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domingo, 22 de janeiro de 2012

Se é isto um Presidente da República

Numa altura em que muitas famílias fazem um esforço para além do humano para sobreviver, numa altura em que o Governo anunciou há pouco um  aumento de 7 euros nas pensões que não chegam a 300 euros por mês, o Presidente da República, que não se pronuncia sobre a agenda política mais quente, abre a boca para vir dar o seu exemplo, o de alguém que vive da reforma que, nas suas palavras, mal dão para as despesas. E faz questão de lembrar que apenas pode contar com a sua reforma (e só tem memória da mais baixa que a outra, ah não sei, agora assim de memória é difícil), já que abdicou do ordenado de PR. Nem aqui consegue ser rigoroso, já que Cavaco Silva abdicou tanto do ordenado de PR quanto eu abdicarei dos subsídios de férias e natal. Voluntariamente é que não foi/será.

De todo este lamentável episódio, vislumbro apenas duas leituras possíveis:
Ou Cavaco Silva decidiu gozar com quem o elegeu ou então não faz a mínima ideia da realidade das gentes do País  que preside. Em ambos os casos, penso que  demonstra uma total falta de competência para o cargo que exerce e uma profunda falta de respeito para com quem o elegeu. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As negociações entre o Governo Central (PSD+cds-PP) e o Governo Regional (AJJ*):

Versão resumida:

There's leak, there's leak
In the boiler room
The poor, the lame, the blind
Who are the ones that we kept in charge?
Killers, thieves, and lawyers

God's away, God's away
God's away on business. Business.



Goddam ther's always such
A big temptation
To be good, to be good
There's always free cheddar in
A mousetrap, baby
It's a deal, it's a deal

God's away, God's away
God's away on business. Business.

*Apesar de um dos membros do executivo (que não o AJJ) jurar a pés juntos que foi  pessoalmente buscar dinheiro ao Continente, e que quando é responsável por alguma coisa tudo corre bem (até a Marina do Lugar de Baixo).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

cds-PP - a técnica do Ai chega chega a minha agulha, afasta afasta o meu dedal

O cds-PP, que é um partido em franca expansão na Região Autónoma da Madeira, apelou hoje a que os consumidores portugueses tirem consequências da deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins para a Holanda.
No seguimento deste apelo, espera-se que o cds-PP apele também para que os portugueses tirem consequências da deslocalização do banco do Estado - a CGD - da praça financeira da Madeira para a praça financeira das ilhas Caimão. 
Ainda que o Governo Português (que integra o PSD e o cds-PP) tenha decidido que a partir de agora a praça das Ilhas Caimão é uma praça fidedigna, ainda assim não será território nacional. Nem europeu, de resto.

Tive a tentação de utilizar como marcador para este post «A Origem da Obra de Arte», porque efetivamente é preciso alguma arte para engendrar estes tipos de malabarismos: um partido que às vezes é e outras vezes não é, um Governo que asfixia o País em termos fiscais, mas que raspa as suas empresas daqui. 
Mas a verdade é que este marcador é para obras de arte a sério. Não para técnicas de manipulação.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Rei vai Nu

Desde que foram divulgadas as medidas de austeridade específicas para a Região (que foi) Autónoma da Madeira, leio e ouço que agora é que é, bem feita, quem os mandou eleger o AJJ, julgavam que não iam pagar, etc. O que me parece mais curioso é que estas bocas cheias são as mesmas que elegeram PPC e que pelos vistos estão satisfeitíssimos com a magnífica escolha que fizeram.

(estou perfeitamente à vontade para manifestar a minha perplexidade, eu, que não votei em nenhum deles).

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

EM GREVE

Ainda tenho esperança que esta minha Ilha atinja a maioridade. Ainda tenho esperança que esta minha Ilha seja capaz de dizer que não é feita de gente que aceita, acriticamente, um executivo que lhes diz que este País (e esta ilha) tem gente a mais, que os que trabalham não são grande coisa porque são despesa. 
Ainda tenho esperança que esta minha gente, HOJE, manifeste o seu descontentamento perante um executivo que lhe diz que andou a gastar de mais, quando a maior parte apenas tem sobrevivido. Tenho esperança que esta minha gente entenda que a greve é um imperativo, que não pense apenas «com o meu rico dinheirinho (do dia de hoje) eles não ficam».
Ainda tenho esperança que a gente desta minha Ilha perceba que não basta que outros combatam por ela.


I believe everything we dream 
can come to pass through our union 
we can turn the world around 
we can turn the earth's revolution 
we have the power 
People have the power

(e os que só agora se preocupam com o que isto fará à economia que vão dar banho ao cão. 
Mas amanhã, que hoje é dia de greve.)

sábado, 12 de novembro de 2011

Já chegamos a Abril - O perfume da Filosofia

O Ministério da Educação, com o seu muito aclamado Ministro, já veio provar que é muito diferente das suas anteriores responsáveis.
No que diz respeito à disciplina de Filosofia, começamos o ano já com toda a informação relativa aos exames nacionais e testes intermédios.
 Este ano, percebemos que as coisas tinham realmente mudado por lá e teremos um exame norteado pelo programa de Filosofia (goste-se ou não) e não apenas por grupos de influência. Este ano, os/as docentes não terão que retroceder na matéria para lecionar conteúdos que não fazem parte do programa, mas que surgem nos conteúdos previstos para o teste intermédio (e que fazem parte de um ou outro manual). Este ano, a terminologia utilizada não versa apenas sobre a terminologia de uma corrente, com um  ou outro manual. Este ano, os conteúdos previstos para o teste intermédio não indicam o privilégio de conteúdos (lógica e argumentação) em detrimento de outros (Kant, mas quem é esse, que não interessa nada, principalmente no que diz respeito ao Conhecimento? O Conhecimento Científico? Mas por alma de quem é que se aborda em Filosofia o conhecimento científico?)
Não, este ano, tem-se provado que o Ministério tem gente séria e que o que de lá emana é completamente diferente do que se viu anteriormente. E a Filosofia continua a ser perfumada.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

«Só um Estado controlado por cidadãos livres pode oferecer-lhes qualquer segurança razoável»*

No dia em que Passos Coelho deita por terra tudo o que serviu de bandeira para forçar a queda do governo anterior, no dia em que Passos Coelho anuncia que toda a sua campanha eleitoral foi uma gigantesca fraude, deixo um excerto de Tony Judt. E só tenho pena de no dia 15 de Outubro não poder estar em nenhuma das cidades que aderiu ao protesto.

«Os ricos não querem o mesmo que os pobres. Os que dependem do seu emprego para viver não querem o mesmo que os que vivem de investimentos e dividendos. Os que não precisam de serviços públicos - porque podem adquirir educação, proteção e transportes privados - não procuram o mesmo que os que dependem exclusivamente do sector público. 
(...).
Os mercados têm uma disposição natural para favorecer necessidades e desejos que podem ser reduzidos a critérios comerciais ou medições económicas. Se se puder vender ou comprar, então é quantificável e podemos avaliar a sua contribuição para medidas (quantitativas) de bem estar coletivo. Mas, e aqueles bens que o ser humano sempre valorizou mas que não se conseguem quantificar? 
(...).
Por outras palavras, e se tomássemos em consideração nas nossas estimativas de produtividade, eficiência ou bem estar a diferença entre uma escolha humilhante e um benefício de direito?»
Tony Judt, Um Tratado Sobre os Nossos Descontentamentos, pp. 162-163

*Karl Popper, citado por Tony Judt

domingo, 2 de outubro de 2011

Manuel Subtil e os média

Em 2001, Manuel Subtil barricou-se numa casa de banho da RTP. Imediatamente o caso foi seguido e exaustivamente analisado pela maioria dos órgãos de informação do País (Madeira incluída, por incrível que pareça). De repente o País ficou suspenso perante o ato daquele homem desesperado, trancado com a família numa zona do edifício muito pouco nobre. Ameaçava suicidar-se (e levar quem pudesse com ele). Ao fim de oito horas de atualizações constantes (perfil traçado, amigos entrevistados, projeções, enfim, o carnaval habitual neste género de situação), as notícias pariram um rato.
Em 2011, numa ilha que se tornou presença constante nos noticiários nacionais com reportagens exaustivas sobre  um líder desorientado e respetivos/as seguidores/as, um grupo de deputados de um partido da oposição invadiu um órgão de informação dominado pelo Governo Regional (sob a complacência de uma igreja que tem pautado a sua atuação por uma quase total promiscuidade com o poder político). Na verdade, não foi a primeira vez que um partido da oposição tentou despoletar o debate sobre o tema (suponho que tenha sido essa a intenção dos assaltantes: provocar celeuma para colocar o assunto sobre algumas meses mais renitentes). A última tentativa (antes desta ação mais radical do PND) partiu do Bloco de Esquerda (salvo erro), que quis levar o assunto da liberdade de imprensa na RAM à Assembleia da República, não tendo a proposta sido aceite  pela maioria parlamentar. 
Não me interessa aqui emitir qualquer juízo sobre a performance do PND (ou do Bloco, ou da maioria parlamentar da Assembleia da República). Interessa-me antes refletir sobre a atuação dos meios de comunicação; em alguns casos, nomeadamente nos canais televisivos (à exceção da RTP), a omissão foi ensurdecedora. No que diz respeito à imprensa, os principais jornais nem referem o caso no dia seguinte. Perante isto, ficamos com a sensação de que o Jornal da Madeira não é muito diferente dos principais órgãos do Continente: a transgressão dos deputados, que seria notícia nem que fosse por isso mesmo (pelo caráter transgressor da performance) foi sumariamente ignorada pelos principais órgãos de comunicação. 
Compreende-se. Tal notícia embaraçosa vai de encontro (e não ao encontro) à imagem construída de que a Ilha está isenta de detratores/as relativamente ao poder político regional. E isso não pode ser. É que nesta Ilha apenas acontece o que os média quiserem que aconteça. E os média querem a ilha a uma só voz. Tudo o resto, torna-se silêncio. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pontos nos i´s

Vítor Gaspar, esse terrível maçon, claramente em conluio com a Internacional Socialista que elegeu como principal alvo a abater AJJ (e o povo superior). Ah, a inveja é uma coisa muito feia e é preciso ter a noção que não é (povo) superior quem quer. Só quem pode!


(em "estrangeiro" é ainda mais internacional)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Un intero popolo che paga il pizzo è um popolo senza dignità

Uma das memórias de infância que mantenho dizem respeito a uma série italiana muito popular em Portugal: O Polvo (La Piovra). À altura, pudemos acompanhar os meandros da atuação da máfia italiana (ainda que a partir de um relato ficcionado), as suas relações estreitíssimas com o poder e a dificuldade em travar uma organização violentíssima que subjuga um povo (a máfia não atua apenas a sul, nem apenas na Sicília). 
Nas férias, um caro amigo que nos acolheu voltou a falar-nos deste flagelo. E foi ele que nos falou de Addiopizzo*, uma organização que a partir do centro de atuação da máfia italiana, Palermo, recupera um pouco da dignidade de um povo subjugado pelo terror e habituado a ter que pagar para poder viver normalmente.


Sob o lema pago a quem não paga, Addiopizzo é um movimento de resistência que ao longo dos anos tem vindo a ganhar força e aderentes e merece ser apoiado além fronteiras. Apela para um consumo crítico: que as pessoas frequentem e comprem apenas nos estabelecimentos que se recusam a pagar o pizzo - ou que denunciam as tentativas de extorsão.


* Pizzo diz respeito ao pagamento que os/as comerciantes fazem à máfia a fim de poderem manter os seus estabelecimentos sem problemas de maior.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Disciplina Amansada 2

Têm sido tempos aparentemente mansos, os que medeiam este post e estes outros, escritos há tanto tempo. Mas esta mansidão esconde um turbilhão latente, contido por estratégias mais comedidas face às resistências que aqui e ali surgiram (e que culminou com a suspensão do exame nacional - uma espécie de agora ninguém brinca). 
A verdade, é que a filosofia está cada vez mais amansada e temo que os próximos tempos revelem o trabalho ardiloso de quem apenas sussurra. Eficazmente. 

Esta semana, descobri nos escaparates das tabacarias uma revista sobre Filosofia (ignorância minha). Comprei-a por curiosidade e a primeira coisa que li foi a entrevista a Daniel Lins, que originou a repescagem dos posts acima lembrados. É que Lins, a determinada altura afirma (relativamente ao Brasil, mas que poderia perfeitamente ser em relação ao nosso País) que «a Filosofia, salvo exceções, é marcadamente teológica, com seu cortejo de 'padres', os novos padres 'ateus', comentadores atrelados à Filosofia do Estado (...)» e mais à frente continua «'Isto não é Filosofia', diz o filósofo do Estado. Pode-se até mesmo sorrir desses mestres da significação, mas são eles que nos altos arraiais da burocracia emperram o pensamento e instalam a sua representação:'Isto não é Filosofia, mas literatura.'», tendo como referência a obra de Nietszche - entre outros -  por oposição ao modelo de conhecimento defendido pelas teorias ontológicas  (e analíticas, acrescento eu). E percebo como a minha análise na altura foi ingénua, que julgava tratar-se de uma seita. Mas Lins tem razão: é, cada vez mais, a Filosofia do Estado. 

*Pormenor de O Grito, de Edvard Munch

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um doce de Páscoa ou da triste campanha eleitoral que nos espera

A seriedade não será assim tanta, se se presta a este papel (aliás, a seriedade da personagem foi plenamente esclarecida aquando  da discussão que não existiu sobre o PEC IV). Quanto ao seu percurso de vida que é guiado pelo bom senso (não terá Passos confundido bom senso com senso comum?), temos tido uma bela amostra dessa propalada qualidade nas últimas semanas*.

*mas é bonito ver a honestidade aliada ao rigor financeiro. O Otelo há-de gostar.

Boa Semana

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Abocanhar com as palavras não é uma arte nem VPV é um artista

Volto a ler o Público religiosamente. E com ele, o regresso à autoflagelação através da mórbida leitura da crónica de VPV. Não sei porque me surpreendo; após este interregno, apenas mais do mesmo: o mesmo desprezo pelo Outro e pelo chão que pisa. 
VPV não discorre no sentido de um contributo saudável; apenas pretende destilar peçonha e reiterar a alucinada diferença que acredita existir entre si mesmo e todos os outros, entre o seu universo  e o País em que habita. Faz lembrar Tom Edison, essa personagem execrável de Dogville, o (aspirante a) intelectual que analisa exaustivamente a vila e as gentes da sua vila como se dela não fizesse parte. Assim é VPV, que pateticamente perora como se de um isento observador se tratasse - e sabemos que não o é. Ao lermos VPV, temos que ter sempre presente esta premissa prévia - a de uma miserável e esquizofrénica tentativa de não pertença, de ser o mero espetador que afinal não é.

domingo, 27 de março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Terra à vista

O discurso do Portas também foi interessante; anunciou pomposamente uma campanha positiva, por Portugal.
Não convém cuspir nos pratos em que podemos vir a comer, pois não?

Provavelmente o melhor chocolate do mundo

O discurso de demissão Sócrates foi um triste exercício de campanha eleitoral.* Juro que tentei ouvi-lo, mas como apenas repetia o discurso dos últimos dias (eu sou um pobre existente), que apenas repete o discurso dos últimos seis anos (eu sou um grandessíssimo pobre existente), concentrei-me nos três quadradinhos de chocolate que celebravam a demissão. O chocolate de cereja tem destas coisas: oblitera completamente o que não é novidade.

*E se o homem for reeleito, apenas reiteramos o quão estúpidos somos.

Elogio à Gratidão

Eu acredito que Angela Merkel esteja profundamente grata pelo facto de Sócrates a manter informada no que diz respeito à governação de Portugal. Muito mais informada que os restantes órgãos de Soberania Nacional.
Até poderia ter ido mais longe: poderia ter agradecido o facto de Sócrates  ter permitido uma governação bicéfala. Se houver eleições (o Presidente ainda não aceitou a demissão do PM que o desrespeitou), apresentarão candidatura conjunta?

sábado, 19 de março de 2011

A musicalidade das moedas

Em ano(s) de crise, o Optimus Alive coloca bilhetes diários a 50 euros e passes que não permitem as combinações que quisermos em relação aos dias. Convenhamos, que gente que trabalha assim só merece um epíteto: mercenários.