domingo, 9 de abril de 2006

Em Busca da Bolota Perdida



Muito bem disposta, graças ao último blockbuster da animação: A Idade do Gelo 2. Fã do primeiro, desloquei-me obrigatoriamente ao cinema para ver o segundo. Não decepcionou. As personagens continuam hilariantemente deliciosas.
O Scrat continua habilidosamente (como é seu apanágio) em busca da bolota perdida, desta vez mais frequentemente que no filme anterior. E ninguém se queixa, porque o bichinho (afinal o que é? Um antepassado do esquilo?) continua fabuloso; o final do filme (ou seja, do Scrat) é absolutamente maquiavélico. E o pobre do animal é vegetariano... de qualquer modo, paradigma da busca pelas bolotas das nossas vidas, mesmo quando fazemos ruir tudo o resto. Se ser vegetariano causa tanto transtorno porque não experimentar um bom naco de carne (ou de peixe)?
O espectador descontraído também é apresentado a uma família estranhíssima composta por dois gambás e um mamute fêmea que julga que é gambá. O trio está muito bem conseguido e constituem a lufada de ar fresco.
No que diz respeito aos problemas existenciais que assaltam a mamute fêmea, não consegui deixar de pensar na quantidade de mamutes que julgam que não passam de gambás... e mais ainda na quantidade de gambás que se julgam mamutes. E é ver os primeiros a esconderem-se ridiculamente das águias nas suas vidas, e os segundos a pavonearem-se como se animais de grande porte fossem.
O êxodo das criaturinhas em busca da arca de Noé que os salvaria do degelo fez-me recordar aquela história dos 100 mil fundamentais do nosso petit País...

PS: RPS, muita bicharada para teu gosto, mas tendo em conta que o que está em causa é a extinção... quem sabe?

4 comentários:

Dirim disse...

:)

Nefertiti disse...

Ora cá está uma óptima sugestão para me deslocar ao cinema! abraço

rps disse...

Miss WOAB...
Cinema de animação não me apraz. Mas o teu texto é muito convincente (como acontece quase sempre).
Quem sabe?...

Catsfairy disse...

vi o filme e também adorei (já tinha visto o 1º). No entanto, realmente não tinha pensado que se trata de uma excelente metáfora da distorção do auto-conceito (sob ou sub valorizada) que todos nós podemos fazer (boa woman once a bird ;)). E acrescento mais: essa distorção é muitas vezes causada, ou pelo menos fortemente influenciada, pelo que os outros nos dizem ou querem fazer-nos crer; da mesma forma que os irmãos gambás alimentaram a ideia porque lhes interessava ter uma mamute como irmã, muitas pessoas procuram influenciar a forma de nos vermos a nós próprios ( a maior parte das vezes, ou pelo menos em alguns contextos de vida, uma forma sub-valorizada de nós próprios), porque daí terão um certo controle sobre as nossas atitudes e pior ainda, controle do rumo que a nossa vida tomará...