terça-feira, 27 de março de 2012

Lullaby porque sim



As obsessões são deste calibre. Persigo estes senhores já há algum tempo.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Serviço Público

Boa Semana



Thelma & Louise for ever

Tindersticks na segunda.
 Na Gulbenkian, Fernando Pessoa continua Plural como o Universo. Na 5.ª feira, Isabela e Carla Martingo estão na Ler Devagar para falar de Mulheres e Sexualidades. No próximo domingo, Serralves exibe três filmes para conhecer o Portugal salazarinho.





quarta-feira, 21 de março de 2012

Um rosto para a poesia



A fechar o dia, uma das minhas poetas preferidas, Maria Teresa Horta. Porque nestas comemorações as mulheres poetas não são lembradas e ficamos todas (as outras) mais sozinhas. 

INCITAÇÃO À FALA
Não é mais o espesso silêncio
que se cala
É o poema

Curto, turvo
incompleto na pele da página

que me incita à fala.

terça-feira, 20 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Boa Semana


Festival Literário da Madeira confirmou as melhores expetativas e promete regressar para o ano: com mais dias e mais escritor@s. 


Esta terça, far-se-á ouvir Stravinsky, no Marquês de Pombal (para todo o país a partir da TSF), para receber a Primavera.

E, hoje, a Monstra acontece (até ao final da semana).

Na Biblioteca Nacional podem ver-se as Ordenações Manuelinas (que no original são tão hilariantes quanto adaptadas para português moderno)

Na sexta-feira, Daniel Higgs está em Guimarães - aliás, esta é a cidade onde tudo acontece (e ainda bem).

segunda-feira, 12 de março de 2012

Epístola de Kiara aos/às Bloggers - a preparar-me para o Festival Literário da Madeira

Caros amigos e amigas,

Há muito sem dar notícias, sabei que sou uma gata muito ocupada e com agenda preenchida. Quando não estou entretida a dormir no quarto ou a comer um snack na cozinha ou a espreguiçar ao sol na varanda, sou uma gata de escritório. Dedico-me aos computadores quando pouso as minhas delicadas pantufas no teclado para vos redigir missivas, ou a experimentar a confortável almofada da cadeira de escritório. Por vezes, folheio livros, que há aqui muitos e agora até sobre bridge, que não sei o que seja porque a maior parte está em inglês e eu sou gata bilingue: gatês falado, português escrito. Mais que isso é pedir demasiado.
Esta semana ando entusiasmada com esta coisa do Festival Literário da Madeira. Como dizem que é aberto ao público sem especificar se bípede ou quadrúpede, ando com ideias de aparecer por lá.
Já andei a ver o programa e acho que sexta-feira (16 de Março) a mesa da tarde vai ser bastante interessante:

Mesa de Debate 1: «Éramos felizes e não sabíamos - Como a troika influenciou os nosso dias»
Inês Pedrosa, José Manuel Fajardo, Patrícia Reis, Pedro Vieira, Rui Nepomuceno




Entretanto, ando por aqui a ver se leio alguma coisa, que não quero ser gata desprevenida nestas coisas da literatura e da troika. Ainda não encontrei o livro certo, mas também só vasculhei a primeira prateleira. Nada de jeito, só papel para a impressora. 

Agora que penso melhor, poderá não ser mau. Penso que ainda ninguém pensou no impacto das medidas da troika no quotidiano de uma gata. 

Boa Semana

(...) ao som dos Poppers [sentados] & amig@s a tocar em casa: um concerto intimista, com um Luís Raimundo ora introspectivo, ora comunicativo [em tom confessional: «de coração aberto», nas suas palavras] e, como se pode notar neste vídeo, com imenso sentido de humor. Os miúdos dos Olivais estão bem e recomendam-se.


© ElisaBetty Delgado


Também se recomenda a exposição de obras fotográficas de Susana PaivaRosa Reis, na Bloco 103 (até ao final da semana). A última apresenta imagens da Fundação Champalimaud (que veio destruir grande parte da Docapesca) e a primeira uma explosão de cor (a prova que o surrealismo está na nossa cabeça: «fotografei o que vi»). A Galeria promoveu duas conversas entre o público e as autoras (eventos raros neste país, que tende a obstaculizar os diálogos directos - se queremos falar com alguém, temos primeiro que passar pelo secretário do assessor, pelo chefe de gabinete, pelo ... escolham vocês).

E claro, na 5.ª feira, dia 15, começa a 2.ª edição do Festival Literário da Madeira.

domingo, 11 de março de 2012

Faltam quatro dias até ao início da 2.ªedição do Festival Literário da Madeira

Este ano o Festival acontece no centro da cidade, no Teatro Baltazar Dias. 

Conferência inaugural: Agustina Bessa-Luís
Teatro Municipa Baltazar Dias | 18.00
 A abrir, Agustina Bessa-Luís pensada por Inês Pedrosa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

International Women's Day

Barbara Kruger

Feliz Dia Internacional da Mulher 
diz-se no singular, não é? Afinal, somos todas (des)iguais.

segunda-feira, 5 de março de 2012

(Muito) Boa Semana


Apesar de*




Porque uma boa música ou um bom filme têm o poder de nos fazer sorrir (infelizmente, os sorrisos não enchem barrigas)

*Clarice

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cecile had been seduction itself in college....

Liang Su


The construction of a woman:
a woman is not made of flesh
of bone and sinew
belly and breasts, elbows and liver and toe.
She is manufactured like a sports sedan.
She is retooled, refitted and redesigned
every decade.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A História num instante - ou num instante, a História


Passados dois anos, a Nova Delphi publica um ensaio que resulta da investigação e reflexão de Violante Saramago Matos, bióloga, sobre o 20 de Fevereiro de 2010. 
A obra «resulta de uma interpretação crítica de acontecimentos passados e presentes, e reflete sobre a procura de novos caminhos. Não se esgota, nestas folhas, a solução dos problemas, mas se puder ser um contributo para avaliar realidades e corrigir erros, já terá merecido a pena escrever». 

Boa Semana


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Da série pérolas a porcos (mas ao contrário)

Ainda não é cardeal, mas ao que parece quer começar com o pé direito: o novíssimo cardeal Manuel Monteiro de Castro quer mostrar serviço, e para atestar que esta não é uma igreja pelas e para as mulheres (apesar de ser alimentada em grande parte pelas mesmas) afirma que a mulher deve ser encorajada a ficar em casa a tempo inteiro ou parcial a fim de que «possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.» 
Não contente com estas confusões essencialistas, e porque a função fundamental da mulher é a educação dos filhos, mas não é a única, acrescenta que «se a mãe tem de trabalhar pela manhã e pela noite e depois chega a casa e o marido quer falar com ela e não tem com quem falar...» As reticências são bem elucidativas desta outra função, certamente essencial, que anda a escapar à mulher.
A mim só me ocorre um conselho: Ó homem, trate-se!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

À distância de 20 anos

O homem que escolheu o que eu haveria de fazer na vida foi o mesmo que me feriu o orgulho de morte numa das suas aulas. Quando recebi o primeiro teste, não queria acreditar. Para além das advertências normais, um outro pormenor abalou o meu edifício: todo o teste estava pintalgado na palavra análize. E eu tinha a certeza de que a minha análize era a correta, de que a minha análize era motivo de orgulho. Mas não, ele havia desenhado um vergonhoso s curvilíneo por cima dos meus orgulhosos z's. Apesar de adolescente, já havia aprendido que antes de ripostar, o melhor é confirmar. E quando consegui confirmar, o meu espanto não poderia ter sido maior. Efetivamente, análize nunca mais deveria ser redigida com z. 

Durante vinte anos, grafei religiosamente a palavra como havia aprendido com o professor de filosofia que não alegava, como tantos outros, que não era professor de português. Ontem, no quadro, grafei inexplicavelmente a palavra como se tivesse 15 anos e ainda não tivesse recebido aquele primeiro teste. Desfiz-me em pedidos de desculpa, enquanto o queixo me tremia de raiva pelo incompreensível retrocesso. Nem sei como fui capaz. É que hoje, ao redigir este post, tive que esforçar-me para conseguir escrever a palavra como se não tivessem passado vinte anos desde que aprendi a escrevê-la. Exceto ontem em que, mais uma vez, uma aula de filosofia foi palco da minha vergonha.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Loja de História Natural



Foi por época do natal.

Primeiro, perguntei o preço de várias réplicas, depois escolhi uma, por fim, ouvi: «e se eu lhe oferecer esta?» As palavras tinham cessado, mas eu imaginei que ele estaria a propor que eu trouxesse, por um valor simbólico, uma das peças que estava danificada, para além da que tinha sido minha escolha. Na minha cabeça ecoava «por mais 20€ leva as duas, o que acha?». Nada disso. Era mesmo uma oferta - sem quaisquer condições, i.e, incondicional, (inclusive eu havia questionado o preço da danificada). Perplexa, perguntei: «mas.. mas tem a certeza?» e ele continuou: «sim, claro, eu já tinha pensado em oferecer esta a alguém que comprasse o grande (a peça que eu levava)». Continuei a gaguejar e a pensar o que teria feito para merecer a enorme generosidade daquela pessoa. 
Mas não foi apenas dessa vez que provei a generosidade do Pedro Lérias. Outra ocasião, tive oportunidade de o ver partilhar a sua imensa sabedoria acerca das árvores de Lisboa, e em particular, as palmeiras. Nessa visita, por ele organizada, e ofertada a quem dela quis usufruir, o Pedro havia ido ao mercado biológico comprar tâmaras - fruta de um tipo de palmeira para a qual estávamos a olhar, mas que não tinha fruto - para que pudessemos saborear a fruta daquela árvore.
Estes são apenas pequenos episódios - aos quais, estou certa - haveria muitos mais a acrescentar se juntássemos uma meia dúzia de clientes da Loja de História Natural, um espaço único na cidade de Lisboa, e em Portugal. Por todas estas coisas, quando li a notícia do encerramento da Loja - apesar do tom do anúncio - apeteceu-me chorar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Boa Semana


Haveria muito para escrever sobre a declaração de Passos Coelho (PC) garantindo que a liberdade de expressão e de imprensa estão asseguradas neste país - as declarações de Pedro Rosa Mendes à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) foram certamente fruto da enorme imaginação do autor -, ou o seu [o de PC] «não, não me preocupa» à pergunta acerca da sua possível preocupação face à demissão em bloco da direção de informação da RDP. Haveria também muito para dizer acerca da ordem de Vasco Graça Moura (VGM), o qual, segundo o Público terá mandado desinstalar o programa que adaptava os conteúdos dos computadores ao Acordo Ortográfico (AO) que a anterior direção do Centro Cultural de Belém (CCB) comprara e instalara. Acerca deste último caso, umas palavrinhas mais: VGM está no seu direito em ser contra o AO e em se permitir o direito de escrever segundo as normas pré AO. Basicamente, parece-me salutar que alguém que esteja contra algo se mobilize no sentido de impedir/finalizar/etc. esse algo. O que me parece, no mínimo, condenável, é que VGM use a sua posição de poder dentro de uma instituição do Estado, para demonstrar a sua repulsa contra o AO. Seria mais ou menos a mesma coisa que um chefe de estação do Metropolitano de Lisboa ser contra a proibição de fumar e decidir autorizar fumar dentro da sua estação. Reside aqui a questão de VGM: O CCB não é de VGM. É do Estado. Se fosse uma entidade privada, não teria muito a dizer. A questão aqui não é o AO é a atitude de VGM, que o torna alguém que pura e simplesmente acha que pode usar a sua nomeação política como um instrumento de uma causa pessoal.
Apesar de.... 
Boa Semana!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Boa Semana





Este filme é o resultado da iniciativa da National Geographic, que desafiou as pessoas a carregarem vídeos com cenas de um dia das suas vidas. Esse dia foi 24 de Julho de 2010, ou, pelo menos, esse foi o dia em que os vídeos foram carregados no Youtube, que foi parceiro do projeto.
Ridley Scott e Kevin MacDonald ficaram incumbidos de, a partir dos 80 mil vídeos que totalizaram 4500 horas, mostrar em 90 minutos, a vida num dia.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

África Minha

Barbara Kruger
                                                                                                Esta crónica

do Pedro Rosa Mendes está no centro de um caso no qual alguns (só más línguas, como sabemos) vêem a mão da censura política. Aparentemente, alguém - ou quiçá, muita gente - do governo e arredores, não terá gostado das palavras do cronista e - à boa maneira portuguesa (ai, Ceridwen, tu e a tua mania de hiperbolizar e de fugir ao rigor) - terá mandado acabar com o programa (mas isto é o que dizem as más línguas, porque a matéria de facto é que os contratos dos cronistas - eram quatro - terminavam no final deste mês).

A história remete para um episódio recente do programa Prós & Contras, que terá sido emitido de Angola, com o objectivo de promover um reencontro entre aquele país africano e Portugal. Rosa Mendes terá visto na emissão um «dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez» assistiu
O repórter (que já respondeu em tribunal por difamação - o ofendido era o sr. santos, presidente da República de Angola - processo do qual saiu inocente)  descreve o reencontro televisivo como um desfile de «responsáveis políticos, empresários, comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local.(...)»
Na mesma crónica, o repórter critica abertamente a RTP «O serviço público de televisão tem estômago para muito, alguns dirão que tem estômago para tudo», bem como a quase total ausência de referência à corrupção em Angola (segundo Mendes, a apresentadora questionou «a medo» um dos intervenientes acerca de um "certo tipo de corrupção").
O jornalista afirma ainda que encontrou no programa «não o país, mas a falta de vergonha de uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz».
Não tendo assistido ao Prós & Contras a que Pedro Rosa se refere e apenas ouvindo a sua crónica, percebo perfeitamente que haja quem não tenha gostado de ouvir o repórter mencionando a realidade gritante angolana: a extrema desigualdade que assola o país onde um punhado tudo controla e a corrupção é a 'law in action'. Mas Mendes não termina por aqui, e transforma a peregrinação de portugues@s para Angola numa fuga - na fuga a um Portugal perdido.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Boa Semana

 Sooner or later a man who wears two faces forgets which one is real.


- So there never... there never was a Roy? 
- If that's what you think, I'm disappointed in you. There never was an Aaron either... 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Se é isto um Presidente da República

Numa altura em que muitas famílias fazem um esforço para além do humano para sobreviver, numa altura em que o Governo anunciou há pouco um  aumento de 7 euros nas pensões que não chegam a 300 euros por mês, o Presidente da República, que não se pronuncia sobre a agenda política mais quente, abre a boca para vir dar o seu exemplo, o de alguém que vive da reforma que, nas suas palavras, mal dão para as despesas. E faz questão de lembrar que apenas pode contar com a sua reforma (e só tem memória da mais baixa que a outra, ah não sei, agora assim de memória é difícil), já que abdicou do ordenado de PR. Nem aqui consegue ser rigoroso, já que Cavaco Silva abdicou tanto do ordenado de PR quanto eu abdicarei dos subsídios de férias e natal. Voluntariamente é que não foi/será.

De todo este lamentável episódio, vislumbro apenas duas leituras possíveis:
Ou Cavaco Silva decidiu gozar com quem o elegeu ou então não faz a mínima ideia da realidade das gentes do País  que preside. Em ambos os casos, penso que  demonstra uma total falta de competência para o cargo que exerce e uma profunda falta de respeito para com quem o elegeu. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As negociações entre o Governo Central (PSD+cds-PP) e o Governo Regional (AJJ*):

Versão resumida:

There's leak, there's leak
In the boiler room
The poor, the lame, the blind
Who are the ones that we kept in charge?
Killers, thieves, and lawyers

God's away, God's away
God's away on business. Business.



Goddam ther's always such
A big temptation
To be good, to be good
There's always free cheddar in
A mousetrap, baby
It's a deal, it's a deal

God's away, God's away
God's away on business. Business.

*Apesar de um dos membros do executivo (que não o AJJ) jurar a pés juntos que foi  pessoalmente buscar dinheiro ao Continente, e que quando é responsável por alguma coisa tudo corre bem (até a Marina do Lugar de Baixo).

Cem Anos de Perdão

Kirill Vorontsov

Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então, é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.

Clarice Lispector

Boa Semana


Your world is nothing more
Than all the tiny things 
you've left behind

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

cds-PP - a técnica do Ai chega chega a minha agulha, afasta afasta o meu dedal

O cds-PP, que é um partido em franca expansão na Região Autónoma da Madeira, apelou hoje a que os consumidores portugueses tirem consequências da deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins para a Holanda.
No seguimento deste apelo, espera-se que o cds-PP apele também para que os portugueses tirem consequências da deslocalização do banco do Estado - a CGD - da praça financeira da Madeira para a praça financeira das ilhas Caimão. 
Ainda que o Governo Português (que integra o PSD e o cds-PP) tenha decidido que a partir de agora a praça das Ilhas Caimão é uma praça fidedigna, ainda assim não será território nacional. Nem europeu, de resto.

Tive a tentação de utilizar como marcador para este post «A Origem da Obra de Arte», porque efetivamente é preciso alguma arte para engendrar estes tipos de malabarismos: um partido que às vezes é e outras vezes não é, um Governo que asfixia o País em termos fiscais, mas que raspa as suas empresas daqui. 
Mas a verdade é que este marcador é para obras de arte a sério. Não para técnicas de manipulação.

domingo, 1 de janeiro de 2012

O Evangelho segundo Clarice

(Sabine Weiss)

«As pessoas se chocavam no escuro, toda luz desorientava cegando, e a verdade só servia para um dia. Todas as nossas dificuldades esbarravam logo com uma solução. Estávamos perdidos com as soluções que nos antecediam, para falar a verdade o mundo nos antecedia a cada passo.»
Clarice Lispector, A Maçã no Escuro, Relógio d'Água, p. 44

2012

«apesar de (...)»*


Bom Ano



*citando Clarice

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Rei vai Nu

Desde que foram divulgadas as medidas de austeridade específicas para a Região (que foi) Autónoma da Madeira, leio e ouço que agora é que é, bem feita, quem os mandou eleger o AJJ, julgavam que não iam pagar, etc. O que me parece mais curioso é que estas bocas cheias são as mesmas que elegeram PPC e que pelos vistos estão satisfeitíssimos com a magnífica escolha que fizeram.

(estou perfeitamente à vontade para manifestar a minha perplexidade, eu, que não votei em nenhum deles).

sábado, 24 de dezembro de 2011

Longa, longa gargalhada

do blogue Aventar
porque não vale a pena chorar (nunca valeu, de qualquer forma)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Desconheço a autoria, mas estou certa que a mesma apreciará a disseminação da obra.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Are you Scared?


"Ela devia estar em casa a cuidar dos filhos em vez de andar a destruir a vida de alguns homens"*


*Declaração de uma habitante de New Bedford, descendente de portugueses - tal como a vítima - Cheryl Araújo - e os acusados, de resto - a propósito de um caso de violação em grupo, que originou este filme. A comunidade portuguesa organizou-se e manifestou-se contra a condenação de quatro violadores.

in Allison, J. A. "Rape: the misunderstood crime"


Eis uma entrevista a Daniel e Michael O'Neill, que socorreram Cheryl.
Um artigo de Grégoir Seither acrescenta que o padre referiu que uma rapariga que vai a um "local daqueles já se sabe o que é que anda à procura e por isso, que não venha chorar depois"
Quase tão hilariante quanto a declaração do pastor, foi a defesa alegar que ao "aceitar beber um copo de vinho com os seus agressores ela estava a concordar com o sexo" e, portanto, o episódio tratar-se-ia de "sexo consentido" e que o pormenor de ela gritar NÃO e se debater "fazia parte do jogo".
...................
Por vezes, ao ler certos comentários a casos de violação  nos jornais, ou em blogues, vem-me à memória a frase do título, que tão bem espelha uma mentalidade que gostaria de acreditar datada.....

sábado, 10 de dezembro de 2011

A escolha é fundamental


Seus olhos se encheram de lágrimas. «Ingrata», pensou ele escolhendo mal uma palavra de acusação. Como a palavra era um símbolo de queixa mais do que de raiva, ele se confundiu um pouco e sua raiva acalmou-se.
Clarice Lispector, Laços de Família

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"Para ti, sabes porquê"

Manuel Rodríguez Sánchez

Canto-te...
Canto o teu nome porque só as coisas cantadas
realmente são e só o nome pronunciado inicia
a mágica corrente
(...)

Canto-te 
E tu definitivamente existes nos meus olhos
são os olhos da criança que nós somos sempre
diante da imensidão do teu espaço.

Ana Hatherly

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A paciência dos doentes e a sapiência de uma equipa ministerial

Segundo o ministro Paulo Macedo e outras vozes apoiantes da actual linha condutora para a saúde, as taxas moderadoras servem, como o próprio nome indica, para moderar o acesso aos serviços, sobretudo ao de urgência hospitalar, a qual, segundo palavras do ministro e seu séquito, são usadas abusivamente pelos/as utentes (os quais, por certo, devem dar como bem passadas as horas nos corredores e salas de espera de um hospital público). É, manifestamente, um abuso, e há que pôr esta gente na ordem e informar que se se tem uma dorzinha no rim, isso não significa que se esteja a morrer, porque só quem está com o pé para a cova é que pode ir às urgências.


Ora, segundo entendi das palavras do ministro, no programa Prós e Contras, palavras essas repetidas nos meios de comunicação social, nomeadamente no Expresso, tudo irá depender da capacidade de auto-diagnóstico do doente: "as taxas moderadoras vão depender do facto de ser uma urgência ou de ser uma consulta de cuidados primários". Ora, uma vez que o raciocínio é: aumentando a taxa de acesso às urgências as pessoas irão pensar duas vezes antes de desembolsar 20€ para ser tratado como gado e irão aguardar pela consulta no centro de saúde. Assim a ser, não consigo perceber o porquê da duplicação da taxa moderadora de acesso a estes serviços. E, por muito, que a deputada Teresa Caeiro venha dizer, aos microfones da TSF, que o número de pessoas abrangidas pela isenção irá aumentar (talvez já estejam a contar com os futuros desempregados), há que sublinhar que se está a colocar uma baliza nos 624€ para a isenção (para além das grávidas e crianças até aos 12 anos, desempregados/as e doentes crónicos cujas consultas sejam referentes a essa mesma doença). Ou seja, uma família cujo rendimento per capita seja 650€* não estará isenta. As taxas moderadoras não farão mossa caso os membros desta família usem o Centro de Saúde uma a duas vezes por ano, mas... e se for mais vezes? É que, sinceramente, não consigo entender a lógica do: "ah, e queremos que as pessoas só vão às urgências hospitalares quando realmente for caso de urgência, porque quando se trata de cuidados primários têm de ir ao Centro de Saúde". É que isto até poderia ter fazer todo o sentido se, aumentando (imensamente!) a taxa de acesso às urgências se se mantivesse a dos Centros de Saúde ou, pelo menos, não a duplicassem (isto para não falar do facto de haver uma enormidade de gente sem médico/a de família, ou sequer sem acesso a um centro de saúde que funcione todos os dias da semana, como é o caso do interior do território nacional).

Nota*: Eu já ganhei (e não foi assim há tanto tempo) 650€/mês e por vezes não dava sequer para pagar as despesas fixas: renda, água, luz, gás, passe, combustível, Internet.
Supermercado? Pois...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Boa Semana [de melancolia]





Este é o tempo
Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os Homens renunciam.

Sophia de Mello Breyner, 1958

E isto é só o início



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Matem as Mulheres Primeiro - e de todas as maneiras.

Depois de Lara Logan (e quantas mais terá havido, sem que delas se ouvisse falar), outras repórteres ocidentais foram atacadas física e sexualmente, no cumprimento da sua função, na praça Tahir. 

Entretanto, a associação Repórteres Sem Fronteiras (RSF), tão ciente da importância da liberdade de imprensa, não vê outra solução para o problema que não o afastamento das mulheres repórteres da zona. 
Mas, se a questão é a segurança d@s profissionais de imprensa, então porque vem a RSF recomendar que se retirem as mulheres (esses seres que provocam perturbações incontroláveis no sexo oposto) da praça Tahir ao invés de colocar a tónica no aumento das condições de segurança para @s trabalhador@s da imprensa? A não ser que os homens estejam livres de perigo, esta recomendação não parece fazer muito sentido. Alás, um breve passar de olhos na página da associação, que costuma colocar apontar o dedo a quem agride, mata ou censura jornalistas, permite perceber que também OS jornalistas não estão isentos de perigos. Eles também são censurados, isolados, perseguidos, torturados e atacados sexualmente (parece que os homens jornalistas provocam o mesmo efeito junto de certos meios, que as mulheres repórteres junto do sexo oposto, na Praça Tahir). Alguma vez, ouvimos a RSF proclamar que as agências, jornais e televisões deveriam parar de enviar repórteres para cobrir a guerra do Iraque ou do Afeganistão devido aos repetidos ataques aos profissionais da imprensa? Alguma vez a RSF recomendou o não envio de repórteres para uma zona de guerra alegando que... sei lá, entre outras coisas, existia uma enorme probabilidade de... serem mortos? Então porquê agora esta posição?


Imaginando que a imprensa substituiria os membros femininos das suas equipas (temos muitos exemplos portugueses de mulheres em zonas de conflito), estariam os homens mais seguros? Ou iriam estes com mais condições de segurança? Mas, em que se baseia a RSF para acreditar que os jornalistas estrangeiros estarão em segurança na Praça Tahir, desde que sejam homens? E quando forem os homens jornalistas a ser atacados, irá a RSF aconselhar: "não enviem repórteres para a Praça Tahir? Enviem só as câmaras, os computadores e microfones, os homens que fiquem em casa"? Será que a RSF acha que isto é um 'assunto de mulheres'? É que, enquanto no mundo francófono europeu se legisla para proibir o uso da burqua, alegadamente, em "nome da liberdade individual das mulheres e da segurança nacional", a RSF acha que o ataque aos profissionais da imprensa (desde que estes sejam mulheres) se resolve fechando-as nas redacções. Será isto um ataque contra as mulheres - e por isso, a RSF descarta-se dizendo simplesmente: "não enviem mulheres e o assunto fica resolvido" - ou é isto um ataque à liberdade de imprensa e, em simultâneo, um ataque às mulheres repórteres?


As mulheres (jornalistas ou não) já adoptam uma série de comportamentos 'preventivos' de ataques sexuais (evitar certos percursos, evitar sair a certas horas, entre uma longa lista de coisas e comportamentos a 'evitar' e que não inibem a incidência do crime de violação), revelando uma adaptação do comportamento à prevalência deste crime. Já vi, diversas vezes, mulheres repórteres em directos a partir de países islâmicos menos moderados, com a cabeça coberta com um lenço, porém, jamais vi um repórter ocidental, no mesmo país com a barba comprida ou com a cabeça coberta (não são só as mulheres que cobrem a cabeça no Islão). São sempre as vítimas que se têm que adaptar ao comportamento do agressor. O mais grave parece-me quando uma instituição que defende a liberdade, adopta uma posição tão desigual em termos de liberdade, ferindo claramente o direito das redacções à escolha d@ enviad@ e não protegendo o direito a informar em condições de dignidade que tod@s têm.

Boa Semana



"In this economy, we all need more...."


Sábado de festa, com a K. dar o seu terceiro concerto (com baquetas a voar), domingo em reflexão,
e a longa semana a ler sobre misérias humanas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Barbara Kruger

O homem tem um corpo, a rapariga é o corpo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

EM GREVE

Ainda tenho esperança que esta minha Ilha atinja a maioridade. Ainda tenho esperança que esta minha Ilha seja capaz de dizer que não é feita de gente que aceita, acriticamente, um executivo que lhes diz que este País (e esta ilha) tem gente a mais, que os que trabalham não são grande coisa porque são despesa. 
Ainda tenho esperança que esta minha gente, HOJE, manifeste o seu descontentamento perante um executivo que lhe diz que andou a gastar de mais, quando a maior parte apenas tem sobrevivido. Tenho esperança que esta minha gente entenda que a greve é um imperativo, que não pense apenas «com o meu rico dinheirinho (do dia de hoje) eles não ficam».
Ainda tenho esperança que a gente desta minha Ilha perceba que não basta que outros combatam por ela.


I believe everything we dream 
can come to pass through our union 
we can turn the world around 
we can turn the earth's revolution 
we have the power 
People have the power

(e os que só agora se preocupam com o que isto fará à economia que vão dar banho ao cão. 
Mas amanhã, que hoje é dia de greve.)

sábado, 12 de novembro de 2011

Já chegamos a Abril - O perfume da Filosofia

O Ministério da Educação, com o seu muito aclamado Ministro, já veio provar que é muito diferente das suas anteriores responsáveis.
No que diz respeito à disciplina de Filosofia, começamos o ano já com toda a informação relativa aos exames nacionais e testes intermédios.
 Este ano, percebemos que as coisas tinham realmente mudado por lá e teremos um exame norteado pelo programa de Filosofia (goste-se ou não) e não apenas por grupos de influência. Este ano, os/as docentes não terão que retroceder na matéria para lecionar conteúdos que não fazem parte do programa, mas que surgem nos conteúdos previstos para o teste intermédio (e que fazem parte de um ou outro manual). Este ano, a terminologia utilizada não versa apenas sobre a terminologia de uma corrente, com um  ou outro manual. Este ano, os conteúdos previstos para o teste intermédio não indicam o privilégio de conteúdos (lógica e argumentação) em detrimento de outros (Kant, mas quem é esse, que não interessa nada, principalmente no que diz respeito ao Conhecimento? O Conhecimento Científico? Mas por alma de quem é que se aborda em Filosofia o conhecimento científico?)
Não, este ano, tem-se provado que o Ministério tem gente séria e que o que de lá emana é completamente diferente do que se viu anteriormente. E a Filosofia continua a ser perfumada.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Da reiterada falta de vergonha - é uma casa de ministro, com certeza

Miguel Macedo que, ao que parece, tem algumas dificuldades em saber o significado de alguns termos, veio agora a público dizer que por decisão pessoal dele vai apresentar amanhã a renúncia a um direito que lhe assiste - o subsídio de alojamento que pelos vistos apenas alguns funcionários públicos têm, e apesar de ter um apartamento seu (onde fica quando está deslocado). Deve ser bonito, mês após mês, Miguel Macedo, o Ministro, entregar a Miguel Macedo, o proprietário, o arrendamento do apartamento que ocupa durante a semana quando anda a ministeriar pela Capital. Resta saber se Miguel Macedo, o proprietário, passa recibo a Miguel Macedo, o ministro...

Ainda que não concorde com o facto de se autointitular como agente decisor neste caso - já que a decisão pessoal dele só surgiu depois de a situação ter sido escarrapachada nos escaparates dos jornais - concedo que foi mais agente decisor que qualquer um de nós (funcionários públicos/as que não têm subsídio de alojamento quando estamos deslocados): é que a nós, não houve qualquer problema de nem nos consultarem sobre a decisão de perdermos um direito que também a nós nos assistia. 

Faltam 8 (como este Miguel Macedo) renunciarem, por decisão pessoal deles, ao direito que os assiste de serem pagos pela casa que é deles.

A decisão pessoal que deles se exige não é esta. Mas tenho para mim que nenhum é suficientemente sério para tomar a única decisão séria no meio desta palhaçada. É que a esta altura ainda não deverão ter direito a subsídio de reintegração.

sábado, 22 de outubro de 2011

É uma casa de ministro, com certeza

Qualquer professor/a que neste País (parto deste exemplo porque é o que conheço melhor) seja colocado em zona que não contemple a sua área de residência, tem que contar com o facto de ter que arranjar alojamento na área em que ficou colocado. Muitas das vezes, tal implica assegurar duas rendas: a da própria casa e a renda do alojamento perto do local de trabalho. Suponho que em outras profissões o mesmo se passe, principalmente desde que este princípio de a zona de residência do trabalhador não contar para quase nada. O regime de mobilidade e a necessidade de colocar comida na mesa assim obrigam.
Há cerca de uma semana, soubemos que seremos obrigados a ceder os nossos subsídios nos próximos 2 anos (período mínimo) em nome da quase bancarrota em que o País se encontra (dizem-nos que vivemos acima das nossas posses, nós os que ganhamos mais de 500 euros). Para não haver despedimentos, há que cortar na gordura - os funcionários públicos, nomeadamente aqueles que ganham mais de 500 euros por mês (progressivamente) e aqueles que ganham mais de 1000 euros por mês, que como toda a gente sabe, no primeiro caso é uma fortuna e no segundo roça o ordenado de um milionário. A justiça assim o exige, diz-nos o governo, constituído pelos partidos PSD e CDS, gente séria e preocupada.
Pois é exatamente esta gente séria que se atreve a atribuir aos da matilha subsídios de alojamento, que coitadinhos estão deslocados. E vai daí, toma lá 1400 euros mensais, que esta coisa de arrendar casa está pela hora da morte e o teu vencimento justifica este pequeno presente no sapatinho (mensal, que o Natal é sempre que um membro do executivo quiser). E não interessa nada que até tenhas segunda casa na zona. 
E aqui fica, para memória futura, os carenciados que se fazem pagar pelos contribuintes portugueses - aqueles que perderam qualquer margem de manobra em nome de uma austeridade que a estes  não bate à porta de certeza (todos pertencentes ao executivo que nos diz que somos milionários com 1000 euros mês):

Miguel Macedo
Aguiar Branco
Juvenal Peneda
Paulo Júlio
Cecília Meireles
Daniel Campelo
Marco António Costa
Vânia Barros

Com gente séria desta, só mesmo à lei da bala.

sábado, 15 de outubro de 2011

Larry Fink, 1967

O Segredo (nova edição)

Uma escola em Barcelos, desolada com a posição que obteve no ano transato nos afamados rankings, decidiu oferecer uma recompensa monetária aos alunos que obtivessem, nos exames, notas superiores a 13 valores. Resultou. Tendo gasto ao todo 700 euros com a estratégia, os/as alunos/as com notas superiores a 16 valores receberam 60 euros; os/as alunos/as que conseguiram notas entre os 13 e 16 valores, receberam 40 euros.
Ao que parece, o que faz falta à malta é pagamento imediato, que com objetivos a longo prazo já não vai lá.

PS:
Nem quero pensar no que irá acontecer aos/às alunos/as que ficaram pendurados/as no boicote do Crato ao prémio que lhes havia sido prometido.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

«Só um Estado controlado por cidadãos livres pode oferecer-lhes qualquer segurança razoável»*

No dia em que Passos Coelho deita por terra tudo o que serviu de bandeira para forçar a queda do governo anterior, no dia em que Passos Coelho anuncia que toda a sua campanha eleitoral foi uma gigantesca fraude, deixo um excerto de Tony Judt. E só tenho pena de no dia 15 de Outubro não poder estar em nenhuma das cidades que aderiu ao protesto.

«Os ricos não querem o mesmo que os pobres. Os que dependem do seu emprego para viver não querem o mesmo que os que vivem de investimentos e dividendos. Os que não precisam de serviços públicos - porque podem adquirir educação, proteção e transportes privados - não procuram o mesmo que os que dependem exclusivamente do sector público. 
(...).
Os mercados têm uma disposição natural para favorecer necessidades e desejos que podem ser reduzidos a critérios comerciais ou medições económicas. Se se puder vender ou comprar, então é quantificável e podemos avaliar a sua contribuição para medidas (quantitativas) de bem estar coletivo. Mas, e aqueles bens que o ser humano sempre valorizou mas que não se conseguem quantificar? 
(...).
Por outras palavras, e se tomássemos em consideração nas nossas estimativas de produtividade, eficiência ou bem estar a diferença entre uma escolha humilhante e um benefício de direito?»
Tony Judt, Um Tratado Sobre os Nossos Descontentamentos, pp. 162-163

*Karl Popper, citado por Tony Judt

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Boa Semana


Will The Circle Be Unbroken

I was standing by my window
On a cold and cloudy day
When I saw that hearse come rolling
For to carry my mother away

domingo, 2 de outubro de 2011

Manuel Subtil e os média

Em 2001, Manuel Subtil barricou-se numa casa de banho da RTP. Imediatamente o caso foi seguido e exaustivamente analisado pela maioria dos órgãos de informação do País (Madeira incluída, por incrível que pareça). De repente o País ficou suspenso perante o ato daquele homem desesperado, trancado com a família numa zona do edifício muito pouco nobre. Ameaçava suicidar-se (e levar quem pudesse com ele). Ao fim de oito horas de atualizações constantes (perfil traçado, amigos entrevistados, projeções, enfim, o carnaval habitual neste género de situação), as notícias pariram um rato.
Em 2011, numa ilha que se tornou presença constante nos noticiários nacionais com reportagens exaustivas sobre  um líder desorientado e respetivos/as seguidores/as, um grupo de deputados de um partido da oposição invadiu um órgão de informação dominado pelo Governo Regional (sob a complacência de uma igreja que tem pautado a sua atuação por uma quase total promiscuidade com o poder político). Na verdade, não foi a primeira vez que um partido da oposição tentou despoletar o debate sobre o tema (suponho que tenha sido essa a intenção dos assaltantes: provocar celeuma para colocar o assunto sobre algumas meses mais renitentes). A última tentativa (antes desta ação mais radical do PND) partiu do Bloco de Esquerda (salvo erro), que quis levar o assunto da liberdade de imprensa na RAM à Assembleia da República, não tendo a proposta sido aceite  pela maioria parlamentar. 
Não me interessa aqui emitir qualquer juízo sobre a performance do PND (ou do Bloco, ou da maioria parlamentar da Assembleia da República). Interessa-me antes refletir sobre a atuação dos meios de comunicação; em alguns casos, nomeadamente nos canais televisivos (à exceção da RTP), a omissão foi ensurdecedora. No que diz respeito à imprensa, os principais jornais nem referem o caso no dia seguinte. Perante isto, ficamos com a sensação de que o Jornal da Madeira não é muito diferente dos principais órgãos do Continente: a transgressão dos deputados, que seria notícia nem que fosse por isso mesmo (pelo caráter transgressor da performance) foi sumariamente ignorada pelos principais órgãos de comunicação. 
Compreende-se. Tal notícia embaraçosa vai de encontro (e não ao encontro) à imagem construída de que a Ilha está isenta de detratores/as relativamente ao poder político regional. E isso não pode ser. É que nesta Ilha apenas acontece o que os média quiserem que aconteça. E os média querem a ilha a uma só voz. Tudo o resto, torna-se silêncio. 

terça-feira, 27 de setembro de 2011




In a room where people unanimously maintain a conspiracy of silence,
one word of thruth sounds like a pistol shot.

Czeslaw Milosz



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Estranhos alinhamentos - TSF Madeira


No dia seguinte a Miguel Relvas ter informado de que não serão anunciadas as medidas a aplicar na RAM  em função da dívida (a falta de garantia é isso mesmo, nada antes de 9 de outubro, como convém); no segundo dia de campanha eleitoral para as regionais e após uma manifestação de indignação no aterro do Funchal, a TSF abre o jornal das 7:30 com a vitória do marítimo, direito a entrevista e tudo (não faço ideia a quem, mas qualquer coisa como o treinador e o presidente do clube pode muito bem ter sido). Depois dessa notícia importantíssima houve espaço para os assuntos menores acima mencionados. Relvas então, foi um apontamento.zinho.de nada.

(O marcador A Origem da Obra de Arte é dedicado ao cinema. Mas apeteceu-me classificar este post com esse marcador. É que é realmente preciso muito engenho para um trabalho informativo tão cuidado).

Boa Semana


Chorei porque já não podia acreditar e eu adoro acreditar
Anäis Nin

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Boa Semana


"I want to buy you something
 but I don't have any money"

Em breve, em muitas casas portuguesas.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Declaração pública de interesse

Gosto de parênteses. 

Uma obra com a qualidade Porto Editora

O Prontuário da Língua Portuguesa - Acordo Ortográfico, da Porto Editora, proclama na capa que é «o único com o antes e o depois do Acordo Ortográfico». E tem toda a razão. No índice e nas várias secções, uma autêntica sessão de nostalgia com colectivos, adjectivos, objectos, directos e indirectos. Com um desacordo destes, quem precisa de inimigos?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pontos nos i´s

Vítor Gaspar, esse terrível maçon, claramente em conluio com a Internacional Socialista que elegeu como principal alvo a abater AJJ (e o povo superior). Ah, a inveja é uma coisa muito feia e é preciso ter a noção que não é (povo) superior quem quer. Só quem pode!


(em "estrangeiro" é ainda mais internacional)