quinta-feira, 19 de março de 2015
Passos Coelho, o Indeciso
Informa a TSF que Passos Coelho quer «"remover num par de anos" todas as medidas extraordinárias do tempo da troika». Nem sei se ria agora, ou espere pelas eleições.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Senhoras e Senhores, a vossa atenção...
domingo, 8 de março de 2015
Dia Internacional das Mulheres
Esta caricatura publicada no Charlie Hebdo demonstra maravilhosamente a atitude do mundo ocidental face à comodificação [peço emprestada a palavra ao Fairclough] do corpo das mulheres.
Enquanto este serve para ser olhado, cobiçado, tocado, manipulado para o prazer do outro, tudo bem. Quando as proprietárias desses corpos reclamam para si o poder de os usar como bem entendem, inclusivamente, desnudando-se [pasme-se!] para si ou como forma de luta, e não para serem vistas pelo olhar masculino, então é o nosso senhor nos acuda, que o mundo acabou e é tudo uma pouca vergonha.
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| FEMEN par Charlie Hebdo |
E neste dia Internacional das mulheres, se calhar, podíamos aproveitar e refletir sobre a facilidade com que aceitamos a discriminação contra as mulheres como conceito comercial, em pleno século XXI. O que li sobre a intervenção das feministas na barbearia causou-me perplexidade. Uma coisa é criticar a ação (por se defender outros tipos de intervenções); outra, muito diferente, é defender como admissível um conceito comercial que coloca as mulheres abaixo de cães e que, ilegalmente, lhes interdita a entrada, com base na ideia ser muito gira, e os tipos até são empreendedores e, ah, claro, o conceito está disseminado na Europa (se os outros têm é porque deve ser bom). Ah, e já agora aproveitar a onda da reflexão e olhar bem para a capa da Lux Woman que tem duas «feministas assumidas» - o assumida (o adjetivo usado para revelar publicamente alguma característica que se sabe ser reprovável pela maioria) deixa antever a confusão que vai nas cabecinhas de muita gente a propósito do conceito de feminismo. O Priberam sabe o que é, já o Ciberdúvidas, cujos conhecimentos da língua portuguesa são incontestáveis, está um pouco confuso.
terça-feira, 3 de março de 2015
Ai não?
Segundo o Público, estas são palavras de Paulo Cunha e Silva, vereador da cultura da Câmara do Porto. Estas declarações foram ditas a propósito da crítica de Carla Miranda, vereadora sem pelouro, da mesma autarquia, a quem, segundo o jornal, o presidente da Câmara, Rui Moreira, mandou ter "dois pingos de vergonha".
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| This isn't happiness |
De acordo com a notícia, Miranda terá criticado a atribuição de uma medalha municipal de mérito a Sindika Dokolo, marido da oligarca Isabel dos Santos. Dokolo é um poderoso colecionador de arte, que passeia as suas aquisições um pouco por todo o mundo. Predispôs-se a levá-las à Invicta. Pelo que consegui perceber, a oposição de Miranda incide na atribuição da medalha de mérito. O que, decididamente, ultrapassa a minha compreensão são as declarações de Cunha e Silva, vereador da cultura. Então não importa a origem da coleção? Se o produto tiver sido roubado pode ser exposto? Se for comprado com recurso à exploração de mão de obra escrava também não há problema? E se vier do Estado Islâmico também pode ser? (eu sei que é pouco provável, que eles optam por destruir a arte, mas vá, estamos no campo da imaginação). Se for oferta do Mubarak ou do Yanukovych também marcham?
O que me parece inaceitável não é sequer a atribuição de uma medalha de mérito a um colecionador de arte (isso pode ser discutível, e parece-me bem que seja discutido e que se discuta sim, a qualificação da pessoa a quem se vai atribuir o mérito, evidentemente! Afinal de contas, a medalha é suposto simbolizar o mérito, logo, mais que natural que se avalie se a pessoa a merece ou não). Se Dokolo tem ou não mérito? Não faço ideia. Mas espero que, quem vai atribuir a medalha, não o faça somente por ele ser casado com uma das mulheres mais poderosas do planeta, cujo pai lidera um país com desigualdades sociais gritantes e com atropelos muito graves à liberdade de expressão, conforme denúncias da Amnistia Internacional. Ou apenas por ele ser dono de uma ótima coleção de arte, porque embora ele seja o único marido de Isabel dos Santos, não é o único colecionador de arte do mundo, de resto, só no país temos vários, um dos quais com uma coleção particularmente bem cotada.
O que realmente me parece intolerável é que uma pessoa com responsabilidades, no poder local, venha dizer publicamente que "não importa a origem da coleção"? Ai não? Olhe, na altura em que as oligarquias caem há sempre gente que se desvincula. Deve ser dos «macaquinhos no sótão».
O que me parece inaceitável não é sequer a atribuição de uma medalha de mérito a um colecionador de arte (isso pode ser discutível, e parece-me bem que seja discutido e que se discuta sim, a qualificação da pessoa a quem se vai atribuir o mérito, evidentemente! Afinal de contas, a medalha é suposto simbolizar o mérito, logo, mais que natural que se avalie se a pessoa a merece ou não). Se Dokolo tem ou não mérito? Não faço ideia. Mas espero que, quem vai atribuir a medalha, não o faça somente por ele ser casado com uma das mulheres mais poderosas do planeta, cujo pai lidera um país com desigualdades sociais gritantes e com atropelos muito graves à liberdade de expressão, conforme denúncias da Amnistia Internacional. Ou apenas por ele ser dono de uma ótima coleção de arte, porque embora ele seja o único marido de Isabel dos Santos, não é o único colecionador de arte do mundo, de resto, só no país temos vários, um dos quais com uma coleção particularmente bem cotada.
O que realmente me parece intolerável é que uma pessoa com responsabilidades, no poder local, venha dizer publicamente que "não importa a origem da coleção"? Ai não? Olhe, na altura em que as oligarquias caem há sempre gente que se desvincula. Deve ser dos «macaquinhos no sótão».
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Men of quality do not fear equality
Ser mulher na Turquia.
Ter o azar de viver num país presidido por alguém com as visões do Tayyip Erdogan, acerca das mulheres e das relações de género, e ter a sorte de partilhar o país com homens que se insurgem perante a violência contra as mulheres, e solidarizam com a luta pela igualdade.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
[Nous sommes tous] Charlie Hebdo
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
1999
Todos os dias o relógio marcava 06:20, sinal de que era hora de arrastar o corpo até à cozinha. Enquanto tentava lembrar-se de que o mundo não era apenas aquele quotidiano repetitivo, a Euronews passava este vídeo. Aliviava um pouco o peso da existência.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Em Portugal há 33 violações por mês
Em 2004, Susana Maria publicou a sua tese de mestrado sobre sobreviventes de violação. Durante a investigação, a Susana falou entrevistou polícias, médicos/as e sobreviventes - algumas das quais com denúncia e processo a decorrer, outras que optaram pelo silêncio e tentaram o esquecimento procurando apoio numa das Organizações Não Governamentais de apoio a vítimas e sobreviventes.
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| Henrique Monteiro |
Uma das conclusões do seu trabalho é a de que é necessário um centro especializado para vítimas de crimes sexuais. Não, o instituto de medicina legal (IML) é tudo menos suficiente. Não, as ONG's não têm condições para prestar este apoio imediato e essencial. Como explicou uma das médicas entrevistadas à autora deste trabalho:
"Não existe um serviço especializado para atendimento a vítimas de
violação. Não conheço nenhum hospital que o tenha. A mesma médica refere,
ainda, ter algumas dificuldades em lidar com situações de violação: "não com as lesões físicas, mas para dar encaminhamento ou aconselhamento
sim".
E completa referindo "Nestas situações de violação a mais urgente é
a criação de apoios imediatos, ou seja, apoio na crise (. ..), porque é a partir daí que a pessoa começa a organizar as
coisas, os sentimentos, toda a situação; porque naquele momento eu penso que a
pessoa não consegue entender a que lhe aconteceu conscientemente e, posteriormente, traz-lhe problemas [consequências mais tarde]. As pessoas deveriam receber esse apoio no
momento em que são vistas pelos médicos.».
Naturalmente, sabemos que muitas vítimas não são vistas por médicos/as. Sabemos que muitas não denunciam a ninguém ou que o fazem passado muito tempo. Para que todas as pessoas vítimas de crimes sexuais possam ter apoio na crise. Para que todas as mulheres - sim, há homens violados, mas a assimetria é abissal [mesmo considerando as violações intraprisionais] - possam ter apoio neste momento crucial.
É por sabermos que estes momentos são fundamentais para que a vítima possa gerir o momento traumático, que foi criada uma PETIÇÃO com a exigência da criação de um centro especializado no apoio a vítimas de violação. Para assinarem e divulgarem, caso concordem.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Strawberry Fields Forever
Não sou aderente da crença do in vino veritas por saber que, para além de desinibidor, o álcool também tem como efeito a distorção da percepção do sujeito que está alcoolizado. Contrariamente ao que a expressão latina parece induzir, o álcool não é uma poção da verdade. Assim, não é de espantar que a maior parte das coisas que me tenham sido ditas por pessoas embriagadas estivessem longe de corresponder à verdade. Ainda que, frequentemente, a realidade não correspondesse ao oposto das suas declarações, estas representavam um cenário muito, muito distante dos factos. No entanto, não foi o álcool que fez as pessoas dizerem-me aquelas coisas. Era da sua personalidade mentir; simplesmente, etilizadas, mentiam mais [não necessariamente melhor, apenas mais].
domingo, 23 de novembro de 2014
"Listeners of Atrocity"
Pergunto-me frequentemente como é que se consegue conhecer - no sentido de tomar conhecimento, ter notícia - a maldade humana e lhe sobreviver. Não falo de a experienciar, de ser vítima. Mas de testemunhar - ainda que indiretamente - essa mesma maldade. Jeanne Sarson e Linda MacDonald dedicam grande parte do seu quotidiano a ouvir vítimas de tortura [não estatal]; a descrição do «no gag reflex» foi apenas uma.
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| Jennifer McClure |
Everything got twisted in “the family” - even food. For example, mashed potatoes were a very effective training tool. “The family” would stuff and stuff mashed potatoes into my mouth and throat, massage my throat while speaking ever so softly in voice tones that were trance and hypnotic-inducing. This exercise trained me to let the mashed potatoes slide down my throat without gagging, which taught and conditioned me not to gag during experiences of oral rape; something my father and others did very frequently to me.
Hoje, ao ouvir como é que uma criança lhes havia explicado que tinha o rosto negro por se ter magoado a jogar basebol, fechei os olhos por momentos, com força, na esperança de, de alguma forma, parar de visualizar o que elas me estavam a explicar que a criança mostrara quando lhe pediram para ela demonstrar como é que tinha jogado basebol. Alguém segurava o taco....
Não sei como é que se sobrevive a isto.
domingo, 9 de novembro de 2014
e depois veio o concerto dos Pink Floyd :)
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
#ElaporEla [Jessica Athayde]
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| "O que é que há de ERRADO nesta imagem? ABSOLUTAMENTE NADA" #Stopthebeautymadness & #ElaporEla |
Até hoje não fazia ideia de quem é a Jessica Athayde. É uma atriz portuguesa. Em Portugal e, um pouco por todo o mundo ocidentalizado, há uma enorme conexão entre o mundo da moda e o mundo do espectáculo com as agências de modelos a enviarem regularmente para os castings televisivos e de cinema os/as seus/suas modelos. Isso sucede porque se privilegia a imagem sobre a formação em representação.
Esta lógica está instalada há tantos anos que muitos/as profissionais não questionam sequer a coerência ou a utilidade disto. Quando há uma década questionei a minha diretora porque é que ela pediu um apresentador a agências de modelos em vez de a escolas de teatro e de cinema, ela olhou-me perplexa e respondeu: «não me ocorreu tal coisa».
Quando se diz «as mamas dela estão a vender» a propósito de uma apresentadora com enorme dificuldade de articulação, percebe-se bem o papel que atribuem áquela pessoa. A televisão e os media são fábricas de produção de estrelas cadentes. No dia em que as mamas dela não venderem, ela cai. Porque ela É o seu corpo. Os homens têm um corpo, as mulheres são o corpo. E é sobre esta questão que a Jessica fala num texto em resposta às críticas que recebeu a propósito da sua participação num desfile de moda.
Claro que algumas críticas terão fonte feminina. As mulheres são rápidas a criticar o [seu] corpo e o de outras. Não porque haja alguma maldade particular em todas as mulheres [isso é coisa da Idade Média, ok? Já passou, podem guardar as ideias medievais sobre a malícia que habita o sexo feminino; embora haja, naturalmente mulheres más e mulheres que têm comportamentos que revelam crueldade isso não é uma característica extensível a todo o grupo de seres humanos do sexo feminino; portanto, viajem até à contemporaneidade: vão ver que vos vai fazer bem];
também não acho que as considerações negativas tenham como motivação a inveja. Essa coisa do quem desdenha quer comprar é uma interpretação básica e duvidosa do processo de projeção [transferência para o/a outro/a o que nós fazemos ou queremos]. A inveja não explica tudo. Quando criticamos a rapariga que diz nos media que o seu desejo é ter uma mala da channel não é a inveja que origina a crítica. É um pouco mais complexo que isso. E sim, nada disto invalida que haja mulheres com inveja de outras mulheres, simplesmente nem todas as críticas têm como motivação a inveja.
As mulheres autopoliciam-se constantemente. E esse autopoliciamento implica também uma avaliação constante do corpo das outras mulheres. As capas das revistas femininas não são assim tão diferentes das capas das revistas masculinas e, no entanto, o público alvo é diferente. O olhar desses públicos também é diferente, apesar de todos/as avaliarem. E porque as mulheres são avaliadas não pelo que sabem fazer ou pelo que são, mas pelo que parecem, a avaliação sobre o corpo feminino é constante.
Jessica Athayde, num texto da sua página pessoal, convida as mulheres a resistir ao simplismo da redução da pessoa ao seu corpo. E eu estou com ela.
#Ela por Ela.
& Claro, o
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Recado à Câmara Municipal de Lisboa
Caríssimos/as da autarquia,
A sério que não dava para antecipar que sem limpeza [ou sem limpeza de jeito] qualquer metro cúbico de pluviosidade vale por quilómetros cúbicos de águadeiro?
Se, sempre que chover a cântaros, a rotunda do Marquês ficar no estado em que estava há duas horas, só por causa da chuvada que são pedro lá deixou cair, então o melhor é preparmos muitas câmaras de ar para tornar os carros híbridos - mas do hibridismo terra/mar e não gasolina/eletricidade.
A rotunda [e a avenida da Liberdade!] pareciam maravilhas de um país onde não se pagam impostos. Nem imagino como estaria a estação do metro....
domingo, 14 de setembro de 2014
O vício da pobreza
«Em Portugal há aquilo a que chamamos a transmissão intergeracional da pobreza e temos que quebrar com essa transmissão.» Isabel Jonet
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| reblogged from thisisn'thappiness |
Absolutamente verdadeira, esta declaração apenas surpreende pela frase que lhe segue.
Jonet considera que é por uma espécie de deficiência genética que a alguém que nasce, cresce - vive - numa família pobre, não consiga sair do ciclo de pobreza. Jonet fala de pobres como se a pobreza fosse a sua identidade. É como se a pobreza fosse uma nação com cidadãos/ãs - os/as pobres. Estes/as parecem ter uma lacuna, uma falha no desenvolvimento - talvez um vírus, quem sabe - porque insistem em «manter-se na pobreza». Afinal de contas, de acordo com a presidente do Banco Alimentar (BA), nesse país chamado pobreza «há profissionais habituados a andar de mão estendida, sem qualquer preocupação em mudar». E não pode ser, não é, Jonet? Isso de ser pobrezinho por opção tem que acabar. A solução? «quando se ajuda uma família pobre, deve-se procurar que essa família queira deixar de ser pobre». A pobreza é uma doença, o assistencialismo um dependência.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Oh, poor me! I'm just a sad man....
O que os piropos querem dizer
sexta-feira, 11 de julho de 2014
# Stop the Beauty Madness
Onde há poder há resistência
Foucault
Foucault
É claro que sim, que esta campanha merece mais do que uma imagem e uma ligação, mas o tempo escasseia. Não é apenas uma ideia à la Dove, como quando a marca mostra que há mais tipos de beleza do que os media nos mostram.
A #Stop the Beauty Madness não pretende apenas mostrar que há diferentes tipos de beleza e de corpos, mas sim questionar a importância da beleza nas nossas sociedades.
sábado, 5 de julho de 2014
O que adoro no Porto - II
Caminhar da Casa da Música até ao Castelo do Queijo.
Comer uma tosta na Casinha.
Parar em Agramonte para chorar o meu amor.
Comer um gelado numa esplanada da praia e respirar.
E a rua Fernandes Tomás, pois claro.
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