segunda-feira, 19 de junho de 2006

Pouco a pouco o esquecimento...

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!


Hoje, na prova de Português A, Antero de Quental.

2 comentários:

Xor Z disse...

É engraçado que qualquer poema de Antero reflecte, duma maneira ou doutra, o seu pensamento filosófico. Neste em particular a procura do Bem e do Ideal.
Isto é só um desabafo!

Anónimo disse...

Mais outro que tenho de ler. eu já sabia, mas não tinha tido Tempo.