sexta-feira, 1 de março de 2013


Uma pessoa sabe que está a precisar de sair mais de casa quando passa pela porta do Ritz e não reconhece a entrada.



Em noite de concerto de lançamento de album, os Fuzz Drivers tocaram para uma sala repleta de amigos/as. Nem todas (bandas) se podem gabar do mesmo, sobretudo quando ainda não têm o nome nos escaparates. A bateria inclui um gongo (!) e é linda de se ver (e ouvir!). O vocalista é muito comunicativo e um contador de histórias (a história da banda, a história de cada música, a história do CD, etc.). O desenho é da autoria do holandês Konahin (adoro a capa deste CD).


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Festival Literário da Madeira - Manifesto às Artes ou subsídios para a desinstalação do medo

- A senhora está a sentir-se hesitante, não é? É bom sinal, é sinal de que a instalação do medo já começou. Sabe, minha senhora, isto da instalação do medo tem uma parte física e uma parte metafísica.
A mulher assente.
- Ou seja, não cabe só a nós instalar o medo, é preciso que também haja, da parte dos concidadãos, um estado de disponibilidade mental (eu diria mesmo moral) para aceitar o medo.

Rui Zink (2012). A Instalação do Medo. Lisboa: Teodolito, p.19.



Rui Zink é uma das presenças confirmadas no Festival Literário da Madeira (1 a 7 de Abril de 2013). 
Ide e espalhai a Boa Nova.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ao cuidado do Luís


A tua grândola é uma afronta à Grândola do restante País, porque nesta o Povo é quem mais ordena.

O Festival Literário da Madeira já mexe


De 1 a 7 de Abril, no Teatro Baltazar Dias.
Todas as novidades serão divulgadas aqui e aqui.

Para já, sabemos que a conferência de abertura será feita pela Naomi Wolf.
Já estou a salivar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013






In one sense, all feminism is by definition 'radical', challenging the central tenets of legal and political thought and demanding full citizenship for women in society.

Hilaire Barnett

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Passos Coelho outra vez


Há que reconhecer mestria neste anúncio de Passos Coelho (custa, é verdade, mas a César o que é de César - sendo que «César» é quase uma hipérbole). 
Paulo Portas, que até ao momento faz parte do governo mas condena as medidas do governo, Paulo Portas que até viaja quando as «medidas»* são anunciadas para afirmar, de longe, que só comenta quando estiver em território português, acaba de ficar com o menino dos 4 milhões no colo. 
Vai ser bonito de se ver, assumir pela primeira vez que alinha em privado o que nega em público.

*Se quiser, pode substituir o termo «medidas» pelo termo «saque», que é mais adequado.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

De pequenino se educa o ouvido


Que disparate. É claro que choram. 

Às sextas-feiras

Cansa-me ouvir Passos Coelho (na Assembleia). É acintoso e cínico nas respostas. Não responde diretamente às perguntas que lhe são feitas pela oposição; devolve-as invariavelmente com o rótulo de demagogia, e que por isso não responde. 
Escuda-se no facto de ter sido eleito (sob falso pretexto, é bom recordar) e esquece sistematicamente que quem o interpela também o foi. Esquece o papel regulador daquela casa. Instrumentaliza-a, aparecendo às sextas-feiras para se investir de uma legitimidade que insinue um espírito respeitador da democracia (que não somos).
Para esta criatura e o seu séquito de bons malandros, a porta da rua tem que ser, urgentemente, serventia desta Casa. 

De resto, importa também dizer que fico cansada ao ouvir (ou ver) Passos Coelho também nos restantes dias.



sábado, 9 de fevereiro de 2013

Segundo as previsões, 1 mês




(e sim, os ouvidos pequenos também se educam para Callas)


Primeira voz

Possuo a lentidão do mundo. Espero pacientemente
Que o meu tempo se escoe, o sol e as estrelas observando-me atentamente.
A preocupação da lua é mais íntima:
Passa e volta a passar luminosa como uma enfermeira.
Será que lamenta o que está prestes a acontecer? Não me parece.
É apenas o espanto perante a fertilidade.

Quando eu sair daqui, serei um acontecimento notável.
Não vale a pena preocupar-me ou sequer ensaiar. 
O que me está a acontecer, seguirá o seu curso naturalmente.
O faisão está de pé na montanha; 
Exibe as suas penas castanhas.
Não posso deixar de sorrir ao pensar no que sei.
As folhas e as pétalas esperam-me. Estou pronta.

Sylvia Plath (2004). Três mulheres: poema a três vozes. Lisboa: Relógio d'Água.

De pequenino se educa o ouvido



Lhasa é sempre uma excelente tutora. Basta ouvir...
(e mais do que nunca, não há um fim para esta «história»)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A corrida espacial: um programa intercontinental



Ouço no Jornal das 8 (SIC) que Mahmoud Ahmadinejad dispõe-se a ser lançado no espaço, a bem do programa espacial iraniano. Eu aplaudo (como suponho que muitos/as iranianos/as, principalmente se o deixarem em órbita ad aeternum*). Perante tanta abnegação, tanto sentido de Estado (psiu, Portas), ocorreu-me que Portugal poderia abrir os braços a este projeto (a História recente demonstra que não temos pudor em apertar a mão a quem quem quer que seja, desde que essa mão traga dinheiro) e propor uma parceria entre Portugal e o Irão. 
Para tal, sugiro que a equipa de astronautas portugueses a integrar esta nobre missão seja a tríade Coelho/Portas/Gaspar. E com jeitinho, se não for pedir muito, também poderíamos mandar Cavaco nesta aventura épica. Nós sabemos como esta gente é capaz de se sacrificar pela glória do País.
Tenho a certeza que ficaríamos todos/as orgulhosos/as. E aliviados/as*.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Ulrich que aguente


«Sou do tempo do Banco Borges & Irmão. Por lá continuei depois da "anexação" deste banco pelo BPI, e amanhã corto de vez com o meu vínculo. 
Por causa das declarações do Ulrich? Claro! Não concebo pagar mais um cêntimo que seja a uma instituição gerida por aquele parasita.
O Ulrich aguenta com o encerramento da minha conta? Ai aguenta, aguenta
(no mural de facebook de uma muito querida amiga)



(imagem roubada aqui)


Eu só não lhe sigo as pisadas porque não tenho conta no banco gerido por este senhor. Apenas posso manifestar o orgulho em ser amiga de quem assume posições como esta.

As modas

Diane Arbus

Ao contrário do que se apregoa, a moda não está no politicamente correto. Está no extremo oposto. E que cansados/as que andamos de ter em atenção o significado das palavras. Que saudades do uso das palavras preto, puta, velhos, bruxa, deficiente, panasca, corcunda, perneta, gorda. Se as palavras existem são para serem usadas! Sem medo dos ismos (que estão fora de moda; já não há machismos ou racismos, ou outros do género). 
Gente desempoeirada, e moderna, e bem pensante, gente que usa as palavras quando elas são necessárias. 

E desde que se refiram aos outros. Que o inferno seja dos outros. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

De pequenino se educa o ouvido



Sobre tudo o que sabemos, sobre tudo o que eles sabem
Sobre o correr dos dias num país à deriva, entregue aos lobos
Sobre sermos abocanhados lentamente

Sobre educar para o País que temos e para a Europa que (não) somos.


sábado, 19 de janeiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Maria de Lourdes Pintasilgo - 18 de janeiro de 1930

No programa do V Governo Constitucional (1979:2) pode ler-se:

«Apesar de balizado no tempo, o Governo não pode abstrair do seu dever nacional contribuir para um futuro de paz, de progresso e de liberdade para todos os portugueses, sem excepção.»

Maria de Lourdes Pintasilgo esteve à frente do V Governo Constitucional, em tempos extraordinariamente difíceis. Por isso é quase obsceno que Passos Coelho, ninguém (porque ninguém aconselhou os e as portuguesas a emigrar), se atreva a afirmar (para legitimar as medidas que tem tomado com o desacordo de todos os restantes sectores deste País) que Portugal atravessa o pior período desde 1974. É, de facto,um muito mau período, mas agravado pelas medidas que têm sido aplicadas e que não foram, de todo, sufragadas. A citação extraída do programa do V Governo Constitucional não poderia estar mais longe da realidade deste XIX Governo Constitucional (acrescentar a palavra Constitucional a este governo é cada vez mais um abuso).

Volto a Maria de Lourdes Pintasilgo, que faria hoje 83 anos. Importa recordar a sua linha de pensamento que é, na minha ótica, cada vez  mais necessária e atual:
«Uma ética do cuidado pode dar um novo ponto de partida ao papel do Estado em relação às verdadeiras prioridades políticas de sociedades em que a pessoa humana deve ser o centro e o fim último de toda a decisão política. 
Não bastará então acrescentar piedosamente à democracia política a democracia social, económica e cultural. 
Haverá sim que construir a democracia simultaneamente sobre a justiça e sobre o cuidado, sobre os direitos e sobre as responsabilidades».
Maria de Lourdes Pintasilgo, (2012). Para um novo paradigma: um mundo assente no cuidado. 
Porto: Edições Afrontamento, pp. 138-139.