segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Boa Semana




Em semana em que se anuncia a reforma espanhola nos conteúdos da antiga disciplina de Educação para a  Cidadania, por instrução da santa madre igreja, é com um sorriso cínico que lemos que José Ignacio Wert (ministro da educação) ganhou um enorme aplauso na Conferência Episcopal. O que deu em troca? Ora, ora, nada de mais, apenas a garantia de exclusão de conteúdos relacionados com a homofobia, conflitos sociais ou a desigualdade de género - tudo temas blasfemos, já se vê, daqueles que se quer bem afastados de uma monarquia católica. A ICAR manda? Espanha obedece, monsenhor! Veremos quanto demora até cá chegar.

Por cá as coisas não estão muito melhores. O prof. Marcelo diz que o partido laranja não pode mostrar medo na rua. Eu vejo com muito bons olhos que o Passinhos e restante turma vão mostrar o medo ou que quiserem à porta fechada, pelo menos aliviam o ar. 

A esperança na humanidade chega agora do Mali.

domingo, 5 de agosto de 2012



O líder de um grupo «asiático» acusado de aliciar, abusar sexualmente e violar «jovens britânicas» (entre os 13 anos e os 15 anos) viu a sua pena de prisão ser aumentada em três anos por ter abusado de uma jovem «asiática».  Shabir Ahmed, 59 anos, irá agora cumprir 22 anos de cadeia. Durante o tempo em que o julgamento se arrastou, os jornais britânicos relatavam as atrocidades cometidas - 47 vítimas - pelo grupo de oito paquistaneses e um afegão. A primeira denúncia data de 2008, mas a polícia e o Ministério Público acharam que jamais um «júri iria acreditar na rapariga» (ela podia não ser credível... mas estava a dizer a verdade) - e o caso foi abandonado até haver uma mudança de chefia. As vozes críticas fizeram-se ouvir, com particular acutilância a extrema-direita, que organizou grupos de protesto junto ao tribunal: alegadamente, o caso não terá sido investigado por as autoridades recearem a acusação de 'racismo' (i.e. a obsessão pelo 'politicamente correcto' terá permitido que mais raparigas se tornassem vítimas); que os jornais optam por tornar vaga a nacionalidade dos arguidos, apelidando-os de «asiáticos», pela mesma razão (obsessão pelo politicamente correto); que os crimes cometidos contra a «jovem asiática» mereceram apenas mais três anos de cadeia, o que coloca em causa o valor do bem jurídico protegido (autodeterminação e liberdade sexual) quando o mesmo é cometido contra uma britânica ou contra uma «asiática».

Uma das coisas que salta à vista neste caso é o quão discricional pode ser o ato de investigar e de acusar.  O Ministério Público - que tem o poder de levar ou não alguém a tribunal - de acreditar ou não na(s) testemunhas, de pedir as perícias que entender - pode errar. E como vimos - e nem seria necessário ir até às ilhas britânicas - erra. Seria natural, caso não fosse muito, muito grave. E particularmente grave uma vez que, acreditar ou não na testemunha é algo subjetivo, i.e, sujeito aos nossos preconceitos e contradições.

Barbara Kruger


Outra questão que me ocorre é o receio da acusação de racismo e preconceito. Palavras facilmente arremessadas quando se trata de descredibilizar @ outr@.
Patriarcado é uma palavra e um conceito muito usado pel@s cientistas sociais, com particular incidência para quem trabalha questões de género. De uma forma simplista, define uma organização social em que a autoridade é exercida pelos homens. Continuando no registo simplista, é mais ou menos consensual que o patriarcado é responsável por uma série de crenças e atos que prejudicam as mulheres e que, a violência de género, bem como a violência praticada contra minorias sexuais, é motivada pelas crenças alimentadas pelo patriarcado. Os programas de tratamento para arguidos acusados e violência doméstica incluem módulos que visam alterar a representação que os agressores têm das mulheres (seres inferiores e que precisam - e podem - ser disciplinados fisicamente e que precisam de ser controladas dada a sua natureza emocional e instável - isto de ter útero e ovários provoca cá uns humores....). Nos países ocidentais ouvem-se críticas à hiper-sexualização das crianças - em particular das raparigas - e do abuso dos corpos (ou partes deles) para vender: seja o que for e ainda que nada tenha que ver com mulheres ou com os corpos delas. Responsabiliza-se a cultura patriarcal pela violência doméstica e sexual.

Contudo, parece haver um pudor excessivo quando se trata de equacionar se os crimes praticados pelo gangue de Rochdale merecem também uma abordagem étnica/cultural. Obviamente que nem todos os paquistaneses e afegãos são agressores sexuais ou pais dispostos a matar as mulheres pela honra familiar (o caso de Lal Bibi está aí para o provar). Contudo, parece-me um pouco óbvio que estes arguidos não só têm um enorme desprezo pelas mulheres, como em particular pelas mulheres cujo estilo de vida pode ser encarado como particularmente indigno e cujo comportamento e assemelha mais ao dos homens - o que as torna, aos olhos da sua cultura, menos mulheres, menos humanas reforçando a sua indignidade face a qualquer atitude de respeito. Em muitos países as mulheres são inferiores por letra da lei: não lhes é reconhecido direito de propriedade, direitos sexuais, de trabalho, ou outros direitos básicos de cidadania, noutros países, menos atrasados alguns destes direitos estão garantidos mas são limitados. Ora, não me parece totalmente descabido que os cidadãos desses mesmos países tenham crenças misóginas (tal como, de resto, acontece no Ocidente) e que vejam as mulheres ocidentais - que desrespeitam todos os valores defendidos nos seus países de origem - como seres particularmente desprezíveis e indignos de respeito. Contudo, quando se diz isto, surge logo a enorme sombra da palavra racismo. É um mistério compreender como é que reconhecemos que um sistema de organização social ocidental prejudica e promove a violência contras as mulheres, mas somos preconceituos@s se  dizemos o mesmo de pessoas cuja cultura que faz exatamente o mesmo que o ocidente - mas a triplicar.  De notar que não estou a referir que é uma questão religiosa (embora não conheça todas as religiões do mundo, estou em crer que não há uma única que promova ou garanta a igualdade entre homens e mulheres, pelo contrário, tendem a reforçar preconceitos de género). Curioso que se acuse de racismo quem afirma que este caso tem um lado cultural/etnico, mas que tudo se cale quando uma «jovem britânica» não foi levada a sério quando denunciou um crime gravíssimo como é o do abuso sexual. É que os preconceitos contra as mulheres parecem ser sempre menores face a todos os outros preconceitos.

Adenda: todos os arguidos eram respeitados na comunidade. A maioria tinha emprego e um deles desempenhava funções de líder espiritual. Alguns tinham famílias com filh@s. Ou seja: o perfil normal de um agressor sexual. As vítimas eram raparigas pobres e oriundas de famílias desestruturadas, algumas das quais ao cuidado dos Serviços Sociais britânicos e em casas de acolhimento. Com excepção do caso da menina «asiática», todas as outras eram, segundo a imprensa, britânicas - em alguns jornais podia ler-se 'brancas'. Porque as vítimas eram brancas - originárias do país de acolhimento - e os agressores estrangeiros o caso serviu de pano acusações mútuas de racismo: extrema direita acusa estrangeiros de serem violadores de mulheres brancas - como se a extrema direita se importasse com o direito à autodeterminação sexual das mulheres! - e enquanto isso, o líder do grupo acusou o tribunal de racismo e perguntou porque é que o júri era constituído, em exclusivo, por pessoas brancas.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Boa Semana


Halima Bashir, uma médica sudanesa vítima de perseguição política, tortura e violaçãoficou conhecida durante o decurso do seu pedido de asilo no R.UA sua biografia é contada por voz própria (em co-autoria) no livro Lágrimas do Darfur Nele, a autora descreve o estado de choque, de alienação e profunda vergonha que a dominaram após a violação. Apesar de ter crescido no seio de uma família liderada por um pai moderno que a apoiou e incentivou a estudar, Halima teme pelo seu futuro.  Não tem dúvidas que, sendo médica, conseguirá assegurar a sua subsistência, mas o resto «um marido, filhos....(...) que homem quererá desposar uma mulher que foi violada»? O pai - que lhe adivinha os pensamentos - irá tratar do assunto. Halima irá unir-se a um antigo conhecido que entretanto fugira do regime viajando para Inglaterra - país que ela aprendera na escola ter sido «o berço da democracia» -, portanto, ela irá contrair matrimónio com um marido ausente. Já na Europa - e devido às dificuldades que estava a ter para conseguir o reconhecimento como asilada (o qual lhe foi recusado duas vezes) -, foi aconselhada pelo advogado a falar com os media. Será esta opção que determinará que se torne o rosto da denúncia das atrocidades cometidas no Darfur, em particular, as agressões contra as mulheres.
No seu livro, Bashir descreve a sua infância numa aldeia e relata a sua experiência enquanto aluna numa escola onde as meninas árabes recebiam tratamento privilegiado contrastando com as negras, as quais eram constantemente castigadas e obrigadas a realizar todo o tipo de tarefas (incluindo limpar a escola). Curioso que na sua obra Halima caia na tentação de um discurso discriminatório e estereotipado em relação a outras nacionalidades: p.e. quando acusa os somali de abusarem do sistema de asilo inglês, ou quando se queixa das suas vizinhas iraquianas que reclamavam do tamanho exíguo do apartamento.


E agora, mais perto de casa...

O que dizer disto? Ou disto?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

As Primeiras Mulheres Repórteres - da Isabel Ventura


Quero apresentar-vos um livro. 
Da Isabel Ventura. E não o recomendo só porque ela é-me muito próxima (que é). Devem lê-lo, porque resulta de um trabalho sério sobre as primeiras mulheres que se atreveram a entrar nas redações de jornais, mesmo quando os outros repórteres alegavam que não deviam porque assim não poderiam praguejar, ou quando lhes gozavam as meias de vidro, ou eram apoucadas porque sim. A Isabel traz-nos relatos que não conhecíamos de um país aparentemente distante, de mulheres e homens que fizeram este País ser menos pequenino do que era.

O livro da Isabel é muito bom. Tão bom que foi prefaciado pelo Fernando Alves, que o apresenta com o jeito que lhe conhecemos. Só dele.





segunda-feira, 23 de julho de 2012

Boa Semana




As últimas duas semanas têm sido recheadas de emoções fortes. Esta, que agora se inicia, promete uma ida ao inferno.

Never quit

segunda-feira, 16 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Boa Sexta Feira




Esta semana - a correr à velocidade com que nos cortam direitos - tive a oportunidade de me certificar que ainda não me consegui habituar à maldade humana. Senti-me afogar na descrença e foi então que a lembrança da notícia com que iniciei a semana me salvou de ser engolida pela desesperança.

my valentine for you two/too


segunda-feira, 2 de julho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Boa Semana



A-mil

Ainda não acabou a telenovela do euro, pois não?


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um «lugar para cada um e cada um no seu lugar»*


«Dentro do lar, a mulher não é escrava, deve ser acarinhada, amada e respeitada, porque a sua função de mãe, de educadora dos seus filhos, não é inferior à do homem. Nos países ou nos lugares onde a mulher casada concorre com o trabalho do homem (...), a instituição da família pela qual nos batemos como pedra fundamental de uma sociedade bem organizada ameaça ruína (...). Deixemos, portanto, o homem a lutar com a vida no exterior, na rua... e a mulher a defendê-la, (...) no interior da casa. (...) Não sei, afinal, qual dos dois terá o papel mais belo, mais alto, mais útil.» 





O autor é António Oliveira Salazar, em entrevista datada de 1932, mas é cada vez mais usual ouvir uma linha  de argumentação semelhante, hoje. 
Importa lembrar que Salazar foi pai do regime em que as mulheres não eram indivíduos, eram pertença da família, ou melhor, pertença dos homens, o que lhes dava o direito de lhes violarem a correspondência ou requererem depósito judicial, caso as mulheres abandonassem o lar. Viajar? Só com autorização do marido. Tudo a bem da família, claro...

* Fonte:Irene Flunser Pimentel, sobre uma das normas preferidas de António Carneiro Pacheco, ministro da Educação Nacional de Salazar e responsável pela criação das organizações femininas Obra das Mães pela Educação Nacional e Mocidade Portuguesa Feminina.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Boa Semana



Neste Junho soalheiro, as palavras perdem a nitidez numa verdade absoluta

Banda Sonora da semana patrocinada por N.E. [dankë], as palavras são do poeta maior, F.P.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Liberdade de Imprensa





como


[só a garantia de impunidade pode explicar a violência policial na era dos telemóveis-câmaras: por cada um que cai há - haverá - SEMPRE um flash que dispara]

Boa Semana



Talvez tenha sido por os dias andarem negros e as noites expulsarem a confiança. Talvez fosse por falta do ferro ou dos minerais que dizem ser essenciais ao ser humano. Talvez fosse por não ter saído na sexta. Ou por ter perdido a exposição. Talvez fosse por ali ver a estória da curva sinuosa da esperança. Talvez fosse apenas por ser a última das sete. Fosse pelo que fosse, esta foi a mais perturbante das sete.


sexta-feira, 18 de maio de 2012



E depois da saga de ontem, isto.



Oh, take me back to the start

quinta-feira, 17 de maio de 2012




Raramente dou uso à impressora, pelo que, infalivelmente, quando preciso dela… os tinteiros secaram. Vai de ir às compras e eis que me deparo com a amarga realidade: a inflação atingiu os cartuchos, cujo preço está pela hora da morte. Vai de fazer contas à vida e opto pelos reciclados XXL. Sentada em frente ao computador e pronta para imprimir 9 envelopes. Duas horas depois descubro qual o raio da opção que permite à impressora perceber que, se dou ordens para imprimir num envelope DL, logo, estou a colocá-lo no lado para o qual aponta a setinha que está na própria impressora. Depois de aberto o Publisher, o Word, eis que, finalmente, o Acrobat me salva e quando acho que tudo está resolvido, 13 envelopes impróprios para enviar vêm provar-me o contrário.

Após 6 (seis) limpezas de tinteiros (!), o preto continua a deixar rastos por tudo o que é papel por onde passe, mesmo que não seja a área a imprimir…. Decido mudar de tarefa e experimento imprimir as cartas… já a antever que ficassem uma enorme cagada e a equacionar ir à loja reclamar por causa do tinteiro. Eis que as cartas saem em perfeitas condições (de notar que as cartas têm cabeçalho com um logótipo a 3 cores… e a morada do destinatário -, i.e., em tudo igual ao que é suposto ser impresso no envelope). Eis-me sem quaisquer motivos para reclamar do tinteiro… eis-me sem conseguir imprimir os envelopes. Eis-me prestes a explodir....................... 

Adenda: acabo de ser informada da origem do meu problema.