sábado, 10 de maio de 2008

O Paul do romance não passava de um porco (badalhoco)

Deixo aqui uma passagem do fascinante livro: O velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda

“ Paul beijou-a ardorosamente enquanto o gondoleiro, cúmplice das aventuras do amigo, fingia olhar noutra direcção e a gôndola, equipada com macios coxins, deslizava tranquilamente pelos canais venezianos”.

Leu a passagem várias vezes em voz alta.

Que raios seriam as gôndolas?

Deslizavam por canais. Devia tratar-se de botes ou canoas, e quanto àquele Paul, era óbvio que não se tratava de um tipo decente, já que beijava “ardorosamente” a rapariga na presença de um amigo, e ainda para mais cúmplice.

Gostou do começo.

Pareceu-lhe acertado que o autor definisse os maus com clareza desde o princípio. Dessa maneira evitavam-se complicações e simpatias imerecidas.

E quanto a beijar, como é que ele dizia? “ardorosamente” como diabo seria isso?

(…)

Não. Os xuar não se beijavam.

Recordou-se também de que, em certa ocasião, vira um garimpeiro acasalando com uma jíbara, uma pobre mulher que deambulava por entre os colonos e os aventureiros implorando uma golada de aguardente. Quem tivesse vontade puxava-a de parte e possuía-a. A pobre mulher, embrutecida pelo álcool, não tinha consciência do que estavam a fazer com ela. Dessa vez, o aventureiro montou-a na areia e procurou-lhe a boca com a sua.

A mulher reagiu como uma besta. Tirou o homem de cima dela, arremessou-lhe um punhado de areia e desatou a vomitar com um nojo indissimulável.

Se beijar ardorosamente era isso, então o Paul do romance não passava de um porco.

(...)

1 comentário:

nefertiti disse...

pronto, o Paul é badalhoco!!