Só para lembrar que as contribuições para as campanhas de solidariedade da Popota e da Leopoldina revertem para quem as promove. Esta coisa de se ser solidário com o dinheiro dos/das clientes e eventualmente ainda ser recompensado por isso em matéria de impostos tem muito que se lhe diga...
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Boa Semana
We don't have a lord.
I'm so tired
sábado, 24 de novembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
Educação para os clássicos:
Get up, eat jelly
sandwich bars, and barbed wire
squash every week into a day
Na senda dos tempos que correm (e que voltam invariavelmente ao mesmo), é melhor ter sempre presente que o que queremos (ser) nunca corresponde com o que realmente podemos (s)ter.
Cada vez mais, Factory Town.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Boa Semana
O Estado continua a exercer as funções de vigiar e punir tão bem descritas por Foucault, nos anos 70. Da tortura e punição [penas de fogo em vida e de mãos cortadas, precedidas na sua aplicação de vários tormentos, e, frequentes vezes, a pena de morte] até à disciplina e prisão vão séculos de distância. Havia que castigar - para isso serviam as leis: para punir os/as prevaricadores/as. O Estado encarregava-se dessa tarefa através de diferentes mecanismos, os quais se foram metamorfoseando ao longo do tempo.
No caso da manifestação da AR que teve o desfecho conhecido - uma carga policial violenta e indiscriminada - uma grande parte dos/das comentadores/as reprovava não somente, os/as apedrejadores/as, mas também os/as que por lá permaneceram. Os argumentos típicos da transferência de responsabilidade para a vítima (blame the victim) fizeram-se ouvir: «estavam à espera do quê?». Nos media tradicionais e nas redes sociais expressava-se a reprovação: «só lá ficou quem quis», «quem vai para uma manifestação, já sabe que pode apanhar». Portanto, a ideia de que os maus comportamentos merecem uma punição fora da legalidade (detenções precedidas de espancamentos e desrespeito pelos direitos e garantias dos/as suspeitos/as) é fundamentada pela não obediência às autoridades. A ausência de culpa pela violência exercida tem, segundo muitos/as, apoio no facto de os corpos policiais terem estado sujeitos a duas horas de ataques violentos por parte de cerca de 40 manifestantes, o que explica que, segundo estas teorias, os polícias tenham estado a ser provocados (à semelhança de animais de luta) e depois, «por já não aguentarem mais» descarregam em toda a gente. Estas teorias acerca dos corpos policiais, que lhes atribuem vontade própria - ignorando a sua falta de autonomia para decidir - são romantizadas e esbarram com a evidência da forte hierarquia a que as polícias estão sujeitas, sendo o polícia que está na escadaria da AR, a apanhar com pedras, a base da pirâmide hierárquica e é usado de forma instrumental por alguém que nunca correrá o risco de apanhar sequer com um grão, quanto mais com uma pedra. As frases «toda a gente sabe que a polícia de choque quando avança, bate em quem lhe aparece à frente e não pergunta» espelham bem o braço punitivo do Estado e de como o mesmo usa as polícias mais violentas como forma de disciplina social. Mas também traduzem os resquícios da ideia de que os/as prevaricadores/as devem ser punidos «com fogo» (fora da legalidade e de forma desproporcional). Para satisfazer a «sede de justiça» não bastaria deter quem apedrejou e levá-los ao/à juíz/a de instrução - é preciso que o corpo sofra e seja sujeito a sevícias piores do que as que provocou. E daí que se ouçam tantas vozes a fundamentar os acontecimentos do dia 14 de Novembro. Os métodos usados por esta polícia - que incluem bastonadas indiscriminadas, espancamentos por dois ou três polícias a uma só pessoa, que não apresenta perigo, estando deitada no chão apenas tentando defender-se das pauladas indiscriminadas, detenções após espancamentos públicos são resquícios do uso de tortura legitimada pelo Estado.
Podemos ter evoluído muito desde que a polícia usava balas mortais contra os/as cidadãos/ãs mas enquanto acreditarmos que a justiça se cumpre sem o cumprimento da lei e sem julgamentos, enquanto confundirmos os papéis das instituições democráticas e enquanto justificarmos os métodos violentos de uma polícia que é usada como joguete de quem governa, estamos muito longe da civilidade.
Para quem tem uma pedra na mão, o utensílio não é extensível à consciência. Atacar a polícia de choque é colocar em perigo a integridade física de milhares de pessoas que estão a exercer o seu direito de manifestação. As pedras nunca atingem os/as responsáveis pela situação contra a qual se protesta.
sábado, 17 de novembro de 2012
De pequenino se educa o ouvido
A partir de hoje inicio uma nova ronda de lullabies.
Sensivelmente até março (mais coisa menos coisa), subsídios para educar ouvidos pequeninos.
E como não poderia deixar de ser, inicio com Nick Cave.
Sensivelmente até março (mais coisa menos coisa), subsídios para educar ouvidos pequeninos.
E como não poderia deixar de ser, inicio com Nick Cave.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Ainda sobre as declarações de PPC em dia de greve:
Especialmente vil a menção final à « coragem de todos aqueles que trabalham no dia de hoje e dos que, não tendo trabalho, fazem por ter trabalho».
E não, isto não é um problema de expressão.
Em dia de greve...
PROFUNDO ASCO.
Foi a única coisa que senti ao ouvir (jornal da SIC) as declarações de Pedro Passos Coelho sobre a Greve:
«Passos Coelho assinalou o facto de ter havido "uma certa combinação estratégica entre sindicatos em diversos países europeus" para fazer convergir as greves no dia de hoje. "Respeitando o exercício do direito à greve, prefiro assinalar a coragem de todos aqueles que trabalham no dia de hoje e dos que, não tendo trabalho, fazem por ter trabalho", disse o primeiro-ministro. E vincou que prefere "elogiar todos aqueles que, gostem ou não do Governo, ajudam a acrescentar valor ao país".»
in Público
Foi a única coisa que senti ao ouvir (jornal da SIC) as declarações de Pedro Passos Coelho sobre a Greve:
«Passos Coelho assinalou o facto de ter havido "uma certa combinação estratégica entre sindicatos em diversos países europeus" para fazer convergir as greves no dia de hoje. "Respeitando o exercício do direito à greve, prefiro assinalar a coragem de todos aqueles que trabalham no dia de hoje e dos que, não tendo trabalho, fazem por ter trabalho", disse o primeiro-ministro. E vincou que prefere "elogiar todos aqueles que, gostem ou não do Governo, ajudam a acrescentar valor ao país".»
in Público
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Mixórdia de preconceitos
Curioso o culto e a unanimidade dos aplausos relativamente ao programa «Mixórdia de Temáticas» dedicado à vinda de Angela Merkel a Portugal. Uma verdadeira mixórdia de preconceitos «fundamentados» no aspeto físico da chanceler alemã (again and again) e sobre como os machos tratam este tipo de mulheres (e elas gostam, claro).
«Pérolas» de porcos, portanto. Ao humor muito se permite, mas não tudo.
Boa Semana
Os Poppers convidam os/as seus/suas amigos/as a patrocinar o novo album.
esta semana será a continuidade do meu domingo de Janis Joplin.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
«É a abstracta vida que me assalta»*
Desde a transmissão das palavras de Isabel Jonet na SIC Notícias, tem sido um corrupio de exageros. O exagero dos que são adeptos da condenação em praça pública (e com ela, a condenação do Banco Alimentar) é proporcional ao exagero no branqueamento do discurso (como é exemplo o texto de Henrique Monteiro, no Expresso).
Sobre o discurso da senhora (e já agora, de outros que têm marcado ponto na televisão e jornais)...
Há pessoas que viveram acima das possibilidades? Certamente que sim. O curioso é que são principalmente as que agora dizem que temos que empobrecer, ou aguentar. O drama é que em muitos casos este discurso é proferido por quem efetivamente não empobrece (no verdadeiro sentido da palavra) ou não tem que gerir um salário mínimo ou - que digo eu - um salário mileurista. Obviamente que determinados salários ou rendimentos aguentariam e aguentariam o aniquilamento do Estado Social. Muitas das vezes, aqueles que conseguiram fugir até agora ao pagamento devido a esse Estado através de esquemas e transações muito bem geridas por especialistas na matéria (não falo, portanto, de quem recebe o RSI ou o subsídio de desemprego). O que aflige neste e outros discursos é a abstração com que se fala do povo, dos pobres, dos jovens que estão sem emprego, do cidadão em geral. São exatamente os que comem bifes todos os dias - que digo eu - os que reúnem em hotéis de luxo, frequentam restaurantes de luxo, viajam em executiva e têm motorista que os leva a todo o lado (em alguns casos com direito a despesas de representação, ajudas de custo e outras benesses que o resto dos cidadãos contribuintes não tem acesso, mas aguenta) que pautam o seu discurso com este tom miserabilista, com este tom de que todos os outros (os que não vivem dessa forma) devem abdicar do prato ao jantar (de bife, de sopa, ou até mesmo de nestum). São esses que eles e elas acham que devem aguentar o peso da derrocada do Estado Social.
Voltemos especificamente a Jonet. O trabalho que fez e faz é, obviamente, um trabalho válido. Não faço ideia se a senhora aufere de remuneração por isso ou não, nem me choca que receba. Mas isso também não a isenta de crítica. É tão livre de expressar o seu ponto de vista quanto os restantes são livres de discordar (veementemente) do mesmo.
É que se há muitos que vão a concertos, ou compram compulsivamente, ou fazem férias 5 vezes ao ano, muitos outros há que não têm (nem tiveram) sequer o que pôr no prato ou pagar contas ou medicamentos. E muitos deles trabalharam a vida toda e nunca viveram à custa de bifes diários.
*Roubado a Manuel António Pina
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Bocejo livresco
Com honrosa exceção da livraria Almedina, faz-me confusão que as campanhas de promoção das livrarias versem, invariavelmente, exatamente sobre os livros rotulados como sendo os livros mais vendáveis, os que lemos e rapidamente esquecemos. Invariavelmente (com exceção da Almedina, sublinho) , bocejo perante as newsletter's sobre as fantásticas promoções dos livros que empestam as montras das livrarias.
Este esquema no universo livreiro faz-me lembrar essa outra pescadinha de rabo na boca da televisão portuguesa, que serve lixo ao jantar televisivo dos e das portuguesas a coberto da justificação de que é o que os e as portuguesas querem. Pois.
Abelardo Morrel
O que não se deve fazer a Clarice
Como leitora compulsiva de Clarice Lispector, é com pena que registo que as edições de Água Viva e O Lustre são dececionantes. Não pelo texto da autora, mas pelo que a Relógio d'Água não fez: uma revisão digna, que permita ler ideia em vez de idéia e em que o trema não tremelique pelo texto (a título de exemplo).
Se quisesse uma edição em Português do Brasil (tenho, por exemplo, o Correspondências, oferecido por mão querida) teria comprado uma edição da editora original, a Rocco. Mas tal não é o caso. Não estava preparada para isto.
Sei que publicarão mais, nomeadamente os livros infantis de Clarice. Espero sinceramente que sejam edições mais cuidadas. A bem da minha saúde.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Boa Semana
[numa breve incursão a uma fnac a menina que me atendeu definiu Maria Teresa Horta como uma autora feminista - do feminismo bom]
Na sexta, dia 9, oportunidade para ir à 2.ª Sessão de OPENSHOW, em Coimbra, na maravilhosa Casa das Caldeiras. O nosso agradecimento à produção: The Portfolio Project
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Boa Semana
Lobo Antunes fala sobre a vida e as suas vicissitudes na TSF.
Nunca consegui ler Lobo Antunes
Tanta coisa para dizer desta semana que se inicia e eu sem palavras para usar.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Boa Semana
Perdemos mais um escritor.
Por favor, alguém me dê boas notícias.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Boa Semana
«estive aqui o dia todo numa grande angústia»
O que se sente quando se perde tudo?
Tudo: a consciência de si, a consciência d@ outr@. O que se vê quando o mundo passa ser um enorme chão armadilhado?
Milhares de pessoas por todo o mundo devem ter respostas para estas perguntas: algumas estão bem próximas de cada um(a) de nós.
Não os/as vemos? Não os/as ouvimos?
Dias de viagens, de cansaço gravado no corpo, de vozes distantes e alarmes familiares. Poucas horas de sono, planos para mais viagens e alguém que não sabe o que esperar para além do tormento de ver o seu quotidiano [a sua zona de conforto, como diriam os nossos governantes] a ruir, a rir-se de si. As perguntas (que poderei mais eu fazer? Que sabem mais os meus dedos fazer para além disto que me ocupa os dias há anos? Onde poderei exercer um trabalho remunerado? Que farei agora?) pairam num enorme balão por cima da sua cabeça - e eu consigo lê-las. Ainda ao longe.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Continuem a assobiar para o lado que há quem vos cante olhos nos olhos
Hoje uma cantora lírica sobrepôs a sua voz à de Cavaco. Certamente mais límpida e mais acertada sobre o que há a relembrar aos portugueses e portuguesas.
E o que cantou para os que (ainda) se julgam nossos donos, foi isto:
E o que cantou para os que (ainda) se julgam nossos donos, foi isto:
«Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.
Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.
Não seja o travor das lágrimas
Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.
Olha que a vida nos acena
Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta.»
Poema de João José Cochofel
Resgatar o Futuro
Hoje estou na Aula Magna.
Para quem não pode acompanhar os trabalhos presencialmente, o Congresso está a ser transmitido em direto, aqui.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Boa Semana
Brian Oh foi a minha mais maravilhosa descoberta durante a minha existência no Second Life (SL) e costumo pensar nele como tendo um pouco de Manoel de Oliveira (pela lentidão de certos planos), mas sobretudo, como um Burton do segundo mundo.
Esta é apenas uma das suas muitas estórias. Brian é pintor, mas o seu mundo há muito que não cabia nas telas, de modo que, apostou na tecnologia do SL para dar corpo a certas ideias «que não funcionariam tão bem numa tela a óleo».
Eis Anna, who:
was a quiet girl
who through eyelashes
watched the world
And though she appeared
to be quiet meek
inside she harboured
a dark streak
tired of body apps
that people used
to feel their gaps
so with a touch
of profound sadness
Anna embraced
what we've call madness
Acho que agora bem que estava a calhar um segundo mundo, um segundo país - será este irrecuperável?
Subscrever:
Mensagens (Atom)



