segunda-feira, 16 de julho de 2007

M. Butterfly

O amante adia o segundo olhar. O primeiro encegueira. Em rigor, não é um olhar. É êxtase, que vai para além do que o amado pode ser: representação fantasmática do desejo. O amado (quase) nunca pede esse primeiro olhar. Sabe que merece apenas o segundo, apesar de o temer, de implorar pelo seu adiamento. Sempre tardio, é um olhar a nú e crú. Suicida.
Uma das mais belas áreas de Puccini, um Jeremy Irons soberbo e um final magnífico.

7 comentários:

Ceridwen disse...

Feel just the same about it. Simply soberb.

feniana disse...

quando foste pássaro...

és muito linda :)

agarras o instante.

foi, enquanto voas, que aprendeste?

estou certa que sim.

nefertiti disse...

o meu coração não aguenta!

nefertiti disse...

um dos homens mais belos do mundo e a voz mais bela de todo sempre. A mistura divina! uma história divinal.

Alba disse...

É isso mesmo nefertiti - um homem lindíssimo, excelente actor e senhor de uma voz maravilhosa (ponho-o no mesmo pedestal que o James Mason quanto à voz).

E é um epílogo extremamente comovente, de uma radicalidade romântica inultrapassável! Como eu amei este filme!

José disse...

Sou um fã do Cronenberg, mas nunca apanhei este, senão já cá cantava!

Woman Once a Bird disse...

Apanhar, apanhar também ainda não calhou. Resta-me a memória.