quarta-feira, 13 de abril de 2011

No princípio era o verbo e agora nada?

Pieter Brueghel

Se é verdade que dedico parte da minha vida à leitura, também é verdade que as palavras insistem em não se deixarem reduzir ao seu significado. Depois de um dia passado a rever textos, possibilidade queria à força tornar-se publicidade - e publicidade outra coisa qualquer. Penso em branco. 
Um dia tão cheio de palavras que a determinada altura desaparecem por completo, um enorme vazio e uma sensação babélica. Como se pensa sem palavras (ou pelo menos, sem as certas)? 

domingo, 10 de abril de 2011

Lullaby de Domingo

Fim-de-semana de Congressos:
The likely lads
Are picking up the uglies
Yesterday they were just puppies
Beery slurs
Now life's a blur

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Crise não chegou à Madeira

No Domingo à noite, a Rotunda do Infante foi lugar perigoso para uma condutora incauta como eu. É verdade que o FCP tinha acabado de ficar às escuras no Estádio da Luz (que não se aguentou à bronca e tratou de esclarecer o quanto estas coisas têm de desportivismo - Sancho, anda cá ver isto). Mas, que raios, eu estou na Madeira, cansada e o trânsito às dez da noite não costuma ser coisa complicada. 
De repente estou rodeada de gente (??) aos urros, carros que não andam mas saracoteiam a estupidez dos/das seus/suas ocupantes. E de nada serve buzinar contra a acefalia generalizada porque, como sempre, a mão na buzina a ver quem é que berra mais estava em alta. O meu singelo e irritado protesto limitou-se ao ato desligar o motor, praguejar contra todas aquelas criaturas e desejar-lhes uma ida à casa-de-banho tão incómoda quanto aqueles infindáveis minutos foram para mim. E que raio, que ninguém se atreva a reclamar sobre o preço do gasóleo e afins. É que a crise, a atestar por aquela dantesca noite, ainda não chegou à Madeira.

Festival Literário da Madeira - a Fotografia de Família


«A arte parece ser o desejo veemente de decifrar ou procurar a pegada deixada por uma forma perdida de existência. Testemunho de que o homem gozou alguma vez de uma vida diferente.»
Maria Zambrano, A Metáfora do Coração E Outros Escritos, Assírio e Alvim, p. 42

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Confissões Festivaleiras

Quem lê este blog há algum tempo - e atende a quem assina os posts - sabe que sou moça para figuras lamentáveis. A ter uma boa memória, o encontro infeliz com o pai do Centro das Artes da Calheta deveria despoletar um pico de timidez confortável (para além da que já é habitual), que impedisse esta infeliz escriba de renovar certas figuras muito tristes. Mas se há algo que me caracteriza é a pobreza da memória que permite que, em tão curto espaço de tempo, repita a proeza.
Um festival com trinta escritores é uma experiência alucinante - para agudizar os sentidos, relembrar paixões e, num registo muito mais mundano, para a conta bancária (a perigar os últimos dias deste mês que ainda vai no início); uma banca de livros num festival literário é um verdadeiro assalto (quase) à mão armada e um perigoso estimulante para comportamentos compulsivos.

Ler é sempre um ato de injustiça. De cada vez que escolhemos um livro numa livraria e não o do lado, cometêmo-la em relação ao autor que ficou abandonado a outra sorte. Não foi a primeira vez que ouvi falar de Afonso Cruz; na preparação do Festival, tratei de conhecer o percurso dos intervenientes, mas a sinopse não me preparou para o que viria. Não lhe reconheci o nome, mas reconheci um dos seus títulos; há muito que lia sobre este livro, mas o nome do seu autor permaneceu obscurecido por qualquer mecanismo de defesa (da minha carteira). No segundo dia do Festival, vi os seus livros na bancada da Bertrand mas, como é (injusto) hábito, resisti-lhe. Escolhi outros, comprei livros para oferecer a algumas alunas (tive a graça de ter alunas a assistir a algumas mesas do Festival). 
O Domingo e a mesa subordinada ao tema "Os Escritores Esquecidos" (excelentes intervenientes) fizeram-me querer ler Afonso Cruz. Nada de grave, uma benção até, porque adivinhar afinidade com a escrita de alguém é sempre um pequeno milagre. Mas não contente com a compra do título que lhe conhecia - A Boneca de Kokoschka - encomendei a voz amiga que lhe solicitasse assinatura por e para mim (esta minha impossibilidade de me dirigir naturalmente às pessoas que não conheço tem destes inconvenientes.) E lá estive frente a frente com o autor que não li, num triste papel de justificar a minha ignorância perante a sua escrita e o meu fascínio pela palavra acabada de dizer. Leitura a iniciar assim que abandone a literatura que tenho em mãos - as cerca de 50 fichas de avaliação que aguardam pela minha justiceira mão.

Boa Semana

vamos tod@s (bem, há alguns/algumas que podemos deixar por cá) para Kokomo :)

domingo, 3 de abril de 2011

O Festival Acontece 6

Na última mesa, Os Escritores Maltratados, Graça Alves lança o repto para que os/as escritores/as da Ilha possam finalmente atravessar o oceano e Pedro Vieira* manifesta profunda admiração pela escritora que ainda não está traduzida para Português (Margarida Rebelo Pinto). Mário Zambujal fala-nos por um lado dos maus tratos à liberdade da palavra e por outro do sarau  de ontem, que teve toda a poncha e circunstância.


*E ninguém para fazer bonecos na plateia!

O Festival Acontece 5

Sobre Escritores Esquecidos, Antonio Scurati abre as hostilidades com uma reflexão sobre a palavra (do perigo do esquecimento da palavra) numa realidade política que privilegia a imagem.

O Festival Segue Dentro de Momentos


O sono não tem sido muito, mas a insónia tem valido a pena - como atesta o sorriso de valter hugo mãe ao apanhar o Rui Zink (entre outros) numa pequena, mas intensiva, recolha etnográfica:

sábado, 2 de abril de 2011

O Festival Acontece 4

Os Escritores Inconstantes e os ouvintes resistentes (muitos). Raquel Ochoa mata-nos ao afirmar que "normalmente aquilo que procuramos no amor é aquilo que ele não tem para nos dar." Não só, mas também (acrescento eu).

O Festival Acontece 3


Acabou-se Dead Combo.

O Festival Acontece 2


A minha querida Isabela, com uma intervenção brilhante. "Para mim não há nenhuma arte que não seja maldita" e brilhantemente continua "a arte é sempre amoral e muitas vezes imoral – não se rege pelos padrões do nosso quotidiano – se se regesse não seria arte." (citação de memória e, portanto, sempre infiel e traidora).

O Festival Acontece 1

José Mario Silva, Rui Nepomuceno, Patrícia Portela e Rui Zink. Moderados por Miguel Albuquerque. Os Escritores que fogem da fama )e se fogem é porque a conseguiram...).

O Festival na Jaime Moniz


As nossas escolhas, leituras, escritas em debate. Oferenda da Inês Pedrosa e da Isabela Figueiredo (muito bem acompanhada pela Jane Eyre).

domingo, 27 de março de 2011

Lullaby de Domingo


Bonnie Prince Billy, Strange Form Of Life
(quando o trabalho corre lento porque é domingo e queríamos fazer outra coisa qualquer)

A salivar

Passos Coelho, perante a perspetiva de chegar a Governo, entrou nitidamente em curto-circuito.

sábado, 26 de março de 2011

A celebração

Do amor.
Leio-te e reconheço o que quem esteve de fora sempre viu e ouviu contar. Os teus pais são das mais belas histórias de amor da família e reconheço-a em cada palavra tua, em cada relato da minha mãe, quando imagino o teu pai a afagar a tua mãe cansada.
Mas é preciso celebrar o amor. Que atravessou a usura do tempo, a rotina, a doença - há poesia no teu pai quando olha a tua mãe exausta e vê a mulher por quem se apaixonou, a mulher assertiva, desempoeirada que sempre lutou pela paixão de ambos.
Tenho uma fotografia dos teus pais num piquenique. Os dois mini's na berma da estrada (o dos teus pais e o dos meus) e todos a pousar para a fotografia. Na fotografia acho que existimos as duas, tu e eu. Ou então só existes tu e a memória trai-me e julgo que também lá estou. Já não sei. Mas recordo a tua Mãe, cabelos longos, vestido curto, sentada em cima da toalha de piquenique e o teu pai a adorá-la.
Tivemos sorte, tu e eu. Nascemos de criaturas que se amaram e amam para a vida. E é isso que temos que celebrar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Terra à vista

O discurso do Portas também foi interessante; anunciou pomposamente uma campanha positiva, por Portugal.
Não convém cuspir nos pratos em que podemos vir a comer, pois não?