segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A corrida espacial: um programa intercontinental



Ouço no Jornal das 8 (SIC) que Mahmoud Ahmadinejad dispõe-se a ser lançado no espaço, a bem do programa espacial iraniano. Eu aplaudo (como suponho que muitos/as iranianos/as, principalmente se o deixarem em órbita ad aeternum*). Perante tanta abnegação, tanto sentido de Estado (psiu, Portas), ocorreu-me que Portugal poderia abrir os braços a este projeto (a História recente demonstra que não temos pudor em apertar a mão a quem quem quer que seja, desde que essa mão traga dinheiro) e propor uma parceria entre Portugal e o Irão. 
Para tal, sugiro que a equipa de astronautas portugueses a integrar esta nobre missão seja a tríade Coelho/Portas/Gaspar. E com jeitinho, se não for pedir muito, também poderíamos mandar Cavaco nesta aventura épica. Nós sabemos como esta gente é capaz de se sacrificar pela glória do País.
Tenho a certeza que ficaríamos todos/as orgulhosos/as. E aliviados/as*.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Ulrich que aguente


«Sou do tempo do Banco Borges & Irmão. Por lá continuei depois da "anexação" deste banco pelo BPI, e amanhã corto de vez com o meu vínculo. 
Por causa das declarações do Ulrich? Claro! Não concebo pagar mais um cêntimo que seja a uma instituição gerida por aquele parasita.
O Ulrich aguenta com o encerramento da minha conta? Ai aguenta, aguenta
(no mural de facebook de uma muito querida amiga)



(imagem roubada aqui)


Eu só não lhe sigo as pisadas porque não tenho conta no banco gerido por este senhor. Apenas posso manifestar o orgulho em ser amiga de quem assume posições como esta.

As modas

Diane Arbus

Ao contrário do que se apregoa, a moda não está no politicamente correto. Está no extremo oposto. E que cansados/as que andamos de ter em atenção o significado das palavras. Que saudades do uso das palavras preto, puta, velhos, bruxa, deficiente, panasca, corcunda, perneta, gorda. Se as palavras existem são para serem usadas! Sem medo dos ismos (que estão fora de moda; já não há machismos ou racismos, ou outros do género). 
Gente desempoeirada, e moderna, e bem pensante, gente que usa as palavras quando elas são necessárias. 

E desde que se refiram aos outros. Que o inferno seja dos outros. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

De pequenino se educa o ouvido



Sobre tudo o que sabemos, sobre tudo o que eles sabem
Sobre o correr dos dias num país à deriva, entregue aos lobos
Sobre sermos abocanhados lentamente

Sobre educar para o País que temos e para a Europa que (não) somos.


sábado, 19 de janeiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Maria de Lourdes Pintasilgo - 18 de janeiro de 1930

No programa do V Governo Constitucional (1979:2) pode ler-se:

«Apesar de balizado no tempo, o Governo não pode abstrair do seu dever nacional contribuir para um futuro de paz, de progresso e de liberdade para todos os portugueses, sem excepção.»

Maria de Lourdes Pintasilgo esteve à frente do V Governo Constitucional, em tempos extraordinariamente difíceis. Por isso é quase obsceno que Passos Coelho, ninguém (porque ninguém aconselhou os e as portuguesas a emigrar), se atreva a afirmar (para legitimar as medidas que tem tomado com o desacordo de todos os restantes sectores deste País) que Portugal atravessa o pior período desde 1974. É, de facto,um muito mau período, mas agravado pelas medidas que têm sido aplicadas e que não foram, de todo, sufragadas. A citação extraída do programa do V Governo Constitucional não poderia estar mais longe da realidade deste XIX Governo Constitucional (acrescentar a palavra Constitucional a este governo é cada vez mais um abuso).

Volto a Maria de Lourdes Pintasilgo, que faria hoje 83 anos. Importa recordar a sua linha de pensamento que é, na minha ótica, cada vez  mais necessária e atual:
«Uma ética do cuidado pode dar um novo ponto de partida ao papel do Estado em relação às verdadeiras prioridades políticas de sociedades em que a pessoa humana deve ser o centro e o fim último de toda a decisão política. 
Não bastará então acrescentar piedosamente à democracia política a democracia social, económica e cultural. 
Haverá sim que construir a democracia simultaneamente sobre a justiça e sobre o cuidado, sobre os direitos e sobre as responsabilidades».
Maria de Lourdes Pintasilgo, (2012). Para um novo paradigma: um mundo assente no cuidado. 
Porto: Edições Afrontamento, pp. 138-139.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

De pequenino se educa o ouvido (extraordinária)

Porque o vi quando te vi, quando nos vi. 


Génese. Nossa. No princípio o verbo, mas também a pauta de música e a doçura de um filme que nunca vimos a dois, mas que é nosso. Ouvir a três.

sábado, 12 de janeiro de 2013

De pequenino se educa o ouvido


Subsídios para evitar os lobos (não apenas à porta, mas à frente dos destinos de um País).

domingo, 6 de janeiro de 2013

É preciso partir os ovos


A quantidade de mulheres que é dispensada durante a gravidez dos seus empregos é assustadora. Apesar dos mecanismos legais que procuram evitar tais abusos, a verdade é que oficiosamente as mulheres continuam a ser despedidas porque a licença de maternidade não será lucrativa para as entidades empregadoras. 

Acredito que o contexto de crise agrave a situação, mas a verdade é que a desvalorização da maternidade está enraizada na mentalidade de um País que goza com o facto de que uma das suas ministras está grávida. É a mentalidade que temos e que, como se tem visto, continuaremos a ter. 
Mas depois, todos lamentam a taxa de natalidade que é a mais baixa das últimas décadas. Decidam-se, meus/minhas caros/as: uma coisa não é possível sem a outra.

sábado, 5 de janeiro de 2013

De pequenino se educa o ouvido



E será sempre mais fácil se soubermos partir daqui...
«Ninguém é quem queria ser»

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A abrir o ano, as mãos.

«Ela tinha descoberto a prodigiosa faculdade de expressão das mãos humanas, mil vezes mãos reveladoras que os olhos, porque elas não são, de modo algum, hábeis a mentir, deixam-se surpreender a cada minuto, ocupadas como estão com mil cuidados materiais, ao passo que o olhar, sentinela infatigável, vigia nas ameias das pálpebras... As mãos do pai, primeiro, pousadas nos joelhos, imóveis todas as noites, quase terríveis à luz de uma única lâmpada que faz dançar todas as sombras, com um punho cujo osso parece prestes a romper a pele, e aquele tufo de pêlos em cada articulação dos dedos enormes. As mãos do avô, também, que ela viu cruzadas sobre o ventre, ao fundo do quarto, um dia de verão, persianas fechadas, numa bruma de moscas invisíveis... As mãos destes jovens irmãos, tão depressa tornadas mãos de operários, mãos de homens. E ainda as mãos das mulheres da quinta, que cheiram a leite ácido (...). As da Madame bem mais pequenas, as pontas dos dedos picadas com pontos negros, da agulha... Mãos laboriosas, mãos trabalhadoras, que o repouso torna ridículas. E deste ridículo os pobres têm alguma consciência, porque furtam de propósito ao olhar as suas mãos desocupadas. Diz-se do trabalhador ao domingo que "não sabe que fazer às mãos", brincadeira cruel, pois ele não deve o pão de cada dia senão ao trabalho destas criadas».
G. Bernanos, La Nouvelle Histoire de Mouchette


(Adam Martinakis)

É um texto escrito na primeira metade do século XX por um autor francês, mas que me parece cada vez mais próximo do País que temos nesta primeira metade do século XXI. Será completamente incompreensível aos olhos de Passos Coelho, Portas, Gaspar ou Cavaco. Porque as mãos destes homens apenas se ocupam em tirar das mãos dos outros a dignidade do seu trabalho. E repetem-lhes que aquelas mãos têm vivido acima das possibilidades.

(a tradução do excerto é da autoria do meu querido professor João Maria André, que o trouxe para uma das suas generosas conferências, e que reencontrei agora  nos papéis que guardo.)

Bom Ano


(...)
 Ah o medo vai ter tudo
tudo
(penso no que o medo vai ter 
e tenho medo
que é justamente o que o medo quer)
....
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Alexandre O'Neill
(Poema pouco original do medo)

sábado, 29 de dezembro de 2012

De pequenino se educa o ouvido


As bandas devem evitar-se, A única exceção é mesmo Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra.

sábado, 22 de dezembro de 2012

De pequenino se educa o ouvido


O Pai Natal (da coca-cola) por norma assusta as crianças mais pequenas. 
Tenho a certeza que o problema está nas barbas.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Diário de uma gata amarela de 12 anos*


Acordo.
Vou até à casa de banho e exijo que me abram a torneira do bidé.
Bebo água e regresso à cama.
Exijo festas. Quando tal não acontece, dou umas lambidelas de aviso nas mãos dos escravos. Se não reajem imediatamente (são lentinhos, deusa minha), mordo os dedos para os incentivar a cumprirem com as suas obrigações.
Canso-me de festas e salto para o chão.
Exijo que me abram a porta.
Desço as escadas a correr e encaminho-me para a cozinha.
Vou até ao prato. Recuso os restos do jantar. Biscoitos novos, precisam-se.
Já mais compostinha regresso ao quarto. Casa de banho. Bidé. Água, por favor.
Satisfeitas as necessidades básicas, dedico-me a esticar as patas na cama macia e preparo-me para as atividades matinais: ver televisão (com um olho aberto que com os dois é esforço desnecessário), adormecer e ressonar.
Ao almoço acordo e faço os alongamentos: patas da frente e, se estiver bem disposta, patas traseiras também. Arqueio o tronco e abro a boca (os maxilares também se alongam). Exibo os dentinhos, a anunciar que estou pronta para nova pratada de biscoitos.
Desço as escadas a correr até à cozinha. Exijo novos biscoitos no prato, que os que restam do pequeno-almoço de certeza que estão demasiado moles.
Vou até à varanda, enquanto a família almoça na mesa da sala, para fazer algum exercício físico: divirto-me a entrar e sair pela porta de correr; mio quando estou dentro para sair, re-mio quando estou fora para entrar. É preciso exercitar os nossos humanos. Faz-lhes bem, acreditem.
Desço até ao escritório. Uma magnífica cadeira de leitura que há muito reivindiquei para uso pessoal.
Enrolo-me sobre mim mesma.
Adormeço.
Ressono.
Abro o olho quando fazem menção de me tirar de lá ou quando pegam em algum livro.
Rosno mentalmente,
Recuam nas intenções e deixam-nos em paz (a mim e à cadeira).
Acordo.
Subo para jantar. Prato limpo, por favor.
Desço para o escritório.
Retorno à cadeira.
Quando já são horas, começo a encaminhar os humanos para a cama. Invariavelmente lembro-lhes que está na hora de dormir.
Lá tenho que fazer o número das escadas com um deles, de outro modo não sobe. Resulta sempre.
Casa de banho. Bidé. Água a correr.
Cama. Festas. Mais festas.
O humano das escadas também gosta que brinque com ele até ficar cansado. Pronto, já parou com a brincadeirinha.
Podemos dormir?
Levantem lá os lençóis e cheguem para lá.
Boa noite.
Mais para lá.
Boa noite.
Ainda não está bem. Será preciso fazer uso das unhas?
Obrigadinha.
Até amanhã.

* Então até para o ano, que será mais ou menos quando terei novamente paciência para vos escrever.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mensagem natalícia de Um Blog Que Seja Seu: galardão natalício «solidariedade»*


E por falar em campanhas natalícias de solidariedade (como já aqui o escrevi, é boicotar as popotas, leopoldinas, arredondamentos e afins)... adoro a história dos/das «famosos/as» serem solidários através do incentivo aos outros (o bolso dos outros, pois claro). A eles... basta-lhes a presença, o sorriso e a histeria. 
A Jonet deve gostar imenso.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012



Adam Martinakis 

O princípio, formulado pelos juristas romanos tardios, de que a societas leonina já se não pode considerar como contrato de sociedade, mostra de modo relativo que a eliminação de todo e qualquer significado autónomo de uma das partes suprime o próprio conceito de sociedade. Com referência aos operários menos qualificados nas grandes empresas modernas, que excluem toda a concorrência eficaz no seu recrutamento por empresários rivais, disse-se, neste mesmo sentido, que a diferença de posição estratégica entre eles e os patrões é tão avassaladora que o contrato de trabalho deixa de ser um 'contrato' no sentido normal, porque uns estão incondicionalmente entregues aos outros. Nesta medida a máxima moral de nunca utilizar uma pessoa como simples meio, revela-se como a fórmula de toda a socialização. Quando o significado de uma das partes desce a um ponto em que a ação emada do eu como tal, já não entra na relação, não se pode mais falar de sociedade, tão pouco como entre o carpinteiro e o seu banco.

Georg Simmel (1923)
Barbara Kruger


De um modo geral ninguém está interessado em que a sua influência seja determinante para o outro, mas sim que esta influência, este determinar do outro, reverta sobre si próprio. Por isso existe já uma ação recíproca naquela sede de domínio que se dá por satisfeita quando o fazer ou o padecer, o estado positivo ou negativo do outro se apresenta ao sujeito como produto da sua própria vontade. (...) De resto, a sede de domínio, mesmo nesta forma sublimada, cujo sentido prático não é a exploração do outro, mas a mera consciência dessa possibilidade, não significa de modo algum uma forma extrema de desconsideração egoísta. É que a sede de domínio, por muito que queira quebrar a resistência interior do submetido (enquanto o egoísmo só se costuma importar com a vitória sobre o seu exterior) ainda assim tem uma espécie de interesse pelo outro, é para ela um valor. Só quando o egoísmo nem sequer é sede de domínio e o outro lhe é absolutamente indiferente, mero instrumento para objetivos que estão acima dele, é que desaparece a última sombra de colaboração socializadora.

Superioridade e Subordinação, Georg Simmel (1923)