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| Caravaggio |
Nos últimos dias, a clássica abertura dos telejornais nacionais - que costuma ser um campo verde com uns atletas a correr atrás de uma bola - tem sido substituída pelo drama privado - com consequências públicas - do futuro ex-director do FMI.
Um Dominique Strauss-Kahn (DSK) algemado, sem gravata e, sobretudo, sem sorriso ou sem ironia, tem invadido os ecrãs e suscitado reacções acesas. Segundo o correspondente do canal do Estado em Paris, @s frances@s não gostaram nada de ver um cidadão da República naqueles preparos e "mostram grande indignação e pouca empatia com a alegada vítima". O pivôt da RTP precisou de confirmar o que ouvira: "demonstram pouca solidariedade com a (alegada) vítima?". A explicação é que @s frances@s não esperavam ver tal cidadão ser tratado com um "criminoso comum" - afinal de contas, aquela coisa - muito comum na legislação do hemisfério norte - de tod@s serem iguais perante a lei, independentemente da classe profissional e/ou da casta social não é para ser aplicada: deve ser só porque fica bem estar na lei. Podemos então deduzir que se, sob a mesma acusação, fosse detido e filmado algemado lado a lado com outros acusados, um 'comum' cidadão francês os seus conterrâneos abanariam a cabeça em sinal de assentimento e se calhar até organizavam uma claque de apoio ao apedrejamento à condenação do citoyen.
A República francesa pode ter tido o seu início há 219 anos, no seguimento de uma Revolução que decapitou sem piedade nobreza e o povo ralé, contudo, a mentalidade que concede privilégios segundo as castas continua a residir.
Por cá, podemos apenas especular com humor como lidaria a justiça lusa com tal caso. Contudo, o ex-presidente Mário Soares (MS) - num canal televisivo - afirmou não estar "surpreendido com a acusação" uma vez que "já lhe eram conhecidos outros casos" . Porém, quando o repórter lhe perguntou se DSK estaria ainda em condições de ser candidato à presidência francesa, MS não se excusou a tecer elogios ao grande homem político e ao grande homem socialista.
É que por cá, o pessoal não é político. No fundo, tudo se resume num belo ditado popular: "faz o que eu digo não faças o que eu faço".
A República francesa pode ter tido o seu início há 219 anos, no seguimento de uma Revolução que decapitou sem piedade nobreza e o povo ralé, contudo, a mentalidade que concede privilégios segundo as castas continua a residir.
Por cá, podemos apenas especular com humor como lidaria a justiça lusa com tal caso. Contudo, o ex-presidente Mário Soares (MS) - num canal televisivo - afirmou não estar "surpreendido com a acusação" uma vez que "já lhe eram conhecidos outros casos" . Porém, quando o repórter lhe perguntou se DSK estaria ainda em condições de ser candidato à presidência francesa, MS não se excusou a tecer elogios ao grande homem político e ao grande homem socialista.
É que por cá, o pessoal não é político. No fundo, tudo se resume num belo ditado popular: "faz o que eu digo não faças o que eu faço".

























