domingo, 11 de janeiro de 2009

SMS - 9 de Outubro de 2004

A mensagem desapareceu. Com as mudanças de telemóvel e os funcionários que me repetem monocordicamente que nada posso fazer, a mensagem de 9 de Outubro de 2004 desapareceu sem deixas rasto, a não ser o do post linkado. Outras também se foram, mas a perda de nenhuma me transtorna mais que esta; porque relembra-me o estarrecimento que senti. Um ano antes, Derrida havia estado em Coimbra. Na altura, (a falta d)o vil metal impediu a minha deslocação à cidade e recordo ter pensado, com alguma ligeireza, que teria outras oportunidades. Esse adiamento custou-me caro e terminou abruptamente a 9 de Outubro de 2004. Essa era a mensagem que, guardada durante anos, me recordava que o acto de adiar pode efectivamente matar-nos o sonho.

Em 2005 - e agora, em finais de 2008 ouço-lhe na voz o mesmo; recomenda-me que não adie mais, que não prolongue o universo do talvez, em que nada faço e muito desejo. Quatro anos depois, a mensagem (entretanto desaparecida) ganha nova força e este será provavelmente o ano em que darei o passo para deixar de adiar o que me espera. Entretanto, passaram-se oito anos e o medo não abrandou. O que significa que nunca desaparecerá e que nunca poderei esperar pela certeza de estar preparada. Estou quase lá. No reinício. Só falta o salto definitivo. É que depois, dificilmente há retorno. Apenas deixa de existir "e se".

5 comentários:

Dioniso disse...

O gesto certo no tempo certo, sem arrependimentos. Há uma grandeza que amedronta nesta decisão, tanto ética como pragmática.

Ceridwen disse...

o medo desaparecerá sim :)

Funes, o memorioso disse...

Obrigado, por me recordar que vale a pena procrastinar. Se não o tivesse feito, teria ido esbanjar dinheiro em Coimbra, para ouvir Derrida. Uma pura perda de tempo.

Woman Once a Bird disse...

Ai Funes, um post de Derrida faz-me sempre lembrar reflexo por condicionamento . Nunca deixa de salivar..

Funes, o memorioso disse...

É bem verdade o que diz, WOAB. Aliás, se não fosse por pedantismo da minha parte, diria mesmo que, às vezes, a WOAB escreve Derrida só para eu vir aqui salivar.
E eu venho.