segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Pérolas a porcos

"(...) Tristeza chupa a força da gente mais do que o pior dos vícios."
dewdewe
O Amor de Pedro por João, Tabajara Ruas
gggg
ggggg
ggggg
Joie de vivre é tudo quanto vos desejo para 2008

Explicação Lógica

A razão pela qual receias andar sozinha na rua é por teres sido uma rainha e (como tal) andavas acompanhada de escolta.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Sic transit gloria mundi

Presidência da União Europeia. Um gajo (porreiro pá) cacareja encómios à sua prestação. Mais uma vez somos os maiores. Os salvadores da Pátria, ou ainda melhor, da Europa. Quiçá do universo e mais além.
iihihihihi
Algarve. Passagem de ano. Algures (será Albufeira) vamos ter o maior fogo de artifício da Europa. Comenta-se que a próxima edição do livro do Guiness irá ser dividido em duas secções, ou cantos, à maneira daquele que, sendo vivo, certamente seria o maior poeta do mundo: 1.ª parte, Portugal. 2.ª Parte, Resto do Mundo. Depreende-se que a 1.ª parte será a maior e a única com algum interesse.
hihiohoi
Borralheira do Teixoso. Morre um moço, manietado de pernas e braços, asfixiado pelo seu próprio vómito. Tudo bons rapazes. São coisas que acontecem. Realmente, porreiro pá!

Teu dia, ó pátria, há-de chegar!

O ANO NOVO
Bem-vindo sejas, novo ano, e tragas
Melhorando teus dias mais propícios
À minha pobre, malfadada pátria
E a meus féis amigos,
Esse mal-agoirado que nos pregos
Afundou ontem do Oceano, Apolo
Não deu senão colheita de infortúnios,
Nem granou outras messes
Mais que o joio semeado por mãos tredas
Entre os sulcos de trigo. Não mondado
A tempo, foi crescendo, e em flor ainda
Afogou a esperança
Do triste povo que a tão maus caseiros
Tão inexpertos deu suas lavoiras,
Que assim desmazelados lhas perderam,
E quem sabe quanto tempo há-de durar-lhe
O gelo deste inverno em nossos campos,
Até que o derreta o sol, ora enevoado,
Da antiga liberdade?
Dorme a vegetação nessas sementes
Que à terra se lançaram. Mas eternas
As estações não são: teu dia, ó pátria,
Teu dia há-de chegar.
(1824)
Almeida Garrett

Can a woman trust in a straight guy to be her friend?

O paradigma da amizade entre homens e mulheres heterossexuais tem sofrido alguns reveses entre algumas mulheres. Não é porque um homem gay será mais sensível e compreenderá as mulheres melhor que um heterossexual, mas sim porque ela sabe que aquela amizade é completamente descomprometida e que, contrariamente aos seus outros amigos, ele não espera por uma oportunidade - nem que seja daqui a 20 anos, até que ela esteja descomprometida. Aliás, para ele, isso não importa, nem alguma vez importará.

Lullaby de Domingo

Porque a última deste ano, parece-me bem esta escolha. "Funny Time Of Year (...) Travelling with no destination Still hanging on to what may be."

sábado, 29 de dezembro de 2007

Imagens e sons que ficam


Respondendo ao desafio da minha amiga Woman, que não é difícil, pois não me considero de todo uma cinéfila e muito menos uma ouvinte fervorosa de algum género de música específico, ficam aqui os nomes dos filmes cuja sonoridade foi marcante e insuperável:

- Vertigo do incontestável mestre do suspense Alfred Hitchcock. A musicalidade deste filme releva assombrosamente um amor vertiginoso. Soberbo.

-Underground de Kusturica, pois claro. Sons bem vivos, garridos e sempre presentes numa história humanamente trágica. Simplesmente genial.

- Le Fabuleux Destine d´Amélie de Jean- Pierre Jeunet. Um destino bem melodioso e de poucas palavras. Gosto muito do músico Yann Tiersen.

- Paris Texas de Wim Wender. Um filme que há uns largos anos, no âmbito de uma disciplina, fui obrigada a ver, e dele ainda ficou aquele som de desalento existencial e áspero associado à imagem do deserto. Uma sensação de "muitos nadas".

- 2001: Odisseia no espaço de Kubrick. Em relação a este filme, é incontestável a conjugação da imagem com o som. Palavras para quê? Um clássico.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Previsões 2008 - Natal dos Hospitais

Se tudo correr bem, o próximo Natal dos Hospitais irá ser levado a cabo no interior de uma ambulância em trânsito desde um qualquer vilarejo, cada vez mais isolado, do Portugal "profundo". Ou, em alternativa, do hospital de Badajoz.
Com muitos caramelos, piñatas, tortilhas e, impreterivelmente, o João Baião aos saltos (ou de saltos, depende...).

Só porque me apetece

"Crónica de uma morte anunciada"*

Ainda assim, incrédula. Aos poucos, assassinam-se os ventos mais moderados. Tempos sombrios, os nossos. Apesar dos acordos, dos apertos de mão, das manifestações de poder e do cinismo disfarçado de diplomacia.
Afinal, as mulheres também se abatem pelo que representam.

*Título roubado a Gabriel Garcia Marquez.

Cinco bandas sonoras e mais algumas infracções

Desafio de fim de ano, do meu querido que gosta de tudo no seu devido lugar. Propõe-me que elenque cinco filmes com 5 bandas sonoras memoráveis. Aqui ficam as minhas:

1.ª - Obviamente, Der Himmel Über Berlin/Wings of Desire:
You know why! Memoráveis, The Carny e From Her To Eternity. E bom, pelo resto da banda sonora também...

2.ª - In The Mood For Love:
A minha obsessão de final de Verão, magistralmente conduzida por Michael Galasso. Um Nat King Cole que surge como novo aos meus ouvidos de tão bem que se adequa aos encontros e desencontros de Maggie Cheung e de Tony Leung.

2.ª (cont.) - No seguimento da anterior, 2046:
Casta Diva, ainda que considere a interpretação de Callas muito melhor que a que consta do filme, é um portento em qualquer filme. Desta vez, com as escolhas e composições de Shigeru Umebayashi, Wong Kar Way volta a encher-me as medidas.

3.ª - Necessariamente, Magnólia...
...perfumada pela mestria de Aimee Mann. Maravilhosa cena inicial, primorosamente rematada com "One".

4.ª - The Hours:
Philip Glass compõe o acompanhamento sonoro do universo de Virginia. Não existe uma única nota fora do lugar ao longo do filme.

5.ª - Mulholland Drive:
Pela interpretação de Rebecca Del Rio, com o pungente Llorando em pleno Club Silencio. Angelo Badalamenti sabe muito bem o que faz e Lynch também.

Post scriptum:
Fujo aos filmes e entrego-me às séries. Permitam-me então enviesadamente acrescentar, sem margem para dúvidas, Six Feet Under por Feeling Good interpretada pela maravilhosa Nina Simone e pela sequência final a cargo de Sia com Breathe Me (a nódoa está em tanto Coldplay, mas enfim).
Não poderia também deixar de referir a soberba banda sonora de Twin Peaks, a cargo de Angelo Badalamenti poderosamente auxiliado pela etérea Julee Cruise.

E pronto, cumprido o desafio (em excesso e atropelando as supostas regras), transmito-o aos seguintes: Provavelmente Talisca, Lueji, Bartleby, Luís e o pessoal cá da casa.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

25 de Dezembro: dia dos enganos.


Recebo um telefonema de um número que não consta na minha lista. Corro para a varanda porque a algazarra que se faz na cozinha não me deixa ouvir a voz do objecto.
E a conversa decorre da seguinte forma:
- Sou o Paulo. Lembras-te?
- O Paulo? Mas… espera… Paulo, claro o Paulo. Já sei!!! PAULO!
- Como te lembras se já nem tens o meu número?
- Claro que me lembro! Então, és o meu vizinho, o meu querido vizinho. Há quanto tempo! Nós passámos a infância todos juntos. Tu, eu, os nossos irmãos, as minhas primas, a Carla… Bons tempos aqueles. Tenho saudades. O teu número já o tive, mas, como tive que trocar de telemóvel, perdi-o.
- Como?
- Ó Paulo, se vieres aqui, passa cá em casa. Traz a Rosa.
- Mas a Rosa… Que Rosa? Posso ir?
- Claro que sim, mas que cerimónias são essas? Isso não é para nós! E, sim, traz a tua esposa!
Hoje não venhas porque estou em casa da Carla. Vim vê-la.
- Carla? Que Carla?
- Então Paulo? A Carla irmã do Z., filha da Sr.ª C. e do Sr. J., também nossa vizinha que foi para Lisboa estudar… e, depois, ficou por lá. Veio estes dias à terra.
- Ah, acho que sei quem é. Mas espera…
- E a Sr.ª Clarinda? Como é que ela está? Ainda não a vi.
- Quem é a Sr.ª Clarinda?
- É A TUA MÃE!
­- Eu não sou esse Paulo! Sou o Paulo de…
- Ok, Paulo. Desculpa, explicas depois. Que confusão! Telefona amanhã ou assim. Adeus.
(Detesto quando sou enganada!! )

domingo, 23 de dezembro de 2007

Lullaby de Domingo

Por cá (e com o cândido intuito de manter a tradição) o Natal é passado com N. C. Na verdade, tudo é pretexto para ouvir Oh, My (Private) Lord. Com uma nuance: a faixa não pertence a um álbum do mestre, mas a Oedipus Schmoedipus (1996) de Barry Adamson. A colaboração - que não é inédita, já que Adamson trabalhou com Cave em vários trabalhos - resulta uma maravilha.
Sim, sei que sou tendenciosa.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Um conto pascal... do jejum (grand finale)

Pratos na mesa, garfos e facas em riste. Ainda umas piadas aqui e ali, mas estava tudo suspenso quanto ao paladar. As primeiras dentadas em silêncio. Depois, o veredito.
A cozinha não poupou no tempo, mas poupou na cozedura. Nem mais uma salsicha esventrada ou uma posta a desfiar o rosário de queixas em condições. Os ingredientes semi-cozinhados. E no meio de um dos pratos, brilhante, retorcido, sufocado em azeite com sabor a bacalhau pré-cozinhado, um magnífico cabelo - esse sim, perfeitamente esturricado. A gota de cabelo que fez transbordar os pratos.
Aproxima-se uma vez mais o infeliz estalajadeiro, com o outro em jeito de banda sonora na continuação do seu triste reportório. Os pratos retornam à cozinha, o triste homem abana a cabeça. Desfaz-se em desculpas e descontas. A rematar, tenta oferecer digestivos. Para digerir o quê? Só se for mesmo a conta: 16 euros a cada comensal, quando a única coisa que se aproveitou foi mesmo o vinho e o pão - cerimónia pascal em tempos de natividade.
Gloria in excelsis. Saímos da espelunca disfarçada de restaurante decente.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Intermezzo

(Caravaggio)

"Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim."
Clarice Lispector, A Hora da Estrela

Um conto de Natal... ou de como (NÃO) jantamos na Cervejaria Alemã

E esperam. Mas não será uma espera amena ou tranquila. O desejo por um sítio acolhedor e facilitador da conversa esboroa-se nos primeiros minutos, quando um azeiteiro vestido de t'shirt preta dois tamanhos abaixo do que a barriga pediria, inrrompe no microfone a berrar algo que se assemelha vagamente com algumas melodias mal amadas pelos intervenientes deste triste conto. O ar de engatatão da esquina provoca alguma náusea, principalmente quando se sabe que a criatura se faz acompanhar por um "desopilador" de engate que parece que é único na Região. Aliás, dizem as línguas (que não más), que a dita criatura faz questão de queimar uma data de óleo(??) à entrada e saída dos estabelecimentos, a fim de assinalar a movimentação de aspirante a marialva. Há que convir que o suplício seria prolongado, não fosse a boa disposição dos frequentadores da fatídica treze. A espera, triplicada auditivamente pelos urros de tal criatura, constituíu, durante boa parte da via sacra (mas afinal, não é natal?), caso flagrante de risota e de comentários imaginativos e plenos de malícia. Ora, a situação seria engraçada se o grupo de convivas não estivesse nisto há uma hora e o reportório de piadas sobre o infeliz galináceo não estivesse a perder fulgor. Perante nova reclamação pela demora, são finalmente informados que haviam sido confundidos, até aí, com elementos de decoração natalícia, já que o pedido efectuado há uma hora não havia dado entrada na cozinha; aparentemente, o chefe de sala, que havia efectuado o pedido inicial, não achou estranho que permanecessem apenas a pão e vinho. Perante as ameaças dos convivas, prometeu celeridade a partir daí. Finalmente, pelas 23 horas, chega à fatídica mesa, que entretanto já tinha mudado de número (era agora o número onze por medida desesperada de um dos convivas), o bacalhau, o polvo e as salchichas ditas alemãs encomendados há 1h 30min antes. Inicia-se a jantar, que já ninguém considera repasto. (continua)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Um Conto de Natal... ou de como jantamos num palheiro

Naqueles dias, juntaram-se em redor da mesa, que o tempo não está para lareiras. A noite aprazível exigia uma despedida condigna, que obrigava Nefertiti a fazer o recenseamento natalício por terras de Viriato. Noite de despedidas. A troca decorreu agradável, por entre Nina's e Women's e fragrâncias profanas. A conversa, sobriamente mediada pela ginginha, teve que ser interrompida pelo início dos contactos com a estalagem que os acolheria para o santo manjar. Recusados por todos, ninguém quis receber aqueles viajantes que apenas solicitavam um local acolhedor e algo que comer; a situação repete-se e nem as vozes suplicantes demovem os corações empedernidos dos chefes de sala. Nem mais um lugar, dizem os estalajadeiros, enquanto os candidatos a comensais se afundam no sofá, entregues à miserabilidade da recusa. Até que, oh maravilha, uma alma gentil diz que sim, que tem mesa para cinco, que não lhes fecharão a porta ou recusar prato. Oh holy night. Now, all is calm, all is bright! Exaustos, ocupam a mesa prometida assinalada com o número treze. O pior já passou, julgam. E pedem. E esperam. E esperam e (re)pedem. E esperam. (Continua, mas agora não me apetece)