Mostrar mensagens com a etiqueta "Matem as Mulheres Primeiro". Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta "Matem as Mulheres Primeiro". Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

terça-feira, 7 de abril de 2015

domingo, 5 de abril de 2015

Os excessos das feministas de segunda vaga



A Elle deste mês traz um artigo sobre o «novo feminismo». De acordo com a diretora da revista, cuja citação encerra o texto, ficamos a saber que «o feminismo de agora» é «solto, relevante e livre». E eu aqui a achar que os feminismos, desde a sua origem, sempre tinham sido relevantes, mas afinal, parece que é só "agora". O que não deixa de ser irónico, uma vez que vivemos numa altura em que muita gente defende que os feminismos deixaram de fazer sentido, precisamente, por já se ter conquistado a igualdade formal.

Entrevistadas pela revista, as fundadoras da página Maria Capaz acreditam estar a contribuir para «as pessoas» deixarem de temer a «palavra 'feminismo'». A plataforma Maria Capaz tem subjacente uma ideia que me parece louvável e que poderia ser de extrema utilidade, para informar e contribuir para as reivindicações feministas, caso não repetissem ad nauseam uma mão cheia de senso comum, que reforçam essencialismos, sobre os quais urge refletir e desconstruir. Sim, há alguns contributos interessantes na plataforma e algumas tentativas de incentivar a reflexão. Julgo, no entanto, que estas são neutralizadas pelo tom generalizadamente essencialista e acrítico da maioria das narrativas. Aliás, a Rita Dantas fez um post maravilhoso sobre o assunto.

Que as palavras feminismo e feminista metem medo até mesmo às cobras, sobretudo em Portugal, já se sabe há muito. Aliás, as Actas do Congresso Feminista de 2008 intitulam-se precisamente «Quem tem medo dos feminismos?». Algumas pessoas poderão ilustrar, de viva voz, os motivos pelos quais ser feminista, em Portugal, é coisa para se ser proscrita. Se falarem com a Maria Teresa Horta ela explicará - ilustrando com a sua experiência própria, porque é que assim é. Do lado académico, várias pessoas abordaram o assunto também. Apesar de haver, em Portugal, um trabalho de desconstrução de que feminismo não é o contrário de machismo, a propaganda com vista à desinformação rende até hoje. São comuns as respostas a garantir que são «humanistas» e não «feministas», porque são muito «femininas» e outras ignorâncias similares.

A explicação avançada por Rita Ferro Rodrigues e Iva Domingues, fundadoras do Maria Capaz, e reproduzida pela Elle, é que, pelo menos para mim, é inovadora. De acordo com o citado na revista, aquelas afirmam que o mau nome do feminismo se deve ao feminismo de segunda vaga:

«(...) na segunda grande vaga destes movimentos (que aconteceu entre o final dos anos 60 e os anos 70), acabaram por ser cometidos alguns excessos e isso, de certa maneira, acabou por contaminar a palavra».

Podem repetir?

Jill Posener fotografa o resultado do vandalismo feminista que comprova os excessos cometidos por feministas de segunda vaga.
Claro, como é que nunca tinha pensado nisso? Foram as feministas que deram mau nome ao feminismo! 

Um pouco de conhecimento de história dos feminismos permite perceber que as feministas da chamada primeira vaga, frequentemente chamadas sufragistas, também não caíram bem no goto da maior parte das pessoas. E a palavra feminismo - entre a primeira e a segunda vaga - nunca foi bem vista (tal como ainda não é hoje, basta pensar no facto de, após o discurso na ONU, a Emma Watson ter recebido inúmeras ameaças). 

A revista não explica que excessos das feministas de segunda vaga são esses e que Rita Rodrigues e Iva Domingues acreditam terem «contaminado» a palavra  (terá sido exigir liberdade e autodeterminação sexual? Terá sido a exigência de acesso a direitos sexuais e reprodutivos? Terá sido a exigência de eliminação de cláusulas discriminatórias no direito da família, e no direito penal? Terá sido a exigência da criminalização da violação marital? Terá sido a exigência da criminalização dos maus tratos conjugais? Terá sido a exigência de que o trabalho doméstico fosse pago? Que para trabalho igual houvesse salário igual? ....) Qual das exigências das feministas de segunda vaga terá sido o(s) excesso(s)? Não sabemos o que querem as fundadoras do Maria Capaz dizer com aquela frase enigmática porque, ainda que a tenham explicado à autora do artigo, a revista não o esclarece.

Se estavam a pensar em queimas de sutiãs, convinha começarem por investigar um pouco mais acerca do mito da queima. Não há, evidentemente, garantias de que uma (ou várias) feministas não tenham nunca queimado sutiãs, mas, por cá, decididamente, nunca o fizeram. Não sei que excessos* é que as citadas se referem, mas a ideia de que foram as feministas a dar mau nome ao feminismo é coisa de fazer chorar, de tão perverso que me parece. Acredito até que não tenha sido essa a intenção das autoras, ou mesmo da diretora da revista ao afirmar que o feminismo «agora» é que é «relevante», «solto» (seja lá o que isso for) e «livre» - mas que a apropriação dos feminismos por parte da indústria da moda, moldando-o para ser um produto vendável, pode causar mais danos ao «nome» do que alguma vez antes, lá isso pode.

Para além de remeter para um mundo ainda mais obscuro as mulheres e os homens que lutaram pela igualdade, de forma pioneira e absolutamente corajosa, o maior perigo é, precisamente, o da confusão de que ser feminista é acreditar que as mulheres (ou a mulher, como tanto gostam de escrever no Maria Capaz, como se todas as mulheres fossem iguais e uma massa uniforme de gente. Aliás, sobre isto já a autora do 30epicos escreveu uma crítica contundente.) podem fazer tudo o que quiserem, como se a igualdade se resumisse a uma qualquer liberdade individual de uma mulher «mãe, profissional (bem-sucedida), consciente, empreendedora, reivindicativa, na medida certa, feminina, feminista (...)». Como se todas as mulheres partissem [e estivessem] do/no mesmo ponto.

Os feminismos partem de uma base comum, que é a do reconhecimento da existência de um sistema social de ordem patriarcal que prejudica mulheres e homens, com especial incidência nas primeiras. Os feminismos diferem nas abordagens que apresentam e nas soluções que preconizam para lutar (sim, lutar) contra as desigualdades (re)produzidas por esse mesmo sistema social.

Independentemente de que tipo de feminismos estejamos a falar, o objetivo é que uma pessoa possa tomar as decisões que entender sobre a sua vida sem ser prejudicada apenas porque é mulher. Alguns feminismos salientam outras categorias além do género (etnia, orientação sexual, orientação religiosa, aspeto físico, classe social, orientação política, nacionalidade, entre outras). Alguns feminismos centram-se em problemas globais nos quais acreditam que as mulheres podem ter um papel preponderante (ecofeminismo, p.e.). Há temas que dividem as feministas: a prostituição é um deles, a pornografia é outro, entre vários. Decididamente, há espaço para toda a gente e todos os contributos sérios e bem intencionados são desejáveis. A discussão, a reflexão e a (auto) crítica são pontos fulcrais de desenvolvimento de ideias e das suas concretizações. Convém, no entanto, que se tente não reforçar os estereótipos e a ignorância que se tenta combater.

everydayfeminism.com

Seja «novo» ou «velho», não há UM feminismo. HÁ FEMINISMOS 
(não sei qual das ligações "se inspirou" na outra, uma vez que têm conteúdos muito similares, ainda assim, a wiki parece-me mais completa).

*saliente-se, p.e., que a ação de feministas, usando máscaras a representarem cães, e que forçaram a entrada de um estabelecimento comercial, em Lisboa, que ilegalmente e impunemente, interdita a entrada a cidadãs, foi também apelidada de «excessiva» por parte de muita boa gente que se diz «humanista» e «defensora dos direitos humanos de homens e de mulheres».

domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional das Mulheres

Esta caricatura publicada no Charlie Hebdo demonstra maravilhosamente a atitude do mundo ocidental face à comodificação [peço emprestada a palavra ao Fairclough] do corpo das mulheres.

Enquanto este serve para ser olhado, cobiçado, tocado, manipulado para o prazer do outro, tudo bem. Quando as proprietárias desses corpos reclamam para si o poder de os usar como bem entendem, inclusivamente, desnudando-se [pasme-se!] para si ou como forma de luta, e não para serem vistas pelo olhar masculino, então é o nosso senhor nos acuda, que o mundo acabou e é tudo uma pouca vergonha.

FEMEN par Charlie Hebdo
E não, contrariamente ao que sugere Inês Ferreira Leite, no Maria Capaz, não são as mulheres que impõem às outras o modelo de perfeição. Não basta ela perguntar aos homens que se conhece se eles valorizam ou não a celulite nas pernas de uma mulher. Convém observar a publicidade e as revistas - é que, que  eu tenha notado, nem a Playboy ou qualquer outra revista masculina apresentam modelos diversos de beleza feminina. É sempre o mesmo modelo monolítico da mulher [preferencialmente branca], magra, ou muito magra, pele uniforme, sem poros e só com alguns sinais estratégicos, de cabelo arranjado e de boca semiaberta; e não, não têm celulite. Toda a gente no ocidente sabe reconhecer o modelo de beleza feminina dominante. Precisamente, porque ele se impõe. Contrariamente ao que IFL faz, não se pode avaliar a realidade a partir das opiniões e comportamentos dos amigos - à partida, se são amigos, logo [pelo menos os meus] são homens maravilhosos [e seres humanos que eu muito admiro]. Mas há mais mundo para além do umbigo. Nem sempre é bonito, mas está lá. Ignorá-lo e dizer que são as mulheres a principal força da sua própria opressão é pura e simplesmente ignorar todos os dados empíricos que vão além do umbigo de quem investiga. Eu também conheço homens cretinos. Mas não os chamo de amigos e, sempre que posso, evito-os. (ah! E culpar as mulheres por serem a fonte da sua própria opressão não é feminismo; é apenas um reflexo da ideia medieval de que as mulheres são todas más como às cobras e invejosaassss).

E neste dia Internacional das mulheres, se calhar, podíamos aproveitar e refletir sobre a facilidade com que aceitamos a discriminação contra as mulheres como conceito comercial, em pleno século XXI. O que li sobre a intervenção das feministas na barbearia causou-me perplexidade. Uma coisa é criticar a ação (por se defender outros tipos de intervenções); outra, muito diferente, é defender como admissível um conceito comercial que coloca as mulheres abaixo de cães e que, ilegalmente, lhes interdita a entrada, com base na ideia ser muito gira, e os tipos até são empreendedores e, ah, claro, o conceito está disseminado na Europa (se os outros têm é porque deve ser bom). Ah, e já agora aproveitar a onda da reflexão e olhar bem para a capa da Lux Woman que tem duas «feministas assumidas» - o assumida (o adjetivo usado para revelar publicamente alguma característica que se sabe ser reprovável pela maioria) deixa antever a confusão que vai nas cabecinhas de muita gente a propósito do conceito de feminismo. O Priberam sabe o que é, já o Ciberdúvidas, cujos conhecimentos da língua portuguesa são incontestáveis, está um pouco confuso.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Men of quality do not fear equality

Ser mulher na Turquia.


Ter o azar de viver num país presidido por alguém com as visões do Tayyip Erdogan, acerca das mulheres e das relações de género, e ter a sorte de partilhar o país com homens que se insurgem perante a violência contra as mulheres, e solidarizam com a luta pela igualdade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Em Portugal há 33 violações por mês

Em 2004, Susana Maria publicou a sua tese de mestrado sobre sobreviventes de violação. Durante a investigação, a Susana falou entrevistou polícias, médicos/as e sobreviventes - algumas das quais com denúncia e processo a decorrer, outras que optaram pelo silêncio e tentaram o esquecimento procurando apoio numa das Organizações Não Governamentais de apoio a vítimas e sobreviventes.

Henrique Monteiro

Uma das conclusões do seu trabalho é a de que é necessário um centro especializado para vítimas de crimes sexuais. Não, o instituto de medicina legal (IML) é tudo menos suficiente. Não, as ONG's não têm condições para prestar este apoio imediato e essencial. Como explicou uma das médicas entrevistadas à autora deste trabalho:

"Não existe um serviço especializado para atendimento a vítimas de violação. Não conheço nenhum hospital que o tenha. A mesma médica refere, ainda, ter algumas dificuldades em lidar com situações de violação: "não com as lesões físicas, mas para dar encaminhamento ou aconselhamento sim".

completa referindo "Nestas situações de violação a mais urgente é a criação de apoios imediatos, ou seja, apoio na crise (. ..), porque é a partir daí que a pessoa começa a organizar as coisas, os sentimentos, toda a situação; porque naquele momento eu penso que a pessoa não consegue entender a que lhe aconteceu conscientemente e, posteriormente, traz-lhe problemas [consequências mais tarde]. As pessoas deveriam receber esse apoio no momento em que são vistas pelos médicos.». 

Naturalmente, sabemos que muitas vítimas não são vistas por médicos/as. Sabemos que muitas não denunciam a ninguém ou que o fazem passado muito tempo. Para que todas as pessoas vítimas de crimes sexuais possam ter apoio na crise. Para que todas as mulheres - sim, há homens violados, mas a assimetria é abissal [mesmo considerando as violações intraprisionais] - possam ter apoio neste momento crucial.

É por sabermos que estes momentos são fundamentais para que a vítima possa gerir o momento traumático, que foi criada uma PETIÇÃO com a exigência da criação de um centro especializado no apoio a vítimas de violação. Para assinarem e divulgarem, caso concordem.


domingo, 23 de novembro de 2014

"Listeners of Atrocity"


Pergunto-me frequentemente como é que se consegue conhecer - no sentido de tomar conhecimento, ter notícia - a maldade humana e lhe sobreviver. Não falo de a experienciar, de ser vítima. Mas de testemunhar - ainda que indiretamente - essa mesma maldade. Jeanne Sarson e Linda MacDonald dedicam grande parte do seu quotidiano a ouvir vítimas de tortura [não estatal]; a descrição do «no gag reflex» foi apenas uma.


Jennifer McClure
«“No gag reflex.” This is a statement about the pedophilic crime of oral rape. One woman explained how her mother and father ‘trained’ her not to gag. Why? They were ‘preparing’ her for oral raping not only by her father but also for all the other insider like-minded torturers who were connected to her family. These were the ‘secret’ organized pedophilic in-house group or criminal ring. Additionally, Linda and I have also been told by those so tortured that their parent(s) frequently trafficked them to ‘client-perpetrators’ who wanted a child who was conditioned to withstand sexualized physical torturing. This is how one woman described her “no gag reflex” training;
Everything got twisted in “the family” - even food. For example, mashed potatoes were a very effective training tool. “The family” would stuff and stuff mashed potatoes into my mouth and throat, massage my throat while speaking ever so softly in voice tones that were trance and hypnotic-inducing. This exercise trained me to let the mashed potatoes slide down my throat without gagging, which taught and conditioned me not to gag during experiences of oral rape; something my father and others did very frequently to me.


Hoje, ao ouvir como é que uma criança lhes havia explicado que tinha o rosto negro por se ter magoado a jogar basebol, fechei os olhos por momentos, com força, na esperança de, de alguma forma, parar de visualizar o que elas me estavam a explicar que a criança mostrara quando lhe pediram para ela demonstrar como é que tinha jogado basebol. Alguém segurava o taco.... 

Não sei como é que se sobrevive a isto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

#ElaporEla [Jessica Athayde]


"O que é que há de ERRADO nesta imagem?
ABSOLUTAMENTE NADA"
#Stopthebeautymadness & #ElaporEla

Até hoje não fazia ideia de quem é a Jessica Athayde. É uma atriz portuguesa. Em Portugal e, um pouco por todo o mundo ocidentalizado, há uma enorme conexão entre o mundo da moda e o mundo do espectáculo com as agências de modelos a enviarem regularmente para os castings televisivos e de cinema os/as seus/suas modelos. Isso sucede porque se privilegia a imagem sobre a formação em representação.

Esta lógica está instalada há tantos anos que muitos/as profissionais não questionam sequer a coerência ou a utilidade disto. Quando há uma década questionei a minha diretora porque é que ela pediu um apresentador a agências de modelos em vez de a escolas de teatro e de cinema, ela olhou-me perplexa e respondeu: «não me ocorreu tal coisa».

Quando se diz «as mamas dela estão a vender» a propósito de uma apresentadora com enorme dificuldade de articulação, percebe-se bem o papel que atribuem áquela pessoa. A televisão e os media são fábricas de produção de estrelas cadentes. No dia em que as mamas dela não venderem, ela cai. Porque ela É o seu corpo. Os homens têm um corpo, as mulheres são o corpo. E é sobre esta questão que a Jessica fala num texto em resposta às críticas que recebeu a propósito da sua participação num desfile de moda.

Claro que algumas críticas terão fonte feminina. As mulheres são rápidas a criticar o [seu] corpo e o de outras. Não porque haja alguma maldade particular em todas as mulheres [isso é coisa da Idade Média, ok? Já passou, podem guardar as ideias medievais sobre a malícia que habita o sexo feminino; embora haja, naturalmente mulheres más e mulheres que têm comportamentos que revelam crueldade isso não é uma característica extensível a todo o grupo de seres humanos do sexo feminino; portanto, viajem até à contemporaneidade: vão ver que vos vai fazer bem];

     também não acho que as considerações negativas tenham como motivação a inveja. Essa coisa do quem desdenha quer comprar é uma interpretação básica e duvidosa do processo de projeção [transferência para o/a outro/a o que nós fazemos ou queremos]. A inveja não explica tudo. Quando criticamos a rapariga que diz nos media que o seu desejo é ter uma mala da channel não é a inveja que origina a crítica. É um pouco mais complexo que isso. E sim, nada disto invalida que haja mulheres com inveja de outras mulheres, simplesmente nem todas as críticas têm como motivação a inveja.

As mulheres autopoliciam-se constantemente. E esse autopoliciamento implica também uma avaliação constante do corpo das outras mulheres. As capas das revistas femininas não são assim tão diferentes das capas das revistas masculinas e, no entanto, o público alvo é diferente. O olhar desses públicos também é diferente, apesar de todos/as avaliarem. E porque as mulheres são avaliadas não pelo que sabem fazer ou pelo que são, mas pelo que parecem, a avaliação sobre o corpo feminino é constante.

Jessica Athayde, num texto da sua página pessoal, convida as mulheres a resistir ao simplismo da redução da pessoa ao seu corpo. E eu estou com ela.


#Ela por Ela. 

& Claro, o 




sexta-feira, 11 de julho de 2014

# Stop the Beauty Madness




É claro que sim, que esta campanha merece mais do que uma imagem e uma ligação, mas o tempo escasseia. Não é apenas uma ideia à la Dove, como quando a marca mostra que há mais tipos de beleza do que os media nos mostram.
A #Stop the Beauty Madness não pretende apenas mostrar que há diferentes tipos de beleza e de corpos, mas sim questionar a importância da beleza nas nossas sociedades.  

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"Vamos fingir que a questão é o aborto"







Portugal costuma ser um país onde as tendências demoram a chegar. Talvez seja da posição geográfica. 
No entanto, desta vez - talvez pelo efeito globalizante da União Europeia - certas correntes não tardaram a dar o ar de sua graça. O post da Isabel Moreira trata precisamente disso.
Os ventos ultraconservadores que assolam alguns países europeus (para além de Espanha, agora em França gritam-se coisas divertidíssimas como «não toquem nos nossos estereótipos de género» - uma verdadeira ternura, embora eu prefira a versão de que a «teoria do género visa destruir a Criação e libertar todas as perversões humanas»: uns demónios, portanto. Ou melhor, umas filhas do demo, que já se sabe que onde há maldade há mulheres). Da Polónia também não vêm melhores ventos.


De notar que não tenho nada contra quem não aceita o aborto como uma solução ou que não compreenda orientações sexuais diferentes da sua. Desde que se mantenham na sua vida. Eu, que sou a favor da IVG, e que defendo que todas as mulheres têm o direito (dentro das condições previstas na atual lei) a decidir pela continuidade ou não de uma gravidez, não impeço ninguém de ter filhos. Aliás, quem está minimamente familiarizado com o processo sabe bem que é muito mais fácil apoiar uma grávida em desespero e indecisa que vá a um hospital para interromper uma gravidez - porque há uma equipa que se encarrega de lhe dar soluções que ela desconhece e à qual seria impossível recorrendo à clandestinidade.


Não me incomoda minimamente que alguém diga (e aja em conformidade) que jamais abortaria (porque é contra as suas convicções ou por outro motivo qualquer). Agora, não se venham meter na minha vida e na vida alheia. E sim, acho que é dever do Estado criar condições e apoiar toda a gente que queira ter filhos e que não os ter (quando se quer ser mãe e pai) por falta de apoio do Estado é um redondo falhanço das funções do Estado e dos direitos de cidadania. Apoio do Estado passa por políticas amigas da família, por uam carga fiscal menos pesada e pela facilidade de acesso a estruturas de apoio educativo a custos acessíveis. Da mesma maneira não me incomoda que alguém afirme que discorda do casamento entre pessoas do mesmo sexo e que a ICAR não o reconheça no direito canónico. É-me indiferente. Estão no seu direito. Agora, vamos lá ver: a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que eu saiba, não veio prejudicar o contrato conjugal heterossexual. Portanto, a única coisa que vejo que possa motivar a oposição é uma grosseira intromissão na vida privada de outra pessoa. Eu posso achar um disparate alguém fazer um contrato de compra e venda com condições que considere obscenas. Se isso me dá o direito de impedir a celebração daquele contrato? Não, não dá. Portanto, meninos/as concentrem-se lá nas vossas vidinhas e deixem que cada um cuide da sua, ok?

Ah, e poupem lá na conversinha de que «se trata de uma vida». É que quando papagueiam essa conversa quer-me parecer que não é da vida da grávida que estão a falar. Pelos vistos, há vidas mais importantes que outras. Savita Halappanavar. Ouviram falar? Está morta. Porque, apesar de nem ser católica, uma cambada de obscurantistas se recusou a fazer-lhe um aborto porque o coração do feto ainda batia. Um feto de 17 semanas. O coração desta mulher de 31 anos também bateu até ao dia 28 de Outubro de 2012. 
Não se atrevam a falar em respeito pela vida.

Ah, no meu caso, não é só a barriga que é minha, a vida também. Não, a minha vida não pertence a deus, que se ele quiser, há-de ter muito mais que fazer que andar a fiscalizar as alcovas e consciências alheias. Há muito certamente para deus fazer no planeta. Estou em crer que ele não quer saber de sexo para nada.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Boa Semana

No Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, um coletivo de juízes (com, se não estou em erro, duas juízas) votou pela descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. A partir de agora, as mulheres brasileiras, grávidas de fetos sem cérebro, poderão interromper a gravidez sem passar pelo calvário da autorização judicial. Parece que, finalmente, este coletivo percebeu que se trata de uma questão médica, que exige pareceres de médicos e não uma questão criminal, a qual exige pareceres de juízes. A lei brasileira é muito restritiva no que se refere à IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) e a discussão foi acesa. Pelos vistos, há 'uma vida' quando se fala de fetos anencéfalos, e parece-me que não é à vida da grávida que se referem.

O vídeo conta a história de Severina, mulher, agricultora, pobre, grávida de um feto sem cérebro, o qual não sente «mexer». Severina obteve autorização para interromper a gravidez, mas esta chegou tarde. Ela já teria que ter um parto e não mais um aborto. A sua barriga cresceu, o seu corpo sofreu todas as alterações hormonais e sequelas da gravidez, ouviu as perguntas: «é menino ou menina? ou «como se vai chamar?» inúmeras vezes, mas ela não deu à luz um bebé, ela deu à luz um cadáver. Esta semana, o SFT, deu às mulheres brasileiras, a oportunidade de poder decidir se querem passar por todo este sofrimento.



Enquanto isso, dos EUA, vêm notícias que vão no sentido oposto. Há propostas para obrigar as mulheres grávidas de fetos inviáveis a manter a gravidez até que o parto os separe.....o argumento é o de que as galinhas e as vacas também levam as gravidez até ao fim. Bom, mas não seja por isso; se vamos começar a tomar decisões legais baseando-nos unicamente no comportamento animal, proponho já lembrar a estas criaturas que há exemplos na natureza em que, após a cópula, algumas fêmeas - para assegurar a sobrevivência do feto - se alimentam do macho (suponho que isto sirva de justificação para descriminalizar o homicídio do parceiro sexual após o coito, pelo menos no caso das mulheres sem recursos económicos, não?). E considerando que  há galinhas e vacas (entre muitos outros animais) que matam as crias com menores possibilidades de sobrevivência, parece-me que o paralelo tem alguns perigos. Têm mesmo a certeza que querem ir por aí? É que quando Alberto Giubilini e Francesca Minerva publicaram numa revista da especialidade (Ética Médica), um artigo que discutia o infanticídio, alegando que os fetos e os bebés não «possuem o mesmo estatuto moral que as pessoas», choveram ameaças de morte aos autores.  Ah, espera, acabo de me lembrar que para este tipo de gente, só as suas comparações são válidas. As dos outros, ainda que sigam a mesma linha de raciocínio, não servem.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Boa Semana


Festival Literário da Madeira confirmou as melhores expetativas e promete regressar para o ano: com mais dias e mais escritor@s. 


Esta terça, far-se-á ouvir Stravinsky, no Marquês de Pombal (para todo o país a partir da TSF), para receber a Primavera.

E, hoje, a Monstra acontece (até ao final da semana).

Na Biblioteca Nacional podem ver-se as Ordenações Manuelinas (que no original são tão hilariantes quanto adaptadas para português moderno)

Na sexta-feira, Daniel Higgs está em Guimarães - aliás, esta é a cidade onde tudo acontece (e ainda bem).

quinta-feira, 8 de março de 2012

International Women's Day

Barbara Kruger

Feliz Dia Internacional da Mulher 
diz-se no singular, não é? Afinal, somos todas (des)iguais.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cecile had been seduction itself in college....

Liang Su


The construction of a woman:
a woman is not made of flesh
of bone and sinew
belly and breasts, elbows and liver and toe.
She is manufactured like a sports sedan.
She is retooled, refitted and redesigned
every decade.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Da série pérolas a porcos (mas ao contrário)

Ainda não é cardeal, mas ao que parece quer começar com o pé direito: o novíssimo cardeal Manuel Monteiro de Castro quer mostrar serviço, e para atestar que esta não é uma igreja pelas e para as mulheres (apesar de ser alimentada em grande parte pelas mesmas) afirma que a mulher deve ser encorajada a ficar em casa a tempo inteiro ou parcial a fim de que «possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.» 
Não contente com estas confusões essencialistas, e porque a função fundamental da mulher é a educação dos filhos, mas não é a única, acrescenta que «se a mãe tem de trabalhar pela manhã e pela noite e depois chega a casa e o marido quer falar com ela e não tem com quem falar...» As reticências são bem elucidativas desta outra função, certamente essencial, que anda a escapar à mulher.
A mim só me ocorre um conselho: Ó homem, trate-se!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Are you Scared?


"Ela devia estar em casa a cuidar dos filhos em vez de andar a destruir a vida de alguns homens"*


*Declaração de uma habitante de New Bedford, descendente de portugueses - tal como a vítima - Cheryl Araújo - e os acusados, de resto - a propósito de um caso de violação em grupo, que originou este filme. A comunidade portuguesa organizou-se e manifestou-se contra a condenação de quatro violadores.

in Allison, J. A. "Rape: the misunderstood crime"


Eis uma entrevista a Daniel e Michael O'Neill, que socorreram Cheryl.
Um artigo de Grégoir Seither acrescenta que o padre referiu que uma rapariga que vai a um "local daqueles já se sabe o que é que anda à procura e por isso, que não venha chorar depois"
Quase tão hilariante quanto a declaração do pastor, foi a defesa alegar que ao "aceitar beber um copo de vinho com os seus agressores ela estava a concordar com o sexo" e, portanto, o episódio tratar-se-ia de "sexo consentido" e que o pormenor de ela gritar NÃO e se debater "fazia parte do jogo".
...................
Por vezes, ao ler certos comentários a casos de violação  nos jornais, ou em blogues, vem-me à memória a frase do título, que tão bem espelha uma mentalidade que gostaria de acreditar datada.....

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Matem as Mulheres Primeiro - e de todas as maneiras.

Depois de Lara Logan (e quantas mais terá havido, sem que delas se ouvisse falar), outras repórteres ocidentais foram atacadas física e sexualmente, no cumprimento da sua função, na praça Tahir. 

Entretanto, a associação Repórteres Sem Fronteiras (RSF), tão ciente da importância da liberdade de imprensa, não vê outra solução para o problema que não o afastamento das mulheres repórteres da zona. 
Mas, se a questão é a segurança d@s profissionais de imprensa, então porque vem a RSF recomendar que se retirem as mulheres (esses seres que provocam perturbações incontroláveis no sexo oposto) da praça Tahir ao invés de colocar a tónica no aumento das condições de segurança para @s trabalhador@s da imprensa? A não ser que os homens estejam livres de perigo, esta recomendação não parece fazer muito sentido. Alás, um breve passar de olhos na página da associação, que costuma colocar apontar o dedo a quem agride, mata ou censura jornalistas, permite perceber que também OS jornalistas não estão isentos de perigos. Eles também são censurados, isolados, perseguidos, torturados e atacados sexualmente (parece que os homens jornalistas provocam o mesmo efeito junto de certos meios, que as mulheres repórteres junto do sexo oposto, na Praça Tahir). Alguma vez, ouvimos a RSF proclamar que as agências, jornais e televisões deveriam parar de enviar repórteres para cobrir a guerra do Iraque ou do Afeganistão devido aos repetidos ataques aos profissionais da imprensa? Alguma vez a RSF recomendou o não envio de repórteres para uma zona de guerra alegando que... sei lá, entre outras coisas, existia uma enorme probabilidade de... serem mortos? Então porquê agora esta posição?


Imaginando que a imprensa substituiria os membros femininos das suas equipas (temos muitos exemplos portugueses de mulheres em zonas de conflito), estariam os homens mais seguros? Ou iriam estes com mais condições de segurança? Mas, em que se baseia a RSF para acreditar que os jornalistas estrangeiros estarão em segurança na Praça Tahir, desde que sejam homens? E quando forem os homens jornalistas a ser atacados, irá a RSF aconselhar: "não enviem repórteres para a Praça Tahir? Enviem só as câmaras, os computadores e microfones, os homens que fiquem em casa"? Será que a RSF acha que isto é um 'assunto de mulheres'? É que, enquanto no mundo francófono europeu se legisla para proibir o uso da burqua, alegadamente, em "nome da liberdade individual das mulheres e da segurança nacional", a RSF acha que o ataque aos profissionais da imprensa (desde que estes sejam mulheres) se resolve fechando-as nas redacções. Será isto um ataque contra as mulheres - e por isso, a RSF descarta-se dizendo simplesmente: "não enviem mulheres e o assunto fica resolvido" - ou é isto um ataque à liberdade de imprensa e, em simultâneo, um ataque às mulheres repórteres?


As mulheres (jornalistas ou não) já adoptam uma série de comportamentos 'preventivos' de ataques sexuais (evitar certos percursos, evitar sair a certas horas, entre uma longa lista de coisas e comportamentos a 'evitar' e que não inibem a incidência do crime de violação), revelando uma adaptação do comportamento à prevalência deste crime. Já vi, diversas vezes, mulheres repórteres em directos a partir de países islâmicos menos moderados, com a cabeça coberta com um lenço, porém, jamais vi um repórter ocidental, no mesmo país com a barba comprida ou com a cabeça coberta (não são só as mulheres que cobrem a cabeça no Islão). São sempre as vítimas que se têm que adaptar ao comportamento do agressor. O mais grave parece-me quando uma instituição que defende a liberdade, adopta uma posição tão desigual em termos de liberdade, ferindo claramente o direito das redacções à escolha d@ enviad@ e não protegendo o direito a informar em condições de dignidade que tod@s têm.