quinta-feira, 8 de maio de 2014




Leio, no DN, que 866 mil pessoas viram o festival da eurovisão, no qual a Susy foi eliminada.
Ocorreu-me que o CDS não conseguiu sequer 700 mil votos e (des)governa as nossas vidas.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Solidariedade e Liberdade

Alfredo Cunha, 25 de Abril 1974. A partir daqui.

A cidade é um chão de palavras pisadas
A palavra criança, a palavra segredo
A cidade é um céu de palavras paradas
A palavra distância, a palavra medo
(...)

Ary dos Santos

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Aumento do SMN: é agora que os/as pobres vão voltar a viver acima das suas possibilidades!


Ontem ouvi no Fórum da TSF, um senhor de uma associação do comércio (infelizmente, não memorizei o nome) afirmar que um aumento do Salário Mínimo Nacional seria benéfico porque ia causar uma «animação no consumo», uma vez que, segundo ele, as pessoas usam o salário mínimo «para consumo».




Não sei em que país este senhor vive, mas não é certamente aquele em que eu vivo, ou, pelo menos, com as pessoas que eu conheço e que ganham o salário mínimo nacional, por um trabalho de oito horas diárias. E não, essas pessoas não trabalham em nenhuma linha de montagem industrial. Trabalham num centro de contacto (ou seja, um trabalho neo-fordiano na área dos serviços), que anuncia a linha como «altamente especializada» e onde a empresa cliente paga à empresa de outsourcing mais do dobro por cada posto de trabalho, que aquilo que quem ocupa efetivamente esse posto recebe. Porquê? Porque, prefere dar dinheiro a uma empresa intermediária que, mensalmente, fica com 50% de lucro (já depois de descontado os proporcionais de subsídios de natal e de férias e eventuais indemnizações de final de contrato).

O que irão fazer estes/as assistentes cujos passes sociais podem custar 92€ e que ganham 485€? Consumir, pois claro. Suponho que por consumo se estivesse o senhor a referir a aquisição de bens não essenciais. Mas eu posso esclarecer: estas pessoas, se forem aumentadas e se esse aumento não for consumido pelo Estado sob a forma de impostos, irão pagar dívidas: as dívidas que são obrigadas a contrair para poder sobreviver. Animar o consumo? Esta gente não tem a menor noção do que é viver com 485€ mensais. Mesmo.


terça-feira, 18 de março de 2014

Queria de ti um País

Chegou o
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A 4.ª Edição do Festival Literário da Madeira «adotou como porta-estandarte os versos» de Mário Cesariny:

Queria de ti um país de bondade e de bruma
Queria de ti o mar de uma rosa de espuma






quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"Vamos fingir que a questão é o aborto"







Portugal costuma ser um país onde as tendências demoram a chegar. Talvez seja da posição geográfica. 
No entanto, desta vez - talvez pelo efeito globalizante da União Europeia - certas correntes não tardaram a dar o ar de sua graça. O post da Isabel Moreira trata precisamente disso.
Os ventos ultraconservadores que assolam alguns países europeus (para além de Espanha, agora em França gritam-se coisas divertidíssimas como «não toquem nos nossos estereótipos de género» - uma verdadeira ternura, embora eu prefira a versão de que a «teoria do género visa destruir a Criação e libertar todas as perversões humanas»: uns demónios, portanto. Ou melhor, umas filhas do demo, que já se sabe que onde há maldade há mulheres). Da Polónia também não vêm melhores ventos.


De notar que não tenho nada contra quem não aceita o aborto como uma solução ou que não compreenda orientações sexuais diferentes da sua. Desde que se mantenham na sua vida. Eu, que sou a favor da IVG, e que defendo que todas as mulheres têm o direito (dentro das condições previstas na atual lei) a decidir pela continuidade ou não de uma gravidez, não impeço ninguém de ter filhos. Aliás, quem está minimamente familiarizado com o processo sabe bem que é muito mais fácil apoiar uma grávida em desespero e indecisa que vá a um hospital para interromper uma gravidez - porque há uma equipa que se encarrega de lhe dar soluções que ela desconhece e à qual seria impossível recorrendo à clandestinidade.


Não me incomoda minimamente que alguém diga (e aja em conformidade) que jamais abortaria (porque é contra as suas convicções ou por outro motivo qualquer). Agora, não se venham meter na minha vida e na vida alheia. E sim, acho que é dever do Estado criar condições e apoiar toda a gente que queira ter filhos e que não os ter (quando se quer ser mãe e pai) por falta de apoio do Estado é um redondo falhanço das funções do Estado e dos direitos de cidadania. Apoio do Estado passa por políticas amigas da família, por uam carga fiscal menos pesada e pela facilidade de acesso a estruturas de apoio educativo a custos acessíveis. Da mesma maneira não me incomoda que alguém afirme que discorda do casamento entre pessoas do mesmo sexo e que a ICAR não o reconheça no direito canónico. É-me indiferente. Estão no seu direito. Agora, vamos lá ver: a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que eu saiba, não veio prejudicar o contrato conjugal heterossexual. Portanto, a única coisa que vejo que possa motivar a oposição é uma grosseira intromissão na vida privada de outra pessoa. Eu posso achar um disparate alguém fazer um contrato de compra e venda com condições que considere obscenas. Se isso me dá o direito de impedir a celebração daquele contrato? Não, não dá. Portanto, meninos/as concentrem-se lá nas vossas vidinhas e deixem que cada um cuide da sua, ok?

Ah, e poupem lá na conversinha de que «se trata de uma vida». É que quando papagueiam essa conversa quer-me parecer que não é da vida da grávida que estão a falar. Pelos vistos, há vidas mais importantes que outras. Savita Halappanavar. Ouviram falar? Está morta. Porque, apesar de nem ser católica, uma cambada de obscurantistas se recusou a fazer-lhe um aborto porque o coração do feto ainda batia. Um feto de 17 semanas. O coração desta mulher de 31 anos também bateu até ao dia 28 de Outubro de 2012. 
Não se atrevam a falar em respeito pela vida.

Ah, no meu caso, não é só a barriga que é minha, a vida também. Não, a minha vida não pertence a deus, que se ele quiser, há-de ter muito mais que fazer que andar a fiscalizar as alcovas e consciências alheias. Há muito certamente para deus fazer no planeta. Estou em crer que ele não quer saber de sexo para nada.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014


Após todas entrevistas, conferências de imprensa, reportagens, discussões, denúncias, artigos de opinião, e processo-crime, nem se cumpre um período de nojo. 
Hoje, havia praxantes e praxados/as no jardim do Campo Grande.

Como se nada tivesse acontecido. Como se não houvesse um antes e um pós-Meco. É como se, vestidos daquela maneira - em contraste com os vestidos à futrica - dissessem: queremos lá saber do Meco para alguma coisa. Quem manda aqui somos nós. 

Não, não é um ato de coragem ou de rebeldia. Quem precisa de se afirmar à custa da humilhação alheia está condenado/a a ser um/a cobarde para sempre.
É um ato de cobardia - precisamente porque sabem de antemão que nada irá acontecer. Porque nunca nada aconteceu, exceto para as vítimas e,  nos casos mortais, também para  as suas famílias.

Reblogged from This isn't Happiness


Ah, esqueci-me, era tudo integração. Em Fevereiro ainda precisam de (mandar) rastejar e comer relva para (se) integrarem. E eu achar que era só no início das aulas.

Julgo que, contrariamente ao que fui ouvindo, em Setembro nada mudará. Para quem não quer participar mas se sente coagido/a ou pressionado/a a fazê-lo não haverá diferenças. A hostilidade permanecerá igual.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Alucinação


E se, ao entrar na cafetaria da Biblioteca Nacional, vir o Jeremy Irons a beber um café isso é...
uma alucinação, evidentemente.


Acontece-me frequentemente, não necessariamente com o Jeremy Irons, mas a minha propensão para ver pessoas em objetos e vice-versa é já um clássico.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014




Isso não é verdade (para além de ser um argumento totalmente idiota).

O Estado proíbe a condução a pessoas sem habilitação legal e que estejam sob efeito de um determinado valor de substância alcoolizante ou estupefaciente. Aliás, é precisamente porque «morrem pessoas nas estradas» e com o objetivo de dissuadir certas condutas consideradas perigosas para si e para os/as outros/as, que o Estado as criminaliza. Adicionalmente, pode haver cassação da carta de condução... portanto, sim, proibe-se muita gente de andar na estrada! Mais, a ignorância da lei (desconhecer que sem um título legal não se pode conduzir) não inibe a culpa (embora a possa atenuar) pelo crime. E sim, dependendo do grau de intoxicação e do comportamento do/a condutor pode ser crime, e portanto, ser punido com pena privativa da liberdade, que é como quem diz, cadeia. 

Há coisas fantásticas, não há?

As pessoas às vezes dizem cada coisa. Se o administrador não é favorável à proibição da praxe (e está no seu direito) então que defenda a sua convicção com argumentos... sei lá, intelectualmente honestos e, já agora, racionais.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Oh Boy




A sessão de abertura da Mostra de Cinema de Expressão Alemã - Kino (cinema, em alemão), organizada pelo Goethe Institut - continua a  proporcionar excelentes serões no São Jorge. 

Depois de Barbara (as idiossincrasias, tensões e contradições de uma alemanha dividida), de Almanya (filme maravilha sobre uma família turca a viver há duas gerações na terra da Angela Merkel, cujo patriarca decide fazer uma viagem familiar ao país do Atartürk); Drei, que como o próprio nome indica, relata o encontro e (reencontro) de três pessoas que se relacionam romanticamente (esqueçam as estórias de um gajo que trai a mulher ou da gaja que trai o marido. Este não é um filme de triângulos em que há uma pessoa traída e outra que trai. Esta é uma estória fantástica ao agrado da comunidade poliamorosa) e de Same same but different (a história de Benjamin Prüfer baseada num episódio marcante da sua vida), eis que a Kino traz para o ecrã do São Jorge (e, pela primeira vez, para o Teatro do Campo Alegre no Porto, e para o TAGV em Coimbra), Oh Boy, um filme a preto e branco, com um Tom Schilling verdadeiramente entregue à tarefa de fazer viver Nico Fischer, esse trintinho alemão que não sabe bem o que fazer à vida.

Para além das bandas sonoras (os filmes alemães que vi são um bom exemplo de como uma banda sonora bem escolhida pode melhorar substancialmente a experiência de assistir ao desenrolar de uma estória), os filmes selecionados para abrir as Kino refletem muito da vivência alemã. Apesar de o Drei se poder passar em qualquer país ocidental (sobretudo do norte da Europa), e de a nacionalidade do rapaz do Same same but different facilmente se poder alterar sem adulterar o conteúdo da história, a verdade é que há imensos detalhes que só poderiam passar-se na Alemanha. As reações dos clientes do bar (Oh Boy) onde o velho faz a saudação hitleraiana não poderiam ocorrer noutro local que não na Alemanha. A narração da noite de cristal também não.

Contudo, a Kino é uma mostra de cinema de expressão alemã e não de cinema alemão (apesar de este post poder indiciar outra coisa, mas apenas me refiro a filmes de abertura) e, portanto, as películas em exibição podem ser suiças, luxemburguesas, austríacas e alemãs). Portugal, o Brasil, Timor e os PALOP nunca poderiam fazer uma coisa destas, pois não? Estamos demasiado concentrados/as em provar como o português europeu é melhor que o do Brasil e ignoramos magistralmente Timor e qualquer país dos PALOP. Não, o alemão que se fala no cantão alemão da Suiça, evidentemente, não é igual ao que se fala em Berlim. Aliás, duvido muito que o que se fala em Berlim seja igual ao que se fala em Bona. O português padrão - que se ouve na televisão e nos media - não representa todos/as os/as falantes. A língua é muito mais rica do que aquilo que os media (e alguns/mas intelectuais) nos fazem (querem fazer) crer.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Sedução

This isn't happiness


Durante anos (na verdade, séculos), a legislação portuguesa previa o crime de estupro, o qual consistia na relação sexual (ou melhor, na cópula) consentida - e conseguida - através de sedução. Ora, por causa disto, os nossos doutos juízes discorreram linhas e linhas acerca do que seria «seduzir alguém». Alguns sustentavam que sedução seriam atos de «fraude ou engano». Ou seja «um processo de determinar alguém a praticar uma ação contrária ao seu dever ou aos seus interesses, e que, sem a sedução, não teria praticado».

E eu estou aqui a pensar que uma sociedade que acredita e define sedução como um processo com vista à manipulação é uma sociedade com muito pouca imaginação.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Runião geral das pessoas que dizem tufone

The GatheringGlen Tarnowski


Eu bem sei que a Língua é um organismo vivo e, portanto, em permanente mudança. Que o que dita a curva da fertilidade lexical é o uso que os/as falantes fazem da sua Língua. Também estou ciente que é provável que, daqui a uns anos, quinhentas gramas se tenha tornado na fórmula correta, apesar de, atualmente, a palavra [grama] ser (ainda) do género masculino.

Mas estou convicta que no dia em que, por insistência de alguns/mas cidadãos/ãs,  os telefones passarem a tufones e as reuniões a runiões  ter-se-à prestado um estranho [péssimo] serviço à Língua portuguesa.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Hoje a minha deusa deixou de ter o calcanhar em sangue




Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos.

Manuel António Pina



Algures em Março de 2000.
16 de Dezembro de 2013


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Clap! Clap! Clap! Clap!

Porque é que as pessoas aplaudem no cinema?

reblogged from Flickchart

Raramente vou ao cinema, mas que me recorde, não é habitual as pessoas baterem palmas no final de um filme  (muito menos durante o mesmo). Ora, recentemente, numa exibição de curtas, grande parte da assistência desatava a bater palmas como se estivessem a ser ameaçados pelo Passos Coelho em pessoa, no fim de cada película. Tendo em conta que estamos a falar de filmes com a duração de 5 a 9 minutos conseguem imaginar a quantidade de vezes que aquela gente dava à palminha.

Entendendo o ato de bater palmas como um ato comunicacional que, à partida num espetáculo, manifesta o agrado pela criação a que se assistiu e o reconhecimento ao/à criador/a é, no mínímo, estranho que se aplique esse código na ausência do/a criador/a. Os aplausos são também comuns em comícios, exprimindo agrado e concordância com a(s) ideias que o/a líder/orador/a comunica. Mas o que estão os aplausos a fazer numa sala de cinema, se não está lá ninguém da produção do filme? É que tenho quase a certeza que as palmas não são para o/a técnico/a da sala de projeção.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Estalo Novo

I HAVE A DREAM   



«Ao senhor presidente da República, ao senhor primeiro-ministro, à senhora ministra das finanças, a todos os membros do governo: pedimos desculpa por ainda estarmos vivos, boicotando a preservação do Orçamento de Estado»
 


Companhia Maior        
«Ao senhor presidente da República, ao senhor primeiro-ministro, à senhora ministra das finanças: faremos todos os nossos esforços para continuarmos vivos»

 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013



Fernando Alves canta Natália Correia

Espólio Natália Correia da Biblioteca Nacional

[e não lhe contemos os anos, pois a sua poesia - e ela - não têm idade, nem são marcadas pelo tempo]
E por ora, a imagem que quero registar é a dos traços da sua caligrafia.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

E quando chegarem às urnas, lembrem-se: legalidade não é moralidade

O Tribunal Constitucional decidiu, no que diz respeito à Lei de Limitação de Mandatos, que esta tem uma restrição meramente territorial, pelo que os candidatos podem mover-se de uma autarquia para outra quando esgotarem as possibilidades na primeira. Percebo a decisão do TC. Mas este é um dos casos em que não está apenas em causa a legalidade. 
Podemos pensar a questão a partir de outros critérios, nomeadamente ético e político. Primeiro porque cabe a cada um/a de nós, eleitores/as, perguntar se é correto este género de manobra. Se é o melhor para a gestão pública que seja possível este género de troca territorial. Depois, porque é preciso decidirmos se queremos eleger gente que se candidata apenas pelo cargo, e não pela região a que se propõe. Decidirmos se queremos que essa gente carregue os amigos também. E principalmente, cabe a cada um de nós saber se queremos validar a os partidos que permitem e incentivam este género de trafulhice. 
Que gente é esta? Que partidos políticos são estes, que procuram expedientes legais para validarem o que é imoral?
Queremos esta gente à frente dos nossos destinos?