sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pietà

No que diz respeito à poesia, sou adepta das edições bilingues. Primeiro, porque não sou capaz de ler o poema na língua original, pelo menos completamente, apreendendo-lhe aquele que acho que é o seu sentido. Portanto, não sendo completamente estúpida em inglês e francês, não dispenso a tradução. A verdade é que sou preguiçosa e gosto de qualquer coisa de intermédio. Gosto da batota de poder ler a tradução e depois ler o original e confrontar as duas e daí extraír um poema novo.
A minha última aquisição é uma edição de Rainer Maria Rilke, mais uma das recomendações de F.B. É certo que nada consigo destrinçar dos poemas em alemão nas páginas à esquerda. Ainda assim, gosto de descobrir algumas sonoridades que reconheço dos meus dois anos de alemão no secundário.
Em sexta-feira santa, um dos poemas deste pequeno livro: A Vida de Maria. Interessou-me a ideia dos episódios da vida de Cristo descritos do ponto de vista Mãe, ou melhor poetizados pela visão da Mãe, que não descreve um profeta, um salvador, mas tão somente um filho. Não me arrependi de o ter adquirido.
"Agora completou-se o meu sofrimento e inominavelmente
dele estou repleta. Fico imóvel como o interior
da pedra fica imóvel.
Dura como estou, uma coisa apenas sei na minha dor:
Tu cresceste
e cresceste,
para te elevares
como dor desmedida
muito para lá da medida do meu coração.
Agora jazes atravessado no meu colo,
agora já não Te posso
dar à luz."

(Pintura de Paula Rego)

1 comentário:

Maria Velho disse...

ah! mas leres Rilke com bbc accent era outra coisa!