terça-feira, 3 de julho de 2007

Carta aberta a Sancho

Aconselhas-me a ser como Tomé. O post abaixo é apenas uma caricatura da engrenagem, tal como este outro aqui. Ou até por essa outra novidade de há uns tempos atrás, de que o ilustre representante decretou que o Limbo deixou de existir. Caso para perguntar: e que aconteceu com todas as criancinhas que lá estiveram de castigo até agora? Terão direito a indemnização e pedido oficial de desculpas? Mas se queres conversar sobre a Igreja Católica, então conversemos. Deixei de ser católica quando comecei a compreender o que significa ser mulher. E isso implica tomar consciência de que na estrutura da máquina não existe lugar para pessoas como eu. Clarifico. Há lugar: a esfregar o chão das catedrais e igrejas, a compôr os arranjos florais e a ministrar catequese aos meninos e meninas, a fim de lhes formatar o espírito. Mais do que isso, só em silêncio e de preferência com os braços e pernas cobertas (já para não falar nos decotes). A mulher não tem lugar nesta Igreja que aconselhas a ouvir com atenção. À representação feminina, amordaçaram o clítoris e profanaram o útero, fecundado por um Espírito Santo criado para o efeito. Portanto, uma mulher que não é aceite enquanto mulher. Tornada Outra, nem mulher nem homem. Desfeminilizada por decreto ou concílio, whatever. Decidido por homens, claro está. Passemos à galeria de mulheres beatificadas ou santificadas (ainda não percebi a diferença). A maior parte virgens, castas, mulheres piedosas e cientes da preciosidade que é o seu desprazer. Vês, como estou atenta às orientações desta Igreja? Reafirmei a minha profissão de fé ao NÃO ao catolicismo no dia em que ouvi afirmar que as mulheres participam exactamente como deve ser, sob pena de que mais do que isso não saberiam o que ou como fazer. Ora, tenho por hábito banir do meu léxico indivíduos, instituições e organizações que insistem em atestar-me como mentalmente menor. Tens razão. A Igreja não é risível. É patética. E só tenho pena que a maior parte das mulheres ainda não o tenha percebido. Porque veríamos então o número de fiéis predispostos a sustentar os sapatos do piedoso Bento.

5 comentários:

cuscavel disse...

Excelente post, Woab!

nefertiti disse...

muito bem! excelente.

nefertiti disse...

devo dizer que´foi o melhor post que eu já li.

Julie Maria disse...

Olá... cheguei aqui por acaso... Será que foi por acaso mesmo?

De qualquer forma minha fé livre, consciente e formada de católica não me permite escutar mentiras contra a Doutrina e ficar omissa.

Se (se...) quiserem estudar mesmo o que a Igreja fala sobre as mulheres envio dois links

http://zenit.org/article-21148?l=portuguese

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_15081988_mulieris-dignitatem_po.html

Nada tão profundo, pleno e LINDo como o plano divino para a mulher!

PAX

Julie Maria

Woman Once a Bird disse...

Caríssima Julie:
A que mentira é que se refere? Peço-lhe que me explique em que campo é que menti sobre a actuação da Igreja católica no que diz respeito à mulher. É que tenho tendência para exigir não só palavras, mas também actos. Quanto às omissões...

Como veio cá parar? Pois, não faço ideia. Provavelmente mediante um motor de busca.

Cumprimentos.