segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A História num instante - ou num instante, a História


Passados dois anos, a Nova Delphi publica um ensaio que resulta da investigação e reflexão de Violante Saramago Matos, bióloga, sobre o 20 de Fevereiro de 2010. 
A obra «resulta de uma interpretação crítica de acontecimentos passados e presentes, e reflete sobre a procura de novos caminhos. Não se esgota, nestas folhas, a solução dos problemas, mas se puder ser um contributo para avaliar realidades e corrigir erros, já terá merecido a pena escrever». 

Boa Semana


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Da série pérolas a porcos (mas ao contrário)

Ainda não é cardeal, mas ao que parece quer começar com o pé direito: o novíssimo cardeal Manuel Monteiro de Castro quer mostrar serviço, e para atestar que esta não é uma igreja pelas e para as mulheres (apesar de ser alimentada em grande parte pelas mesmas) afirma que a mulher deve ser encorajada a ficar em casa a tempo inteiro ou parcial a fim de que «possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.» 
Não contente com estas confusões essencialistas, e porque a função fundamental da mulher é a educação dos filhos, mas não é a única, acrescenta que «se a mãe tem de trabalhar pela manhã e pela noite e depois chega a casa e o marido quer falar com ela e não tem com quem falar...» As reticências são bem elucidativas desta outra função, certamente essencial, que anda a escapar à mulher.
A mim só me ocorre um conselho: Ó homem, trate-se!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

À distância de 20 anos

O homem que escolheu o que eu haveria de fazer na vida foi o mesmo que me feriu o orgulho de morte numa das suas aulas. Quando recebi o primeiro teste, não queria acreditar. Para além das advertências normais, um outro pormenor abalou o meu edifício: todo o teste estava pintalgado na palavra análize. E eu tinha a certeza de que a minha análize era a correta, de que a minha análize era motivo de orgulho. Mas não, ele havia desenhado um vergonhoso s curvilíneo por cima dos meus orgulhosos z's. Apesar de adolescente, já havia aprendido que antes de ripostar, o melhor é confirmar. E quando consegui confirmar, o meu espanto não poderia ter sido maior. Efetivamente, análize nunca mais deveria ser redigida com z. 

Durante vinte anos, grafei religiosamente a palavra como havia aprendido com o professor de filosofia que não alegava, como tantos outros, que não era professor de português. Ontem, no quadro, grafei inexplicavelmente a palavra como se tivesse 15 anos e ainda não tivesse recebido aquele primeiro teste. Desfiz-me em pedidos de desculpa, enquanto o queixo me tremia de raiva pelo incompreensível retrocesso. Nem sei como fui capaz. É que hoje, ao redigir este post, tive que esforçar-me para conseguir escrever a palavra como se não tivessem passado vinte anos desde que aprendi a escrevê-la. Exceto ontem em que, mais uma vez, uma aula de filosofia foi palco da minha vergonha.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Loja de História Natural



Foi por época do natal.

Primeiro, perguntei o preço de várias réplicas, depois escolhi uma, por fim, ouvi: «e se eu lhe oferecer esta?» As palavras tinham cessado, mas eu imaginei que ele estaria a propor que eu trouxesse, por um valor simbólico, uma das peças que estava danificada, para além da que tinha sido minha escolha. Na minha cabeça ecoava «por mais 20€ leva as duas, o que acha?». Nada disso. Era mesmo uma oferta - sem quaisquer condições, i.e, incondicional, (inclusive eu havia questionado o preço da danificada). Perplexa, perguntei: «mas.. mas tem a certeza?» e ele continuou: «sim, claro, eu já tinha pensado em oferecer esta a alguém que comprasse o grande (a peça que eu levava)». Continuei a gaguejar e a pensar o que teria feito para merecer a enorme generosidade daquela pessoa. 
Mas não foi apenas dessa vez que provei a generosidade do Pedro Lérias. Outra ocasião, tive oportunidade de o ver partilhar a sua imensa sabedoria acerca das árvores de Lisboa, e em particular, as palmeiras. Nessa visita, por ele organizada, e ofertada a quem dela quis usufruir, o Pedro havia ido ao mercado biológico comprar tâmaras - fruta de um tipo de palmeira para a qual estávamos a olhar, mas que não tinha fruto - para que pudessemos saborear a fruta daquela árvore.
Estes são apenas pequenos episódios - aos quais, estou certa - haveria muitos mais a acrescentar se juntássemos uma meia dúzia de clientes da Loja de História Natural, um espaço único na cidade de Lisboa, e em Portugal. Por todas estas coisas, quando li a notícia do encerramento da Loja - apesar do tom do anúncio - apeteceu-me chorar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Boa Semana


Haveria muito para escrever sobre a declaração de Passos Coelho (PC) garantindo que a liberdade de expressão e de imprensa estão asseguradas neste país - as declarações de Pedro Rosa Mendes à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) foram certamente fruto da enorme imaginação do autor -, ou o seu [o de PC] «não, não me preocupa» à pergunta acerca da sua possível preocupação face à demissão em bloco da direção de informação da RDP. Haveria também muito para dizer acerca da ordem de Vasco Graça Moura (VGM), o qual, segundo o Público terá mandado desinstalar o programa que adaptava os conteúdos dos computadores ao Acordo Ortográfico (AO) que a anterior direção do Centro Cultural de Belém (CCB) comprara e instalara. Acerca deste último caso, umas palavrinhas mais: VGM está no seu direito em ser contra o AO e em se permitir o direito de escrever segundo as normas pré AO. Basicamente, parece-me salutar que alguém que esteja contra algo se mobilize no sentido de impedir/finalizar/etc. esse algo. O que me parece, no mínimo, condenável, é que VGM use a sua posição de poder dentro de uma instituição do Estado, para demonstrar a sua repulsa contra o AO. Seria mais ou menos a mesma coisa que um chefe de estação do Metropolitano de Lisboa ser contra a proibição de fumar e decidir autorizar fumar dentro da sua estação. Reside aqui a questão de VGM: O CCB não é de VGM. É do Estado. Se fosse uma entidade privada, não teria muito a dizer. A questão aqui não é o AO é a atitude de VGM, que o torna alguém que pura e simplesmente acha que pode usar a sua nomeação política como um instrumento de uma causa pessoal.
Apesar de.... 
Boa Semana!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Boa Semana





Este filme é o resultado da iniciativa da National Geographic, que desafiou as pessoas a carregarem vídeos com cenas de um dia das suas vidas. Esse dia foi 24 de Julho de 2010, ou, pelo menos, esse foi o dia em que os vídeos foram carregados no Youtube, que foi parceiro do projeto.
Ridley Scott e Kevin MacDonald ficaram incumbidos de, a partir dos 80 mil vídeos que totalizaram 4500 horas, mostrar em 90 minutos, a vida num dia.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

África Minha

Barbara Kruger
                                                                                                Esta crónica

do Pedro Rosa Mendes está no centro de um caso no qual alguns (só más línguas, como sabemos) vêem a mão da censura política. Aparentemente, alguém - ou quiçá, muita gente - do governo e arredores, não terá gostado das palavras do cronista e - à boa maneira portuguesa (ai, Ceridwen, tu e a tua mania de hiperbolizar e de fugir ao rigor) - terá mandado acabar com o programa (mas isto é o que dizem as más línguas, porque a matéria de facto é que os contratos dos cronistas - eram quatro - terminavam no final deste mês).

A história remete para um episódio recente do programa Prós & Contras, que terá sido emitido de Angola, com o objectivo de promover um reencontro entre aquele país africano e Portugal. Rosa Mendes terá visto na emissão um «dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez» assistiu
O repórter (que já respondeu em tribunal por difamação - o ofendido era o sr. santos, presidente da República de Angola - processo do qual saiu inocente)  descreve o reencontro televisivo como um desfile de «responsáveis políticos, empresários, comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local.(...)»
Na mesma crónica, o repórter critica abertamente a RTP «O serviço público de televisão tem estômago para muito, alguns dirão que tem estômago para tudo», bem como a quase total ausência de referência à corrupção em Angola (segundo Mendes, a apresentadora questionou «a medo» um dos intervenientes acerca de um "certo tipo de corrupção").
O jornalista afirma ainda que encontrou no programa «não o país, mas a falta de vergonha de uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz».
Não tendo assistido ao Prós & Contras a que Pedro Rosa se refere e apenas ouvindo a sua crónica, percebo perfeitamente que haja quem não tenha gostado de ouvir o repórter mencionando a realidade gritante angolana: a extrema desigualdade que assola o país onde um punhado tudo controla e a corrupção é a 'law in action'. Mas Mendes não termina por aqui, e transforma a peregrinação de portugues@s para Angola numa fuga - na fuga a um Portugal perdido.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Boa Semana

 Sooner or later a man who wears two faces forgets which one is real.


- So there never... there never was a Roy? 
- If that's what you think, I'm disappointed in you. There never was an Aaron either... 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Se é isto um Presidente da República

Numa altura em que muitas famílias fazem um esforço para além do humano para sobreviver, numa altura em que o Governo anunciou há pouco um  aumento de 7 euros nas pensões que não chegam a 300 euros por mês, o Presidente da República, que não se pronuncia sobre a agenda política mais quente, abre a boca para vir dar o seu exemplo, o de alguém que vive da reforma que, nas suas palavras, mal dão para as despesas. E faz questão de lembrar que apenas pode contar com a sua reforma (e só tem memória da mais baixa que a outra, ah não sei, agora assim de memória é difícil), já que abdicou do ordenado de PR. Nem aqui consegue ser rigoroso, já que Cavaco Silva abdicou tanto do ordenado de PR quanto eu abdicarei dos subsídios de férias e natal. Voluntariamente é que não foi/será.

De todo este lamentável episódio, vislumbro apenas duas leituras possíveis:
Ou Cavaco Silva decidiu gozar com quem o elegeu ou então não faz a mínima ideia da realidade das gentes do País  que preside. Em ambos os casos, penso que  demonstra uma total falta de competência para o cargo que exerce e uma profunda falta de respeito para com quem o elegeu. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As negociações entre o Governo Central (PSD+cds-PP) e o Governo Regional (AJJ*):

Versão resumida:

There's leak, there's leak
In the boiler room
The poor, the lame, the blind
Who are the ones that we kept in charge?
Killers, thieves, and lawyers

God's away, God's away
God's away on business. Business.



Goddam ther's always such
A big temptation
To be good, to be good
There's always free cheddar in
A mousetrap, baby
It's a deal, it's a deal

God's away, God's away
God's away on business. Business.

*Apesar de um dos membros do executivo (que não o AJJ) jurar a pés juntos que foi  pessoalmente buscar dinheiro ao Continente, e que quando é responsável por alguma coisa tudo corre bem (até a Marina do Lugar de Baixo).

Cem Anos de Perdão

Kirill Vorontsov

Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então, é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.

Clarice Lispector

Boa Semana


Your world is nothing more
Than all the tiny things 
you've left behind

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

cds-PP - a técnica do Ai chega chega a minha agulha, afasta afasta o meu dedal

O cds-PP, que é um partido em franca expansão na Região Autónoma da Madeira, apelou hoje a que os consumidores portugueses tirem consequências da deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins para a Holanda.
No seguimento deste apelo, espera-se que o cds-PP apele também para que os portugueses tirem consequências da deslocalização do banco do Estado - a CGD - da praça financeira da Madeira para a praça financeira das ilhas Caimão. 
Ainda que o Governo Português (que integra o PSD e o cds-PP) tenha decidido que a partir de agora a praça das Ilhas Caimão é uma praça fidedigna, ainda assim não será território nacional. Nem europeu, de resto.

Tive a tentação de utilizar como marcador para este post «A Origem da Obra de Arte», porque efetivamente é preciso alguma arte para engendrar estes tipos de malabarismos: um partido que às vezes é e outras vezes não é, um Governo que asfixia o País em termos fiscais, mas que raspa as suas empresas daqui. 
Mas a verdade é que este marcador é para obras de arte a sério. Não para técnicas de manipulação.

domingo, 1 de janeiro de 2012

O Evangelho segundo Clarice

(Sabine Weiss)

«As pessoas se chocavam no escuro, toda luz desorientava cegando, e a verdade só servia para um dia. Todas as nossas dificuldades esbarravam logo com uma solução. Estávamos perdidos com as soluções que nos antecediam, para falar a verdade o mundo nos antecedia a cada passo.»
Clarice Lispector, A Maçã no Escuro, Relógio d'Água, p. 44

2012

«apesar de (...)»*


Bom Ano



*citando Clarice