sexta-feira, 19 de maio de 2006

Os exames que eram e os que passaram a ser.

No que diz respeito ao presente ano lectivo que, como todos sabemos, na verdade não está a acontecer (o tempo de serviço na função pública foi "suspenso" por um ano, pelo que trabalhamos numa espécie de limbo - é mas não é), tudo corre bem no Ministério da Educação. Ou seja, seguem à risca esta acepção do ser e não ser. No que diz respeito ao 11º ano de escolaridade, as surpresas têm sido a alegria das aulas de várias disciplinas.
Temos um exame de filosofia que estava para ser e que, miraculosamente (ou seja, por despacho) a meio do ano deixou de ser, para retornar à vida em relação aos alunos que dele necessitarem para ingresso no ensino superior. Entretanto, porque a situação ainda era demasiadamente simples, durante algum tempo foi decidido que o exame nacional também seria feito pelos alunos que necessitassem de fazer exame de equivalência à frequência; entretanto, acharam má ideia e esta última nuance também foi revogada. Resultado, a determinada altura, as aulas foram bem animadas, com todas estas novidades. Os alunos acharam um piadão e ainda hoje temem que, a esta altura, o exame nacional regresse por entre as brumas. Mais um esforço.
Por outro lado, temos o caso da Físico-Química. Esta disciplina começou o ano com uma cotação baixa; os alunos optariam ou não por fazer exame. Entretanto, o Ministério que achou que os alunos andavam demasiado felizes e contentes com este carácter de opcionalidade, decidiu (por alturas das primeiras brincadeiras com o exame de filosofia)que afinal o exame de Físico- química seria obrigatório. Foi uma época interessante, com alguns alunos a ameaçarem cortar os pulsos e a exigirem o regresso do exame de filosofia. Entretanto, conformaram-se. Mas o Ministério, atento à possibilidade de um bom desempenho, assegurou que não existisse qualquer prova modelo, pelo que os alunos poderão experimentar a adrenalina de fazer um exame sem que o próprio professor saiba bem para que os preparar. Radical, não?
Mas, ainda assim, parecia tudo muito fácil. Vai daí que os alunos estão hoje, dia 19, a fazer um teste intercalar de Matemática que contará com 20% para a nota e do qual só tiveram conhecimento (eles e os professores) há sensivelmente duas semanas.
Por tudo isto, há que louvar o esforço que o Ministério tem efectuado este ano, para manter as escolas animadas. Os alunos estão a adorar todas estas manobras e nós, que temos que os informar de tudo, também. E gostamos ainda mais quando o comentário é: "Estes professores não sabem o que querem."
Ah, e no final disto tudo, se correr mal, sempre quero ver quem serão apontados como culpados.

21 comentários:

jose disse...

:|
que
triste
.
uma vergonha. felizmente não passei por nada disso. :|

dama disse...

Bem visto, mulher-que-aspirou-pássaro.

Latin disse...

Sem dúvida continuam cada vez mais a brincar com os professores.
O mais engraçado é que a culpa é sempre dos professores e o pior é que eles estão de mãos e pé atados perante estas situações.
Já estou a prever a "justificação" do pessoal para o mau aproveitamento que os alunos vão ter este ano: Os professores não sabem, nem ensinam nada!
PS: afirmo que os alunos vão ter mau aproveitamento porque eles próprios não sabem em que é que estão a ser avaliados... (nem os professores os podem orientar porque também não sabem...)

Nefertiti disse...

que filme tão complicado!! um verdadeiro caos!

Gaia disse...

Gostei do post.
Toca em algo que amo: ensinar.
Depois de ler, assaltam-me os seguintes aspectos:
1. A subida na carreira não pode ser feita por anos de permanência, doseados por Acções de Formação para embalar. - levanta o problema da avaliação. quem avalia? O que avaliar? Como avaliar?
O congelamento não passa por uma questão educativa. Não comento.

2.Defendo os exames nacionais, como método de selecção. Se, com esta selecção, num país de cunhas e compadrios, sabemos quem fica para trás, sem esta selecção...assim, todos passam por ele. Ainda assim "ganham" os mais favorecidos. - O problema está antes de chegar ao momento dos exames. o problema está, por um lado,em definir muito bem o que são as competências básicas do ensino básico e o que, efectivamente, se anda a fazer. Por outro lado, definir qual é o papel de um ensino secundário. para quê uma formação de nível secundário. Nada disto é novo.
Não gostei de um exame de Filosofia que era para ser para todos e depois já não era. Por múltiplas razões. Principalmente, porque a decisão pelo não ser para todos, pode remeter a Filosofia enquanto disciplina escolar para um lugar menor. Num país com 2 poetas e meio, 2 filósofos e meio, imensos cientistas a trabalharem no exterior....dá que pensar. A decisão pelo não ser para todos, contraria as tendências de países mais desenvolvidos que estão reclamando a importãncia da formação filosófica desde o ensino básico, já para não falar nas recomendações da UNESCO. - Levanta a urgência de pensarmos em conjunto o que ensinar, como ensinar e como avaliar. Se, como dizia Hegel ( não me apetece ir confirmar, mas penso q a memória não me trai) "a filosofia do nosso tempo é o ganha pão dos professores de filosofia", então exonerem-se já.
4. Sim, não há prova-modelo, mas há um programa e as Orientações. Todos sabemos. Que se sigam. No meio da confusão, não me parece ser o pior dos "problemas".A teoria não faz necessariamente a prática.A existência de um Modelo prévio não garante nada. - O verdadeiro problema, coloca-se antes e está descrito no final do ponto 3.
5.O professor não pode continuar a ser um consumidor e executor destas m-e-r-d-a-s caóticas. Sempre a telefonar para os capatazes de gabinete, a perguntar se podem, se devem, se vão, se ficam... Pense-se em conjunto e faça-se. É por perguntarmos que eles ficam a pensar que não sabemos. Depois, têm a pretensão de nos querer ensinar.
5.Nós, lá na Fábrica temos ordem oficial para n~~ao os informarmos de nada. Há um informador especialista. Não sabem ainda que o taylorismo já não deixa apreender a complexidade deste empreendimento de ensinar. Eu, no que concerne à disciplina que lecciono, informo-os sempre. E , quando me engano, digo-lhes:enganei-me.Mas há quem os prefira enganados. è que nesta fábrica há, como sabes, um enquadramento político e cultural muito especial.

Gaia disse...

Bem, que grande confusão. Espero que percebas.

Woman Once a Bird disse...

Não concordo contigo em relação ao ponto 4 e ao ponto 5. Acho importante que o professor e os alunos tenham acesso a uma prova modelo, principlamente quando falamos de uma disciplina como a Físico-Química, e estamos perante um programa completamente novo. Não é decisivo, mas é importante.
Quanto ao ponto 5, o contexto é realmente diferente, mas não me parece que, no caso específico que referes, seja uma questão política e cultural. Até porque a ordem oficial não é tão oficial quanto isso...
quanto ao ponto 1, a referência que fiz não passa pela subida na carreira. Passa pela contabilização do tempo de serviço. Na prática, serão 41 anos, quando teoricamente serão 40, já que o tempo de serviço deste ano não é pura e simplesmente contabilizado.

Gaia disse...

Essa da Fsíca e da Quimica é provocação?! ´tou-lhe com um pó...agora a sério. Não sei se é novo ou completamente novo. Não faço a miníma ideia.Só posso falar do "nosso". o que sei é que formatar alunos para exames, pode dar maus resultados.Se o ensino de nível secundário é apenas para isso, então que se formate.

A propósito da da física e da quimica, prefiro Ilya Prigogine: "não há certezas".

É politica é. Reproduz a que está instalada. não é uma fábrica politizada, antes fosse. produz obedientes à ordem estabelecida. Como outras. Nesta é gritante.
Eu percebi o que disseste em relação a 1.Essa medida (congelamento) não é, em si, educativa. O que disse é.

Gaia disse...

Sou eu outra vez. Gosto disto, tu sabes.
Espreita o Ruben Alves no Educare. Gosto muito, mesmo muito de o ler, ainda que, em pequenos, muito pequenos pormenores, pense diferente.
Não tenho qualquer discordia em relação a isto: «em qualquer parte do mundo, o problema mais importante da educação tem a ver com os professores.»

Woman Once a Bird disse...

Minha querida:
Em relação ao exame de Fisico- Química: É formatação? Claro. Mas a questão é que é preciso prepará-los. Assim como eu o faço em relação ao exame de psicologia. De outro modo, para quê "Orientações", certo?
Quanto à outra questão, continuo a discordar. Não é política, é desiquilíbrio.

Gaia disse...

A questão da política discutimos dp.Mas tenho de retorquir. É a política do capataz mor que os quer a todos não pensantes e se torna omnipresente pelos seus vassalos.os desequilibrados, são outros. tenho estado sempre a referir-me aos vassalos. discutimos isto "ao vivo".
É formatação em relação a todas as disciplinas. mas isso nem é necessário discutir.
Estamos a gastar energias com isto e a esquecer o essencial: qual é a função de um ensino de nível secundário?
Se, algum dia, chegar a pensar que ensinar filosofia no ensino secundário é formatar cabeças para a realização de um exame, queimo a papelada e vou ganhar o pão de outra forma.
nem vou ligar a "outra linha de comunicação"...não paravamos.
beijos

Gaia disse...

ah...esqueci-me.
Por que razão temos os resultados que temos em Matemática?
Há sempre prova modelo.
E em Português?
Há sempre prova modelo.

só falo do que não sei, porque latin e nefertiti, foram para o bem bom. e eu aqui sem TV (estou perder algo very important) e sem luz no WC.
As conversas são como as cerejas.
oh se são. Foi sem pensar, mas saiu bem:educação, TV e WC. as conversas são mesmo como as cerejas.

Woman Once a Bird disse...

Discordamos. Continuo a achar que é importante. Já passamos por lá. Os exames existem, a pressão é enorme e queremos saber o que nos espera. Gostei de saber quando os fiz e defendo o direito dos actuais alunos de os terem também.
E sabes porque temos péssimos resultados? Porque a escola funciona como depósito. Porque temos um currículo com 15 disciplinas para os manter o dia inteiro na escola. Porque não têm espaço para nada.

Gaia disse...

Eu sei linda. É que o Currículo é mesmo, mesmo, o meu perfume.


Acordei primeiro. eh eh eh

his_tory disse...

To be or not to be...
Os exames nacionais, tão ao gosto populista dos governos, visam aquilatar a aprendizagem (não vejo muito bem onde aparecem as competências) dos alunos, mas esquecem o primeiro princípio de que se dizem defensores, ou seja, de que cada aluno tem uma história e que o ensino deve ser, na medida do possível, individualizado/personalizado.
A ser assim, acho que devíamos alargar o modelo de ensino nocturno por unidades capitalizáveis, que entretanto vai mudar para ainda não sei bem o quê... Neste sistema, os alunos progrediam a ritmos diferentes, valorizando a construção de saberes, e não tanto a obrigação de o professor cumprir escrupulosamente com a planificação anual, tendo por base o programa nacional. Este sistema já foi implementado na Grã-Bretanha há décadas e os franceses, de quem somos discípulos no domínio da educação, também optaram por esse método.
Resumindo, a avaliação externa, através de exames nacionais, acarreta diversas variáveis (alunos, turmas, escolas, professores, meio sócio-económico, expectativas, etc.), que são pura e simplesmente niveladas nos cálculos de médias finais e desvios padrão em relação às classificações internas. Depois os culpados do costume, tal qual os mordomos, são os professores. Há ainda outra variável que não é tida em conta neste apuramento, desta vez da exclusiva responsabilidade dos professores. Refiro-me aos professores correctores, cuja avaliação, especialmente em respostas abertas, revela muitas discrepâncias... Digo-o por experiência própria!!! Adiante.
Depois de tudo isto, será que concordo com a realização de exames nacionais? Tal como a democracia, apesar de todos os defeitos que podemos apontar, não deixa de ser o melhor regime político.
Se os alunos não tiveram acesso a uma prova modelo, continuam a estar todos ao mesmo nível. E serão avaliados pela mesma prova, com o mesmo material, no mesmo tempo, com os mesmos critérios de correcção... O que muda mesmo são os alunos e os respectivos professores. E são eles que, no fundo, estão a ser avaliados. Portanto, vamos cumprir o programa e ser rigorosos na avaliação dos alunos, exigindo-lhes o máximo para que eles façam "boa figura", por todos nós, nos exames que se aproximam.
Para finalizar, concordo que há uma sobrecarga de disciplinas.
Estamos a preparar alunos para saberem um pouco de tudo e nada de nada...
E... para espanto de todos... estamos a ser bem sucedidos! ;-(

Woman Once a Bird disse...

Excelente análise. Mas no que diz respeito ao exame modelo, o problema reside no facto da inexistência consistir num factor de stress, para alunos e professores.
Quanto à questão do cumprimento dos programas... isso dava outro post e outra resma de comentários. ;(

Gaia disse...

O que se devia cumprir são as aprendizagens que os programas veiculam. Mas, como dizes, isso dava outro post e resmas, paletes de comentários.

Anónimo disse...

Parece-me quem realmente é prejudicado pelas ideias brilhantes que "os inteligentes que fizeram os exames e as respectivas grelhas de ccorrecção", são os alunos, pois os professores por pouco incentivo que possam sentir"e com razão" para leccionar nestas condições, já tiraram o seu curso, o pior é dos alunos e dos pais destes que se fartam de gastar e sem ver proveito. Não se compreende como é que um aluno vá para exame de Fisico-Quimica de 11º ano com nota de 19 valores e saia de lá com um simples 11. e a nota de final de periodo não foi oferecida, ou então ofereceram-lhe todas as outras iguais a este que ele teve. Pensem um pouco no futuro dos nossos jovens, não mudem o sisteme a meio dos anos lectivos, deixem-nos ter oportunidadae para se integrarem nos método as aplicar.ASSIM NÃO CHEGAMOS A LADO NENHUM.

Woman Once a Bird disse...

Caro anónimo:
Concordo consigo. quem acaba por ser mais prejudicado é mesmo o aluno. E percebo a indignação, porque, convenhamos, todo o processo que envolveu o 11º ano esteve muito mau este ano.
Aliás, a minha posição foi exactamente nesse sentido. quanto a pensar no futuro... tem sido pensado, mas não por quem de direito, ou seja, os participantes no processo de ensino- aprendizagem. Tenho uma amiga que diz que nós somos meros operários de uma fábrica que funciona com linha de montagem. Assim é, de facto.

Anónimo disse...

olá!
é possivel que este bolg se destine mais a professores, mas tenho umas duvida e por isso ninguem melhor para me tirar umas duvidas.
1º- quero ir para a faculdade de arquitectura tenho media geral de 17,6 e media de especifica 20(geometria descritiva), o meu problema e k à 2 anos k n consigo passar no exame de portugues, como aluno externo! gostava de saber se há alguma coisa a faxer, para resolver este meu problema.
2º-fiz o os exames pela primeira vex o ano passado, queria saber se a minha especifica dura mais um ano? aguardo uma respota!
comprimentos e boas ferias, porque merecem bastante.

Woman Once a Bird disse...

Caro anónimo:
No caso em que é obrigatório fazer exame a Português para a conclusão do ensino Secundário (suponho que seja o caso, não tenho bem presente o curso que o anónimo frequenta), é efectivamente necessário o exame de português (e quanto a isto não há volta a dar). A questão é porque o faz como aluno externo? Tem que ser mais específico.
Relativamente aos restantes exames, os resultados obtidos o ano passado têm uma validade (para efeitos de candidatura ao ensino superior) de três anos. Isso significa que ainda são válidos no próximo ano, que será o último.