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segunda-feira, 17 de junho de 2013

«O "eduquês" em discurso direto» - crítica a um ministro moribundo

«Dias de lixo, para não usar uma expressão mais forte, porque é o que eles são. 
Dias em que o que é preciso fazer ganha uma urgência enorme, dias e que todos os que podiam fazer alguma coisa se obstinam em fazer exatamente o contrário do que deviam, perante a indignação, a impotência, o desespero dos cidadãos. Dias em que já nem sequer se pode falar de irresponsabilidade, mas de perversidade, de meia dúzia de pessoas que obedece aos piores instintos da sua vaidade (...).»
José Pacheco Pereira (2013). Crónicas dos Dias do Lixo. Lisboa: Temas e Debates, p. 19.



(Caravaggio)

Nuno Crato, o professor, escritor e comentador sobre educação, defensor do rigor e responsabilidade, foi hoje traído por Nuno Crato, ministro da Educação do Executivo em funções.
Tenho a impressão que Nuno Crato, o professor, escritor e comentador, ficaria escandalizado com o que se passou hoje em Portugal. 
Já ao ministro Crato, não choca que alguns dos exames feitos hoje não tenham sido realizados nas condições consideradas fundamentais para que se evite as fraudes e, portanto, fonte de desigualdade e injustiça. É que o problema não está só no facto dos alunos realizarem exames diferentes; o grande problema está no facto de se terem realizado exames em que o número de alunos excedeu o número permitido (20) e que, por isso, dois professores vigilantes não consigam assegurar cabalmente a inexistência de fraude. Está também no facto de que em algumas escolas, as condições em que os exames aconteceram em algumas salas (manifestações de outros alunos, invasão de salas, atrasos significativos na entrega, etc.) não serem, de todo, ideais para a sua realização, tendo os alunos manifestado desconforto pela forma como o tiveram de realizar. 
Ao ministro Crato, não faz espécie que as normas do Júri Nacional de Exames, sempre tão rigorosamente fiscalizadas em outros tempos, fossem hoje publicamente relegadas para segundo plano como se de meras recomendações se tratassem. 
Não foi só a garantia de equidade nos exames que hoje ficou seriamente comprometida: a seriedade do Júri Nacional de Exames, dos Secretariados de Exames - e principalmente - do Ministério da Educação, ficaram hoje, irremediavelmente feridas de morte. 
Certamente que o professor Crato escreveria um tratado sobre isto, expressando as suas «fundamentadas preocupações filosóficas»*, armado da sua «vasta cultura científica»* e «experiência de docência em vários países»* sobre tudo o que hoje se passou. Mas ao ministro Crato cabem agora outros compromissos que passam por motivações menos elevadas do que as enunciadas. 
Toda a atuação do ministro Crato, nos últimos dias, é centrada na vontade cega de vencer, mesmo que para isso tenha que manipular o seu auditório: os cidadãos deste País. Hoje, o ministro Crato apostou principalmente nos ouvidos «ingénuos ou pouco sofisticados»* de quem não conhece os procedimentos para declarar que os exames decorreriam com total normalidade e depois para afirmar que 70% dos alunos o fizeram. Nada sobressalta a consciência deste ministério. 

Por último, será também importante reter que, segundo as declarações do ministro Crato, os bons professores - os responsáveis - são tão somente aqueles que responderam ao seu autoritarismo (a convocatória de todos os docentes num dia de greve não pode ser resultado de outra coisa) com a comparência ao serviço em dia de greve. Eis, pois, a definição de bom professor para o Ministro Crato.  Mas o professor Crato poderia relembrar ao ministro que os (bons) professores sabem há muito o que o Ministério quer que eles esqueçam (adaptação livre da última frase do livro do professor Crato que empresta o título a este post).
São, efetivamente, «dias de lixo» os que vivemos.

*Expressões retiradas da contracapa da obra do professor Crato que empresta título a este post.

Desinstalação do Medo - quem tem medo da greve?





Ao direito à greve não se segue nenhum MAS.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Resposta aberta ao apelo pungente de Paulo Portas

Caro Ministro dos Negócios Estrangeiros (e do que estiver mais à mão):

Vi o apelo que fez aos professores no passado fim-de-semana. Como não quero que fique sem resposta, aqui tem a minha:
V.ª Exa. não se lembra de que as crianças e jovens são o futuro deste País quando integra um Executivo que aumentou o número de alunos por sala,  que não dá condições de trabalho aos/às professores/as, que mantém a maior parte das escolas no limiar da sobrevivência, que não zela pelas condições de sobrevivência a uma grande parte dos pais dessas crianças, que aconselha esses mesmos jovens a emigrar (e poderia continuar a enumerar uma série de medidas que não respeitam as nossas crianças e jovens, e poderia ser mais específica e lembrar que a maior parte das escolas nem consegue assegurar o papel higiénico nas casas-de-banho, entre outras pérolas de higiene desta envergadura).
Não, V.ª Exa. só se lembra que as crianças e jovens são o futuro deste País quando se trata de «apelar» aos/às professores/as para que não façam greve contra o Executivo de que faz parte. 
Sei também que V.ª Exa. justifica sempre as suas escolhas e ações como sendo inspiradas por um grande sentido patriótico. Eu prefiro chamar-lhe um grande sentido de sobrevivência.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ainda sobre a coadoção e o superior interesse das crianças

Tenho lido muitos comentários que contestam a coadoção aprovada na passada sexta feira. Alguns não merecem qualquer resposta já que a ausência de racionalidade é evidente. Outros são mais elaborados (e por isso, a meu ver, muito mais perigosos)  já que não originam uma imediata reação de repulsa. Desse argumentário bastante imaginativo (em que não incluo os argumentos que invocam a biologia porque, enfim, falamos de gente que não está num estado biológico puro e que suponho que perceba, à partida, a premissa fundamental de que o ser humano não se esgota na sua componente biológica. Eu sei que às vezes dá jeito, mas por norma é um argumento perigoso, já que muitas das vezes é relativamente fácil encontrar um contraexemplo) saliento «o superior interesse das crianças» (em ter uma família com referenciais masculinos e femininos). este argumento é proferido (ou digitado) sempre com um ar gravoso e sério, a fazer lembrar o Paulo Portas e o seu famoso sentido de Estado (também podemos comparar com o sentido de responsabilidade do Passos).

De volta ao superior interesse das crianças, supõe-se que os defensores desta tese tenham uma noção muito restrita de família: constitui-se por pai e mãe. Todos os outros possíveis cuidadores são excluídos desta equação e não são tidos como referenciais (de jeito, pelo menos).
Supõe-se também que os defensores destas famílias que obrigatoriamente têm que ter os dois referenciais (na figura dos cuidadores principais) excluam todas as organizações familiares que não correspondam a este requisito - mesmo que estejamos a falar de ligações com cariz biológico. Assim, não devem reconhecer legitimidade às famílias monoparentais  (por abandono, por falecimento de um dos cuidadores, etc.). 
Ou o superior interesse das crianças (em ter uma família com ambos os referenciais) apenas é válido quando é do superior interesse de quem argumenta?

Egon Schiele

terça-feira, 23 de abril de 2013

São feitios...


Tenho muito respeito pelas pessoas que não concordam com o casamento com pessoas do mesmo sexo (mas não precisam de se preocupar, podem casar com pessoas de sexo diferente ou nem sequer casar, não é obrigatório).
Tenho muito mais dificuldade em perceber quem diz não se importar muito com a união de pessoas do mesmo sexo mas não concorda que se lhe chame casamento, que «devia chamar-se outra coisa qualquer». Mas já arranjei uma maneira simples de resolver o meu problema, a essas pessoas não lhes chamo inteligentes, chamo-lhes outra coisa qualquer. 
São feitios...

sábado, 2 de março de 2013

A propósito do 2 de Março neste nosso País

Um bom mote será esta pequena entrevista a Rui Zink.
Não poderei - poderemos -  estar hoje na manifestação. Mas estarei - estaremos  - em espírito.  
Aqui fica a nossa homenagem a todos/as os/as que marcharem hoje por um País mais humano.



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Passos Coelho outra vez


Há que reconhecer mestria neste anúncio de Passos Coelho (custa, é verdade, mas a César o que é de César - sendo que «César» é quase uma hipérbole). 
Paulo Portas, que até ao momento faz parte do governo mas condena as medidas do governo, Paulo Portas que até viaja quando as «medidas»* são anunciadas para afirmar, de longe, que só comenta quando estiver em território português, acaba de ficar com o menino dos 4 milhões no colo. 
Vai ser bonito de se ver, assumir pela primeira vez que alinha em privado o que nega em público.

*Se quiser, pode substituir o termo «medidas» pelo termo «saque», que é mais adequado.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Às sextas-feiras

Cansa-me ouvir Passos Coelho (na Assembleia). É acintoso e cínico nas respostas. Não responde diretamente às perguntas que lhe são feitas pela oposição; devolve-as invariavelmente com o rótulo de demagogia, e que por isso não responde. 
Escuda-se no facto de ter sido eleito (sob falso pretexto, é bom recordar) e esquece sistematicamente que quem o interpela também o foi. Esquece o papel regulador daquela casa. Instrumentaliza-a, aparecendo às sextas-feiras para se investir de uma legitimidade que insinue um espírito respeitador da democracia (que não somos).
Para esta criatura e o seu séquito de bons malandros, a porta da rua tem que ser, urgentemente, serventia desta Casa. 

De resto, importa também dizer que fico cansada ao ouvir (ou ver) Passos Coelho também nos restantes dias.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A corrida espacial: um programa intercontinental



Ouço no Jornal das 8 (SIC) que Mahmoud Ahmadinejad dispõe-se a ser lançado no espaço, a bem do programa espacial iraniano. Eu aplaudo (como suponho que muitos/as iranianos/as, principalmente se o deixarem em órbita ad aeternum*). Perante tanta abnegação, tanto sentido de Estado (psiu, Portas), ocorreu-me que Portugal poderia abrir os braços a este projeto (a História recente demonstra que não temos pudor em apertar a mão a quem quem quer que seja, desde que essa mão traga dinheiro) e propor uma parceria entre Portugal e o Irão. 
Para tal, sugiro que a equipa de astronautas portugueses a integrar esta nobre missão seja a tríade Coelho/Portas/Gaspar. E com jeitinho, se não for pedir muito, também poderíamos mandar Cavaco nesta aventura épica. Nós sabemos como esta gente é capaz de se sacrificar pela glória do País.
Tenho a certeza que ficaríamos todos/as orgulhosos/as. E aliviados/as*.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Ulrich que aguente


«Sou do tempo do Banco Borges & Irmão. Por lá continuei depois da "anexação" deste banco pelo BPI, e amanhã corto de vez com o meu vínculo. 
Por causa das declarações do Ulrich? Claro! Não concebo pagar mais um cêntimo que seja a uma instituição gerida por aquele parasita.
O Ulrich aguenta com o encerramento da minha conta? Ai aguenta, aguenta
(no mural de facebook de uma muito querida amiga)



(imagem roubada aqui)


Eu só não lhe sigo as pisadas porque não tenho conta no banco gerido por este senhor. Apenas posso manifestar o orgulho em ser amiga de quem assume posições como esta.

As modas

Diane Arbus

Ao contrário do que se apregoa, a moda não está no politicamente correto. Está no extremo oposto. E que cansados/as que andamos de ter em atenção o significado das palavras. Que saudades do uso das palavras preto, puta, velhos, bruxa, deficiente, panasca, corcunda, perneta, gorda. Se as palavras existem são para serem usadas! Sem medo dos ismos (que estão fora de moda; já não há machismos ou racismos, ou outros do género). 
Gente desempoeirada, e moderna, e bem pensante, gente que usa as palavras quando elas são necessárias. 

E desde que se refiram aos outros. Que o inferno seja dos outros. 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Maria de Lourdes Pintasilgo - 18 de janeiro de 1930

No programa do V Governo Constitucional (1979:2) pode ler-se:

«Apesar de balizado no tempo, o Governo não pode abstrair do seu dever nacional contribuir para um futuro de paz, de progresso e de liberdade para todos os portugueses, sem excepção.»

Maria de Lourdes Pintasilgo esteve à frente do V Governo Constitucional, em tempos extraordinariamente difíceis. Por isso é quase obsceno que Passos Coelho, ninguém (porque ninguém aconselhou os e as portuguesas a emigrar), se atreva a afirmar (para legitimar as medidas que tem tomado com o desacordo de todos os restantes sectores deste País) que Portugal atravessa o pior período desde 1974. É, de facto,um muito mau período, mas agravado pelas medidas que têm sido aplicadas e que não foram, de todo, sufragadas. A citação extraída do programa do V Governo Constitucional não poderia estar mais longe da realidade deste XIX Governo Constitucional (acrescentar a palavra Constitucional a este governo é cada vez mais um abuso).

Volto a Maria de Lourdes Pintasilgo, que faria hoje 83 anos. Importa recordar a sua linha de pensamento que é, na minha ótica, cada vez  mais necessária e atual:
«Uma ética do cuidado pode dar um novo ponto de partida ao papel do Estado em relação às verdadeiras prioridades políticas de sociedades em que a pessoa humana deve ser o centro e o fim último de toda a decisão política. 
Não bastará então acrescentar piedosamente à democracia política a democracia social, económica e cultural. 
Haverá sim que construir a democracia simultaneamente sobre a justiça e sobre o cuidado, sobre os direitos e sobre as responsabilidades».
Maria de Lourdes Pintasilgo, (2012). Para um novo paradigma: um mundo assente no cuidado. 
Porto: Edições Afrontamento, pp. 138-139.

domingo, 6 de janeiro de 2013

É preciso partir os ovos


A quantidade de mulheres que é dispensada durante a gravidez dos seus empregos é assustadora. Apesar dos mecanismos legais que procuram evitar tais abusos, a verdade é que oficiosamente as mulheres continuam a ser despedidas porque a licença de maternidade não será lucrativa para as entidades empregadoras. 

Acredito que o contexto de crise agrave a situação, mas a verdade é que a desvalorização da maternidade está enraizada na mentalidade de um País que goza com o facto de que uma das suas ministras está grávida. É a mentalidade que temos e que, como se tem visto, continuaremos a ter. 
Mas depois, todos lamentam a taxa de natalidade que é a mais baixa das últimas décadas. Decidam-se, meus/minhas caros/as: uma coisa não é possível sem a outra.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A abrir o ano, as mãos.

«Ela tinha descoberto a prodigiosa faculdade de expressão das mãos humanas, mil vezes mãos reveladoras que os olhos, porque elas não são, de modo algum, hábeis a mentir, deixam-se surpreender a cada minuto, ocupadas como estão com mil cuidados materiais, ao passo que o olhar, sentinela infatigável, vigia nas ameias das pálpebras... As mãos do pai, primeiro, pousadas nos joelhos, imóveis todas as noites, quase terríveis à luz de uma única lâmpada que faz dançar todas as sombras, com um punho cujo osso parece prestes a romper a pele, e aquele tufo de pêlos em cada articulação dos dedos enormes. As mãos do avô, também, que ela viu cruzadas sobre o ventre, ao fundo do quarto, um dia de verão, persianas fechadas, numa bruma de moscas invisíveis... As mãos destes jovens irmãos, tão depressa tornadas mãos de operários, mãos de homens. E ainda as mãos das mulheres da quinta, que cheiram a leite ácido (...). As da Madame bem mais pequenas, as pontas dos dedos picadas com pontos negros, da agulha... Mãos laboriosas, mãos trabalhadoras, que o repouso torna ridículas. E deste ridículo os pobres têm alguma consciência, porque furtam de propósito ao olhar as suas mãos desocupadas. Diz-se do trabalhador ao domingo que "não sabe que fazer às mãos", brincadeira cruel, pois ele não deve o pão de cada dia senão ao trabalho destas criadas».
G. Bernanos, La Nouvelle Histoire de Mouchette


(Adam Martinakis)

É um texto escrito na primeira metade do século XX por um autor francês, mas que me parece cada vez mais próximo do País que temos nesta primeira metade do século XXI. Será completamente incompreensível aos olhos de Passos Coelho, Portas, Gaspar ou Cavaco. Porque as mãos destes homens apenas se ocupam em tirar das mãos dos outros a dignidade do seu trabalho. E repetem-lhes que aquelas mãos têm vivido acima das possibilidades.

(a tradução do excerto é da autoria do meu querido professor João Maria André, que o trouxe para uma das suas generosas conferências, e que reencontrei agora  nos papéis que guardo.)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mensagem natalícia de Um Blog Que Seja Seu: galardão natalício «solidariedade»*


E por falar em campanhas natalícias de solidariedade (como já aqui o escrevi, é boicotar as popotas, leopoldinas, arredondamentos e afins)... adoro a história dos/das «famosos/as» serem solidários através do incentivo aos outros (o bolso dos outros, pois claro). A eles... basta-lhes a presença, o sorriso e a histeria. 
A Jonet deve gostar imenso.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sobre demagogia e a boa saúde da nossa democracia

(fotografia de Enric Vives-Rubio, publicada na notícia do Público) 

Demagogia é uma palavra gasta, já que à mínima os intervenientes políticos são considerados demagogos quando tomam alguma medida que contrarie o usual; ultimamente foram acusados Rui Barreto (deputado na Assembleia da República pelo CDS-PP Madeira),  pelo facto de o seu voto contra o orçamento não ter consequências na sua aprovação, e Maximiano Martins, pelo facto de ter vindo esclarecer que não acumulará o salário de deputado da Assembleia Legislativa Regional com a reforma da CGD. Na minha perspetiva, em nenhum dos casos estamos perante o uso de demagogia; no entanto, os detratores a todo o custo bradam aos céus e gritam por demagogia.
No entanto, ainda nada ouvi sobre o que se passou esta manhã na Universidade Nova e com a participação daquele que insiste em ser Primeiro-Ministro deste País, apesar da contestação generalizada de quem o elegeu (sim, eu sei que essa contestação não se traduz na Assembleia da República).
Todos nós, contribuintes, pagamos pela equipa de segurança do Primeiro-Ministro. Este é, diria, um serviço fundamental para assegurar a integridade dos elementos que integram os nossos Órgãos de Soberania. Contudo, o que se passou no seminário da Universidade Nova não foi, claramente, uma questão de segurança. Um grupo de estudantes, em silêncio, ostentou uma faixa que exigia a demissão do orador do cargo de Primeiro-Ministro. Em momento algum esteve em causa a segurança e a integridade física do palestrante. E, no entanto, a equipa de segurança (paga pelos contribuintes - e consequentemente também por quem ostentava a dita faixa) tentou coagir o grupo a baixá-la. Numa atitude absurdamente (aqui sim) demagógica o orador, que também é o ainda Primeiro-Ministro, pediu aos responsáveis para não continuarem a pressionar os manifestantes porque «vivemos, felizmente, numa situação de boa saúde da nossa democracia, e não vemos nenhuma razão para que os senhores não possam ostentar as faixas que entenderem». Os senhores e as senhoras, acrescento eu, que entre os estudantes estavam também mulheres. 
O problema não está, obviamente, nesta afirmação. O problema está na necessidade de ter sido proferida aos microfones daquela universidade e naquela situação. Porque naturalmente a equipa de segurança deveria estar devidamente preparada para intervir apenas em caso de perigo quanto à segurança do Primeiro-Ministro. Mas parece que não (sendo que esta não foi a primeira intervenção do género, como recentemente se viu também num outro estabelecimento de ensino). Portanto, do meu ponto de vista, o paternalismo insuportável de Passos aos microfones da Universidade Nova é um gesto vazio, hipócrita, de quem se comporta em público de forma diferente do que diz em privado (em função do facto de aqueles seguranças julgarem que a intervenção neste caso fazia parte do cumprimento do seu dever). E isto em nada atesta que vivemos «numa situação de boa saúde da nossa democracia». Mas isso, também já o sabíamos.

Sobre extraordinárias tentações e ainda mais extraordinários gastos. E sobre telhados de vidro.

António Borges considera que o Estado é mau gestor. Concordo com a convicção de António Borges, já que esse mesmo Estado paga-lhe um salário que continua no segredo dos deuses... mas se tivermos em conta que a equipa custa cerca de 25 mil euros por mês, e se tivermos em conta a necessidade de recato quando se trata de divulgar o valor... 
Em contrapartida, a concordância fica por aqui; num outro passo, penso que António Borges empregou mal o tempo verbal quando afirma que «estávamos a viver muito acima das nossas possibilidades». Não estávamos. Estamos. Continuamos. Entre outras, também pela razão supracitada no primeiro parágrafo deste post.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cansaço

Não ouvi o monólogo do Passos Coelho. Há ano e meio que este senhor nos insulta diariamente. 
Há muito que este senhor devia ter sido demitido por incumprimento contratual. E o resto são tretas.

Galardão natalício: «solidariedade» aliada a animais com curvas e mamas

Só para lembrar que as contribuições para as campanhas de solidariedade da Popota e da Leopoldina revertem para quem as promove. Esta coisa de se ser solidário com o dinheiro dos/das clientes e eventualmente ainda ser recompensado por isso em matéria de impostos tem muito que se lhe diga...