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| Alfredo Cunha, 25 de Abril 1974. A partir daqui. A cidade é um chão de palavras pisadas A palavra criança, a palavra segredo A cidade é um céu de palavras paradas A palavra distância, a palavra medo (...) Ary dos Santos |
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
Solidariedade e Liberdade
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Fernando Alves canta Natália Correia
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| Espólio Natália Correia da Biblioteca Nacional |
[e não lhe contemos os anos, pois a sua poesia - e ela - não têm idade, nem são marcadas pelo tempo]
E por ora, a imagem que quero registar é a dos traços da sua caligrafia.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
As portas que nos querem fechar
(...)
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
(...)
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
(...)
1975
quarta-feira, 6 de março de 2013
Festival Literário da Madeira (FLM) - Zygmunt Bauman
A organização do Festival da Madeira (FLM) continua a levantar o véu sobre a programação do Festival Literário da Madeira.
Não será de desdenhar o facto de este ano a edição contar com a presença do sociólogo Zygmunt Bauman. Ao que parece, festa vai ser rija.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Festival Literário da Madeira - Manifesto às Artes ou subsídios para a desinstalação do medo
- A senhora está a sentir-se hesitante, não é? É bom sinal, é sinal de que a instalação do medo já começou. Sabe, minha senhora, isto da instalação do medo tem uma parte física e uma parte metafísica.
A mulher assente.
- Ou seja, não cabe só a nós instalar o medo, é preciso que também haja, da parte dos concidadãos, um estado de disponibilidade mental (eu diria mesmo moral) para aceitar o medo.
Rui Zink (2012). A Instalação do Medo. Lisboa: Teodolito, p.19.
Rui Zink é uma das presenças confirmadas no Festival Literário da Madeira (1 a 7 de Abril de 2013).
Ide e espalhai a Boa Nova.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O Festival Literário da Madeira já mexe
De 1 a 7 de Abril, no Teatro Baltazar Dias.
Para já, sabemos que a conferência de abertura será feita pela Naomi Wolf.
Já estou a salivar.
Já estou a salivar.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
In one sense, all feminism is by definition 'radical', challenging the central tenets of legal and political thought and demanding full citizenship for women in society.
Hilaire Barnett
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Primeira voz
Possuo a lentidão do mundo. Espero pacientemente
Que o meu tempo se escoe, o sol e as estrelas observando-me atentamente.
A preocupação da lua é mais íntima:
Passa e volta a passar luminosa como uma enfermeira.
Será que lamenta o que está prestes a acontecer? Não me parece.
É apenas o espanto perante a fertilidade.
Quando eu sair daqui, serei um acontecimento notável.
Não vale a pena preocupar-me ou sequer ensaiar.
O que me está a acontecer, seguirá o seu curso naturalmente.
O faisão está de pé na montanha;
Exibe as suas penas castanhas.
Não posso deixar de sorrir ao pensar no que sei.
As folhas e as pétalas esperam-me. Estou pronta.
Sylvia Plath (2004). Três mulheres: poema a três vozes. Lisboa: Relógio d'Água.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
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| Adam Martinakis |
O princípio, formulado pelos juristas romanos tardios, de que a societas leonina já se não pode considerar como contrato de sociedade, mostra de modo relativo que a eliminação de todo e qualquer significado autónomo de uma das partes suprime o próprio conceito de sociedade. Com referência aos operários menos qualificados nas grandes empresas modernas, que excluem toda a concorrência eficaz no seu recrutamento por empresários rivais, disse-se, neste mesmo sentido, que a diferença de posição estratégica entre eles e os patrões é tão avassaladora que o contrato de trabalho deixa de ser um 'contrato' no sentido normal, porque uns estão incondicionalmente entregues aos outros. Nesta medida a máxima moral de nunca utilizar uma pessoa como simples meio, revela-se como a fórmula de toda a socialização. Quando o significado de uma das partes desce a um ponto em que a ação emada do eu como tal, já não entra na relação, não se pode mais falar de sociedade, tão pouco como entre o carpinteiro e o seu banco.
Georg Simmel (1923)
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| Barbara Kruger |
De um modo geral ninguém está interessado em que a sua influência seja determinante para o outro, mas sim que esta influência, este determinar do outro, reverta sobre si próprio. Por isso existe já uma ação recíproca naquela sede de domínio que se dá por satisfeita quando o fazer ou o padecer, o estado positivo ou negativo do outro se apresenta ao sujeito como produto da sua própria vontade. (...) De resto, a sede de domínio, mesmo nesta forma sublimada, cujo sentido prático não é a exploração do outro, mas a mera consciência dessa possibilidade, não significa de modo algum uma forma extrema de desconsideração egoísta. É que a sede de domínio, por muito que queira quebrar a resistência interior do submetido (enquanto o egoísmo só se costuma importar com a vitória sobre o seu exterior) ainda assim tem uma espécie de interesse pelo outro, é para ela um valor. Só quando o egoísmo nem sequer é sede de domínio e o outro lhe é absolutamente indiferente, mero instrumento para objetivos que estão acima dele, é que desaparece a última sombra de colaboração socializadora.
Superioridade e Subordinação, Georg Simmel (1923)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
10 de dezembro é Clarice (e 9 também)
Ainda tenho medo de me afastar da lógica porque caio no instintivo e no direto, e no futuro: a invenção do hoje é o meu único meio de instaurar o futuro. Desde já é futuro, e qualquer hora é hora marcada. Que mal porém tem eu me afastar da lógica? Estou lidando com a matéria-prima. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, género não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo.
Água Viva, p. 12.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
O que não se deve fazer a Clarice
Como leitora compulsiva de Clarice Lispector, é com pena que registo que as edições de Água Viva e O Lustre são dececionantes. Não pelo texto da autora, mas pelo que a Relógio d'Água não fez: uma revisão digna, que permita ler ideia em vez de idéia e em que o trema não tremelique pelo texto (a título de exemplo).
Se quisesse uma edição em Português do Brasil (tenho, por exemplo, o Correspondências, oferecido por mão querida) teria comprado uma edição da editora original, a Rocco. Mas tal não é o caso. Não estava preparada para isto.
Sei que publicarão mais, nomeadamente os livros infantis de Clarice. Espero sinceramente que sejam edições mais cuidadas. A bem da minha saúde.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Continuem a assobiar para o lado que há quem vos cante olhos nos olhos
Hoje uma cantora lírica sobrepôs a sua voz à de Cavaco. Certamente mais límpida e mais acertada sobre o que há a relembrar aos portugueses e portuguesas.
E o que cantou para os que (ainda) se julgam nossos donos, foi isto:
E o que cantou para os que (ainda) se julgam nossos donos, foi isto:
«Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.
Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.
Não seja o travor das lágrimas
Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.
Olha que a vida nos acena
Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta.»
Poema de João José Cochofel
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Ousar dizer - Maria Teresa Horta
«Quem ousa dizer
tirano
sem contornar a palavra?
(os olhos firmes e espessos)
quem ousa dizer
tirano
com a janela entreaberta?
(os dedos duros e secos)
Quem ousa dizer
tirano
sem ter a porta fechada?
(os lábios brancos e presos)
Quem ousa dizer
tirano
sem ter a arma firmada?
(os sentidos bem despertos)
Quem ousa dizer
tirano
sem lhe contornar a casa?
(a espingarda sob os dedos)
Quem ousa dizer
tirano
sem ter violado o medo?»
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