sábado, 10 de maio de 2008

Ditado

Concordo com o texto da magnífica Ana. E acrescento que a palavra dita tem uma violência -e erosão - mais acentuada que a palavra escrita. A brejeirice pronunciada é-me sempre mais desagradável que a escrita, como se o silêncio da leitura a consiga quase silenciar, como se a audição a tornasse insuportável.
Curiosamente, raramente interpreto a utilização de tal linguagem como um insulto a quem é dirigido. Insistentemente, soa-me como um auto-insulto, uma auto-depreciação disfarçada de violência contra Outrém. O que a torna mais traiçoeira: o efeito boomerang do insulto - lançado ao rosto do Outro, por um passe de mágica volta à face dos lábios que a proferiram, que despudoradamente a lançaram. Esta é a única utilidade que lhe vislumbro, que na verdade é uma utilidade perversa, recontada ao longo dos tempos: a criatura que devora o criador, quando este apenas contava instrumentalizá-la.

3 comentários:

Funes, o memorioso disse...

Discordo. A palavra "badalhoca" nunca se gastará, por muito que a usemos.

nefertiti disse...

As palavras nos seus contextos... nunca se gastarão.

Woman Once a Bird disse...

Então explique porquê (se bem que badalhoca não pertence ao rol de palavras enunciadas).