segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Boa Semana

 Sooner or later a man who wears two faces forgets which one is real.


- So there never... there never was a Roy? 
- If that's what you think, I'm disappointed in you. There never was an Aaron either... 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Se é isto um Presidente da República

Numa altura em que muitas famílias fazem um esforço para além do humano para sobreviver, numa altura em que o Governo anunciou há pouco um  aumento de 7 euros nas pensões que não chegam a 300 euros por mês, o Presidente da República, que não se pronuncia sobre a agenda política mais quente, abre a boca para vir dar o seu exemplo, o de alguém que vive da reforma que, nas suas palavras, mal dão para as despesas. E faz questão de lembrar que apenas pode contar com a sua reforma (e só tem memória da mais baixa que a outra, ah não sei, agora assim de memória é difícil), já que abdicou do ordenado de PR. Nem aqui consegue ser rigoroso, já que Cavaco Silva abdicou tanto do ordenado de PR quanto eu abdicarei dos subsídios de férias e natal. Voluntariamente é que não foi/será.

De todo este lamentável episódio, vislumbro apenas duas leituras possíveis:
Ou Cavaco Silva decidiu gozar com quem o elegeu ou então não faz a mínima ideia da realidade das gentes do País  que preside. Em ambos os casos, penso que  demonstra uma total falta de competência para o cargo que exerce e uma profunda falta de respeito para com quem o elegeu. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As negociações entre o Governo Central (PSD+cds-PP) e o Governo Regional (AJJ*):

Versão resumida:

There's leak, there's leak
In the boiler room
The poor, the lame, the blind
Who are the ones that we kept in charge?
Killers, thieves, and lawyers

God's away, God's away
God's away on business. Business.



Goddam ther's always such
A big temptation
To be good, to be good
There's always free cheddar in
A mousetrap, baby
It's a deal, it's a deal

God's away, God's away
God's away on business. Business.

*Apesar de um dos membros do executivo (que não o AJJ) jurar a pés juntos que foi  pessoalmente buscar dinheiro ao Continente, e que quando é responsável por alguma coisa tudo corre bem (até a Marina do Lugar de Baixo).

Cem Anos de Perdão

Kirill Vorontsov

Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então, é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.

Clarice Lispector

Boa Semana


Your world is nothing more
Than all the tiny things 
you've left behind

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

cds-PP - a técnica do Ai chega chega a minha agulha, afasta afasta o meu dedal

O cds-PP, que é um partido em franca expansão na Região Autónoma da Madeira, apelou hoje a que os consumidores portugueses tirem consequências da deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins para a Holanda.
No seguimento deste apelo, espera-se que o cds-PP apele também para que os portugueses tirem consequências da deslocalização do banco do Estado - a CGD - da praça financeira da Madeira para a praça financeira das ilhas Caimão. 
Ainda que o Governo Português (que integra o PSD e o cds-PP) tenha decidido que a partir de agora a praça das Ilhas Caimão é uma praça fidedigna, ainda assim não será território nacional. Nem europeu, de resto.

Tive a tentação de utilizar como marcador para este post «A Origem da Obra de Arte», porque efetivamente é preciso alguma arte para engendrar estes tipos de malabarismos: um partido que às vezes é e outras vezes não é, um Governo que asfixia o País em termos fiscais, mas que raspa as suas empresas daqui. 
Mas a verdade é que este marcador é para obras de arte a sério. Não para técnicas de manipulação.

domingo, 1 de janeiro de 2012

O Evangelho segundo Clarice

(Sabine Weiss)

«As pessoas se chocavam no escuro, toda luz desorientava cegando, e a verdade só servia para um dia. Todas as nossas dificuldades esbarravam logo com uma solução. Estávamos perdidos com as soluções que nos antecediam, para falar a verdade o mundo nos antecedia a cada passo.»
Clarice Lispector, A Maçã no Escuro, Relógio d'Água, p. 44

2012

«apesar de (...)»*


Bom Ano



*citando Clarice

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Rei vai Nu

Desde que foram divulgadas as medidas de austeridade específicas para a Região (que foi) Autónoma da Madeira, leio e ouço que agora é que é, bem feita, quem os mandou eleger o AJJ, julgavam que não iam pagar, etc. O que me parece mais curioso é que estas bocas cheias são as mesmas que elegeram PPC e que pelos vistos estão satisfeitíssimos com a magnífica escolha que fizeram.

(estou perfeitamente à vontade para manifestar a minha perplexidade, eu, que não votei em nenhum deles).

sábado, 24 de dezembro de 2011

Longa, longa gargalhada

do blogue Aventar
porque não vale a pena chorar (nunca valeu, de qualquer forma)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Desconheço a autoria, mas estou certa que a mesma apreciará a disseminação da obra.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Are you Scared?


"Ela devia estar em casa a cuidar dos filhos em vez de andar a destruir a vida de alguns homens"*


*Declaração de uma habitante de New Bedford, descendente de portugueses - tal como a vítima - Cheryl Araújo - e os acusados, de resto - a propósito de um caso de violação em grupo, que originou este filme. A comunidade portuguesa organizou-se e manifestou-se contra a condenação de quatro violadores.

in Allison, J. A. "Rape: the misunderstood crime"


Eis uma entrevista a Daniel e Michael O'Neill, que socorreram Cheryl.
Um artigo de Grégoir Seither acrescenta que o padre referiu que uma rapariga que vai a um "local daqueles já se sabe o que é que anda à procura e por isso, que não venha chorar depois"
Quase tão hilariante quanto a declaração do pastor, foi a defesa alegar que ao "aceitar beber um copo de vinho com os seus agressores ela estava a concordar com o sexo" e, portanto, o episódio tratar-se-ia de "sexo consentido" e que o pormenor de ela gritar NÃO e se debater "fazia parte do jogo".
...................
Por vezes, ao ler certos comentários a casos de violação  nos jornais, ou em blogues, vem-me à memória a frase do título, que tão bem espelha uma mentalidade que gostaria de acreditar datada.....

sábado, 10 de dezembro de 2011

A escolha é fundamental


Seus olhos se encheram de lágrimas. «Ingrata», pensou ele escolhendo mal uma palavra de acusação. Como a palavra era um símbolo de queixa mais do que de raiva, ele se confundiu um pouco e sua raiva acalmou-se.
Clarice Lispector, Laços de Família

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"Para ti, sabes porquê"

Manuel Rodríguez Sánchez

Canto-te...
Canto o teu nome porque só as coisas cantadas
realmente são e só o nome pronunciado inicia
a mágica corrente
(...)

Canto-te 
E tu definitivamente existes nos meus olhos
são os olhos da criança que nós somos sempre
diante da imensidão do teu espaço.

Ana Hatherly

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A paciência dos doentes e a sapiência de uma equipa ministerial

Segundo o ministro Paulo Macedo e outras vozes apoiantes da actual linha condutora para a saúde, as taxas moderadoras servem, como o próprio nome indica, para moderar o acesso aos serviços, sobretudo ao de urgência hospitalar, a qual, segundo palavras do ministro e seu séquito, são usadas abusivamente pelos/as utentes (os quais, por certo, devem dar como bem passadas as horas nos corredores e salas de espera de um hospital público). É, manifestamente, um abuso, e há que pôr esta gente na ordem e informar que se se tem uma dorzinha no rim, isso não significa que se esteja a morrer, porque só quem está com o pé para a cova é que pode ir às urgências.


Ora, segundo entendi das palavras do ministro, no programa Prós e Contras, palavras essas repetidas nos meios de comunicação social, nomeadamente no Expresso, tudo irá depender da capacidade de auto-diagnóstico do doente: "as taxas moderadoras vão depender do facto de ser uma urgência ou de ser uma consulta de cuidados primários". Ora, uma vez que o raciocínio é: aumentando a taxa de acesso às urgências as pessoas irão pensar duas vezes antes de desembolsar 20€ para ser tratado como gado e irão aguardar pela consulta no centro de saúde. Assim a ser, não consigo perceber o porquê da duplicação da taxa moderadora de acesso a estes serviços. E, por muito, que a deputada Teresa Caeiro venha dizer, aos microfones da TSF, que o número de pessoas abrangidas pela isenção irá aumentar (talvez já estejam a contar com os futuros desempregados), há que sublinhar que se está a colocar uma baliza nos 624€ para a isenção (para além das grávidas e crianças até aos 12 anos, desempregados/as e doentes crónicos cujas consultas sejam referentes a essa mesma doença). Ou seja, uma família cujo rendimento per capita seja 650€* não estará isenta. As taxas moderadoras não farão mossa caso os membros desta família usem o Centro de Saúde uma a duas vezes por ano, mas... e se for mais vezes? É que, sinceramente, não consigo entender a lógica do: "ah, e queremos que as pessoas só vão às urgências hospitalares quando realmente for caso de urgência, porque quando se trata de cuidados primários têm de ir ao Centro de Saúde". É que isto até poderia ter fazer todo o sentido se, aumentando (imensamente!) a taxa de acesso às urgências se se mantivesse a dos Centros de Saúde ou, pelo menos, não a duplicassem (isto para não falar do facto de haver uma enormidade de gente sem médico/a de família, ou sequer sem acesso a um centro de saúde que funcione todos os dias da semana, como é o caso do interior do território nacional).

Nota*: Eu já ganhei (e não foi assim há tanto tempo) 650€/mês e por vezes não dava sequer para pagar as despesas fixas: renda, água, luz, gás, passe, combustível, Internet.
Supermercado? Pois...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Boa Semana [de melancolia]





Este é o tempo
Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os Homens renunciam.

Sophia de Mello Breyner, 1958

E isto é só o início