.
Acredito que o contexto de crise agrave a situação, mas a verdade é que a desvalorização da maternidade está enraizada na mentalidade de um País que goza com o facto de que uma das suas ministras está grávida. É a mentalidade que temos e que, como se tem visto, continuaremos a ter.
Mas depois, todos lamentam a taxa de natalidade que é a mais baixa das últimas décadas. Decidam-se, meus/minhas caros/as: uma coisa não é possível sem a outra.
sábado, 5 de janeiro de 2013
De pequenino se educa o ouvido
E será sempre mais fácil se soubermos partir daqui...
«Ninguém é quem queria ser»
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
A abrir o ano, as mãos.
«Ela tinha descoberto a prodigiosa faculdade de expressão das mãos humanas, mil vezes mãos reveladoras que os olhos, porque elas não são, de modo algum, hábeis a mentir, deixam-se surpreender a cada minuto, ocupadas como estão com mil cuidados materiais, ao passo que o olhar, sentinela infatigável, vigia nas ameias das pálpebras... As mãos do pai, primeiro, pousadas nos joelhos, imóveis todas as noites, quase terríveis à luz de uma única lâmpada que faz dançar todas as sombras, com um punho cujo osso parece prestes a romper a pele, e aquele tufo de pêlos em cada articulação dos dedos enormes. As mãos do avô, também, que ela viu cruzadas sobre o ventre, ao fundo do quarto, um dia de verão, persianas fechadas, numa bruma de moscas invisíveis... As mãos destes jovens irmãos, tão depressa tornadas mãos de operários, mãos de homens. E ainda as mãos das mulheres da quinta, que cheiram a leite ácido (...). As da Madame bem mais pequenas, as pontas dos dedos picadas com pontos negros, da agulha... Mãos laboriosas, mãos trabalhadoras, que o repouso torna ridículas. E deste ridículo os pobres têm alguma consciência, porque furtam de propósito ao olhar as suas mãos desocupadas. Diz-se do trabalhador ao domingo que "não sabe que fazer às mãos", brincadeira cruel, pois ele não deve o pão de cada dia senão ao trabalho destas criadas».
G. Bernanos, La Nouvelle Histoire de Mouchette
(Adam Martinakis)
É um texto escrito na primeira metade do século XX por um autor francês, mas que me parece cada vez mais próximo do País que temos nesta primeira metade do século XXI. Será completamente incompreensível aos olhos de Passos Coelho, Portas, Gaspar ou Cavaco. Porque as mãos destes homens apenas se ocupam em tirar das mãos dos outros a dignidade do seu trabalho. E repetem-lhes que aquelas mãos têm vivido acima das possibilidades.
(a tradução do excerto é da autoria do meu querido professor João Maria André, que o trouxe para uma das suas generosas conferências, e que reencontrei agora nos papéis que guardo.)
Bom Ano
(...)
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente o que o medo quer)
....
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Alexandre O'Neill
(Poema pouco original do medo)
sábado, 29 de dezembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
As bandas devem evitar-se, A única exceção é mesmo Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra.
sábado, 22 de dezembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
O Pai Natal (da coca-cola) por norma assusta as crianças mais pequenas.
Tenho a certeza que o problema está nas barbas.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Diário de uma gata amarela de 12 anos*
Acordo.
Vou até à casa de banho e exijo que me abram a torneira do bidé.
Bebo água e regresso à cama.
Exijo festas. Quando tal não acontece, dou umas lambidelas de aviso nas mãos dos escravos. Se não reajem imediatamente (são lentinhos, deusa minha), mordo os dedos para os incentivar a cumprirem com as suas obrigações.
Canso-me de festas e salto para o chão.
Exijo que me abram a porta.
Desço as escadas a correr e encaminho-me para a cozinha.
Vou até ao prato. Recuso os restos do jantar. Biscoitos novos, precisam-se.
Já mais compostinha regresso ao quarto. Casa de banho. Bidé. Água, por favor.
Satisfeitas as necessidades básicas, dedico-me a esticar as patas na cama macia e preparo-me para as atividades matinais: ver televisão (com um olho aberto que com os dois é esforço desnecessário), adormecer e ressonar.
Ao almoço acordo e faço os alongamentos: patas da frente e, se estiver bem disposta, patas traseiras também. Arqueio o tronco e abro a boca (os maxilares também se alongam). Exibo os dentinhos, a anunciar que estou pronta para nova pratada de biscoitos.
Desço as escadas a correr até à cozinha. Exijo novos biscoitos no prato, que os que restam do pequeno-almoço de certeza que estão demasiado moles.
Vou até à varanda, enquanto a família almoça na mesa da sala, para fazer algum exercício físico: divirto-me a entrar e sair pela porta de correr; mio quando estou dentro para sair, re-mio quando estou fora para entrar. É preciso exercitar os nossos humanos. Faz-lhes bem, acreditem.
Desço até ao escritório. Uma magnífica cadeira de leitura que há muito reivindiquei para uso pessoal.
Enrolo-me sobre mim mesma.
Adormeço.
Ressono.
Abro o olho quando fazem menção de me tirar de lá ou quando pegam em algum livro.
Rosno mentalmente,
Recuam nas intenções e deixam-nos em paz (a mim e à cadeira).
Acordo.
Subo para jantar. Prato limpo, por favor.
Desço para o escritório.
Retorno à cadeira.
Quando já são horas, começo a encaminhar os humanos para a cama. Invariavelmente lembro-lhes que está na hora de dormir.
Lá tenho que fazer o número das escadas com um deles, de outro modo não sobe. Resulta sempre.
Casa de banho. Bidé. Água a correr.
Cama. Festas. Mais festas.
O humano das escadas também gosta que brinque com ele até ficar cansado. Pronto, já parou com a brincadeirinha.
Podemos dormir?
Levantem lá os lençóis e cheguem para lá.
Boa noite.
Mais para lá.
Boa noite.
Ainda não está bem. Será preciso fazer uso das unhas?
Obrigadinha.
Até amanhã.
* Então até para o ano, que será mais ou menos quando terei novamente paciência para vos escrever.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Mensagem natalícia de Um Blog Que Seja Seu: galardão natalício «solidariedade»*
E por falar em campanhas natalícias de solidariedade (como já aqui o escrevi, é boicotar as popotas, leopoldinas, arredondamentos e afins)... adoro a história dos/das «famosos/as» serem solidários através do incentivo aos outros (o bolso dos outros, pois claro). A eles... basta-lhes a presença, o sorriso e a histeria.
A Jonet deve gostar imenso.
sábado, 15 de dezembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
lindo, lindo, lindo.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
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| Adam Martinakis |
O princípio, formulado pelos juristas romanos tardios, de que a societas leonina já se não pode considerar como contrato de sociedade, mostra de modo relativo que a eliminação de todo e qualquer significado autónomo de uma das partes suprime o próprio conceito de sociedade. Com referência aos operários menos qualificados nas grandes empresas modernas, que excluem toda a concorrência eficaz no seu recrutamento por empresários rivais, disse-se, neste mesmo sentido, que a diferença de posição estratégica entre eles e os patrões é tão avassaladora que o contrato de trabalho deixa de ser um 'contrato' no sentido normal, porque uns estão incondicionalmente entregues aos outros. Nesta medida a máxima moral de nunca utilizar uma pessoa como simples meio, revela-se como a fórmula de toda a socialização. Quando o significado de uma das partes desce a um ponto em que a ação emada do eu como tal, já não entra na relação, não se pode mais falar de sociedade, tão pouco como entre o carpinteiro e o seu banco.
Georg Simmel (1923)
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| Barbara Kruger |
De um modo geral ninguém está interessado em que a sua influência seja determinante para o outro, mas sim que esta influência, este determinar do outro, reverta sobre si próprio. Por isso existe já uma ação recíproca naquela sede de domínio que se dá por satisfeita quando o fazer ou o padecer, o estado positivo ou negativo do outro se apresenta ao sujeito como produto da sua própria vontade. (...) De resto, a sede de domínio, mesmo nesta forma sublimada, cujo sentido prático não é a exploração do outro, mas a mera consciência dessa possibilidade, não significa de modo algum uma forma extrema de desconsideração egoísta. É que a sede de domínio, por muito que queira quebrar a resistência interior do submetido (enquanto o egoísmo só se costuma importar com a vitória sobre o seu exterior) ainda assim tem uma espécie de interesse pelo outro, é para ela um valor. Só quando o egoísmo nem sequer é sede de domínio e o outro lhe é absolutamente indiferente, mero instrumento para objetivos que estão acima dele, é que desaparece a última sombra de colaboração socializadora.
Superioridade e Subordinação, Georg Simmel (1923)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
10 de dezembro é Clarice (e 9 também)
Ainda tenho medo de me afastar da lógica porque caio no instintivo e no direto, e no futuro: a invenção do hoje é o meu único meio de instaurar o futuro. Desde já é futuro, e qualquer hora é hora marcada. Que mal porém tem eu me afastar da lógica? Estou lidando com a matéria-prima. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, género não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo.
Água Viva, p. 12.
sábado, 8 de dezembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
Obviamente Wagner. E o prelúdio de Tristão e Isolda.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Para ti, sabes porquê
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| John William Waterhouse |
One sits; the other, without.
Daylong a duet of shade and light
Plays between these.
In her dark wainscoted room
The first works problems on
A mathematical machine.
Dry ticks mark time
As she calculates each sum.
At this barren enterprise
Rat-shrewd go her squint eyes,
Root-pale her meager frame.
Bronzed as earth, the second lies,
Hearing ticks blown gold
Like pollen on bright air. Lulled
Near a bed of poppies,
She sees how their red silk flare
Of petaled blood
Burns open to the sun's blade.
On that green alter
Freely become sun's bride, the latter
Grows quick with seed.
Grass-couched in her labor's pride,
She bears a king. Turned bitter
And sallow as any lemon,
The other, wry virgin to the last,
Goes graveward with flesh laid waste,
Worm-husbanded, yet no woman.
Two Sisters of Persephone, by Sylvia Plath
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Sobre demagogia e a boa saúde da nossa democracia
(fotografia de Enric Vives-Rubio, publicada na notícia do Público)
Demagogia é uma palavra gasta, já que à mínima os intervenientes políticos são considerados demagogos quando tomam alguma medida que contrarie o usual; ultimamente foram acusados Rui Barreto (deputado na Assembleia da República pelo CDS-PP Madeira), pelo facto de o seu voto contra o orçamento não ter consequências na sua aprovação, e Maximiano Martins, pelo facto de ter vindo esclarecer que não acumulará o salário de deputado da Assembleia Legislativa Regional com a reforma da CGD. Na minha perspetiva, em nenhum dos casos estamos perante o uso de demagogia; no entanto, os detratores a todo o custo bradam aos céus e gritam por demagogia.
No entanto, ainda nada ouvi sobre o que se passou esta manhã na Universidade Nova e com a participação daquele que insiste em ser Primeiro-Ministro deste País, apesar da contestação generalizada de quem o elegeu (sim, eu sei que essa contestação não se traduz na Assembleia da República).
Todos nós, contribuintes, pagamos pela equipa de segurança do Primeiro-Ministro. Este é, diria, um serviço fundamental para assegurar a integridade dos elementos que integram os nossos Órgãos de Soberania. Contudo, o que se passou no seminário da Universidade Nova não foi, claramente, uma questão de segurança. Um grupo de estudantes, em silêncio, ostentou uma faixa que exigia a demissão do orador do cargo de Primeiro-Ministro. Em momento algum esteve em causa a segurança e a integridade física do palestrante. E, no entanto, a equipa de segurança (paga pelos contribuintes - e consequentemente também por quem ostentava a dita faixa) tentou coagir o grupo a baixá-la. Numa atitude absurdamente (aqui sim) demagógica o orador, que também é o ainda Primeiro-Ministro, pediu aos responsáveis para não continuarem a pressionar os manifestantes porque «vivemos, felizmente, numa situação de boa saúde da nossa democracia, e não vemos nenhuma razão para que os senhores não possam ostentar as faixas que entenderem». Os senhores e as senhoras, acrescento eu, que entre os estudantes estavam também mulheres.
O problema não está, obviamente, nesta afirmação. O problema está na necessidade de ter sido proferida aos microfones daquela universidade e naquela situação. Porque naturalmente a equipa de segurança deveria estar devidamente preparada para intervir apenas em caso de perigo quanto à segurança do Primeiro-Ministro. Mas parece que não (sendo que esta não foi a primeira intervenção do género, como recentemente se viu também num outro estabelecimento de ensino). Portanto, do meu ponto de vista, o paternalismo insuportável de Passos aos microfones da Universidade Nova é um gesto vazio, hipócrita, de quem se comporta em público de forma diferente do que diz em privado (em função do facto de aqueles seguranças julgarem que a intervenção neste caso fazia parte do cumprimento do seu dever). E isto em nada atesta que vivemos «numa situação de boa saúde da nossa democracia». Mas isso, também já o sabíamos.
Sobre extraordinárias tentações e ainda mais extraordinários gastos. E sobre telhados de vidro.
António Borges considera que o Estado é mau gestor. Concordo com a convicção de António Borges, já que esse mesmo Estado paga-lhe um salário que continua no segredo dos deuses... mas se tivermos em conta que a equipa custa cerca de 25 mil euros por mês, e se tivermos em conta a necessidade de recato quando se trata de divulgar o valor...
Em contrapartida, a concordância fica por aqui; num outro passo, penso que António Borges empregou mal o tempo verbal quando afirma que «estávamos a viver muito acima das nossas possibilidades». Não estávamos. Estamos. Continuamos. Entre outras, também pela razão supracitada no primeiro parágrafo deste post.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Boa Semana
Gostaria tanto de poder dizer que estou em rota de colisão com o meu banco (gostaria muito mais de poder dizer o meu banco). Gostaria tanto de poder estar em rota de colisão com o banco.
Gostava de poder seguir o conselho que se dá a alguém que tenha o azar de se cruzar com um/a sociopata predadores/as: fogeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
Mas este matrimónio apimentado com imensa troca de correspondência e visitas semanais está para durar.
sábado, 1 de dezembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
E o desejo para ser livre.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Cansaço
Não ouvi o monólogo do Passos Coelho. Há ano e meio que este senhor nos insulta diariamente.
Há muito que este senhor devia ter sido demitido por incumprimento contratual. E o resto são tretas.
Galardão natalício: «solidariedade» aliada a animais com curvas e mamas
Só para lembrar que as contribuições para as campanhas de solidariedade da Popota e da Leopoldina revertem para quem as promove. Esta coisa de se ser solidário com o dinheiro dos/das clientes e eventualmente ainda ser recompensado por isso em matéria de impostos tem muito que se lhe diga...
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Boa Semana
We don't have a lord.
I'm so tired
sábado, 24 de novembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
Educação para os clássicos:
Get up, eat jelly
sandwich bars, and barbed wire
squash every week into a day
Na senda dos tempos que correm (e que voltam invariavelmente ao mesmo), é melhor ter sempre presente que o que queremos (ser) nunca corresponde com o que realmente podemos (s)ter.
Cada vez mais, Factory Town.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Boa Semana
O Estado continua a exercer as funções de vigiar e punir tão bem descritas por Foucault, nos anos 70. Da tortura e punição [penas de fogo em vida e de mãos cortadas, precedidas na sua aplicação de vários tormentos, e, frequentes vezes, a pena de morte] até à disciplina e prisão vão séculos de distância. Havia que castigar - para isso serviam as leis: para punir os/as prevaricadores/as. O Estado encarregava-se dessa tarefa através de diferentes mecanismos, os quais se foram metamorfoseando ao longo do tempo.
No caso da manifestação da AR que teve o desfecho conhecido - uma carga policial violenta e indiscriminada - uma grande parte dos/das comentadores/as reprovava não somente, os/as apedrejadores/as, mas também os/as que por lá permaneceram. Os argumentos típicos da transferência de responsabilidade para a vítima (blame the victim) fizeram-se ouvir: «estavam à espera do quê?». Nos media tradicionais e nas redes sociais expressava-se a reprovação: «só lá ficou quem quis», «quem vai para uma manifestação, já sabe que pode apanhar». Portanto, a ideia de que os maus comportamentos merecem uma punição fora da legalidade (detenções precedidas de espancamentos e desrespeito pelos direitos e garantias dos/as suspeitos/as) é fundamentada pela não obediência às autoridades. A ausência de culpa pela violência exercida tem, segundo muitos/as, apoio no facto de os corpos policiais terem estado sujeitos a duas horas de ataques violentos por parte de cerca de 40 manifestantes, o que explica que, segundo estas teorias, os polícias tenham estado a ser provocados (à semelhança de animais de luta) e depois, «por já não aguentarem mais» descarregam em toda a gente. Estas teorias acerca dos corpos policiais, que lhes atribuem vontade própria - ignorando a sua falta de autonomia para decidir - são romantizadas e esbarram com a evidência da forte hierarquia a que as polícias estão sujeitas, sendo o polícia que está na escadaria da AR, a apanhar com pedras, a base da pirâmide hierárquica e é usado de forma instrumental por alguém que nunca correrá o risco de apanhar sequer com um grão, quanto mais com uma pedra. As frases «toda a gente sabe que a polícia de choque quando avança, bate em quem lhe aparece à frente e não pergunta» espelham bem o braço punitivo do Estado e de como o mesmo usa as polícias mais violentas como forma de disciplina social. Mas também traduzem os resquícios da ideia de que os/as prevaricadores/as devem ser punidos «com fogo» (fora da legalidade e de forma desproporcional). Para satisfazer a «sede de justiça» não bastaria deter quem apedrejou e levá-los ao/à juíz/a de instrução - é preciso que o corpo sofra e seja sujeito a sevícias piores do que as que provocou. E daí que se ouçam tantas vozes a fundamentar os acontecimentos do dia 14 de Novembro. Os métodos usados por esta polícia - que incluem bastonadas indiscriminadas, espancamentos por dois ou três polícias a uma só pessoa, que não apresenta perigo, estando deitada no chão apenas tentando defender-se das pauladas indiscriminadas, detenções após espancamentos públicos são resquícios do uso de tortura legitimada pelo Estado.
Podemos ter evoluído muito desde que a polícia usava balas mortais contra os/as cidadãos/ãs mas enquanto acreditarmos que a justiça se cumpre sem o cumprimento da lei e sem julgamentos, enquanto confundirmos os papéis das instituições democráticas e enquanto justificarmos os métodos violentos de uma polícia que é usada como joguete de quem governa, estamos muito longe da civilidade.
Para quem tem uma pedra na mão, o utensílio não é extensível à consciência. Atacar a polícia de choque é colocar em perigo a integridade física de milhares de pessoas que estão a exercer o seu direito de manifestação. As pedras nunca atingem os/as responsáveis pela situação contra a qual se protesta.
sábado, 17 de novembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
A partir de hoje inicio uma nova ronda de lullabies.
Sensivelmente até março (mais coisa menos coisa), subsídios para educar ouvidos pequeninos.
E como não poderia deixar de ser, inicio com Nick Cave.
Sensivelmente até março (mais coisa menos coisa), subsídios para educar ouvidos pequeninos.
E como não poderia deixar de ser, inicio com Nick Cave.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Ainda sobre as declarações de PPC em dia de greve:
Especialmente vil a menção final à « coragem de todos aqueles que trabalham no dia de hoje e dos que, não tendo trabalho, fazem por ter trabalho».
E não, isto não é um problema de expressão.
Em dia de greve...
PROFUNDO ASCO.
Foi a única coisa que senti ao ouvir (jornal da SIC) as declarações de Pedro Passos Coelho sobre a Greve:
«Passos Coelho assinalou o facto de ter havido "uma certa combinação estratégica entre sindicatos em diversos países europeus" para fazer convergir as greves no dia de hoje. "Respeitando o exercício do direito à greve, prefiro assinalar a coragem de todos aqueles que trabalham no dia de hoje e dos que, não tendo trabalho, fazem por ter trabalho", disse o primeiro-ministro. E vincou que prefere "elogiar todos aqueles que, gostem ou não do Governo, ajudam a acrescentar valor ao país".»
in Público
Foi a única coisa que senti ao ouvir (jornal da SIC) as declarações de Pedro Passos Coelho sobre a Greve:
«Passos Coelho assinalou o facto de ter havido "uma certa combinação estratégica entre sindicatos em diversos países europeus" para fazer convergir as greves no dia de hoje. "Respeitando o exercício do direito à greve, prefiro assinalar a coragem de todos aqueles que trabalham no dia de hoje e dos que, não tendo trabalho, fazem por ter trabalho", disse o primeiro-ministro. E vincou que prefere "elogiar todos aqueles que, gostem ou não do Governo, ajudam a acrescentar valor ao país".»
in Público
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Mixórdia de preconceitos
Curioso o culto e a unanimidade dos aplausos relativamente ao programa «Mixórdia de Temáticas» dedicado à vinda de Angela Merkel a Portugal. Uma verdadeira mixórdia de preconceitos «fundamentados» no aspeto físico da chanceler alemã (again and again) e sobre como os machos tratam este tipo de mulheres (e elas gostam, claro).
«Pérolas» de porcos, portanto. Ao humor muito se permite, mas não tudo.
Boa Semana
Os Poppers convidam os/as seus/suas amigos/as a patrocinar o novo album.
esta semana será a continuidade do meu domingo de Janis Joplin.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
«É a abstracta vida que me assalta»*
Desde a transmissão das palavras de Isabel Jonet na SIC Notícias, tem sido um corrupio de exageros. O exagero dos que são adeptos da condenação em praça pública (e com ela, a condenação do Banco Alimentar) é proporcional ao exagero no branqueamento do discurso (como é exemplo o texto de Henrique Monteiro, no Expresso).
Sobre o discurso da senhora (e já agora, de outros que têm marcado ponto na televisão e jornais)...
Há pessoas que viveram acima das possibilidades? Certamente que sim. O curioso é que são principalmente as que agora dizem que temos que empobrecer, ou aguentar. O drama é que em muitos casos este discurso é proferido por quem efetivamente não empobrece (no verdadeiro sentido da palavra) ou não tem que gerir um salário mínimo ou - que digo eu - um salário mileurista. Obviamente que determinados salários ou rendimentos aguentariam e aguentariam o aniquilamento do Estado Social. Muitas das vezes, aqueles que conseguiram fugir até agora ao pagamento devido a esse Estado através de esquemas e transações muito bem geridas por especialistas na matéria (não falo, portanto, de quem recebe o RSI ou o subsídio de desemprego). O que aflige neste e outros discursos é a abstração com que se fala do povo, dos pobres, dos jovens que estão sem emprego, do cidadão em geral. São exatamente os que comem bifes todos os dias - que digo eu - os que reúnem em hotéis de luxo, frequentam restaurantes de luxo, viajam em executiva e têm motorista que os leva a todo o lado (em alguns casos com direito a despesas de representação, ajudas de custo e outras benesses que o resto dos cidadãos contribuintes não tem acesso, mas aguenta) que pautam o seu discurso com este tom miserabilista, com este tom de que todos os outros (os que não vivem dessa forma) devem abdicar do prato ao jantar (de bife, de sopa, ou até mesmo de nestum). São esses que eles e elas acham que devem aguentar o peso da derrocada do Estado Social.
Voltemos especificamente a Jonet. O trabalho que fez e faz é, obviamente, um trabalho válido. Não faço ideia se a senhora aufere de remuneração por isso ou não, nem me choca que receba. Mas isso também não a isenta de crítica. É tão livre de expressar o seu ponto de vista quanto os restantes são livres de discordar (veementemente) do mesmo.
É que se há muitos que vão a concertos, ou compram compulsivamente, ou fazem férias 5 vezes ao ano, muitos outros há que não têm (nem tiveram) sequer o que pôr no prato ou pagar contas ou medicamentos. E muitos deles trabalharam a vida toda e nunca viveram à custa de bifes diários.
*Roubado a Manuel António Pina
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Bocejo livresco
Com honrosa exceção da livraria Almedina, faz-me confusão que as campanhas de promoção das livrarias versem, invariavelmente, exatamente sobre os livros rotulados como sendo os livros mais vendáveis, os que lemos e rapidamente esquecemos. Invariavelmente (com exceção da Almedina, sublinho) , bocejo perante as newsletter's sobre as fantásticas promoções dos livros que empestam as montras das livrarias.
Este esquema no universo livreiro faz-me lembrar essa outra pescadinha de rabo na boca da televisão portuguesa, que serve lixo ao jantar televisivo dos e das portuguesas a coberto da justificação de que é o que os e as portuguesas querem. Pois.
Abelardo Morrel
O que não se deve fazer a Clarice
Como leitora compulsiva de Clarice Lispector, é com pena que registo que as edições de Água Viva e O Lustre são dececionantes. Não pelo texto da autora, mas pelo que a Relógio d'Água não fez: uma revisão digna, que permita ler ideia em vez de idéia e em que o trema não tremelique pelo texto (a título de exemplo).
Se quisesse uma edição em Português do Brasil (tenho, por exemplo, o Correspondências, oferecido por mão querida) teria comprado uma edição da editora original, a Rocco. Mas tal não é o caso. Não estava preparada para isto.
Sei que publicarão mais, nomeadamente os livros infantis de Clarice. Espero sinceramente que sejam edições mais cuidadas. A bem da minha saúde.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Boa Semana
[numa breve incursão a uma fnac a menina que me atendeu definiu Maria Teresa Horta como uma autora feminista - do feminismo bom]
Na sexta, dia 9, oportunidade para ir à 2.ª Sessão de OPENSHOW, em Coimbra, na maravilhosa Casa das Caldeiras. O nosso agradecimento à produção: The Portfolio Project
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