Lentamente a cidade acorda. Os/as caminhantes com ar sombrio apressam-se pelas ruas sobreviventes.
Aqui onde estou, a tragédia passou quase ao lado e os estabelecimentos abrem portas (a medo). O som que sai de uma tipografia a funcionar transmite-me estranho conforto.
Estes meninos prometem e já constam ali do desenrolar de papiros. A Abertura das Hostilidades é, desde logo, um prenúncio do que por aí vem. Cá estaremos para ler.
...em função dos comentários na caixa do post anterior. Saúde, El Memorioso.
*e de caminho para Sócrates e para MFL, no que diz respeito a:
Everybody knows that the boat is leaking
Everybody knows that the captain lied
Esclarecimento prévio a qualquer tentativa de apedrejamento:
Qualquer relação entre Funes e os restantes é inexistente, tendo os três sido referenciados no mesmo post por mera comodidade. Simplesmente na escolha da obra-prima a ofertar, pareceu certeiro o asterisco graças ao teor de parte da lírica.
A autora está perfeitamente ciente de que apesar deste esclarecimento, o apedrejamento seguirá dentro de momentos, pelo simples facto de ter associado Funes a Leonard Cohen.
Espectante, em plena praça pública, ainda assim retorque que Funes tem muita sorte por ter sido associado a LC, terminando a sua defesa com um singelo "povo ingrato".
Acerca de nós repita-se, antes, o dito do profeta Asaph: «Sois Deuses e todos filhos do Altíssimo.» De tal modo que, abusando da indulgentíssima liberalidade do Pai, não tornemos nociva, em vez de salutar, a livre escolha que ele nos concedeu. Que a nossa alma seja invadida por uma sagrada ambição de não nos contentarmos com as coisas medíocres, mas de anelarmos às mais altas, de nos esforçarmos por atingi-las, com todas as nossas energias, desde o momento em que, querendo-o, isso é possível.
Giovanni Pico Della Mirandola, Discurso Sobre a Dignidade do Homem
Associo algumas séries a momentos específicos do meu curriculum vitae, muito banais, mas que ficaram para agora recordar. Por exemplo, durante as férias grandes, lembro-me seguir o fraternal e ecológico Verão Azul; a simpática e campestre Casa na Pradaria; o cómico Duarte &Companhia; a misteriosa e divertida Fantasy Island; o amoroso The Love Boat e a irreverente Fame.
A citadina Balada de Hill Street, “se bem me lembro", nem sempre conseguia ver , para desconsolo meu, dava tarde e a más horas.
Star Trek dava aos sábados à tarde e a minha mãe interrompia quase sempre a sessão porque queria que eu fosse à loja buscar farinha ou açúcar para os bolos.
Modelo e Detective toda a gente via e eu, claro, também via, mas mais para matar o tempo, não morria de amores pela série.
O Allô, Allô era a animada caricatura da Segunda Guerra Mundial que eu nunca perdia.
As séries Hercule Poirot e Murder, She Wroteerampoliciais bem ao meu gosto.
Às vezes, ainda vejo, na Sic Radical, Seinfeld.
E, "se bem me lembro", Angels in America foi a magnífica sátira que eu desfrutei até último episódio.
A televisão nunca foi coisa pacífica lá em casa. Um progenitor rigoroso apartava-me da maioria das séries de culto, dos filmes provocadores, das novelas apetitosas. A maior parte dos títulos evocados foram vistos aos solavancos, com episódios perdidos e contados oralmente no dia seguinte na escola, ou episódios interrompidos brutalmente porque descoberta, porque o meu Pai chegava a casa e tinha que correr para o quarto e fingir que fazia outra coisa qualquer. Muitos delas foram visionadas na pontinha do sofá, com o som muito baixo para poder ouvir a chave na fechadura, ou na rua pela janela que ficava em frente à televisão. Lembro-me que prometia que quando fosse grande veria todas as novelas brasileiras que pudesse. Agora posso e não as vejo, porque também me parece que eram outras as novelas e outro o travo. Aqui ficam as memórias: das mais antigas para as mais recentes:
1 - Sítio do Pica-pau Amarelo (dispensa apresentações);
2 - Ana dos Cabelos Ruivos (vi em desenho animado e em série com protagonistas de carne e osso);
3 - Eu, Cláudio (sempre tive predilecção por estas séries históricas. Anos depois comprei o livro e devorei-o).
4 - Macgyver - esta é das tais. Passava aos sábados, por hora do almoço, altura em que o meu Pai chegava a casa. Alguns episódios chegava mais cedo e lá perdia o fim. A meio do episódio geralmente tirava o som, para poder ficar mais atenta aos ruídos circundantes.
5 - Pantanal - a única que o meu Pai gostava efectivamente de ver e por isso eu própria vi muito poucos episódios. Mas achava que gostaria de ter visto muitos mais...
6 - Hercule Poirot - esta era consensual e nunca fez parte das interdições.
7 - Twin Peaks - nem pensar! Lembro-me que estava no 9.º ano e a maior parte dos episódios apenas via a primeira parte.
8 - Clarissa - série baseada na obra de Samuel Richardson, que procurei durante muito tempo, de tal forma fiquei impressionada com a série. Nunca encontrei.
9 - Orgulho e Preconceito - encontro imediato com Colin Firth e que dispensa mais explicações.
10 - Absolutamente Fabulosas - e eram/são. Fazia por não perder um episódio que fosse.
11 - Seinfeld - adorava. Não dormia até ver o episódio do dia.
12 - Ally Macbeal - que tenho tido o prazer de continuar recordar com a fox. Aquando do aparecimento da série em Portugal, na TVI (se não estou em erro), lembro-me de colocar o despertador para a poder ver no horário indecente em que era transmitida.
13 - A Muralha - Gostava de rever, se bem que alguns episódios eram absolutamente angustiantes.
14 - Will and Grace- adoro aquelas personagens idiotas.
15 - Roma - se perdesse um episódio, ficava (quase) doente.
16 - Sete Palmos de Terra - ainda hoje, considero-a a melhor série de sempre. Genial!
(depois, ainda me lembrei de Black Adder, de que também sou fã e que espero que venha a constar da minha parca dvdteca).
A partir daqui, continue quem quiser (a começar pel@s restantes escribas deste blog).
Por curiosidade, Sr. Jorge, fui ver o significado do adjectivo "oposto", pois a expressão "sexo oposto" causa-me uma certa impressão.
Oposto adj. 1 colocado em frente a alguma coisa; que está defronte; fronteiro; 2 que é totalmente diferente; inverso; contrário; 3 contraditório; 4 que faz posição; antagónico; 5 Botânica diz-se das folhas e dos ramos inseridos dois a dois e em frente um do outro, no caule.
In Dicionário da Língua Portuguesa 2004, Porto Editora
Afirmou hoje Anselmo Borges. Frase poderosa, dado o contexto e a forma como nos movimentamos(??) por cá. Assunto a desenvolver na próxima lullaby de Domingo. Sérgio Godinho, cheira-me.
Os gostos têm destas coisas. Por mim, a Su coloca acentos quando comenta aqui no blog, e pela Su, obedeço ao seu repto e à generosidade de atribuir a este blog um selo. Esse selo exige que nomeie outros dez selados. Nomeio, mas faço questão de esplanar as nomeações. Depois, as/os nomeadas/os farão o que quiserem, inclusivamente não ligar pêva a isto.
1 - Cat's Eye - porque um manifesto sobre jovens que pensam exige obviamente que "myairisfullofbrain" (e está);
2 - Jorge C e o Entre Deus e o Diabo - porque é um posicionamento desconfortável, o fio da navalha. Mas é o caminho da salvação (vide abertura de O Fio da Navalha de Somerset Maugham);
3 - Maria Velho - melhor mudança de nome de blog dos últimos tempos; ainda me rio com o seu novíssimo, País em Lay-Off (pronto, e já mudou outra vez). In memoriam;
5 - Ponteiros Parados - uma delícia, cuja dificuldade está em escolher qual o post a destacar. Que leiam todos, todos;
6 - Isabela e o seu Mundo Perfeito - porque sim, porque já expliquei inúmeras vezes porque a nomeio sempre que aparecem destas coisas. E não me canso, não me canso de a ler;
7 - Funes, el anti-Derrida - well, apesar de tudo, concordamos em discordar e caramba, lufada de ar fresco com posts absolutamente geniais (não me esqueço do John Funes Kennedy);
8 - Há Vida em Marta - e que vida, companheira de batalha à oposição Funiana (é uma autêntica mulher do leme);
9 - Stanza Oscura - um dos mais belos blogues que conheço (escrita, imagem, música);
As músicas como "Babooshka" e "Nikita" são de um estilo muito "kitsch" , tal como eu considero este dia em que se festeja o "dia da mulher" com toda a pompa e circunstância... Enfim, há dias que não são dias.
Sr. Funes, vomite à vontade, a bílis agradece.
Obrigada por ter captado a mensagem.
A Marta escreveu sobre Porto Santo e sobre o livro Crónicas do Porto Santo, de José Maria Cibrão Campinho, professor há alguns anos naquela ilha. Lembro-me que nos primórdios deste blog lhe fizemos referência e a Marta registou - e leu - no local apropriado.
O Funes comenta o post da Marta, assegurando que pela dupla recomendação terá a única atitude que lhe é possível: não ler, já que anteriormente provamos que as nossas leituras - e refere Torga e Sartre - são comportamentos criminosos. Da minha parte, li muito pouco Torga e algum Sartre. Mas concordo com o Funes que o meu comportamento é, de facto, resultado de uma profunda tendência para o fomento de leituras pouco recomendáveis, nomeadamente blogosféricas. É que efectivamente, a minha sanidade mental não pode ser famosa já que há alguns anos alimento o mau hábito de ler Funes, El Memorioso e, pior que isso, gostar do que leio.
"- Da minha parte uma óbvia tentativa de aniquilação, da parte dela uma claríssima tensão sexual."
(longo período de tentativa de controlo do riso) - Cale-se, seu..., seu..., pífio. Não conspurque os meus ouvidos"
(Este post é da exclusiva responsabilidade da Ceridwen e da Woab. Qualquer parecença com a realidade é pura má língua.)
Qualquer dia Funes associa-se de vez a DM e percorrem as cidades do País com um autocarro fretado para o efeito, em que se pode ler: "Provavelmente Derrida é uma porcaria. Portanto, pare de se preocupar e dedique-se alegremente à denúncia da psicofoda*."
*Lembre-se, caro Funes, que a terminologia é do seu amiguinho que foi buscá-la não sei a quem.
O tipo engasga-se, decide repetir a cena toda, e eu é que sou a chatinha? Quando não morávamos juntos, nunca me chamaste de chatinha. Agora, nem passada uma semana desde que juntámos trapos, já andas nisto.