quinta-feira, 6 de novembro de 2008

"O zumbido dos ventos"*

Afasto-me cada vez mais da chamada actualidade. Para que quero eu festejar Obama ou carpir o Porto ou resmungar à crise de todos nós?
Deambular, deambular. Palavra de (des)ordem é deambular - pelas páginas de Clarice que trouxe na bagagem (volto à maçã, mas a de Clarice) e de Sylvia Plath generosamente ofertada por mão amiga. Preciosa.

Que se matem todos. E que se elejam. E que paguem a bola a peso de água (que vale mais que o ouro, comentava ontem um colega. "Não pago por um litro de gasolina o que pago por um litro de água num qualquer estabelecimento").

Parêntesis, parêntesis. Gosto, recorro a parêntesis. Toda a minha vida está mediada por parêntesis.
(Hoje) não faço qualquer esforço para ser coerente e séria (uma menina bem comportada lê o jornal e reflecte o prato do dia).
(Hoje) não quero esforçar-me por revestir-me de sentido.
Apenas ler, ler, ler - deixar-me à loucura da palavra.
As palavras são(-me) mais preciosas que água.

*Título roubado a um poema de Al Berto

6 comentários:

pêssego túmido disse...

"As palavras são(-me) mais preciosas que água."

...um outro diria que "as palavras são-se"...

...
deve haver correlação quasi-matemática...

Talvez...

Woman Once a Bird disse...

Da diferença: das palavras que se são e das palavras que são para mim.
Não me fales em matemática que hoje só quero saber de palavra.

Táxi Pluvioso disse...

O Descartes usou o parêntesis e chegou à ideia de Deus.

Dioniso disse...

Redenção semântica, já viu que o Ocidente está cheio de terapias semânticas?

Helena disse...

( )
Quem nos dera bem juntos sem grandes apartes metidos entre nós
Alexandre O´Neill

Táxi Pluvioso disse...

Stu Rasmussen, foi eleito Mayor de Silverton, no Oregon. Num futuro muito próximo poderá ser presidente da América. E o mundo aplaudirá outro messias.