domingo, 2 de julho de 2006

POR-TU-GAL 2

Pelo amor da deusa, estou à beira de um ataque cardíaco ! Estou aqui há mais de uma hora, à espera que o canal 1 se digne a fechar o tasco do mundial, para poder ver o anunciado filme da semana - 21 gramas.
Neste momento, já perdi mais gramas que essas, de tanta raiva. E só me apetece tornar-me praticante de tiro ao alvo. Suponho que seja este o espírito desportivo de que tantos falam.
Vá lá, no meio de tudo isto, uma epifania!

15 comentários:

jose disse...

Sou extremamente crítico em relação ao povo português e à forma como lida com a sua identidade nacional, ou o seu nacionalismo (patriotismo, etc, chamemos-lhe o que nos apetecer), tal como tu, mas por outro lado é bom de ver que alguma coisa mexe o país TODO, traz boas vibrações - é como o Natal nesse aspecto - e isso é bom. Depois tudo isto acabará e o país voltará ao mesmo. Portugal passará a ser um país de merda, ninguém vai fazer nada para melhorar e vai estar tudo sempre pronto para dizer que estamos na cauda da Europa e que "a culpa é dos governantes", mas pelo menos por agora há algo que nos deixa felizes, e não me parece que as razões sejam assim tão estúpidas. Era, sim, preocupante se estivessemos em euforia por participarmos activamente numa guerra qualquer que não leva a lado nenhum, não por estarmos felizes por estarmos a ganhar jogos num desporto que, goste-se ou não (e eu nem aprecio muito), é o desporto rei.
Isto é como o amor (a paixão, etc, chamemos-lhe o que quisermos), que é tão bom e estupidificante enquanto dura e depois, quando acaba, olhamos para trás e vemos quão inconsequente foi. Mas pelo menos naqueles momentos a coisa correu bem, sentimo-nos bem mesmo que a bom ver nada à nossa volta tenha mudado.
Por isso, apesar de nem ser patriótico porque não ligo nada a isso (podia ter nascido aqui como em outro país qualquer, é tudo um grande acaso), fico contente por termos chegado às meias finais e grito
POR TU GAL
(isto é mentira. não sou de me submeter a esse tipo de coisas)
até porque o futebol também é uma arte, e uma arte nobre (tão nobre e válida como qualquer outra), e já que temos tão pouco sucesso nas outras artes é bom termos sucesso nesta, pela primeira vez em muito tempo.
Resumindo, o mundial dura um mês ou lá o que é, para quê sermos cínicos e cerebrais se isso só nos faz sentir revoltados e aborrecidos? Eu no início do mundial estava assim, depois rendi-me. Daqui a um mês já nem me lembro do que sofri nos jogos com a Inglaterra e com a Holanda, mas de que interessa? Quando morrer não levo nada comigo. E o país continuará na mesma porque por cá os que têm vontade de mudar são uma percentagem mínima. Por isso olha, que ganhemos muitos títulos mundiais. Que alguma coisa de jeito seja feita, por muito insignificante que seja (e eu não acho o futebol, ou qualquer outro desporto, assim tão insignificantes)

Quanto ao filme espero mesmo que o tenhas perdido. Eu vi-o duas vezes e gosto bastante mas deixa-me num estado lastimável e com dores de cabeça durante várias horas após a visualização devido à carga psicológica enorme que o filme carrega. :)

Este comentário deve estar de difícil compreensão mas são seis e meia da manhã e não vou mesmo relê-lo, até porque estou com fome, por isso espero que esteja legível. Se não estiver a culpa não é minha mas sim do Deus, que ele é que controla todos os nossos movimentos.

rps disse...

Calma, só falta uma semana...
Eu só vejo mesmos os jogos, para não me enjoar.

his_tory disse...

OLÁ WOAB,
Tens de te acalmar, ou esse azedume ainda te prejudica a saúde/sanidade. Além disso, o mundial só ocorre de 4 em 4 anos, mas com o europeu de permeio.
Como não temos os poderes de deus (andrógino ou não), temos de nos sujeitar à vontade da maioria. É este o preço a pagar por vivermos num regime democrático/livre.
Por isso, como não podes criar um mundo à tua imagem e semelhança...tens de viver com a felicidade/infelicidade dos outros.
BJS
PS: Boa correcção.

Woman Once a Bird disse...

Não vivemos num regime democrático. Vivemos num regime mediático, fabricado pela lente das câmaras.

jose disse...

estás a dizer que o regozijo que sentimos por a equipa que representa o nosso país na mais alta competição mundial (do desporto em questão) estar a alcançar um enorme sucesso é apenas devido a mediatismo?

isso é, óbvio que não totalmente, mas óbvio que parcialmente incorrecto. estás a ser influenciada pela tua própria visão desligada do acontecimento, o que é normal, mas isso faz-te menosprezar a visão dos outros, que é o que fazes (indirectamente, também é claro) quando dizes que a euforia com a selecção é fabricada pelas câmaras - o que também é normal, eu sou igual.

as pessoas vivem muito o futebol. sempre foi assim. e quando depois de tantos anos sem termos uma selecção nacional de jeito atingimos o sucesso que vamos vindo a atingir nos últimos anos (culminando neste último mundial, que é o ponto mais alto de uma escalada progressiva enorme que vem acontecendo) é normalíssimo que se viva com ainda maior intensidade.

a projecção mediática anda de mãos dadas com isto. aproveita-se disto e até contribui de alguma forma para isto, mas dizer que é um dos principais responsáveis por isto parece-me redutor, especialmente quando estou do lado de quem se sente bem com o sucesso dos nossos desportistas e sei perfeitamente que isso não tem nada a ver com o hino do 'está na sic o mundial' ou com os constantes mini-programas da rtp1 sobre o campeonato.

e eu até nem aprecio futebol, e nem sou propriamente patriótico. mas aprecio quando portugal faz alguma coisa de jeito, seja nas artes, no desporto, ou em outra coisa qualquer. o facto de sermos francamente maus em imensas questões (potencialmente mais importantes que as artes e o desporto, e nomeadamente questões de índole política) não invalida que nos sintamos contentes quando os nossos artistas ou os nossos desportistas ganham prémios e reconhecimento internacional.

por isso chill out. ;)


p.s - devias ver as reportagens a seguir aos jogos. eu vi a da sic a seguir ao portugal-holanda e cheguei a chorar a rir. é mau dizer que choramos a rir com as figuras miseráveis dos outros, mas quando estamos no calor do nosso sofá sabe bem e ninguém tem que saber. :D

Woman Once a Bird disse...

Mas eu n estou a falar dos jogos e da euforia que daí advém. Eu estou a falar dos programas forçados, com os especialistas a dissertarem durante três horas sobre um jogo de 90 minutos. O posto foi exclusivamente sobre isso.

jose disse...

eu sei. o meu primeiro comentário referia-se a este post e ao anterior simultaneamente, em vez de estar a comentar os dois. ;)

jose disse...

e já agora, sempre visteo filme ou nem por isso? se biste o que achaste?

his_tory disse...

Once again, WOAB
Vivemos na chamada aldeia global, globalizada e cada vez mais mediática. Mas os media, assim como a cultura e os espectáculos em geral, vivem das audiências, da publicidade e dos subsídios. A tv é o veículo massificado que está ao serviço de alguns lobbys, mas que se alimenta de shares, entrando frequentemente em guerras de audiência. Por isso, as grelhas de programação não são respeitadas, porque se assim fosse, ficaríamos a saber quanto tempo falta para se iniciar o programa seguinte e podíamos desligar o aparelho. Mas o objectivo das estações é passar publicidade, para compensar as somas astronómicas gastas com os direitos de determinados produtos, incluindo séries e filmes que gostas de assistir. AH! Só falta acrescentar que os shares se medem pelo número de aparelhos sintonizados em determinado canal...
O mediatismo do futebol é sintomático do interesse dos telespectadores, porque de outro modo os notifutebolários deixavam de existir.
Carpe diem.

Woman Once a Bird disse...

Não vi o filme, infelizmente. Não consegui ultrapassar estoicamente a barreira dos senhores à volta da fogueira que insistiam em não se calar.
Já o vi há muito tempo, uma única vez e fiquei muito abalada. Queria revê-lo, porque uma segunda viagem geralmente é mais explícita. Mas ainda não foi desta...

Woman Once a Bird disse...

Aí discurdamos Mr. His_tory. O público que temos não é necessariamente adepto dos programas que temos... ou por outra, provavelmente ficaríamos surpreendidos com a aceitação de outro tipos de programas.
Tenho para mim que o público também se educa. Mas reconheço que é essa a postura que as estações telivisivas assumem perante o seu público. A meu ver, uma profunda falta de respeito.

his_tory disse...

Até posso concordar em parte, mas tudo se educa e tudo se cultiva, desque que haja vontade para que isso aconteça. Porque será que as pessoas têm uma, duas, ou mais tvs em casa? Certamente não é porque todos querem assistir ao mesmo programa.
T(iv)emos um canal «alternativo», mas o ideal seria adquirir apenas os programas que estamos interessados em assistir, tal como se descarrega músicas da net. Só que há pessoas que não se dão ao trabalho de ESCOLHER, e consomem TUDO o que lhes colocam na caixinha mágica.
Afinal, qual é a vantagem de possuir controlo remoto e dezenas de canais, quando apenas se sintoniza um programa...
Viva o sofá e o controlo remoto!

Anónimo disse...

Eu cá só tenho UMA TV... e as discusões passam por " Ver ou não ver? Eis a questão!"

rosa oliveira moleiro disse...

Qual deusa?
Com os neurónios em colapso total, não percebo.
Qual deusa?

Woman Once a Bird disse...

A deusa de todas (os) nós!