terça-feira, 30 de outubro de 2007

"Uma coisa é uma coisa" que é outra completamente diferente.


Corro o risco de me tornar repetitiva, ano após ano, mas não resisto a meter a colher nessa história dos rankings das escolas. Depois de todas as análises exaustivas, das comparações, justificações, altercações e sabichões na matéria...
Só a título de exemplo, no DN (25 de Outubro de 2007), reportagem exaustiva escola a escola. Na escola onde lecciono, a CIF (classificação interna final da disciplina) de Psicologia B é comparada com a NE (nota de exame) a Psicologia (programa antigo). Note-se que os alunos concorrem só com a nota de exame, já que estamos perante disciplinas cujos conteúdos programáticos são diferentes. Ora, este caso é muito óbvio. Mas já agora, parece que não é tão óbvio para os analistas de ponteiro em riste que os rankings quando apontam CIF's e NE's, referem-se a avaliações radicalmente diferentes: por um lado, a avaliação efectuada ao longo do ano, com múltiplas provas, trabalhos individuais, trabalho na sala de aula, em casa. Por outro lado, temos os resuldados de um exame de 120 minutos.
Considero que os exames são um instrumento a fomentar. No entanto, os apologistas deste tipo de comparações parecem-me pouco dotados de inteligência, já que nem conseguem perceber as diferenças essenciais entre diferentes instrumentos de avaliação. Por outro lado, candidamente apontam a sábia batuta aleatoriamente entre colégios públicos e privados, com diferenças sociais brutais. Será muito diferente o contexto de um aluno cujo encarregado de educação pode assegurar uma mensalidade de 400 euros de um outro que tem que trabalhar nas férias para sustentar os estudos ao longo do ano (casos destes existem mais do que gostamos de admitir).
Mas enfim, eles lá (a) sabem (toda).

Pintura de Max Ernst

1 comentário:

nefertiti disse...

é a velha história dos alhos e bugalhos.
excelente posr.