domingo, 2 de outubro de 2011

Manuel Subtil e os média

Em 2001, Manuel Subtil barricou-se numa casa de banho da RTP. Imediatamente o caso foi seguido e exaustivamente analisado pela maioria dos órgãos de informação do País (Madeira incluída, por incrível que pareça). De repente o País ficou suspenso perante o ato daquele homem desesperado, trancado com a família numa zona do edifício muito pouco nobre. Ameaçava suicidar-se (e levar quem pudesse com ele). Ao fim de oito horas de atualizações constantes (perfil traçado, amigos entrevistados, projeções, enfim, o carnaval habitual neste género de situação), as notícias pariram um rato.
Em 2011, numa ilha que se tornou presença constante nos noticiários nacionais com reportagens exaustivas sobre  um líder desorientado e respetivos/as seguidores/as, um grupo de deputados de um partido da oposição invadiu um órgão de informação dominado pelo Governo Regional (sob a complacência de uma igreja que tem pautado a sua atuação por uma quase total promiscuidade com o poder político). Na verdade, não foi a primeira vez que um partido da oposição tentou despoletar o debate sobre o tema (suponho que tenha sido essa a intenção dos assaltantes: provocar celeuma para colocar o assunto sobre algumas meses mais renitentes). A última tentativa (antes desta ação mais radical do PND) partiu do Bloco de Esquerda (salvo erro), que quis levar o assunto da liberdade de imprensa na RAM à Assembleia da República, não tendo a proposta sido aceite  pela maioria parlamentar. 
Não me interessa aqui emitir qualquer juízo sobre a performance do PND (ou do Bloco, ou da maioria parlamentar da Assembleia da República). Interessa-me antes refletir sobre a atuação dos meios de comunicação; em alguns casos, nomeadamente nos canais televisivos (à exceção da RTP), a omissão foi ensurdecedora. No que diz respeito à imprensa, os principais jornais nem referem o caso no dia seguinte. Perante isto, ficamos com a sensação de que o Jornal da Madeira não é muito diferente dos principais órgãos do Continente: a transgressão dos deputados, que seria notícia nem que fosse por isso mesmo (pelo caráter transgressor da performance) foi sumariamente ignorada pelos principais órgãos de comunicação. 
Compreende-se. Tal notícia embaraçosa vai de encontro (e não ao encontro) à imagem construída de que a Ilha está isenta de detratores/as relativamente ao poder político regional. E isso não pode ser. É que nesta Ilha apenas acontece o que os média quiserem que aconteça. E os média querem a ilha a uma só voz. Tudo o resto, torna-se silêncio. 

terça-feira, 27 de setembro de 2011




In a room where people unanimously maintain a conspiracy of silence,
one word of thruth sounds like a pistol shot.

Czeslaw Milosz



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Estranhos alinhamentos - TSF Madeira


No dia seguinte a Miguel Relvas ter informado de que não serão anunciadas as medidas a aplicar na RAM  em função da dívida (a falta de garantia é isso mesmo, nada antes de 9 de outubro, como convém); no segundo dia de campanha eleitoral para as regionais e após uma manifestação de indignação no aterro do Funchal, a TSF abre o jornal das 7:30 com a vitória do marítimo, direito a entrevista e tudo (não faço ideia a quem, mas qualquer coisa como o treinador e o presidente do clube pode muito bem ter sido). Depois dessa notícia importantíssima houve espaço para os assuntos menores acima mencionados. Relvas então, foi um apontamento.zinho.de nada.

(O marcador A Origem da Obra de Arte é dedicado ao cinema. Mas apeteceu-me classificar este post com esse marcador. É que é realmente preciso muito engenho para um trabalho informativo tão cuidado).

Boa Semana


Chorei porque já não podia acreditar e eu adoro acreditar
Anäis Nin

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Boa Semana


"I want to buy you something
 but I don't have any money"

Em breve, em muitas casas portuguesas.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Declaração pública de interesse

Gosto de parênteses. 

Uma obra com a qualidade Porto Editora

O Prontuário da Língua Portuguesa - Acordo Ortográfico, da Porto Editora, proclama na capa que é «o único com o antes e o depois do Acordo Ortográfico». E tem toda a razão. No índice e nas várias secções, uma autêntica sessão de nostalgia com colectivos, adjectivos, objectos, directos e indirectos. Com um desacordo destes, quem precisa de inimigos?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pontos nos i´s

Vítor Gaspar, esse terrível maçon, claramente em conluio com a Internacional Socialista que elegeu como principal alvo a abater AJJ (e o povo superior). Ah, a inveja é uma coisa muito feia e é preciso ter a noção que não é (povo) superior quem quer. Só quem pode!


(em "estrangeiro" é ainda mais internacional)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Contos do Nada

Tomos Rawski

A inspiração... ah... soubera ela como se inspirar e não procuraria a palavra certa com o ouvido no toque do arco na corda do violino. Não. Soubesse ela como onde e como se inovocava a musa e não lhe chamaria nomes insultuosos, já com as lágrimas a escorrer pela face perdida pelos prazos apertados. Percebesse ela que a inspiração estava a descer pelo seu rosto naquela lágrima de raiva e que os céus.... e não teria perdido tanto tempo ... - (quantos anos?) - à espera d'A resposta. Soubesse ela que a inspiração é como os deuses e não teria desperdiçado a sua juventude à procura do nada.

M-u-i-t-o Boa Semana ;-)


A minha sê-lo-à certamente!

domingo, 28 de agosto de 2011

A ditadura é uma arte

Entrevista a Susie Orbach, na Revista Pública de hoje:

«Não há nenhuma mulher imune - eu não sou diferente. Abram-se os jornais, as revistas e há uma cultura visual que representa algumas mulheres icónicas — portanto há uma representação física — vezes e vezes sem conta. Depois, há uma constante auto-representação de mulheres que precisam de estar no centro do consumo, olhar-se a si próprias, apresentarem-se de certa forma, fazer determinadas coisas, ter 'este emprego' — como se o corpo e a pessoa fossem uma produção.»

Não deixa de ser curioso (para ser simpática) que a revista  tenha optado por, a par com a entrevista à Susan Orbach, colocar uma página de publicidade ao seu canal LifeStyle, que anuncia ser «um canal cheio de estilo e glamour que lhe mostra as novas tendências que vão melhorar o seu estilo de vida. Conheça em primeira mão a última criações de moda, os tratamentos de beleza e as personalidades mais badaladas.» 

sábado, 27 de agosto de 2011

O Direito é um mundo estranho

Rosie Hardy

O Direito é um mundo estranho. Subjuga e liberta, confina e abre horizontes, cria identidades e destrói-as. Não haverá talvez zona do seu discurso em que isto seja mais verdade do que a da formação de relações sociais de género, ou seja, produção normativa de hierarquias e propriedades nas posições e competências relativas de homens e mulheres.

Teresa Beleza in Clitemnestra por uma noite


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O segundo caso sério de hoje

Não sendo leitora assídua, considero este post incontornável. 

Um caso sério (perdi-lhes a conta)

Muito interessante, o post justamente intitulado de "Dúvida Existencial", do blog(ue) 2 Dedos de Conversa. Postas as coisas nestes termos e eventualmente até os/as criadores/as do impresso em questão o considerariam ridículo.Ou não?

Boa Semana



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Un intero popolo che paga il pizzo è um popolo senza dignità 1


O pizzo pode ser também o voto que é inserido nas urnas; acrítico, carneiro, um gesto que não é gesto, fruto do hábito. 
Um povo que voluntariamente abdica da liberdade em troca de subsídios é um povo sem dignidade. 
Um povo que alimenta o polvo na esperança de fazer parte dos/as privilegiados/as é um povo sem dignidade. 
Um povo que se cala perante jogos de poder, que assiste impávido e sereno a ataques ao livre pensamento é um povo sem dignidade.