segunda-feira, 7 de maio de 2012

Boa Semana



Now it's the only time I know


Primeira semana após as eleições na mais ou menos livre França e numa Grécia amordaçada e constantemente ameaçada.
Última semana para gastar dinheiro na Feira do Livro. (para quem não gastou tudo no Pingo Doce)
 Quinta-feira é dia de estreia da última criação de Burton, nos cinemas portugueses.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Max Aub (ainda)


Reblogged from Mind Garden

Matei-o primeiro em sonhos; depois não descansei enquanto não o fiz de verdade. Era inevitável.

Crimes Exemplares, Max Aub

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brevemente, numa rua perto de si

Um dia hão-de tirar-nos tudo.


8 horas de trabalho
8 horas de lazer
8 horas de descanso

Parece simples, não é? Mas ainda há bem pouco tempo isto estava em discussão. Mais, ainda se ouvem vozes de instrumentad@s que acreditam mesmo que a produtividade reside no número de horas que se trabalha. E que defendem que @s portugues@s não querem trabalhar: têm um gene da preguiça muito desenvolvido. Esta gente fica aborrecida que haja gente que goste de ser paga quando trabalha. É uma chatice, concordamos.
Mas claro, isto não é nada. A meia hora pode ter caído, mas vigoram bancos individuais de horas. E isto não é nada. O caminho na destruição dos direitos conquistados na segunda metade da década de 70 está agora a ser percorrido em alta velocidade. Em certos setores do mercado de trabalho as pessoas - ou colaboradores na novilíngua - não passam de matéria prima - permanentemente em saldos.
E, parece-me, ainda não vimos nada. Esta semana, dizia-me uma amiga: «estou mesmo a ver que para o ano que vem só recebemos 11 meses. As pessoas acham tudo normal». Demorei alguns segundos a perceber que ela estava a sugerir que chegará o dia em que os contratos de trabalho não contemplarão o pagamento do mês de férias. Não, não é o subsídio, é o mês de férias. Sim, esse dia chegará, concordei. E nada se dirá. Haverá sempre aquel@s que dirão que faz todo o sentido: que se não se está a trabalhar, logo não se deve receber. E o governo dirá que temos que endireitar as contas públicas. Que não podemos viver acima das nossas possibilidades. E continuaremos a ler que @s portugues@s se habituaram a viver que nem alemães. Não, que nem alemães não, que esses são poupadinhos. Que nem gente do sultanato do Brunei! Como se em Portugal houvesse petróleo! Carro? Onde já se viu? Desde quando pobres têm carro? Metro com mais de 3 carruagens? Mas quem julgam que sois? Julgais por acaso que tendes sangue azul para exigir transportes públicos com o mínimo de condições de dignididade? Casa? Mas desde quando pobre tem casa?

Leio que o governo prevê poupar 250 milhões nas prestações sociais... mas como, pergunto-me, se o desemprego não pára de aumentar? Ah... através do «reforço das regras restritivas de acesso às várias prestações sociais, nomeadamente, o abono de família e o rendimento social de inserção.» percebo. Infelizmente, percebo o que Gaspar quer dizer: «quando aumentamos impostos, para protegermos os menos favorecidos e os mais vulneráveis». Como bem assinalaram os Ladrões, segundo a visão de Gaspar, estes são os mais vulneráveis.
Ouço Passos Coelho, na TSF, a dizer aos/às trabalhador@s que 'não vale a pena fazer greves e manifestações'. As celebrações deste dia começaram após um massacre, não foi?

Max (edição espanhola da Media Vaca)

«Era a sétima vez que me mandava recomeçar aquela carta. Tenho o meu diploma, sou uma dactilógrafa de primeira classe. Da primeira vez, foi por um ponto, que ele disse que devia ser ponto parágrafo. Outra vez, porque alterou o 'possível' para 'talvez'. Outra, porque ficou um v em vez de um b. E outra, porque ele se lembrou de acrescentar um parágrafo. E outras vezes, já não me lembro porquê. O caso é que tive que recomeçar sete vezes. E quando lha levei, olhou para mim com aqueles olhinhos hipócritas de chefe de secção e disse: 'olhe, menina....'. Não o deixei acabar. Há que ter mais respeito pelos trabalhadores.»

Crimes Exemplares, Max Aub
(um dos meus livros de eleição desde que o descobri, nos 90). Agradeço publicamente ao senhor da Antígona que me ofereceu a edição ilustrada (maravilhosa, maravilhosa), na Feira do Livro. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Boa Semana

No Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, um coletivo de juízes (com, se não estou em erro, duas juízas) votou pela descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. A partir de agora, as mulheres brasileiras, grávidas de fetos sem cérebro, poderão interromper a gravidez sem passar pelo calvário da autorização judicial. Parece que, finalmente, este coletivo percebeu que se trata de uma questão médica, que exige pareceres de médicos e não uma questão criminal, a qual exige pareceres de juízes. A lei brasileira é muito restritiva no que se refere à IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) e a discussão foi acesa. Pelos vistos, há 'uma vida' quando se fala de fetos anencéfalos, e parece-me que não é à vida da grávida que se referem.

O vídeo conta a história de Severina, mulher, agricultora, pobre, grávida de um feto sem cérebro, o qual não sente «mexer». Severina obteve autorização para interromper a gravidez, mas esta chegou tarde. Ela já teria que ter um parto e não mais um aborto. A sua barriga cresceu, o seu corpo sofreu todas as alterações hormonais e sequelas da gravidez, ouviu as perguntas: «é menino ou menina? ou «como se vai chamar?» inúmeras vezes, mas ela não deu à luz um bebé, ela deu à luz um cadáver. Esta semana, o SFT, deu às mulheres brasileiras, a oportunidade de poder decidir se querem passar por todo este sofrimento.



Enquanto isso, dos EUA, vêm notícias que vão no sentido oposto. Há propostas para obrigar as mulheres grávidas de fetos inviáveis a manter a gravidez até que o parto os separe.....o argumento é o de que as galinhas e as vacas também levam as gravidez até ao fim. Bom, mas não seja por isso; se vamos começar a tomar decisões legais baseando-nos unicamente no comportamento animal, proponho já lembrar a estas criaturas que há exemplos na natureza em que, após a cópula, algumas fêmeas - para assegurar a sobrevivência do feto - se alimentam do macho (suponho que isto sirva de justificação para descriminalizar o homicídio do parceiro sexual após o coito, pelo menos no caso das mulheres sem recursos económicos, não?). E considerando que  há galinhas e vacas (entre muitos outros animais) que matam as crias com menores possibilidades de sobrevivência, parece-me que o paralelo tem alguns perigos. Têm mesmo a certeza que querem ir por aí? É que quando Alberto Giubilini e Francesca Minerva publicaram numa revista da especialidade (Ética Médica), um artigo que discutia o infanticídio, alegando que os fetos e os bebés não «possuem o mesmo estatuto moral que as pessoas», choveram ameaças de morte aos autores.  Ah, espera, acabo de me lembrar que para este tipo de gente, só as suas comparações são válidas. As dos outros, ainda que sigam a mesma linha de raciocínio, não servem.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Felicidade, Eternidade e Férias Grandes, segundo José Eduardo Agualusa


Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, 'e foram felizes para sempre'.
Isto depois de o Princípe casar com a Princesa e terem muitos filhos. Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim. As princesas casam com os guarda-costas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam. Anos mais tarde, inevitavelmente, morrem. 
Apenas somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo dilatado no qual todas as coisas duram eternamente. Eu fui feliz para sempre em alguns breves instantes da minha infância, sobretudo nas férias grandes, enquanto tentava construir uma cabana suspensa nos troncos de um velho abacateiro. Fui feliz para sempre nas margens de um riacho tão humilde que dispensava o luxo de um nome, embora orgulhoso o suficiente para que o achássemos mais do que simples riacho - era o rio. (...) Fui feliz com o meu cão, o 'Moreno', fomos os dois felizes para sempre, correndo como loucos por entre a poeira dourada das tardes perpétuas, perseguindo rolas e coelhos, jogando às escondidas em meio do capim alto. Fui feliz no convés do 'Princípe Perfeito', numa viagem sem fim entre Luanda e Lisboa, lançando ao mar garrafas com mensagens ingénuas: 'A quem encontrar esta garrafa agradeço que me escreva'. Nunca ninguém me escreveu.
Nas aulas de catequese, um velho padre de voz sumida e olhar cansado tentou, sem convicção, explicar-me em que consistia a eternidade. Eu achava que era um outro nome para as férias grandes. (...)

Letters to Dead People
É isto a eternidade, senhor padre, é isto que perdemos depois que nos expulsam da infância. Passamos o resto das nossas vidas a tentar, desastradamente, regressar a este tempo. Tenho andado à procura de garrafas, com mensagens ingénuas lá dentro, em todas as praias do mundo. Não vale a pena. Nunca mais seremos felizes para sempre. Nunca mais teremos férias grandes. As mais belas estórias são aquelas que começam no fim e terminam no princípio. E depois, papá, que aconteceu depois? E depois, meu filho, o menino fez sete anos, ofereceram-lhe um cão chamado 'Moreno' e foram felizes para sempre.

José Eduardo Agualusa, 2002

Entre as vantagens de olhar para trás - atrás no tempo - estão as descobertas que não fizemos na altura. Passados dez anos, encontrei uma das garrafas que a criança Agualusa atirou ao mar. Apenas falta escrever-lhe.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Madeira 1997

E ninguém acha estranho que um filme de 1997 volte em força às salas de cinema de uma terra, salas essas que se dão ao luxo de deixar passar estreias a sério com a desculpa de que o público alvo é todo burrinho e pipoqueiro?

terça-feira, 27 de março de 2012

Lullaby porque sim



As obsessões são deste calibre. Persigo estes senhores já há algum tempo.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Serviço Público

Boa Semana



Thelma & Louise for ever

Tindersticks na segunda.
 Na Gulbenkian, Fernando Pessoa continua Plural como o Universo. Na 5.ª feira, Isabela e Carla Martingo estão na Ler Devagar para falar de Mulheres e Sexualidades. No próximo domingo, Serralves exibe três filmes para conhecer o Portugal salazarinho.





quarta-feira, 21 de março de 2012

Um rosto para a poesia



A fechar o dia, uma das minhas poetas preferidas, Maria Teresa Horta. Porque nestas comemorações as mulheres poetas não são lembradas e ficamos todas (as outras) mais sozinhas. 

INCITAÇÃO À FALA
Não é mais o espesso silêncio
que se cala
É o poema

Curto, turvo
incompleto na pele da página

que me incita à fala.

terça-feira, 20 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Boa Semana


Festival Literário da Madeira confirmou as melhores expetativas e promete regressar para o ano: com mais dias e mais escritor@s. 


Esta terça, far-se-á ouvir Stravinsky, no Marquês de Pombal (para todo o país a partir da TSF), para receber a Primavera.

E, hoje, a Monstra acontece (até ao final da semana).

Na Biblioteca Nacional podem ver-se as Ordenações Manuelinas (que no original são tão hilariantes quanto adaptadas para português moderno)

Na sexta-feira, Daniel Higgs está em Guimarães - aliás, esta é a cidade onde tudo acontece (e ainda bem).

segunda-feira, 12 de março de 2012

Epístola de Kiara aos/às Bloggers - a preparar-me para o Festival Literário da Madeira

Caros amigos e amigas,

Há muito sem dar notícias, sabei que sou uma gata muito ocupada e com agenda preenchida. Quando não estou entretida a dormir no quarto ou a comer um snack na cozinha ou a espreguiçar ao sol na varanda, sou uma gata de escritório. Dedico-me aos computadores quando pouso as minhas delicadas pantufas no teclado para vos redigir missivas, ou a experimentar a confortável almofada da cadeira de escritório. Por vezes, folheio livros, que há aqui muitos e agora até sobre bridge, que não sei o que seja porque a maior parte está em inglês e eu sou gata bilingue: gatês falado, português escrito. Mais que isso é pedir demasiado.
Esta semana ando entusiasmada com esta coisa do Festival Literário da Madeira. Como dizem que é aberto ao público sem especificar se bípede ou quadrúpede, ando com ideias de aparecer por lá.
Já andei a ver o programa e acho que sexta-feira (16 de Março) a mesa da tarde vai ser bastante interessante:

Mesa de Debate 1: «Éramos felizes e não sabíamos - Como a troika influenciou os nosso dias»
Inês Pedrosa, José Manuel Fajardo, Patrícia Reis, Pedro Vieira, Rui Nepomuceno




Entretanto, ando por aqui a ver se leio alguma coisa, que não quero ser gata desprevenida nestas coisas da literatura e da troika. Ainda não encontrei o livro certo, mas também só vasculhei a primeira prateleira. Nada de jeito, só papel para a impressora. 

Agora que penso melhor, poderá não ser mau. Penso que ainda ninguém pensou no impacto das medidas da troika no quotidiano de uma gata.