quarta-feira, 10 de maio de 2006

Where Is My Mind 5 - A Pantera Enfurecida

Uma das galerias mais interessantes é dedicada a Robert King.
Porque pertencente ao Black Panther Party, considerado por Hoover, nos idos 60, como a principal ameaça interna dos Estados Unidos, permaneceu encerrado (jutamente com outros dois membros) numa prisão de alta segurança - ironicamente chamada Angola - durante 31 anos. A libertação aconteceu em 2001 (ilibado em tribunal), sendo o único dos chamados "3 de Angola" a estar em liberdade.
A ironia reside no facto de King ter aderido ao movimento depois de encarcerado por um crime que não havia cometido.

"Sem qualquer dúvida The Black Panther Party era um movimento revolucionário. Visava especificamente a população negra, mas geralmente abarcava toda a gente oprimida. Queria levar o povo a reconhecer a opressão a que estava sujeito e a identificar os responsáveis dessa opressão. Para depois a eliminar usando qualquer meio necessário."

"Juntei-me aos Black Panther na prisão. Fui preso em 1970 por um crime que não cometi, mas que tinha ocorrido num raio de 50 milhas da minha residência. Era comum a polícia considerar suspeito todo aquele que nas redondezas de um crime tinha cadastro. Ofereceram-me uma sentença de 15 anos de prisão; se me tivessem oferecido uma de dois ou três teria aceite. O normal, nessa altura, era que a polícia te mantivesse preso por 15 meses ou dois anos sem qualquer acusação. Fui a julgamento e mesmo sem que a testemunha me identificasse como autor do crime e fosse induzida a fazê-lo no tribunal, condenaram-me a 35 anos de prisão".

A primeira parte da instalação é impressionante; uma jaula, aberta à força, com uma pantera gigantesca a libertar-se, ocupa uma das paredes da galeria; as cores são particularmente agressivas, com o vermelho a dominar a imensidão da tela, as grades construídas a partir da tela, retorcidas em direcção ao espectador. A pantera fita-nos acusadoramente, jogando-nos o peso da sua captura.
A instalação é completada por fotografias e por um vídeo documental, onde Robert King nos fala. Particularmente pertinente a afirmação de que é simplesmente africano, já que a América nunca o tratou como americano.

A galeria torna-se pequena face ao peso que carrega nas suas paredes.

2 comentários:

jose disse...

parece-me interessante.
aqui está uma boa convicção. apreciei.

nefertiti disse...

eu também apreciei.