quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Deixem trabalhar a Ministra.

Termina amanhã o fôlego que o Ministério da Educação teve desde a saída dos resultados da primeira fase dos exames nacionais. A ver vamos se a "repetição" de alguns exames aplacou alguma coisa... ou pelo contrário, adiou e, consequentemente, alimentou. Nos próximos dias conversamos!

11 comentários:

his_tory disse...

Os resultados foram considerados globalmente satisfatórios por parte da Ministra, isto porque as positivas foram ligeiramente superiores às negativas, mas só por algumas décimas...

Alexandre Dias Pinto disse...

E o que dizer da forma prepotente e nada democrática como a ministra criticou o parecer do Provedor da Justiça? Parece que esta ministra, que acalenta sonhos ditatoriais, não sabe que o Provedor é uma entidade independente, que o seu papel é alertar para casos de injustiça e que, quando intervém, NÃO É PARA FAZER OPOSIÇÃO AO GOVERNO. A senhora não sabe mesmo aceitar uma crítica.

Woman Once a Bird disse...

Caro Alexandre:
A senhora não sabe... E a partir daqui poderíamos terminar a frase com uma série de itens.

Anónimo disse...

é tão caricato! por favor, senhora ministra, não trabalhe, tire férias sem retorno!!! para o bem da saúde pública!!! (h)

jose disse...

ehehe. o meu de história da arte correu bem. tive 19 pá. desta vez não apanhei um corrector mal disposto. graças a Ele.

Woman Once a Bird disse...

Ainda bem que te correu (muito) bem. Candidatura a partir de sexta passada, certo? Kiss

Woman Once a Bird disse...

Muitas vezes não é o corrector, mas sim os critérios de correcção.

his_tory disse...

Há também a forma como o corrector interpreta/decifra a resposta do aluno/critérios de correcção, porque já presenciei casos em que havia clara discrepância, coisa para alguns valores (e não décimas...!!!) de diferença. Não havendo outra forma mais clara, seria melhor optar pelos testes ditos americanos (como o exame de código...)

jose disse...

his_tory. no ano passado realizei o exame de história da arte para conclusão do secundário e obtive primeiramente uma classificação de 155. ora eu sabia perfeitamente que o meu exame estava (muitíssimo) melhor que isso pelo que pedi as fotocópias da prova e pedi ao meu professor para ma corrigir. de acordo com os critérios da proposta ele dava-me 183 e eu, na minha auto-avaliação, dava 176, se não me engano. lá pedi a reapreciação e subi 1, 8 valores. fiquei com 173. tem, de facto, muito a ver com o corrector.

em relação às propostas de correcção eu sou extremamente crítico, no caso das de história da arte. e sou também extremamente crítico em relação aos correctores que se guiam totalmente por essa tal proposta, sem ligar àquela parte que diz que o classificador deverá considerar referências não contidas na proposta mas que sejam pertinentes e demonstrem a compreensão do aluno em relação à matéria.


isto tem relevância essencialmente quando podemos verificar exames de anos diferentes, propostas semelhantes, e propostas de correcção ligeiramente diferentes. porque quando nos perguntam as características do cubismo, como perguntaram neste exame que fiz, podemos dizer umas dezenas, mas na correcção estarão apenas allgumas, e quem não acerta naquelas tem azar. eu, por acaso, desta vez acertei.
ainda neste exame uma questão pedia as inflkuências do cubismo. entre elas estava a arte ibérica, que não referi, mas lá faltava a arte naif, que referi. ora logicamente não tive a cotação inteira nessa questão, mas se se tivessem lembrado de colocar lá a arte nauf em vez da arte ibérica tê-la-ia.

isto para dizer que acho este processo de avaliação utilizado disparadamente falível.

depois há ainda o pormenor de algumas propostas de correcção com informações bastante dúbias e até um pouco disparatadas. e é ver-se questões que pedem relações entre conceitos e cujas propostas de correcção não apresentam nada disso. no ano passado havia uma questão que opunha o fauvismo ao expressionismo e, partindo de uma frase, seria suposto desenvolver-mo-la focando-nos no entanto no fauvismo. a proposta de correcção começava da seguinte forma: "características do fauvismo: [regurgitado de características aqui]". E nessa questão perdi um valor e meio porque respondi à pergunta que me era colocada em vez de me pôr a regurgitar características (que até seria muito mais fácil e cómodo).

mas bem, não quero pensar mais nisto, que em princípio não voltarei a fazer nenhum exame nacional. agora sim, são as candidaturas até sexta que vem. fui hoje pedir a ficha enes e fotocópia do exame (só por curiosidade, para ver as cotações) e depois de amanhã lá vou eu. se não preencher mal os papéis ou se não morrer até lá lá estarei eu, em setembro, num novo curso. espero que a experiência corra melhor que a última. :)

his_tory disse...

Totalmente de acordo com o teu comentário. Acrescento ainda que no caso dos exames de História do programa antigo havia "sempre" uma questão relativa às vanguardas do início do século XIX, mas os critérios de correcção mais pareciam os de um exame de História da Arte.

As questões de resposta aberta e de desenvolvimento são um bico de obra para corrigir, da mesma forma que o são para o aluno responder... Depois é ver os alunos a debitarem tudo o que sabem/relacionam com aquela questão, a ver se acertam em todos os critérios. E assim se enchem páginas e páginas de palha, por vezes bem escrita e acertada, mas que não se enquadra nos critérios "oficiais".

Por outro lado, se os correctores acrescentam ou cortam nos ditos critérios, deixa de ser um exame nacional e as disparidades aumentam... É a chamada espada de dois gumes!

jose disse...

em história da arte também costumam haver duas questões que valem mais e como tal necessitam um maior desenvolvimento. se em história da arte já é complicado imagino como será em história!

em relação a isso de debitar matéria é engraçado porque eu fi-lo numa questão deste exame. depois de o fazer até comentei 'pus-me para lá a escrever palha que não serve para nada', até tinha medo que me descontassem por isso. e depois não é que essa palha saiu nos critérios de correcção? ainda bem que pus palha, devo dize-lo.

Quanto a isso de ser uma espada de dois gumes compreendo perfeitamente. eu duvido muito da pertinência dos exames nacionais, da maneira como eles existem efectivamente (30% da classificação final de uma disciplina parece-me uma percentagem ridiculamente alta; 50% da nota de candidatura, ainda por cima de cursos que às vezes pouco têm a ver com a sua prova de ingresso, é um caso ainda mais grave, mas cuyriosamente não vejo ninguém falar disto; a falta de rigor na realizaçao dos exames e nas propostas de correcção; etc), mas por outro lado também compreendo a necessidade dessa "universalização" do ensino das disciplinas.

não vejo uma solução perfeita, mas não aprecio a forma como as coisas estão feitas. pronto, é a bida.