quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Petrificação momentânea - O Medo

Da polémica.
O medo da polémica, da assunção de que estamos perante questões sérias para as quais ainda não encontramos respostas ou posicionamentos. Ainda sobre o fio da navalha, mesmo que este pareça minimamente confortável. Ou não.

2 comentários:

Rosa Oliveira disse...

Não sou conhecedora de Derrida.

Será do medo da polémica, da assumpção de questões sérias (o que é o sério?) para as quais não temos resposta ou posicionamento que temos medo?
Se me posiciono, já estou ante e com a questão, não será?
Não me parece que o medo habite na polémica (?), na discussão (com outros)ou na critica. Quem teme a crítica não tem posicionamento algum, está centrado em si mesmo, será a criança inocente, ou o débil-pensante. O medo, julgo, pode ter a sua raíz na exposição de si, da intimidade, da subjectividade e não tanto na discussão daquilo que se disse (do posicionamento que se tomou). Tomar posição pública é mostrar-se, indubitavelmente acto de coragem não petrificante. Digo eu.

O ser humano é um animal de medos. Sem o medo, a espécie humana, creio, já se tinha extinguido; é parte de cada um, mas possui uma componente cultural fortíssima.

O que Derrida diz não interpreto como estando no «fio da navalha». Não creio de todo que aí se encontrar, seja uma posição confortável. Estar no fio da navalha é não ter, ainda, decidido/tomado posição, é inquietude. penso que pode ser, esse sim, petrificante (pela indecisão, talvez, na tomada de decisão).

Ou não. muito interessante para pensarmos.

Lembrei-me dos Taxi:

Tu és completa e perfeita
Ela não é sequer bem feita
Tu pões-me à noite a sonhar
Ela tem a núpcia no olhar
Tu és do tipo cerebral
Ela é apenas emocional
Entre ficar e partir
Nem sempre é facil decidir
O fio da navalha
O fio da navalha
Tu és submissa nas tuas atitudes
Ela diz sempre palavras rudes
Entre ficar e partir
Nem sempre é facil decidir
O fio da navalha
O fio da navalha

Woman Once a Bird disse...

Sou uma leiga em relação a Derrida. São poucos os textos que li para me afirmar conhecedora do que quer que seja.

Quanto ao que explanas, parece-me que a discussão já é exposição de si, ainda que não seja desse modo percebida. Portanto, há o momento da toma do medo, logo de seguida abandonado.
Discordo quando dizes que quem teme a crítica não tem posicionamento; a diferença está no modo como resolve esse medo.

Quando referi o fio da navalha, não recorri à expressão da forma como a leste; utilizei-a no sentido de permanecer no limite, saber que está e efectivamente estar no limite: não antes nem depois. E, portanto, esse fio da navalha pode ser reconfortante no que tem de desconforto, nessa inquietude de que falar, mas que nos move exactamente dessa petrificação inicial.