segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Boa Semana





Semana(s) cheias de palavras de pecado. O discurso médico do século XVIII a garantir que a masturbação era fonte de «palpitações, perda de vista, dores de cabeça, vertigens, convulsões como no caso dos epiléticos e até frequentemente a autêntica epilepsia; dores espalhadas pelos membros ou fixadas na nuca, na espinha dorsal, no peito, no ventre; grande fraqueza nos rins e, às vezes, um entorpecimento quase geral». 
Não muito longe deste andam alguns personagens do cenário político estadounidense, os quais garantem que os corpos das mulheres conseguem feitos extraordinários apenas, eventualmente, previstos por estes médicos ou, antes deles, pela santa igreja que dominou/a a Europa. Ainda nesta linha de raciocínio, de lembrar este caso e perceber qual a relação com isto. Aparentemente, nenhuma. I.e. que relação pode haver entre a condenação de uma mulher vítima de gang-rape em 200 chicotadas (o homem que estava com ela - que também foi raptado e violado - recebeu 90 chicotadas - pela acusação de estar com uma mulher que não era sua familiar em privado - leia-se: no carro) e uma mulher republicana que fez uma proposta de lei no Arizona na qual defende que as entidades patronais têm o direito de escolher quem trabalha nas suas empresas, com base nas suas convicções religiosas, i.e., se acreditar que as mulheres não devem tomar a pílula, e elas a usarem (e não tiverem uma declaração médica a comprovar que o seu uso é para controlo de acne, p.e.) para efeitos de contracepção (sei lá, o uso para o qual foi inventado) podem despedi-las. Nem uma palavra acerca do uso do preservativo para os homens.. ou a vasectomia. Obviamente, que, por trás das convicções religiosas (em ambos os casos) esconde-se um enorme desprezo e ódio pelas mulheres. As palavras do ministro saudita para justificar o castigo aplicado: total concordância com «o livro de deus e os ensinamentos do profeta maomé» servem perfeitamente para a situação anterior: basta mudar o nome do profeta.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Some things never change

Cartier Bresson

«(...) A 'feudalidade' é um sistema de exploração dos trabalhadores por um pequeno grupo de especialistas da guerra, que nada produzem e que são alimentados por outros. (...)»

Georges Duby, 1991

sábado, 18 de agosto de 2012

Ouvi Dizer




às horas que bato o dedinho nas teclas, estão os rapazes a tocar o som da reunião - e eu aqui a ter uma apoplexia (bendita Antena 3 - seis é melhor que nada). Não sei como sobreviverei a Outubro.
E canto como, se num repente, voltasse a estar na Aula Magna..... (bendita Antena 3)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Boa Semana






Porque, às vezes, nada pode ser alguma coisa.
«nothing can be truly something»



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Boa Semana




Em semana em que se anuncia a reforma espanhola nos conteúdos da antiga disciplina de Educação para a  Cidadania, por instrução da santa madre igreja, é com um sorriso cínico que lemos que José Ignacio Wert (ministro da educação) ganhou um enorme aplauso na Conferência Episcopal. O que deu em troca? Ora, ora, nada de mais, apenas a garantia de exclusão de conteúdos relacionados com a homofobia, conflitos sociais ou a desigualdade de género - tudo temas blasfemos, já se vê, daqueles que se quer bem afastados de uma monarquia católica. A ICAR manda? Espanha obedece, monsenhor! Veremos quanto demora até cá chegar.

Por cá as coisas não estão muito melhores. O prof. Marcelo diz que o partido laranja não pode mostrar medo na rua. Eu vejo com muito bons olhos que o Passinhos e restante turma vão mostrar o medo ou que quiserem à porta fechada, pelo menos aliviam o ar. 

A esperança na humanidade chega agora do Mali.

domingo, 5 de agosto de 2012



O líder de um grupo «asiático» acusado de aliciar, abusar sexualmente e violar «jovens britânicas» (entre os 13 anos e os 15 anos) viu a sua pena de prisão ser aumentada em três anos por ter abusado de uma jovem «asiática».  Shabir Ahmed, 59 anos, irá agora cumprir 22 anos de cadeia. Durante o tempo em que o julgamento se arrastou, os jornais britânicos relatavam as atrocidades cometidas - 47 vítimas - pelo grupo de oito paquistaneses e um afegão. A primeira denúncia data de 2008, mas a polícia e o Ministério Público acharam que jamais um «júri iria acreditar na rapariga» (ela podia não ser credível... mas estava a dizer a verdade) - e o caso foi abandonado até haver uma mudança de chefia. As vozes críticas fizeram-se ouvir, com particular acutilância a extrema-direita, que organizou grupos de protesto junto ao tribunal: alegadamente, o caso não terá sido investigado por as autoridades recearem a acusação de 'racismo' (i.e. a obsessão pelo 'politicamente correcto' terá permitido que mais raparigas se tornassem vítimas); que os jornais optam por tornar vaga a nacionalidade dos arguidos, apelidando-os de «asiáticos», pela mesma razão (obsessão pelo politicamente correto); que os crimes cometidos contra a «jovem asiática» mereceram apenas mais três anos de cadeia, o que coloca em causa o valor do bem jurídico protegido (autodeterminação e liberdade sexual) quando o mesmo é cometido contra uma britânica ou contra uma «asiática».

Uma das coisas que salta à vista neste caso é o quão discricional pode ser o ato de investigar e de acusar.  O Ministério Público - que tem o poder de levar ou não alguém a tribunal - de acreditar ou não na(s) testemunhas, de pedir as perícias que entender - pode errar. E como vimos - e nem seria necessário ir até às ilhas britânicas - erra. Seria natural, caso não fosse muito, muito grave. E particularmente grave uma vez que, acreditar ou não na testemunha é algo subjetivo, i.e, sujeito aos nossos preconceitos e contradições.

Barbara Kruger


Outra questão que me ocorre é o receio da acusação de racismo e preconceito. Palavras facilmente arremessadas quando se trata de descredibilizar @ outr@.
Patriarcado é uma palavra e um conceito muito usado pel@s cientistas sociais, com particular incidência para quem trabalha questões de género. De uma forma simplista, define uma organização social em que a autoridade é exercida pelos homens. Continuando no registo simplista, é mais ou menos consensual que o patriarcado é responsável por uma série de crenças e atos que prejudicam as mulheres e que, a violência de género, bem como a violência praticada contra minorias sexuais, é motivada pelas crenças alimentadas pelo patriarcado. Os programas de tratamento para arguidos acusados e violência doméstica incluem módulos que visam alterar a representação que os agressores têm das mulheres (seres inferiores e que precisam - e podem - ser disciplinados fisicamente e que precisam de ser controladas dada a sua natureza emocional e instável - isto de ter útero e ovários provoca cá uns humores....). Nos países ocidentais ouvem-se críticas à hiper-sexualização das crianças - em particular das raparigas - e do abuso dos corpos (ou partes deles) para vender: seja o que for e ainda que nada tenha que ver com mulheres ou com os corpos delas. Responsabiliza-se a cultura patriarcal pela violência doméstica e sexual.

Contudo, parece haver um pudor excessivo quando se trata de equacionar se os crimes praticados pelo gangue de Rochdale merecem também uma abordagem étnica/cultural. Obviamente que nem todos os paquistaneses e afegãos são agressores sexuais ou pais dispostos a matar as mulheres pela honra familiar (o caso de Lal Bibi está aí para o provar). Contudo, parece-me um pouco óbvio que estes arguidos não só têm um enorme desprezo pelas mulheres, como em particular pelas mulheres cujo estilo de vida pode ser encarado como particularmente indigno e cujo comportamento e assemelha mais ao dos homens - o que as torna, aos olhos da sua cultura, menos mulheres, menos humanas reforçando a sua indignidade face a qualquer atitude de respeito. Em muitos países as mulheres são inferiores por letra da lei: não lhes é reconhecido direito de propriedade, direitos sexuais, de trabalho, ou outros direitos básicos de cidadania, noutros países, menos atrasados alguns destes direitos estão garantidos mas são limitados. Ora, não me parece totalmente descabido que os cidadãos desses mesmos países tenham crenças misóginas (tal como, de resto, acontece no Ocidente) e que vejam as mulheres ocidentais - que desrespeitam todos os valores defendidos nos seus países de origem - como seres particularmente desprezíveis e indignos de respeito. Contudo, quando se diz isto, surge logo a enorme sombra da palavra racismo. É um mistério compreender como é que reconhecemos que um sistema de organização social ocidental prejudica e promove a violência contras as mulheres, mas somos preconceituos@s se  dizemos o mesmo de pessoas cuja cultura que faz exatamente o mesmo que o ocidente - mas a triplicar.  De notar que não estou a referir que é uma questão religiosa (embora não conheça todas as religiões do mundo, estou em crer que não há uma única que promova ou garanta a igualdade entre homens e mulheres, pelo contrário, tendem a reforçar preconceitos de género). Curioso que se acuse de racismo quem afirma que este caso tem um lado cultural/etnico, mas que tudo se cale quando uma «jovem britânica» não foi levada a sério quando denunciou um crime gravíssimo como é o do abuso sexual. É que os preconceitos contra as mulheres parecem ser sempre menores face a todos os outros preconceitos.

Adenda: todos os arguidos eram respeitados na comunidade. A maioria tinha emprego e um deles desempenhava funções de líder espiritual. Alguns tinham famílias com filh@s. Ou seja: o perfil normal de um agressor sexual. As vítimas eram raparigas pobres e oriundas de famílias desestruturadas, algumas das quais ao cuidado dos Serviços Sociais britânicos e em casas de acolhimento. Com excepção do caso da menina «asiática», todas as outras eram, segundo a imprensa, britânicas - em alguns jornais podia ler-se 'brancas'. Porque as vítimas eram brancas - originárias do país de acolhimento - e os agressores estrangeiros o caso serviu de pano acusações mútuas de racismo: extrema direita acusa estrangeiros de serem violadores de mulheres brancas - como se a extrema direita se importasse com o direito à autodeterminação sexual das mulheres! - e enquanto isso, o líder do grupo acusou o tribunal de racismo e perguntou porque é que o júri era constituído, em exclusivo, por pessoas brancas.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Boa Semana


Halima Bashir, uma médica sudanesa vítima de perseguição política, tortura e violaçãoficou conhecida durante o decurso do seu pedido de asilo no R.UA sua biografia é contada por voz própria (em co-autoria) no livro Lágrimas do Darfur Nele, a autora descreve o estado de choque, de alienação e profunda vergonha que a dominaram após a violação. Apesar de ter crescido no seio de uma família liderada por um pai moderno que a apoiou e incentivou a estudar, Halima teme pelo seu futuro.  Não tem dúvidas que, sendo médica, conseguirá assegurar a sua subsistência, mas o resto «um marido, filhos....(...) que homem quererá desposar uma mulher que foi violada»? O pai - que lhe adivinha os pensamentos - irá tratar do assunto. Halima irá unir-se a um antigo conhecido que entretanto fugira do regime viajando para Inglaterra - país que ela aprendera na escola ter sido «o berço da democracia» -, portanto, ela irá contrair matrimónio com um marido ausente. Já na Europa - e devido às dificuldades que estava a ter para conseguir o reconhecimento como asilada (o qual lhe foi recusado duas vezes) -, foi aconselhada pelo advogado a falar com os media. Será esta opção que determinará que se torne o rosto da denúncia das atrocidades cometidas no Darfur, em particular, as agressões contra as mulheres.
No seu livro, Bashir descreve a sua infância numa aldeia e relata a sua experiência enquanto aluna numa escola onde as meninas árabes recebiam tratamento privilegiado contrastando com as negras, as quais eram constantemente castigadas e obrigadas a realizar todo o tipo de tarefas (incluindo limpar a escola). Curioso que na sua obra Halima caia na tentação de um discurso discriminatório e estereotipado em relação a outras nacionalidades: p.e. quando acusa os somali de abusarem do sistema de asilo inglês, ou quando se queixa das suas vizinhas iraquianas que reclamavam do tamanho exíguo do apartamento.


E agora, mais perto de casa...

O que dizer disto? Ou disto?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

As Primeiras Mulheres Repórteres - da Isabel Ventura


Quero apresentar-vos um livro. 
Da Isabel Ventura. E não o recomendo só porque ela é-me muito próxima (que é). Devem lê-lo, porque resulta de um trabalho sério sobre as primeiras mulheres que se atreveram a entrar nas redações de jornais, mesmo quando os outros repórteres alegavam que não deviam porque assim não poderiam praguejar, ou quando lhes gozavam as meias de vidro, ou eram apoucadas porque sim. A Isabel traz-nos relatos que não conhecíamos de um país aparentemente distante, de mulheres e homens que fizeram este País ser menos pequenino do que era.

O livro da Isabel é muito bom. Tão bom que foi prefaciado pelo Fernando Alves, que o apresenta com o jeito que lhe conhecemos. Só dele.





segunda-feira, 23 de julho de 2012

Boa Semana




As últimas duas semanas têm sido recheadas de emoções fortes. Esta, que agora se inicia, promete uma ida ao inferno.

Never quit

segunda-feira, 16 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Boa Sexta Feira




Esta semana - a correr à velocidade com que nos cortam direitos - tive a oportunidade de me certificar que ainda não me consegui habituar à maldade humana. Senti-me afogar na descrença e foi então que a lembrança da notícia com que iniciei a semana me salvou de ser engolida pela desesperança.

my valentine for you two/too


segunda-feira, 2 de julho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Boa Semana



A-mil

Ainda não acabou a telenovela do euro, pois não?


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um «lugar para cada um e cada um no seu lugar»*


«Dentro do lar, a mulher não é escrava, deve ser acarinhada, amada e respeitada, porque a sua função de mãe, de educadora dos seus filhos, não é inferior à do homem. Nos países ou nos lugares onde a mulher casada concorre com o trabalho do homem (...), a instituição da família pela qual nos batemos como pedra fundamental de uma sociedade bem organizada ameaça ruína (...). Deixemos, portanto, o homem a lutar com a vida no exterior, na rua... e a mulher a defendê-la, (...) no interior da casa. (...) Não sei, afinal, qual dos dois terá o papel mais belo, mais alto, mais útil.» 





O autor é António Oliveira Salazar, em entrevista datada de 1932, mas é cada vez mais usual ouvir uma linha  de argumentação semelhante, hoje. 
Importa lembrar que Salazar foi pai do regime em que as mulheres não eram indivíduos, eram pertença da família, ou melhor, pertença dos homens, o que lhes dava o direito de lhes violarem a correspondência ou requererem depósito judicial, caso as mulheres abandonassem o lar. Viajar? Só com autorização do marido. Tudo a bem da família, claro...

* Fonte:Irene Flunser Pimentel, sobre uma das normas preferidas de António Carneiro Pacheco, ministro da Educação Nacional de Salazar e responsável pela criação das organizações femininas Obra das Mães pela Educação Nacional e Mocidade Portuguesa Feminina.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Boa Semana



Neste Junho soalheiro, as palavras perdem a nitidez numa verdade absoluta

Banda Sonora da semana patrocinada por N.E. [dankë], as palavras são do poeta maior, F.P.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Liberdade de Imprensa





como


[só a garantia de impunidade pode explicar a violência policial na era dos telemóveis-câmaras: por cada um que cai há - haverá - SEMPRE um flash que dispara]

Boa Semana



Talvez tenha sido por os dias andarem negros e as noites expulsarem a confiança. Talvez fosse por falta do ferro ou dos minerais que dizem ser essenciais ao ser humano. Talvez fosse por não ter saído na sexta. Ou por ter perdido a exposição. Talvez fosse por ali ver a estória da curva sinuosa da esperança. Talvez fosse apenas por ser a última das sete. Fosse pelo que fosse, esta foi a mais perturbante das sete.


sexta-feira, 18 de maio de 2012



E depois da saga de ontem, isto.



Oh, take me back to the start

quinta-feira, 17 de maio de 2012




Raramente dou uso à impressora, pelo que, infalivelmente, quando preciso dela… os tinteiros secaram. Vai de ir às compras e eis que me deparo com a amarga realidade: a inflação atingiu os cartuchos, cujo preço está pela hora da morte. Vai de fazer contas à vida e opto pelos reciclados XXL. Sentada em frente ao computador e pronta para imprimir 9 envelopes. Duas horas depois descubro qual o raio da opção que permite à impressora perceber que, se dou ordens para imprimir num envelope DL, logo, estou a colocá-lo no lado para o qual aponta a setinha que está na própria impressora. Depois de aberto o Publisher, o Word, eis que, finalmente, o Acrobat me salva e quando acho que tudo está resolvido, 13 envelopes impróprios para enviar vêm provar-me o contrário.

Após 6 (seis) limpezas de tinteiros (!), o preto continua a deixar rastos por tudo o que é papel por onde passe, mesmo que não seja a área a imprimir…. Decido mudar de tarefa e experimento imprimir as cartas… já a antever que ficassem uma enorme cagada e a equacionar ir à loja reclamar por causa do tinteiro. Eis que as cartas saem em perfeitas condições (de notar que as cartas têm cabeçalho com um logótipo a 3 cores… e a morada do destinatário -, i.e., em tudo igual ao que é suposto ser impresso no envelope). Eis-me sem quaisquer motivos para reclamar do tinteiro… eis-me sem conseguir imprimir os envelopes. Eis-me prestes a explodir....................... 

Adenda: acabo de ser informada da origem do meu problema.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Boa Semana



Au Renouveau

Tout Redevient Beau

inspiração vista pela Susana, na rua de Portugal, em Bruxelas.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Είμαστε όλοι Έλληνες


                                      Somos tod@s greg@s





http://weareallgreeks.tumblr.com/

O responsável pela anedota diária de hoje garante que, contrariamente à Grécia:
«Em Portugal (...) procura-se uma ética social em tempos difíceis, olhando primeiro para os mais desfavorecidos.» Preciso de um pouco de tempo para me recuperar, que ainda estou a rir com esta do olhar primeiro para os 'desfavorecidos'. 

Quanto à ética, Pacheco Pereira talvez dê umas luzes à questão:




Boa Semana



Now it's the only time I know


Primeira semana após as eleições na mais ou menos livre França e numa Grécia amordaçada e constantemente ameaçada.
Última semana para gastar dinheiro na Feira do Livro. (para quem não gastou tudo no Pingo Doce)
 Quinta-feira é dia de estreia da última criação de Burton, nos cinemas portugueses.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Max Aub (ainda)


Reblogged from Mind Garden

Matei-o primeiro em sonhos; depois não descansei enquanto não o fiz de verdade. Era inevitável.

Crimes Exemplares, Max Aub

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brevemente, numa rua perto de si

Um dia hão-de tirar-nos tudo.


8 horas de trabalho
8 horas de lazer
8 horas de descanso

Parece simples, não é? Mas ainda há bem pouco tempo isto estava em discussão. Mais, ainda se ouvem vozes de instrumentad@s que acreditam mesmo que a produtividade reside no número de horas que se trabalha. E que defendem que @s portugues@s não querem trabalhar: têm um gene da preguiça muito desenvolvido. Esta gente fica aborrecida que haja gente que goste de ser paga quando trabalha. É uma chatice, concordamos.
Mas claro, isto não é nada. A meia hora pode ter caído, mas vigoram bancos individuais de horas. E isto não é nada. O caminho na destruição dos direitos conquistados na segunda metade da década de 70 está agora a ser percorrido em alta velocidade. Em certos setores do mercado de trabalho as pessoas - ou colaboradores na novilíngua - não passam de matéria prima - permanentemente em saldos.
E, parece-me, ainda não vimos nada. Esta semana, dizia-me uma amiga: «estou mesmo a ver que para o ano que vem só recebemos 11 meses. As pessoas acham tudo normal». Demorei alguns segundos a perceber que ela estava a sugerir que chegará o dia em que os contratos de trabalho não contemplarão o pagamento do mês de férias. Não, não é o subsídio, é o mês de férias. Sim, esse dia chegará, concordei. E nada se dirá. Haverá sempre aquel@s que dirão que faz todo o sentido: que se não se está a trabalhar, logo não se deve receber. E o governo dirá que temos que endireitar as contas públicas. Que não podemos viver acima das nossas possibilidades. E continuaremos a ler que @s portugues@s se habituaram a viver que nem alemães. Não, que nem alemães não, que esses são poupadinhos. Que nem gente do sultanato do Brunei! Como se em Portugal houvesse petróleo! Carro? Onde já se viu? Desde quando pobres têm carro? Metro com mais de 3 carruagens? Mas quem julgam que sois? Julgais por acaso que tendes sangue azul para exigir transportes públicos com o mínimo de condições de dignididade? Casa? Mas desde quando pobre tem casa?

Leio que o governo prevê poupar 250 milhões nas prestações sociais... mas como, pergunto-me, se o desemprego não pára de aumentar? Ah... através do «reforço das regras restritivas de acesso às várias prestações sociais, nomeadamente, o abono de família e o rendimento social de inserção.» percebo. Infelizmente, percebo o que Gaspar quer dizer: «quando aumentamos impostos, para protegermos os menos favorecidos e os mais vulneráveis». Como bem assinalaram os Ladrões, segundo a visão de Gaspar, estes são os mais vulneráveis.
Ouço Passos Coelho, na TSF, a dizer aos/às trabalhador@s que 'não vale a pena fazer greves e manifestações'. As celebrações deste dia começaram após um massacre, não foi?

Max (edição espanhola da Media Vaca)

«Era a sétima vez que me mandava recomeçar aquela carta. Tenho o meu diploma, sou uma dactilógrafa de primeira classe. Da primeira vez, foi por um ponto, que ele disse que devia ser ponto parágrafo. Outra vez, porque alterou o 'possível' para 'talvez'. Outra, porque ficou um v em vez de um b. E outra, porque ele se lembrou de acrescentar um parágrafo. E outras vezes, já não me lembro porquê. O caso é que tive que recomeçar sete vezes. E quando lha levei, olhou para mim com aqueles olhinhos hipócritas de chefe de secção e disse: 'olhe, menina....'. Não o deixei acabar. Há que ter mais respeito pelos trabalhadores.»

Crimes Exemplares, Max Aub
(um dos meus livros de eleição desde que o descobri, nos 90). Agradeço publicamente ao senhor da Antígona que me ofereceu a edição ilustrada (maravilhosa, maravilhosa), na Feira do Livro. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Boa Semana

No Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, um coletivo de juízes (com, se não estou em erro, duas juízas) votou pela descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. A partir de agora, as mulheres brasileiras, grávidas de fetos sem cérebro, poderão interromper a gravidez sem passar pelo calvário da autorização judicial. Parece que, finalmente, este coletivo percebeu que se trata de uma questão médica, que exige pareceres de médicos e não uma questão criminal, a qual exige pareceres de juízes. A lei brasileira é muito restritiva no que se refere à IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) e a discussão foi acesa. Pelos vistos, há 'uma vida' quando se fala de fetos anencéfalos, e parece-me que não é à vida da grávida que se referem.

O vídeo conta a história de Severina, mulher, agricultora, pobre, grávida de um feto sem cérebro, o qual não sente «mexer». Severina obteve autorização para interromper a gravidez, mas esta chegou tarde. Ela já teria que ter um parto e não mais um aborto. A sua barriga cresceu, o seu corpo sofreu todas as alterações hormonais e sequelas da gravidez, ouviu as perguntas: «é menino ou menina? ou «como se vai chamar?» inúmeras vezes, mas ela não deu à luz um bebé, ela deu à luz um cadáver. Esta semana, o SFT, deu às mulheres brasileiras, a oportunidade de poder decidir se querem passar por todo este sofrimento.



Enquanto isso, dos EUA, vêm notícias que vão no sentido oposto. Há propostas para obrigar as mulheres grávidas de fetos inviáveis a manter a gravidez até que o parto os separe.....o argumento é o de que as galinhas e as vacas também levam as gravidez até ao fim. Bom, mas não seja por isso; se vamos começar a tomar decisões legais baseando-nos unicamente no comportamento animal, proponho já lembrar a estas criaturas que há exemplos na natureza em que, após a cópula, algumas fêmeas - para assegurar a sobrevivência do feto - se alimentam do macho (suponho que isto sirva de justificação para descriminalizar o homicídio do parceiro sexual após o coito, pelo menos no caso das mulheres sem recursos económicos, não?). E considerando que  há galinhas e vacas (entre muitos outros animais) que matam as crias com menores possibilidades de sobrevivência, parece-me que o paralelo tem alguns perigos. Têm mesmo a certeza que querem ir por aí? É que quando Alberto Giubilini e Francesca Minerva publicaram numa revista da especialidade (Ética Médica), um artigo que discutia o infanticídio, alegando que os fetos e os bebés não «possuem o mesmo estatuto moral que as pessoas», choveram ameaças de morte aos autores.  Ah, espera, acabo de me lembrar que para este tipo de gente, só as suas comparações são válidas. As dos outros, ainda que sigam a mesma linha de raciocínio, não servem.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Felicidade, Eternidade e Férias Grandes, segundo José Eduardo Agualusa


Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, 'e foram felizes para sempre'.
Isto depois de o Princípe casar com a Princesa e terem muitos filhos. Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim. As princesas casam com os guarda-costas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam. Anos mais tarde, inevitavelmente, morrem. 
Apenas somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo dilatado no qual todas as coisas duram eternamente. Eu fui feliz para sempre em alguns breves instantes da minha infância, sobretudo nas férias grandes, enquanto tentava construir uma cabana suspensa nos troncos de um velho abacateiro. Fui feliz para sempre nas margens de um riacho tão humilde que dispensava o luxo de um nome, embora orgulhoso o suficiente para que o achássemos mais do que simples riacho - era o rio. (...) Fui feliz com o meu cão, o 'Moreno', fomos os dois felizes para sempre, correndo como loucos por entre a poeira dourada das tardes perpétuas, perseguindo rolas e coelhos, jogando às escondidas em meio do capim alto. Fui feliz no convés do 'Princípe Perfeito', numa viagem sem fim entre Luanda e Lisboa, lançando ao mar garrafas com mensagens ingénuas: 'A quem encontrar esta garrafa agradeço que me escreva'. Nunca ninguém me escreveu.
Nas aulas de catequese, um velho padre de voz sumida e olhar cansado tentou, sem convicção, explicar-me em que consistia a eternidade. Eu achava que era um outro nome para as férias grandes. (...)

Letters to Dead People
É isto a eternidade, senhor padre, é isto que perdemos depois que nos expulsam da infância. Passamos o resto das nossas vidas a tentar, desastradamente, regressar a este tempo. Tenho andado à procura de garrafas, com mensagens ingénuas lá dentro, em todas as praias do mundo. Não vale a pena. Nunca mais seremos felizes para sempre. Nunca mais teremos férias grandes. As mais belas estórias são aquelas que começam no fim e terminam no princípio. E depois, papá, que aconteceu depois? E depois, meu filho, o menino fez sete anos, ofereceram-lhe um cão chamado 'Moreno' e foram felizes para sempre.

José Eduardo Agualusa, 2002

Entre as vantagens de olhar para trás - atrás no tempo - estão as descobertas que não fizemos na altura. Passados dez anos, encontrei uma das garrafas que a criança Agualusa atirou ao mar. Apenas falta escrever-lhe.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Madeira 1997

E ninguém acha estranho que um filme de 1997 volte em força às salas de cinema de uma terra, salas essas que se dão ao luxo de deixar passar estreias a sério com a desculpa de que o público alvo é todo burrinho e pipoqueiro?

terça-feira, 27 de março de 2012

Lullaby porque sim



As obsessões são deste calibre. Persigo estes senhores já há algum tempo.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Serviço Público

Boa Semana



Thelma & Louise for ever

Tindersticks na segunda.
 Na Gulbenkian, Fernando Pessoa continua Plural como o Universo. Na 5.ª feira, Isabela e Carla Martingo estão na Ler Devagar para falar de Mulheres e Sexualidades. No próximo domingo, Serralves exibe três filmes para conhecer o Portugal salazarinho.





quarta-feira, 21 de março de 2012

Um rosto para a poesia



A fechar o dia, uma das minhas poetas preferidas, Maria Teresa Horta. Porque nestas comemorações as mulheres poetas não são lembradas e ficamos todas (as outras) mais sozinhas. 

INCITAÇÃO À FALA
Não é mais o espesso silêncio
que se cala
É o poema

Curto, turvo
incompleto na pele da página

que me incita à fala.

terça-feira, 20 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Boa Semana


Festival Literário da Madeira confirmou as melhores expetativas e promete regressar para o ano: com mais dias e mais escritor@s. 


Esta terça, far-se-á ouvir Stravinsky, no Marquês de Pombal (para todo o país a partir da TSF), para receber a Primavera.

E, hoje, a Monstra acontece (até ao final da semana).

Na Biblioteca Nacional podem ver-se as Ordenações Manuelinas (que no original são tão hilariantes quanto adaptadas para português moderno)

Na sexta-feira, Daniel Higgs está em Guimarães - aliás, esta é a cidade onde tudo acontece (e ainda bem).

segunda-feira, 12 de março de 2012

Epístola de Kiara aos/às Bloggers - a preparar-me para o Festival Literário da Madeira

Caros amigos e amigas,

Há muito sem dar notícias, sabei que sou uma gata muito ocupada e com agenda preenchida. Quando não estou entretida a dormir no quarto ou a comer um snack na cozinha ou a espreguiçar ao sol na varanda, sou uma gata de escritório. Dedico-me aos computadores quando pouso as minhas delicadas pantufas no teclado para vos redigir missivas, ou a experimentar a confortável almofada da cadeira de escritório. Por vezes, folheio livros, que há aqui muitos e agora até sobre bridge, que não sei o que seja porque a maior parte está em inglês e eu sou gata bilingue: gatês falado, português escrito. Mais que isso é pedir demasiado.
Esta semana ando entusiasmada com esta coisa do Festival Literário da Madeira. Como dizem que é aberto ao público sem especificar se bípede ou quadrúpede, ando com ideias de aparecer por lá.
Já andei a ver o programa e acho que sexta-feira (16 de Março) a mesa da tarde vai ser bastante interessante:

Mesa de Debate 1: «Éramos felizes e não sabíamos - Como a troika influenciou os nosso dias»
Inês Pedrosa, José Manuel Fajardo, Patrícia Reis, Pedro Vieira, Rui Nepomuceno




Entretanto, ando por aqui a ver se leio alguma coisa, que não quero ser gata desprevenida nestas coisas da literatura e da troika. Ainda não encontrei o livro certo, mas também só vasculhei a primeira prateleira. Nada de jeito, só papel para a impressora. 

Agora que penso melhor, poderá não ser mau. Penso que ainda ninguém pensou no impacto das medidas da troika no quotidiano de uma gata. 

Boa Semana

(...) ao som dos Poppers [sentados] & amig@s a tocar em casa: um concerto intimista, com um Luís Raimundo ora introspectivo, ora comunicativo [em tom confessional: «de coração aberto», nas suas palavras] e, como se pode notar neste vídeo, com imenso sentido de humor. Os miúdos dos Olivais estão bem e recomendam-se.


© ElisaBetty Delgado


Também se recomenda a exposição de obras fotográficas de Susana PaivaRosa Reis, na Bloco 103 (até ao final da semana). A última apresenta imagens da Fundação Champalimaud (que veio destruir grande parte da Docapesca) e a primeira uma explosão de cor (a prova que o surrealismo está na nossa cabeça: «fotografei o que vi»). A Galeria promoveu duas conversas entre o público e as autoras (eventos raros neste país, que tende a obstaculizar os diálogos directos - se queremos falar com alguém, temos primeiro que passar pelo secretário do assessor, pelo chefe de gabinete, pelo ... escolham vocês).

E claro, na 5.ª feira, dia 15, começa a 2.ª edição do Festival Literário da Madeira.

domingo, 11 de março de 2012

Faltam quatro dias até ao início da 2.ªedição do Festival Literário da Madeira

Este ano o Festival acontece no centro da cidade, no Teatro Baltazar Dias. 

Conferência inaugural: Agustina Bessa-Luís
Teatro Municipa Baltazar Dias | 18.00
 A abrir, Agustina Bessa-Luís pensada por Inês Pedrosa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

International Women's Day

Barbara Kruger

Feliz Dia Internacional da Mulher 
diz-se no singular, não é? Afinal, somos todas (des)iguais.

segunda-feira, 5 de março de 2012

(Muito) Boa Semana


Apesar de*




Porque uma boa música ou um bom filme têm o poder de nos fazer sorrir (infelizmente, os sorrisos não enchem barrigas)

*Clarice

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cecile had been seduction itself in college....

Liang Su


The construction of a woman:
a woman is not made of flesh
of bone and sinew
belly and breasts, elbows and liver and toe.
She is manufactured like a sports sedan.
She is retooled, refitted and redesigned
every decade.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A História num instante - ou num instante, a História


Passados dois anos, a Nova Delphi publica um ensaio que resulta da investigação e reflexão de Violante Saramago Matos, bióloga, sobre o 20 de Fevereiro de 2010. 
A obra «resulta de uma interpretação crítica de acontecimentos passados e presentes, e reflete sobre a procura de novos caminhos. Não se esgota, nestas folhas, a solução dos problemas, mas se puder ser um contributo para avaliar realidades e corrigir erros, já terá merecido a pena escrever». 

Boa Semana


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Da série pérolas a porcos (mas ao contrário)

Ainda não é cardeal, mas ao que parece quer começar com o pé direito: o novíssimo cardeal Manuel Monteiro de Castro quer mostrar serviço, e para atestar que esta não é uma igreja pelas e para as mulheres (apesar de ser alimentada em grande parte pelas mesmas) afirma que a mulher deve ser encorajada a ficar em casa a tempo inteiro ou parcial a fim de que «possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.» 
Não contente com estas confusões essencialistas, e porque a função fundamental da mulher é a educação dos filhos, mas não é a única, acrescenta que «se a mãe tem de trabalhar pela manhã e pela noite e depois chega a casa e o marido quer falar com ela e não tem com quem falar...» As reticências são bem elucidativas desta outra função, certamente essencial, que anda a escapar à mulher.
A mim só me ocorre um conselho: Ó homem, trate-se!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

À distância de 20 anos

O homem que escolheu o que eu haveria de fazer na vida foi o mesmo que me feriu o orgulho de morte numa das suas aulas. Quando recebi o primeiro teste, não queria acreditar. Para além das advertências normais, um outro pormenor abalou o meu edifício: todo o teste estava pintalgado na palavra análize. E eu tinha a certeza de que a minha análize era a correta, de que a minha análize era motivo de orgulho. Mas não, ele havia desenhado um vergonhoso s curvilíneo por cima dos meus orgulhosos z's. Apesar de adolescente, já havia aprendido que antes de ripostar, o melhor é confirmar. E quando consegui confirmar, o meu espanto não poderia ter sido maior. Efetivamente, análize nunca mais deveria ser redigida com z. 

Durante vinte anos, grafei religiosamente a palavra como havia aprendido com o professor de filosofia que não alegava, como tantos outros, que não era professor de português. Ontem, no quadro, grafei inexplicavelmente a palavra como se tivesse 15 anos e ainda não tivesse recebido aquele primeiro teste. Desfiz-me em pedidos de desculpa, enquanto o queixo me tremia de raiva pelo incompreensível retrocesso. Nem sei como fui capaz. É que hoje, ao redigir este post, tive que esforçar-me para conseguir escrever a palavra como se não tivessem passado vinte anos desde que aprendi a escrevê-la. Exceto ontem em que, mais uma vez, uma aula de filosofia foi palco da minha vergonha.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Loja de História Natural



Foi por época do natal.

Primeiro, perguntei o preço de várias réplicas, depois escolhi uma, por fim, ouvi: «e se eu lhe oferecer esta?» As palavras tinham cessado, mas eu imaginei que ele estaria a propor que eu trouxesse, por um valor simbólico, uma das peças que estava danificada, para além da que tinha sido minha escolha. Na minha cabeça ecoava «por mais 20€ leva as duas, o que acha?». Nada disso. Era mesmo uma oferta - sem quaisquer condições, i.e, incondicional, (inclusive eu havia questionado o preço da danificada). Perplexa, perguntei: «mas.. mas tem a certeza?» e ele continuou: «sim, claro, eu já tinha pensado em oferecer esta a alguém que comprasse o grande (a peça que eu levava)». Continuei a gaguejar e a pensar o que teria feito para merecer a enorme generosidade daquela pessoa. 
Mas não foi apenas dessa vez que provei a generosidade do Pedro Lérias. Outra ocasião, tive oportunidade de o ver partilhar a sua imensa sabedoria acerca das árvores de Lisboa, e em particular, as palmeiras. Nessa visita, por ele organizada, e ofertada a quem dela quis usufruir, o Pedro havia ido ao mercado biológico comprar tâmaras - fruta de um tipo de palmeira para a qual estávamos a olhar, mas que não tinha fruto - para que pudessemos saborear a fruta daquela árvore.
Estes são apenas pequenos episódios - aos quais, estou certa - haveria muitos mais a acrescentar se juntássemos uma meia dúzia de clientes da Loja de História Natural, um espaço único na cidade de Lisboa, e em Portugal. Por todas estas coisas, quando li a notícia do encerramento da Loja - apesar do tom do anúncio - apeteceu-me chorar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Boa Semana


Haveria muito para escrever sobre a declaração de Passos Coelho (PC) garantindo que a liberdade de expressão e de imprensa estão asseguradas neste país - as declarações de Pedro Rosa Mendes à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) foram certamente fruto da enorme imaginação do autor -, ou o seu [o de PC] «não, não me preocupa» à pergunta acerca da sua possível preocupação face à demissão em bloco da direção de informação da RDP. Haveria também muito para dizer acerca da ordem de Vasco Graça Moura (VGM), o qual, segundo o Público terá mandado desinstalar o programa que adaptava os conteúdos dos computadores ao Acordo Ortográfico (AO) que a anterior direção do Centro Cultural de Belém (CCB) comprara e instalara. Acerca deste último caso, umas palavrinhas mais: VGM está no seu direito em ser contra o AO e em se permitir o direito de escrever segundo as normas pré AO. Basicamente, parece-me salutar que alguém que esteja contra algo se mobilize no sentido de impedir/finalizar/etc. esse algo. O que me parece, no mínimo, condenável, é que VGM use a sua posição de poder dentro de uma instituição do Estado, para demonstrar a sua repulsa contra o AO. Seria mais ou menos a mesma coisa que um chefe de estação do Metropolitano de Lisboa ser contra a proibição de fumar e decidir autorizar fumar dentro da sua estação. Reside aqui a questão de VGM: O CCB não é de VGM. É do Estado. Se fosse uma entidade privada, não teria muito a dizer. A questão aqui não é o AO é a atitude de VGM, que o torna alguém que pura e simplesmente acha que pode usar a sua nomeação política como um instrumento de uma causa pessoal.
Apesar de.... 
Boa Semana!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Boa Semana





Este filme é o resultado da iniciativa da National Geographic, que desafiou as pessoas a carregarem vídeos com cenas de um dia das suas vidas. Esse dia foi 24 de Julho de 2010, ou, pelo menos, esse foi o dia em que os vídeos foram carregados no Youtube, que foi parceiro do projeto.
Ridley Scott e Kevin MacDonald ficaram incumbidos de, a partir dos 80 mil vídeos que totalizaram 4500 horas, mostrar em 90 minutos, a vida num dia.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

África Minha

Barbara Kruger
                                                                                                Esta crónica

do Pedro Rosa Mendes está no centro de um caso no qual alguns (só más línguas, como sabemos) vêem a mão da censura política. Aparentemente, alguém - ou quiçá, muita gente - do governo e arredores, não terá gostado das palavras do cronista e - à boa maneira portuguesa (ai, Ceridwen, tu e a tua mania de hiperbolizar e de fugir ao rigor) - terá mandado acabar com o programa (mas isto é o que dizem as más línguas, porque a matéria de facto é que os contratos dos cronistas - eram quatro - terminavam no final deste mês).

A história remete para um episódio recente do programa Prós & Contras, que terá sido emitido de Angola, com o objectivo de promover um reencontro entre aquele país africano e Portugal. Rosa Mendes terá visto na emissão um «dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez» assistiu
O repórter (que já respondeu em tribunal por difamação - o ofendido era o sr. santos, presidente da República de Angola - processo do qual saiu inocente)  descreve o reencontro televisivo como um desfile de «responsáveis políticos, empresários, comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local.(...)»
Na mesma crónica, o repórter critica abertamente a RTP «O serviço público de televisão tem estômago para muito, alguns dirão que tem estômago para tudo», bem como a quase total ausência de referência à corrupção em Angola (segundo Mendes, a apresentadora questionou «a medo» um dos intervenientes acerca de um "certo tipo de corrupção").
O jornalista afirma ainda que encontrou no programa «não o país, mas a falta de vergonha de uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz».
Não tendo assistido ao Prós & Contras a que Pedro Rosa se refere e apenas ouvindo a sua crónica, percebo perfeitamente que haja quem não tenha gostado de ouvir o repórter mencionando a realidade gritante angolana: a extrema desigualdade que assola o país onde um punhado tudo controla e a corrupção é a 'law in action'. Mas Mendes não termina por aqui, e transforma a peregrinação de portugues@s para Angola numa fuga - na fuga a um Portugal perdido.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Boa Semana

 Sooner or later a man who wears two faces forgets which one is real.


- So there never... there never was a Roy? 
- If that's what you think, I'm disappointed in you. There never was an Aaron either...