quarta-feira, 15 de outubro de 2008

E pega-se*

Há uns anos atrás, papagueávamos aos alunos que também aprendemos por ouvir dizer.
Hoje, ouvi dizer que o preconceito em relação a educadores de infância (no masculino) é plenamente justificado, já que nunca se sabe; e a afirmação inicial, misteriosa, é seguida por trejeitos que anunciam o que vem de seguida - do género, vocês sabem o que quero dizer, apenas estão a fingir que são parvos. Face à estupefacção dos restantes, a criatura prosseguiu a sua linha de raciocínio em relação à tese nebulosamente enunciada: na sua terra natal , explicou como se tivessemos todos quatro anos, havia um conjunto de homens assumidamente homossexuais que haviam sido contaminados pela pessoa que havia sido responsável pela sua educação nos primeiros anos.
Mistério resolvido! A justificação pela qual é perigoso atribuir a educação das idades mais tenras a homens é a de que, a escolher tal profissão, esses homens são claramente homossexuais (e obviamente agressores sexuais). E eu que andei tão enganadinha estes anos todos, a julgar que nestes casos a célebre frase da Simone não se aplicaria: eles não são homossexuais: dão em homossexuais, por obra e graça do exemplo dos mais velhos. Veja-se por exemplo (analogia que derrubou qualquer argumentação contrária) o caso do alcoolismo precoce em crianças cujos pais consomem álcool, ou as zonas em que a droga é vista de forma inconsequente pelo contexto sociocultural. Obviamente, a conclusão a tirar é a seguinte: tal como no segundo e terceiro casos as criancinhas tornam-se alcoólicos e viciados em estupefacientes, logo, no primeiro caso, obviamente, também dão em homossexuais. Aprendi em uma tarde o que durante anos não consegui vislumbrar.
Claro que fica por explicar por que raio é que no seio de uma família heterossexual surge uma criança/adolescente com uma identidade sexual diferente das restantes criaturas de Deus. Ou como pode ser traumático um jovem assumir a sua orientação sexual perante a comunidade. Está bom de ver que o caso só se aplica quando queremos provar que os homens - e implicitamente, os homossexuais - devem ser arredados da educação infantil. É que isto da homossexualidade é como a coca-cola do Pessoa: primeiro estranha-se, depois entranha-se*.

Arre, que fervo com isto. Como boa esquerdonguinha que sou.

8 comentários:

nefertiti disse...

Até eu, péssima, derrotada e decepcionada pseudo-direita, fervo com tais barbaridades!!
Puritanismo de meia-tigela!

Anónimo disse...

Conheço, não por ouvir dizer, um educador de infância: um homem, cuja profissão é: Educador de Infância.
Não é homossexual!

Há homossexuais que são agressores sexuais, tal como há heterossexuais que o são. Da educação de infância, devem ser arredados os estúpidos e as estúpidas, e, no contexto, os pedófilos. Há homossexuais que são pedófilos, tal como há heterossexuais que são pedófilos.


Não sei é quem é que há-de educar os educadores...

«Há uns anos atrás, papagueávamos»

Há uns anos atrás??

«os homossexuais - devem ser arredados da educação infantil.»

Da «educação infantil»?

Com toda a certeza que sim! Da educação de infância, é discutível.

nefertiti disse...

Os "alhos e bugalhos" dão a sua opinião sob forma anónima
Ou seja, os termos mais correctos e específicos:
- gente desocupada;
- mães frustradas;
- pais idiotas;
- pseudo-pedagogos;
- pedras falantes;
- pessoas que borrifam palavras pegajosas e bacocas e que depois dizem que são palavras de amor;
- pessoas com ideias curtas;
- pessoas que lidam mal com a idade têm ou aparentam ter;
- pessoas mal-educadas;
- seres que se querem afirmar e para isso gostam e recitar as palavras dos outros;
- pessoas pedantes e que desconhecem a sua humilde condição;
- pessoas carentes, sem afecto...
- pessoas que escarram nas que gostaram delas e que perderam o seu tempo e que se sacrificaram quando as viram mal;
- pessoas que entram na vida das outras só com o intuito de as calcar e as invejar;
- pessoas afectadas com a época do cio;
- pessoas que não vêem o quão reles são!!
- gente que não interessa a ninguém! Ou melhor, até interessam, como cobaias... para evitar futuros problemas!!!

nefertiti disse...

P.s: e, na classe dos "alhos e bugalhos" deve-se incluir homo e heterossexuais!

Rosa Oliveira disse...

Sempre fizeste a correcção ao texto anterior.
Assim está melhor.

Concordo com o anónimo e contigo, nefertiti.

De resto, peace and love que a vida são dois dias e o carnaval são três e o Natal, está quase aí.

Beijinhos

Nefertiti disse...

Sabes, minha querida Rosinha dos Olivais, devias era tratar da tua vidinha, porque o que tu dizes... eu não escrevo.

A amiguinha deve ter ataques de saudades minhas. Eu Agradeço, embora, minha Rosinha dos Ácidos e Amarelinhos Limões, não consiga retribuir tais sentimentos, pois já me tinha esquecido de ti, querida amiguinha.

Vai escrever sobre o mar,sobre as florzinhas, sobre os calhauzinhos e tira depois uns retratozinhos à paisagem, a ti própria... Enfim, tudo que te ajude a passar melhor o tempo. Eu, sinceramente, não tenho pachorra para te aturar, nem gosto do que dizes.

Sê feliz, minha querida.
Desta que nunca estará ao seu dispor, os voto dum até nunca.
Vive em paz e sossegadita.

Anónimo disse...

A menina, hoje, acordou mal disposta?
Que azedume!
Nefertiti, a vida são dois dias, o Carnaval são três, o Natal é em Dezembro, isto é um «blog» interessante e, em particular, este «post», designa-se: «E pega-se*», tratando d'um tema actual e colocando pertinentes questões.
Penso que fizeste uma leitura desapropriada da minha crítica (que apagaste no teu «post», como habitualmente...).

De resto, não faço comentários anónimos, nem te escrevo nesse tom e teor.
O teu comentário anterior, seja na forma e/ou no conteúdo é muito feinho.

Desculpa não fazer «login», mas o meu Magalhães (forma de expressão) anda com problemas e não estou a conseguir ou, então, é da minha burrice.

Bom almoço.
Sempre ao dispor,

Rosa Oliveira

Mr. Lekker disse...

O grande problema nem é tanto o que se diz, mas a "obviedade" subjacente ao discurso. É de tal forma evidente que não passa pelas suas cabeças pensar sobre o assunto.

P.S. - Nefertiti, que se passou aqui?!? Estou fora de contexto, certamente...