domingo, 25 de novembro de 2007

Lullaby de Domingo

Em Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, Um doce-amargo do Chico, com direito a lírica na íntegra.
Eu te adivinhava/E te cobiçava/E te arrematava em leilão Te ferrava a boca, morena/Se eu fosse o teu patrão Ai, eu te tratava/Como uma escrava/Ai, eu não te dava perdão Te rasgava a roupa, morena/Se eu fosse o teu patrão Eu te encarcerava/Te acorrentava/Te atava ao pé do fogão Não te dava sopa, morena/Se eu fosse o teu patrão Eu te encurralava/Te dominava/Te violava no chão Te deixava rota, morena/Se eu fosse o teu patrão Quando tu quebrava/E tu desmontava/E tu não prestava mais, não Eu comprava outra morena/Se eu fosse o teu patrão Pois eu te pagava direito/Soldo de cidadão Punha uma medalha em teu peito/Se eu fosse o teu patrão O tempo passava sereno/E sem relclamação Tu nem reparava moreno/Na tua maldição E tu só pegava veneno/Beijando a minha mão Ódio te brotava, moreno/Ódio do teu irmão Teu filho pegava gangrena/Raiva, peste e sezão Cólera na tua morena/E tu não chiava não Eu te dava café pequeno/E manteiga no pão Depois te afagava, moreno/Como se afaga um cão Eu sempre te dava esperança/De um futuro bão Tu me idolatrava, criança/Se eu fosse o teu patrão

6 comentários:

Rosa disse...

Bom dia Woman.
Bom dia, porque acordei também e no fundo, cada momento está sendo um começo: bom dia, portanto.

Obrigada por me mostrares este belo poema. Não o conhecia. Li-o e ouvi. Vou regressar vezes muitas para o reler. Gostei mais do poema do que da balada, ainda que me tenha agrado, fez-me lembrar os bailaricos de infância.

Voltarei para reler o poema em articulação com o link que fizeste e, em especial, a frase escolhida. Isso, em articulação com a filosofia platónica.

Woman Once a Bird disse...

Também acho que o poema está magnífico. Estive indecisa entre esta e uma outra que também considero fabulosa. Um dia destes "posto-a" por cá.
Kisses

Rosa disse...

Dá-nos música, então.
Gostamos!

nefertiti disse...

Amiga, um dia bem assinalado.

jorge c. disse...

Embora tenha chegado tarde subscrevo o que disse a Nefertiti.

jorge c. disse...

Grande homem, este Buarque, portanto!