domingo, 9 de julho de 2006






"Morrias de desespero e êxtase se eu te olhasse como certas coisas me olham..."
Artur do Cruzeiro Seixas



Estar lá fora e pela janela perceber a ilha como algo longínquo, perder-se em mar e em traços; oscilar vertiginosamente entre o abismo e o voo da mão do pintor.
Em êxtase, por ter olhado para certas coisas lançadas por entre paredes nuas.
Em desespero por tê-las ali, ao alcance de um braço, por ter de controlar a vontade de lhes tocar e sentir a textura, por não conseguir roubar-lhes um bocadinho do impulso criativo.

5 comentários:

his_tory disse...

Olá WOAB,
Este post fez-me lembrar o início de uma exposição surrealista na Casa das Mudas, novamente patrocinada pelo "nosso" comendador Berardo. Intitula-se "Fernando Lemos e o Surrealismo", com esculturas, pinturas e fotografias, ao todo cerca de trezentas obras de arte, de quase cem conceituados autores, como sejam: Salvador Dalí, Joan Miró, Mário Cesariny, Macel Duchamp, etc., com Fernando Lemos a apresentar cento e dezoito fotografias, adquiridas recentemente pela Colecção Berardo, que desta forma homenageia o próprio artista.

his_tory disse...

PS: Novamente o olhar como ponto fulcral. Muito bem.

Woman Once a Bird disse...

Tens toda a razão. Estive lá no sábado. Na verdade ainda lá estou. Tenho que lá voltar em absoluto. Acreditas que passei lá duas horas e meia sem me aperceber? Só saímos porque já eram 21.30 e éramos as últimas. Apressamos o passo e o olhar.
Amei o trabalho de Fernando Lemos, que desconhecia de todo. Amei a conferência com o senhor, mestre não só da objectiva, como também da palavra.
E Magritte, ali tão perto...

Woman Once a Bird disse...

Man Ray, Man Ray...
Só fiquei decepcionada porque não tinha uma fotografia (pelo menos uma) de Man Ray.
E finalmente assisti ao Un Chien Andalou do Bunuel... que curiosamente escolheu O Prelúdio de Tristão e Isolda como banda sonora.
Ainda lá estou, ainda lá estou...

his_tory disse...

Fiquei (novamente) entusiasmado/galvanizado com o teu post.
Tenho de visitar a exposição com toda a urgência. Desta vez, as obras estão patentes até Janeiro do próximo ano...
Até amanhã...
PS: A minha cabeça também já está lá, mesmo sem lá ter estado.
BJS