quinta-feira, 14 de julho de 2011

Get It On

No passeio marítimo de Algés (dia 8 de Julho), apenas uma desculpa era possível: Grinderman. Num palco dito secundário, ignorando os dramas adolescentes dos/das miúdos/as que suspiravam por uma grua que lhes trouxesse os ídolos do seu contentamento, a quadrilha inicia o concerto pontualmente.
Sem gruas, porque não precisam de artifícios para se elevarem, os Grinderman deram o grande concerto da noite -  não vi os outros, mas acredito em quem o afirma. Afinal de contas, eu não estava ali para mais nada (já o Jools esperava também por Thievery Corporation).
Nunca vi Nick Cave And The Bad Seeds ao vivo, mas não cometeria a ingenuidade de achar que seriam parecidos. Grinderman poderá ser the dark side of the moon destes putos de meia-idade. São viscerais, sem quaisquer laivos de questionamento sobre a existência de Deus ou de crença no amor que acabou ou vai iniciar.  Com Grinderman, não existem quaisquer filtros: é a libido à solta, sem qualquer mecanismo de defesa. Perante isto, Grinderman nunca poderiam estar em palco como Nick Cave And The Bad Seeds*. A distorção das guitarras e as líricas desenfreadas não o permitem (para não invocar tudo o resto...).

*(mesmo quando estamos perante líricas menos consensuais)



Zoriah

Da Russia, com Amor.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Disciplina Amansada 2

Têm sido tempos aparentemente mansos, os que medeiam este post e estes outros, escritos há tanto tempo. Mas esta mansidão esconde um turbilhão latente, contido por estratégias mais comedidas face às resistências que aqui e ali surgiram (e que culminou com a suspensão do exame nacional - uma espécie de agora ninguém brinca). 
A verdade, é que a filosofia está cada vez mais amansada e temo que os próximos tempos revelem o trabalho ardiloso de quem apenas sussurra. Eficazmente. 

Esta semana, descobri nos escaparates das tabacarias uma revista sobre Filosofia (ignorância minha). Comprei-a por curiosidade e a primeira coisa que li foi a entrevista a Daniel Lins, que originou a repescagem dos posts acima lembrados. É que Lins, a determinada altura afirma (relativamente ao Brasil, mas que poderia perfeitamente ser em relação ao nosso País) que «a Filosofia, salvo exceções, é marcadamente teológica, com seu cortejo de 'padres', os novos padres 'ateus', comentadores atrelados à Filosofia do Estado (...)» e mais à frente continua «'Isto não é Filosofia', diz o filósofo do Estado. Pode-se até mesmo sorrir desses mestres da significação, mas são eles que nos altos arraiais da burocracia emperram o pensamento e instalam a sua representação:'Isto não é Filosofia, mas literatura.'», tendo como referência a obra de Nietszche - entre outros -  por oposição ao modelo de conhecimento defendido pelas teorias ontológicas  (e analíticas, acrescento eu). E percebo como a minha análise na altura foi ingénua, que julgava tratar-se de uma seita. Mas Lins tem razão: é, cada vez mais, a Filosofia do Estado. 

*Pormenor de O Grito, de Edvard Munch

terça-feira, 28 de junho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

"It is not so easy to fool little girls nowadays as it used to be"

terça-feira, 21 de junho de 2011

Disse o quê? É que não me lembro


Fernando Nobre faz questão de não nos surpreender quanto ao peso que atribui à (sua) palavra dada: ao que parece, manter-se-á como deputado (quem aprecia este registo é o Sócrates, que vai ser feliz para França - e continua a apostar em denegrir a Filosofia).

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bruno Nogueira oscula o espelho todas as manhãs antes de sair de casa


O dia começa bem quando ouço Fernando Alves. Mas hoje, a TSF (madeira) fez o favor de o preceder com o anúncio ao programazito Tubo de Ensaio. A entoação que emprega quando fala aos(às) preguiçosos(as) mentais deste País (vulgo portugueses) causa-me náuseas. Parece-me claramente que é essa a premissa da qual parte o criativo Bruno Nogueira quando performa os seus programazinhos (suponho que muito bem pagos) para os(as) idiotas do seu País. Ou não tivesse feito tão grande elogio à sua obra em detrimento da inteligência do público-alvo, quando entrevistado há umas semanas pela Visão.

Perplexidades

Anuncia-se a IV Corrida da Mulher, sob o alto patrocínio do Grupo Sá e organizada pela Associação de Atletismo da Madeira. O que me faz espécie é que a receita resultante da iniciativa reverta para a Criamar, quando existem associações e instituições direccionadas para os direitos das mulheres, com trabalho feito e manifesta falta de verbas.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Boa Semana

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Post-it de uma gata quase adormecida


Afinal não sou a única (e só por isso interrompo o meu longo silêncio, que já não vos visitava há que tempos). Mas voltemos ao assunto que me trouxe de volta ao teclado; ao que parece, a caríssima companheira para quem trabalha esta I. também não gosta de visitas de quatro. É para verem, para saberem o que nós sofremos. O meu perseguidor também era o demo, que eu bem sei que era, apesar de cá em casa começarem logo com o  "coitadinho, sem pai nem mãe". Insuportáveis, é o que vos digo, essa gatalha toda que nos entra pelo asseio dentro de pata estendida e com miaus de o "peixe para o povo". Mas não, comigo não, que sou gata desocupada, mas nada estúpida. Não há cá biscoitos para mais ninguém, nem lata para outros que não eu. 
Conselho à felina em apuros (peço imensa desculpa por lhe desconhecer o nome): ponha-o a mexer e reeduque as criaturas que trabalham para si. Coloque o proletariado no seu devido lugar, companheira de agruras. É que hoje dão um prato, amanhã dão-lhe cama e não tarda nada tem que dormir acompanhada. E mal acompanhada. Não se meta nisso, cara amiga. Ouça o meu conselho, que já cá ando há uns aninhos e tive uns quantos a rondar-me a propriedade. Xô gato!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um lançamento é para despachar

No átrio do Teatro Municipal Baltazar Dias, em meia hora, falou-se de Mulheres e Teologia. O pretexto, o lançamento do livro E Deus Criou a Mulher – Mulheres e Teologia. O convidado, Anselmo Borges, um dos organizadores do Congresso agora foi apresentado em livro. O contexto, a Festa do Livro do Funchal. 
Uma apresentação que estava agendada para as 17:30 mas que começou muito depois das 17:45, por ajustes de agenda de última hora. A eles voltaremos.

Anselmo Borges começou por chamar a atenção de que o/a leitor/a não pode esquecer o contexto histórico na leitura dos textos sagrados, que é perigosa quando literal. Assim, um/a leitor/a atenta está consciente que se tratam de textos que procuram responder à pergunta fundamental que é também a da religião, a saber, o quê ou quem traz liberdade e sentido último ao ser humano. E que, portanto, a finalidade das religiões e dos seus textos é trazer liberdade e não opressão e quando se tornam o seu inverso – quando se tornam opressão em vez de libertação, então deve ser posta de lado.
Deste modo, continua Anselmo Borges, uma hermenêutica feminista dos textos sagrados deve ser uma hermenêutica da suspeita, em que é preciso não esquecer que os seus escritores e intérpretes foram, ao longo, dos tempos, os homens, os varões. Assim, reiterou, uma hermenêutica feminista tem que ter uma leitura crítica da História e tem que ser uma hermenêutica da memória, que procura o lado esquecido da História, que vai para além da História dos vencedores porque são os que dominam o discurso. E a verdade é que durante muito tempo, a mulher não deteve qualquer poder.
Exortou também à reformulação dos próprios rituais religiosos, que influenciam a auto-identidade da mulher: batizada pelo padre, pelo bispo, pelo papa, em nome do pai, do filho e do espírito santo. É necessário desconstruir essa imagem masculina de Deus, porque «se Deus é masculino, então o masculino é divino, porque é Deus.»
É preciso não esquecer (como tem acontecido) que deus é assexuado e não a imagem patriarcal dominante, que é apresentada muitas vezes como opressora, autoritária; Deus Pai, que é juiz, rei e soberano.
Exortou ainda à urgência de que a crítica hermenêutica faça parte de todas as religiões, para que estas tenham capacidade de se reformularem em função do tempo em que estamos e não em função do tempo em que estivemos. E este trabalho é um trabalho de toda a humanidade, porque de direitos humanos se trata - «nada daquilo que é humano me é estranho». E lembrou Kant que, já no século XVIII,  considerou que o ser humano deve ser sempre um fim em si mesmo e nunca um meio.

Finda a apresentação, o ajuste de agenda  proibiu questões ao público (que só depois veio saber porque não havia sido aberto espaço para debate) e convidou o autor a abandonar a mesa em que assinava livros aos/às assistentes que o solicitavam, pelo que a tarefa que teve continuar em cima do joelho, ao fundo da sala. 
Ao que parece, o ajuste de agenda apenas disse respeito ao lançamento deste livro. Tudo o resto, continuou placidamente na mesma. 

terça-feira, 17 de maio de 2011

O poder da gravata

Caravaggio

Nos últimos dias, a clássica abertura dos telejornais nacionais -  que costuma ser um campo verde com uns atletas a correr atrás de uma bola - tem sido substituída pelo drama privado - com consequências públicas - do  futuro ex-director do FMI. 
Um Dominique Strauss-Kahn (DSK) algemado, sem gravata e, sobretudo, sem sorriso ou sem ironia,  tem invadido os ecrãs e suscitado reacções acesas. Segundo o correspondente do canal do Estado em Paris, @s frances@s não gostaram nada de ver um cidadão da República naqueles preparos e "mostram grande indignação e pouca empatia com a alegada vítima". O pivôt da RTP precisou de confirmar o que ouvira: "demonstram pouca solidariedade com a (alegada) vítima?". A explicação é que @s frances@s não esperavam ver tal cidadão ser tratado com um "criminoso comum" - afinal de contas, aquela coisa - muito comum na legislação do hemisfério norte - de tod@s serem iguais perante a lei, independentemente da classe profissional e/ou da casta social não é para ser aplicada: deve ser só porque fica bem estar na lei. Podemos então deduzir que se, sob a mesma acusação, fosse detido e filmado algemado lado a lado com outros acusados, um 'comum' cidadão francês os seus conterrâneos abanariam a cabeça em sinal de assentimento e se calhar até organizavam uma claque de apoio ao apedrejamento à condenação do citoyen.
A República francesa pode ter tido o seu início há 219 anos, no seguimento de uma Revolução que decapitou sem piedade nobreza e o povo ralé, contudo, a mentalidade que concede privilégios segundo as castas continua a residir.
Por cá, podemos apenas especular com humor como lidaria a justiça lusa com tal caso. Contudo, o ex-presidente Mário Soares (MS) - num canal televisivo - afirmou não estar "surpreendido com a acusação" uma vez que "já lhe eram conhecidos outros casos" . Porém, quando o repórter lhe perguntou se DSK estaria ainda em condições de ser candidato à presidência francesa, MS não se excusou a tecer elogios ao grande homem político e ao grande homem socialista.
É que por cá, o pessoal não é político. No fundo, tudo se resume num belo ditado popular: "faz o que eu digo não faças o que eu faço".