domingo, 6 de fevereiro de 2011

Lullaby de Domingo


Novo álbum em Março, com um primeiro videoclip que é um mimo. Por enquanto, como lullaby desta semana um clássico. Sem palavras, que hoje é um domingo especialmente cansado.


Palavra da Semana

Só para seleccionad@s.... ;-)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Boa Semana

Da arte de ser laçado

Usava gravata como quem bebe um copo de água. Não era um uso importante. Simplesmente todos os dias da sua vida, desde os 18 anos, saíra de gravata ao pescoço e nem mesmo quando as gravatas caíram em desuso, se lembrou de as deixar de usar.
No ano em que mudou de departamento, comprou uma nova para juntar às demais. Não era muito vistosa, era até discreta, mas decidiu estreá-la no primeiro dia de trabalho no novo local, em jeito de sorte. 
O novo departamento não era muito grande; era até mediano, mas como os seus funcionários nunca haviam trabalhado nem sequer haviam espreitado outro departamento, julgavam que aquele departamento era o maior e o mais importante entre todos os departamentos. E, para o diferenciarem dos restantes decidiram, mais ou menos em conjunto, que aquele departamento usaria laços em vez de gravatas. Esta decisão era uma não decisão, porque na verdade ninguém conversou sobre isto. Apenas começaram a usar laços e os restantes acharam que o adereço realmente combinava com os bigodes retorcidos de gente séria. E portanto, na loja em frente ao departamento, esgotaram-se os laços, porque todos quiseram parecer mais sérios que nos outros departamentos.
Depois dos laços, os funcionários acharam que seria interessante colocar espelhos por todo o lado, para que pudessem a qualquer hora admirar os laços que os tornavam tão distintos.
Depois dos espelhos, alguém teve a ideia de que seria interessante organizar reuniões semanais para conversarem sobre as diversas cores e feitios que os laços podem ter. Desenvolveram-se grandes solilóquios em que alguns funcionários mais entusiasmados contemplavam-se ao espelho enquanto peroravam sobre a beleza do seu laço.

Ora, foi exactamente a este departamento que chegou com a sua gravata nova, discreta. E dia após dia, naturalmente, continuou a usar as suas gravatas como quem usa um laço. Isto não seria um problema em qualquer outro departamento, menos naquele. Primeiro, porque o departamento estava habituado a uma determinada estrutura. A distribuição do material naquele departamento sempre foi muito complicada, porque todos queriam lapiseiras, mas alguns tinham que ficar também com lápis. E, pensavam, o homem da gravata também tinha direito a escolher e poderia querer também lapiseiras em vez de lápis. Mas o homem da gravata chegou e não disse nada, nem lápis nem lapiseira e os outros ficaram desconfiados, por ele ser assim tão calado. Mais a mais, não conseguiam deixar de olhar para a gravata, muito comprida, a cair-lhe no peito. 
Primeiro mexeram-se nas cadeiras, incomodados. Depois, lentamente, quando o homem da gravata estava alheado das conversas e concentrado no trabalho, começaram a bichanar sobre as gravatas do homem.
Onde já se viu, diziam, aparecer assim neste departamento, sem laço, quando já se sabe que o nosso departamento é o melhor por causa dos laços. Alguns mais distraídos não tinham pensado mais na gravata, mas, porque nos departamentos é preciso arranjar com que os funcionários se entretenham, começaram a ser cada vez mais os que se juntavam no corredor a bilhardar sobre a gravata do novo funcionário. A cusquice foi de tal ordem que chegou  aos ouvidos do chefe do departamento, que não sendo propriamente um amante de laços, entendia que se a maioria os queria, então a maioria devia usá-los. Assim, preocupado com os funcionários incomodados com a gravata, e que por causa disso já não conseguiam trabalhar em condições, decidiu admoestar o funcionário das gravatas , explicando-lhe que do uso dos laços dependia o prestígio de todo o departamento.
O funcionário engravatado não se deixou laçar; não porque gostasse por aí além das gravatas, ou porque detestasse os laços. O que ele não suportava é que confundissem a história dos homens laçados com a competência do departamento, o que ele não gostava é que tentassem tolher-lhe o direito de escolher entre um laço e uma gravata. 
A polémica acabou por esmorecer, não sem antes alguns funcionários que até achavam piada ao homem da gravata se terem afastado dele logo que souberam que o chefe havia manifestado desagrado. Com medo de retaliações, durante uns tempos trouxeram uns laços ainda maiores, para que ficasse bem claro que eram homens genuinamente laçados. O chefe, esse, depois de lhe passar o azedume, nunca mais pensou nisso. E há quem diga que em determinadas alturas também aparecia no departamento sem laço. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Lullaby de Domingo

Difícil foi escolher, apesar de a moça ter editado apenas o primeiro álbum. 
Promete.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Eins, Zwei, DREI

Não é só a Sofia Coppola que sabe a importância de uma banda sonora. O realizador de O Perfume e de Corra, Lola, Corra - Tom Tykwer - também. Drei (Três), que abriu a Mostra de Cinema de Expressão Alemã, é um claro exemplo disso.
Um filme de simpatia ao Poliamor. Com uma óptima fotografia e uma fantástica banda sonora.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O erro

Mário Soares não resistiu a mostrar publicamente o seu ressabiamento em relação a Alegre. Mas ao contrário do que Soares venenosamente defende, tenho para mim que o erro não foi de Sócrates (ao apoiar a candidatura de Alegre às Presidenciais). O erro foi de Alegre, ao permitir que a sua candidatura fosse apoiada por gente tão pouco séria e empenhada como Sócrates - já para não falar do Jacinto que mostrou a fibra de que é feito na noite das Presidenciais - faz parte da sabedoria popular a noção de que os ratos são os primeiros a abandonar o navio. Com líderes assim, quem precisa de inimigos?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Tudo está bem

Tal como nas Legislativas, os e as Portuguesas deslocaram-se às urnas para dar o seu aval a quem nos tem governado até aqui. Se está tudo muito satisfeitinho(a), quem sou eu para contrariar?
E por cá reiteramos o nosso calibre ao eleger o Coelho em segundo lugar. Maravilha! Uma banda sonora a condizer com o nosso Portugalinho:
Vénia a V, que me apresentou a estas pérolas condizentes com o espírito geral da coisa.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Lullaby de Domingo que se antecipa

Para quem não conseguir nascer duas vezes, aqui fica um cheirinho do que ficam a perder.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Coelho e a sua candidatura apoiada apenas pelo povo*

De cada vez que ouço o Coelho perorar, de cada vez que ouço os seus discursos inflamados num rosto muito pouco expressivo, lembro-me sempre desta magnífica cena:


*Nomeadamente por pequenos (tiny,tiny,tiny, ou seja pequeninos mesmo muito pequenininhos) comerciantes do Funchal.

Agora é que é a looocura!

Dr. Jekyll or Mr Hide?
Durante o primeiro mandato (e espero que único), tivemos um Presidente conivente com o executivo, a discordar de mansinho em relação a algumas questões secundárias (umas discordânciazinhas,  coisinhas de nada). Durante o primeiro mandato (e espero que único), o Presidente Cavaco não esteve demasiadamente preocupado com a justiça social e muito menos com os ataques sistemáticos que lhe eram feitos. No primeiro mandato, quase podemos imaginar Sócrates do alto do seu paternalismo a afagar carinhosamente o cocuruto de Cavaco enquanto sussurrava um carinhoso good boy.

Mr. Hide or Dr. Jekyll?
Entretanto, a campanha eleitoral para que Cavaco continue a poder sustentar a senhora sua esposa, de cognome a coitadinha, revela-nos um Cavaco desconhecido do povo que ele tão bem conhece (ou pelo menos um Cavaco esquecido, que este homem não conseguiu maiorias absolutas só com bolo-rei). O Cavaco cinzento do aguenta o tacho desapareceu e de repente temos um autêntico easy rider a calcorrear o País e a ameaçar rebelião. Ele é o defensor sempiterno da justiça social, ele é o homem que vai dar o murro na mesa (e quem sabe, diretamente a Sócrates), ele é o homem saído do povo e que ao povo regressa em alturas de absoluta necessidade (como é o caso das campanhas eleitorais). Ele é uma lenda viva da contracoltura aos restantes políticos cinzentões que apenas prometem o que não podem cumprir. Cavaco é o homem que vai conseguir transcender os poderes do Presidente da República num segundo mandato, já que no primeiro nem os que tinha exerceu. Ou melhor, até exerceu. Um manso e santo exercício.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Há Domingos assim,

em que se espera impacientemente pela segunda. 
Num ano particularmente difícil, inaugurei a rubrica lullaby de domingo porque os queria mais longos. Porque as segundas eram o começo de algo difícil, num ambiente de trabalho que detestei. Muda-se o ser, muda-se a confiança*  e gosto do início dos domingos, na maior parte das vezes o único dia que temos verdadeiramente para nós. Mas depois, de vez em quando, há domingos assim. Demasiado longos porque não são nossos. E em vez de uma lullaby, preciso de duas (ou três). Uma que seja extraordinária, para que o domingo finalmente passe e chegue a segunda, e com ela chegues tu também - e depois podia ser feriado



*Camões.

Diário de Campanha

Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

(fotografia retirada daqui, desse insuspeito órgão de comunicação social)

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.

(poema de Pedro Homem de Melo)


Lullaby de Domingo


Na ordem do dia, como sempre. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Até onde se consegue ir? - ou da absoluta falta de vergonha

O beato Cavaco confessa as suas desgraças (só algumas, só algumas, que de outras fecha-se em copas). Como  bom português sustenta generosamente a mulher, que ganha uns míseros 800 euros de reforma, certamente muito menos que a Maria de Fátima da Conceição Pereira. Então têm a lata de pedir ajuda ao candidato Cavaco e ninguém ajuda Cavaco, o pobrezinho?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Isto não é um País

Agrava-se a situação. Sabemos que em caso de despedimento são, por norma, as primeiras; sabemos que na contratação, a maternidade é um factor desfavorável; sabemos que continuam a receber menos por trabalho igual. Sabemos, sabemos, sabemos. E no entanto, persistimos no erro, assobiamos para o lado e fechamos os olhos, os ouvidos e, principalmente, a boca. Se isto é um País...

Não és uma invenção e não quero esquecer o teu nome

I shut my eyes and all the world drops dead;
I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)

The stars go waltzing out in blue and red,
And arbitrary blackness gallops in:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)

God topples from the sky, hell's fires fade:
Exit seraphim and Satan's men:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I fancied you'd return the way you said,
But I grow old and I forget your name.
(I think I made you up inside my head.)

Sylvia Plath

Em tempos, desejaste que este poema te fosse dedicado. Hoje é o dia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"Pedras no Caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo" Ou Com o Google me enganas e com o Google me desengano?



A frase citada no título é o último verso de um poema, que circula na Internet, atribuído a Fernando Pessoa.
Não sendo uma especialista em Literatura Portuguesa, muito menos em Fernando Pessoa, desde a altura em que me falaram nesta frase, aludindo ao tal poema, que o mesmo me pareceu um simples testemunho de auto-ajuda. Ora, na escola, aprendera que Pessoa era complexo, como a sua obra; portanto, muito diferente destas palavras. Também aprendera que uma parte considerável da sua obra ainda era desconhecida do grande público - por isso, existia a possibilidade de este ser um dos poemas desconhecidos. Porém, apesar da "arca sem fundo".....ainda não conhecera nenhum heterónimo dedicado a ser conselheiro da felicidade. Ora, imaginar Pessoa a escrever um receituário para a boa ventura, reconhecendo o valor da sua vida e "agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida", continua hoje - como quando li o poema pela primeira vez, a soar, no mínimo, extraordinário.
Contudo, em 2007, quando tomei conhecimento do texto, procurei a verdade no sítio errado - cingi-me ao Google - o qual confirma a autoria do texto devolvendo inúmeras páginas que escrevem "Fernando Pessoa após estes versos:


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, 
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. 
E que posso evitar que ela vá a falência. 
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, 
incompreensões e períodos de crise. 
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas ese tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrarum oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. 
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. 
É ter coragem para ouvir um 'não'. 
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Hoje, quando vi o poema no facebook, a sensação de estranheza ainda foi maior: "É ter coragem para ouvir um 'não'? É ter segurança para receber uma crítica mesmo que injusta????" - decididamente, isto não é Pessoa, o poeta português é muito mais complexo que isto.
E, claro, outros houve que duvidaram igualmente (quem, conhecendo um pouco de Pessoa, não duvidaria?) e, através deles, percebi que os versos são de Augusto Cury ("Dez Leis para ser Feliz") à qual se juntou o último verso, da autoria de nemonox. A história integral está aqui. (Obviamente, em 2007, devia ter feito como eles, que contactaram a Casa Fernando Pessoa).


Boa Semana

domingo, 9 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Campanhas eleitorais - qualquer semelhança...

Por cá, ouço apelos ao voto em dois candidatos: se não Cavaco, pelo menos Coelho. Lá está o dilema a funcionar em pleno: o povo superior à toa graças a adestramentos...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Primeiras Pérolas a Porcos (2011)

A partir de agora, muitos de nós estarão mais pobres, sendo que muitos já nem tinham condições para que os seus magros rendimentos fossem reduzidos. E temos um executivo que se diz socialista. Num ano em que se avizinham eleições e convulsões várias, isto dá que pensar:

«adoptamos sub-repticiamente um vocabulário 'ético' enganador para reforçar os nossos argumentos económicos, condecendo-nos uma aurazinha de satisfação pessoal a partir de cálculos grosseiramente utilitários. Ao impor cortes na segurança social dos pobres, por exemplo, os legisladores, tanto no Reino Unido como nos EUA, sentiram um orgulho singular pelas 'escolhas difíceis' que haviam tido que fazer.
Os pobres votam em número muito menor do que todos os outros. Não há por isso grande risco político em penalizá-los: qual é a 'dificuldade' dessas escolhas? Hoje em dia ficamos orgulhosos ao ser suficientemente duros para inflingir dor nos outros. Se ainda vigorasse um costume mais antigo, pelo qual ser duro consistia em suportar a dor, e não em impô-la, talvez devêssemos pensar duas vezes antes de preferir com tanta insensibilidade a eficiência à compaixão.»
Tony Judt, Um Tratado Sobre os Nossos Actuais Descontentamentos, Edições 70, pp. 48-49

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Adeus

Este é o último post em que utilizo a grafia da Língua Portuguesa tal como sempre a conheci. Por defeito profissional, sou obrigada a adaptar-me ao novo acordo ortográfico. Não é só o corte no salário, ou a subida de IVA que me vai afectar no Novo Ano. A minha Língua também deixará de ser a minha.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Últimas Pérolas a Porcos do Ano (2010)

Qualquer semelhança com a nossa realidade, não é coincidência:

«Os nossos sentimentos morais foram na verdade corrompidos. Tornámo-nos insensíveis aos custos humanos de políticas sociais aparentemente racionais, especialmente quando nos asseguram que elas irão contribuir para a prosperidade geral e assim - implicitamente - para os nossos interesses separados. (...).
Hoje voltamos às atitudes dos nossos primeiros antepassados vitorianos. Mais uma vez, só acreditamos em incentivos, "esforço" e recompensa - juntamente com castigos pela desaquação. (...). Se os trabalhadores não estiverem desesperados, porque hão-de trabalhar? Se o Estado pagar para que as pessoas fiquem ociosas, que incentivo elas terão para procurar emprego remunerado? Regredimos ao mundo duro e frio da racionalidade económica do Iluminismo, expresso pela primeira vez, e melhor, em 1732 n'A Fábula das Abelhas, (...). Na opinião de Manderville, os trabalhadores "nada têm que os faça mexer além das suas carências, que é prudente aliviar, mas loucura remediar."»
Tony Judt, Um Tratado Sobre os Nossos Actuais Descontentamentos, Edições 70, pp. 36-39

O autor continua com a afirmação de que Tony Blair não o diria melhor. Sócrates também não, acrescento eu.



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dize aos filhos da Madeira que votem*


A partir de hoje, muitos/as madeirenses estão atormentados/as por um autêntico dilema que terá de ser resolvido até à próxima ida às urnas.Como muitos/as compraram a tese de que os madeirenses são efectivamente um povo superior, de repente são confrontados/as com uma escolha que se afigurará difícil:
Por um lado, há um madeirense na corrida às Presidenciais, o que significa que  um cidadão cujo BI atesta pertencer a este povo superior seria uma escolha natural para todo(a) o(a) madeirense saudável e bem regimentado/a (os/as judeus/judias andaram estes milénios todos muito enganadinhos/as com a história do povo escolhido - afinal havia outro). Por outro lado,  os/as fiéis seguidores/as da crença em Madeirenses, Jardim e PSD, constatam que se o candidato supracitado cumpre o primeiro requisito e tem uma actuação pública muito parecida com o segundo, na verdade anda distante do terceiro. Aliás, quanto ao terceiro, este tem um outro candidato que,desgraçadamente, é continental e, portanto, cubano. Como se vê, o dilema moral é enorme e julgo que provocará dolorosas insónias e consecutivas idas à igreja à procura de uma alumiação divina porque os povos superiormente alumiados geralmente são muito bem relacionados com o divino - ou pelo menos, com os que se dizem seus representantes directos (ai Teodoro, Teodoro, ai Carrilho, Carrilho).

*Adulteração de "Dize aos filhos de Israel que marchem." Livro do Êxodo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Diz que é um País laico

Eles por lá
Leio num jornal que um professor, em Espanha, foi interrogado pela Polícia por ter falado de presunto, em uma das suas aulas. Um aluno e respectivos pais acusam-no de comportamento xenófobo e falta de respeito para com a sua religião (pelos vistos o profeta não tem especial apreço por carne de porco).


Nós por cá
Em contrapartida, na minha terra, chegamos à época de inferno. Eu, que vivo num Estado pretensamente laico, acordo agora todas as manhãs com uma cerimónia religiosa berrada aos meus ouvidos. Note-se bem: estou deitada, no meu quarto, noite escura, e acordo estremunhada com um virgem do parto, ó maria, seenhooora da conceiçããão. E a coisa persiste em nome do pai, do filho e do espírito santo. Mais à frente (e eu às voltas) o sermão do padre, que como todos os sermões de padres desta altura falam de luz, de candeias e velinhas a alumiar o caminho dos(as) pobres pecadores(as) - que somos todos(as) nós, principalmente os(as) que praguejam na cama porque a liberdade religiosa lhes invade o seu espaço privado - desde as 5.30 da matina, que a salvação quer-se bem cedo. 
Esta redenção é-me impingida todos os dias, uma tradicional salvação que acontece todos os Natais. A esta salvação não chega remir os(as) que cheios(as) de boa vontade (e outras coisas mais) preenchem os bancos da igreja a horas de se estar a dormir; esta salvação obriga também os(as) que estão em casa e que não querem nem precisam ser salvos(as) a fazer parte de tudo isto. Porque num Estado que se diz laico, as Câmaras ainda acham que podem privilegiar desta forma indecorosa uma confissão religiosa e permitir-lhe a propagação da boa nova mesmo para quem não quer ser evangelizado(a). Num Estado que se diz laico, eu não tenho opção de escolha e na época do natal ouço re-li-gio-sa-men-te a missa todos os dias, que é para aprender a não ter a mania que estou num País livre.

(pintura de Hieronymus Bosch)

O exame que (não) era e que se julga que passará a ser (e respectivas trapalhadas)

Acaba-se o primeiro período com a sensação de que tudo mudou. Saúda-se o regresso do exame nacional de Filosofia, já com um primeiro ensaio no próximo dia 22 de Fevereiro para quem ingressou este ano no 10.º ano de escolaridade, em que se realizará (a nível nacional) o teste intermédio à disciplina.
Tudo estaria bem, se não tivéssemos iniciado o ano lectivo sem a informação de que arrancariam este ano testes intermédios na disciplina e que apontam (mas não confirmam) para a possibilidade de exame no ano terminal da disciplina (11.º ano).
Tudo estaria bem se esta calendarização (22 de Fevereiro) não fosse tão perniciosa para quem começa agora o seu percurso pela disciplina. Um agendamento muito pouco cuidado face aos conteúdos contemplados implica um ritmo nas aulas que é muito pouco razoável. A primeira unidade teve que ser em muito sacrificada e é possível que este ritmo alucinante leve os(as) alunos(as) a adquirir alguns (mais) anticorpos à disciplina. 

Perante tudo isto, não é possível deixar de questionar o intento desta planificação trapalhona. Esperemos que quem elaborou (ou está a elaborar) o teste intermédio que aí vem tenha tido em conta o currículo da disciplina, e não a orientação de determinados manuais. Esperemos que todas estas andanças não sejam apenas para engendrar desculpas para acabar com a disciplina.
 Sabemos a possibilidade de ter gente a pensar pode ser incomodativo...

Sobre a saga dos exames de Filosofia, ver aqui, aqui e aqui.

(pintura de Rembrandt)



Boa Semana

domingo, 19 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Galardão Natalício: a solidariedade em todo o seu esplendor


As crianças andam doidas, completamente apaixonadas por essa figura que surge sempre por esta altura do ano, muito cor-de-rosa, bamboleante, cada vez mais Lolita, embaixadora da caridade natalícia. Minto; as crianças dividem-se, entre uma paixão assolapada pela Popota, essa hipopótama cada vez menos hipo e uma paixão mais comedida, mas ainda assim intensa, pela Leopoldina, uma avestruz pensada para fazer com que os/as portugueses/as enfiem a cabeça na areia. Ambas sérias candidatas a beneméritas, senão da humanidade, pelo menos de Portugal, apregoam as fabulosas doações do seu patrão para causas sociais. São assalariadas, as bichinhas, e trabalham intensamente por esta altura, numa exortação pungente aos esvaziamento dos bolsos dos/das portugueses/as. 
Este ano (não sei se acontecia também o ano passado) a instituição de solidariedade social que é a Sonae continua a sua demanda de fazer caridade com o dinheiro que é dos outros; e propõe, para além de todas as quinquilharias usuais, um telemóvel da Popota, pela módica quantia de 59 euros. As crianças deliram, os pais um bocadinho menos, mas a verdade é que estas coisas vendem e fazem com que as pessoas passem um Natal mais apaziguado, na ilusão de que fizeram a sua parte. Esquecem o mais importante: ano após ano, a Sonae apregoa uma solidariedade que não é a sua: paga o/a cliente para que, com toda a pompa e circunstância, se apresentem cheques caridosos a instituições, num festival de exibicionismo atroz. Todos sorriem, inclusive o consumidor, o único que nada ganha com tudo isto. A solidariedade não é para todos/as. E principalmente, só dá lucros a alguns.

domingo, 12 de dezembro de 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"A Calçada da Corticeira é o Calvário das Carquejeiras do Porto"


Outro testemunho de um observador - Hugo Rocha - do 'calvário' das carquejeiras publicado no
 Século Ilustrado, a 19 de Abril de 1947, retirado daqui.
Para eventuais interessad@s, pode ler-se, no Centro de Documentação Movimento Operário e Popular do Porto, no âmbito do projecto "Memórias do Porto: testemunhos do Porto laboral do séc. XX", o testemunho de Palmira de Sousa, que percorreu a Calçada desde os 10 anos de idade.


As Carquejeiras


Eram mulheres, umas fortes, outras nem por isso, que subiam e desciam de madrugada até à noite a Calçada da Corticeira (a rampa, cuja nunca ninguém subiu de automóvel ou de bicicleta, embora tivessem tentado, façanha que ficaria nos anais do burgo). As carquejeiras descarregavam molhos de 40, 50 ou mais quilos de carqueja (ou chamiça) dos barcos que a transportavam Douro abaixo.


Depois, com os molhos às costas, dobradas, subiam a calçada (210 metros, 22 por cento de inclinação) até às Fontainhas. Ali, descansavam pousando a carga no muro da Alameda, bebiam água num fontanário e lavavam os rostos - sujos do pó da chamiça, e escorrendo suor. E prosseguiam viagem até ao centro da cidade, às Antas, a Paranhos, à Boavista, aos sítios onde havia padarias de que a carqueja era acendalha para os fornos. Entre os anos 30 e 50 passaram centenas de mulheres pela Corticeira. Num ano, em 1940 e tal, chegou a haver noventa, todo o dia, em bicha e em ziguezague, para compensar a agrura da subida.

Falavam pouco e contaram pouco. Pouca gente, aliás, estava interessada em ler coisas tristes e, além disso, as histórias delas não tinham o 'charme', nem o sumo requinte dos dramas traduzidos do francês. Por tal motivo a tragédia das carquejeiras ficou por contar. Dos temps em que andávamos na praia do Borras a tomar banho, em frente à Corticeira, guardei a imagem daquele formigueiro, daquele funicular de mulheres ocultas sob o carrego da carqueja eriçado de hastes com o aspecto dos ouriços. Um formigueiro a que éramos indiferentes: o rio chamava-nos na aventura da travessia e os desgostos interessam pouco aos meninos. Mas, ainda assim, recordo os seus rostos quando as vi de perto, no alto da Corticeira (tão inclinada que nunca a palmilhei de alto a baixo). Rostos amargos....

Histórias poucas. Não eram comédias de costumes e arranhavam em demasia a boa consciência das pessoas. Ficaram, no entanto, alguns nomes: a Blandina, que aceitou dizer quanto ganhava e os carretos que fazia (dez diários, a 50 quilos, dão meia tonelada, multipliquem por doze meses, durante dez anos - e terão ideia do peso do calvário). A Ermelinda, que ficou assinalada por ter dado à luz em plena subida, e a Elisa, que ficou mais assinalada por ter morrido de repente, aos trinta anos, a meio da Calçada, debaixo do carrego. Pessoalmente não as esqueço e, quando vou à Corticeira ver os crepúsculos recortarem a Ponte, lembro-me delas. E aqui deixo a evocação. Serve de homenagem à dignidade, porque, se a dignidade tem um rosto, é, com certeza, o das carquejeiras.

Helder Pacheco, As Carquejeiras, 1988
Calçada da Corticeira, Helena Reis




terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para ti, sabes porquê


"We should write as we dream; we should even try and write, we should all do it for ourselves (...)"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Boa Semana


Não é só a banda sonora deste filme que é recomendável.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Pergunta da semana

Estava no google. Como é que está errado, se tirei do google?
(ao dizê-lo tinha um ar triunfante, uma espécie de Agora toma! E como é que te safas desta?)

Ainda não é o espírito de Natal*

Neste primeiro fim-de-semana de Dezembro, já a cheirar a Natal, apenas um desejo: que amanhã, na ida para a escola, quando sintonizar o rádio do carro na TSF, estejam a noticiar a morte das bilhardeiras:
Imagino uma história bem escabrosa, em que provocam a morte uma da outra apertando os infindos cordões de ouro que andam a vender por tudo o que é ourivesaria da Ilha**. 
Que as últimas palavras das criaturas sejam um curto pedido de desculpas pela falta de talento propagada em todos os intervalos dos noticiários. Que sejam breves, que farta de as ouvir ando eu.

* mas é a prenda ideal.

**Já agora, é um bocadinho idiota tanta ourivesaria julgar que estes senhores encaminharão clientes para a sua porta. 33 mil ourivesarias anunciam da mesma forma e esperam que alguém as distinga? Já para não referir a coerência destes parodiantes: uma no cravo outra na ferradura, não é?


Lullaby de Domingo


Banda sonora para um fim-de-semana de tempestades: lá fora e na luta contra a vontade de nada fazer apesar da pilha de fichas para corrigir.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Inverno do nosso Contentamento*

Há dias que o céu não nos deixa em paz, num lamento constante, ritmado pela lentidão ou por vezes (felizmente só por vezes) violentamente zangado. Não há grande diferença entre o dia e a noite, a não ser no que diz respeito ao conforto de sentir-lhe a zanga lá fora, longe do nosso quarto.
Não percebo este céu por cima de nós; há dois meses e meio que entro sistematicamente em salas abafadas, apinhadas de adolescentes que transpiram tanto ou mais do que eu.
Não nos chega frio, apenas a água que escorre dos nossos corpos acalorados, o esforço de pensar com os pingos de suor a caírem o mais discretamente possível (acreditamos nós). As gargantas secas e os poros a trabalhar freneticamente, a reclamar o espaço do outro que está mesmo ali, quase colado, com o bafo quente a queimar-nos as orelhas.
As salas de aula são lugares terríveis, em dias como os que temos tido. E por vezes, a tristeza do céu rouba-nos o espaço lá fora, nos intervalos, quando poderíamos respirar mais livremente por escassos minutos. Uma tristeza quente, sempre quente, sem esperança.
Há dias que chove e finalmente começa a ser uma chuva que anuncia o frio. Pelo menos já se respira outra vez.

*Título inspirado num título de Steinbeck.


domingo, 28 de novembro de 2010

Lullaby de Domingo


Uma das coisas de que mais gostei em The Social Network foi exactamente a banda sonora, a cargo de Trent Reznor. E mais ainda desta faixa que brinca com Grieg (um dos meus compositores favoritos).

sábado, 27 de novembro de 2010

Matrix

Já não estamos num País constituído por cidadãos e cidadãs, nem numa Europa para as pessoas. Somos agora apenas escravos dessa entidade sem rosto que é o mercado e existimos com o único propósito de alimentá-lo. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Matem as Mulheres Primeiro

Voltamos a ter um ano negro. 39 mulheres assassinadas, 11 "danos colaterais" e 38 tentativas de homicídio (uma delas já esta semana). 
É a crise, dizem muitos/as. As pessoas andam muito mais agressivas por causa da crise. Mas esta questão, a da violência nas relações amorosas sempre foi um problema subjacente ao modo como nos relacionamos, com ou  sem crise, com ou sem informação com mais ou menos punição. 
A verdade é que continuamos a validar estes comportamentos de cada vez que procuramos justificações, de cada vez que chafurdamos nos contornos do crime à procura de motivos.  Ela provocava, ela estava a pedi-las, ela também nunca se foi embora continuam a ecoar mais alto que ele matou-a. 


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Em greve

(imagem roubada ao blog Rua do Patrocínio)

A minha participação cívica não se resume aos queixumes à mesa do café.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dos Mexeriqueiros



Por se evitarem os inconvenientes, que dos mexericos (1) nascem, mandamos, que se alguma pessoa disser à outra, que outrem disse mal delle, haja a mesma pena, assi civil, como crime, que mereceria, se elle mesmo lhe dissesse aquellas palavras, que diz, que o outro terceiro delle disse, posto que queira provar que o outro o disse.



1) Chama-se Mexerico, a acção de contar, dizer, ou referir o que se ouvio em segredo, ou em confiança a alguem, a seu inimigo, ou ao amigo, para os inimisar.
Como os mexericos, diz João de Barros, pela mór parte sempre são fundados em algumas conjecturas provaveis, quasi sempre produzem effeito.
Ordenações Filipinas, Livro XXXV

Imagem de Hieronymus Bosch

Boa Semana

domingo, 21 de novembro de 2010

Declaração de interesses


Colaborei para a presente edição do Projecto 10, dedicada aos anos 90. 
Fica aqui o agradecimento pelo convite, ao Aires Gouveia, que conheci num feliz jantar de blogger's aqui na Região (vai já para um ano). 

Lullaby de Domingo


A propósito de Cimeiras, t'shirts, FMI e gente que não sabe o que é contar tostões ao final do mês, mas que nos fala da necessidade de fazermos isso. Flexibilizemos nós as relações laborais dessa gente.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ainda a Cimeira

é uma novidade tão grande, mas tão grande, ver os governantes do mundo em reunião a queimar os seus neuroniozinhos enquanto as primeiras-damas vão ao MUDE. Sei lá, apetece-me ser chata (é assim que se diz, não é?) pois bem sei, que até já há mulheres em cargos de chefia de nações (olha a Merkel, o que é que queres mais, hã?). Afinal de contas, elas não têm cabecinha para pensar nos destinos das armas do planeta. Aliás, foi lindo ver, durante a Cimeira Ibero-Americana cada um(a) no seu papel. Ah! É tão boa esta igualdade! Uns pensam e as outras passeiam. Cada qual no seu lugar.
Segundo entrevistada na SIC, um grupo de filandes@s foi impedido de entrar em território nacional. Declararam ir participar nas manifestações anti-NATO e "faziam-se acompanhar de tarjas e t-shirts.... "

tarjas e t-shirts? É legal impedir a entrada de cidadãos que declaram ir participar em manifestações legais e que se fazem acompanhar de "t-shirts" e "tarjas"?

sábado, 13 de novembro de 2010

Lullaby de Domingo (ou sábado)


Ainda não decidimos (programado para as 23:59). 
10.

Novas Cartas Portuguesas - "Há 38 Anos foi histórico, agora é contemporâneo."*

Está já ao virar da esquina,  As Novas Cartas Portuguesas, edição anotada da responsabilidade do grupo de trabalho da Ana Luísa Amaral. Ainda não a tenho, porque só estará nas livrarias a 15 de Novembro e já se sabe que na Ilha as coisas tendem a ser ainda mais morosas, mas está formalizada a encomenda. De qualquer modo, nem a própria D. Quixote nos agraciou com a capa do livro no site. Imperdoável.

*Da entrevista dada por Ana Luísa Amaral, para a Ípsilon.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Da obrigatoriedade

Apesar de ter passado vergonha esta semana com a alegada virilidade da Chaterine Deneuve (afirmação idiota postada no facebook) e apesar da abada que a Shyz Nogud lhe deu com a maior das pintas (e não foi preciso recorrer de qualquer propriedade viril), ainda assim a Ípsilon de hoje é obrigatória. Tem as Três Marias e Grinderman. I rest my case.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Entrevistas quase, quase reais

Ricardo Salgado: "ó, que maçada, Judite! Já lhe expliquei milhares de vezes que pagamos muitos impostos! E que o TGV não é uma coisa piquena".

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

F Word


A Crise não é para Todos(as)

Confesso alguma perplexidade perante inúmeros juízos de valor que, aqui e ali, se ouvem. 
Desde que o País está em crise (e não recordo o seu início, o que contraria desde logo o conceito de crise) que arribam vozes que, num estilo declamado e geralmente pomposo, apontam o dedo aos(às) portugueses(as) em crise e que insistem em esbanjar dinheiro. Perante tão escaldante denúncia, as possibilidades não são muitas: os(as) juízes(as) tão profícuos(as) em juízos de valor não são portugueses(as). 
 Muitas vezes sustentam a tese de que os(as) portugueses(as) não sabem poupar porque, nas suas saídas de estrangeiros(as) que não estão em crise, puderam constatar que os(as) outros(as), que são todos(as) portugueses(as), também lá estavam: a jantar, os(as) incontidos(as). A esbanjar dinheiro em concertos, os(as) mãos-largas. A encher supermercados, os(as) comilões(comilonas). A comprar roupas e sapatos e malas, as grandes porcas (já sabemos que esta acusação por norma só é declinada no feminino). Claro que no caso específico do(da) observador(a) comentador(a) nada destes comportamentos viciosos, porque apesar de os ter, já sabemos que não faz parte dessa enorme massa que são os portugueses em crise. Os portugueses em crise são sempre os(as) outros(as).

domingo, 7 de novembro de 2010

Jornalismo de pacotilha

(criado por Jim Davies)*

Gostava de perceber a intenção (e já agora o motivo, se não for pedir muito) deste título gordo.  É que esses(as) professores(as) destacados(as) e a receber, não estão destacados(as) para as suas casas onde, refastelados(as) nos seus sofás, aguardam placidamente pelo salário. Esses(as) professores(as) destacados(as) e a receber estão, obviamente a trabalhar. Não necessariamente a dar aulas (mas em alguns casos também), mas a exercer funções pelas quais são, obviamente, pagos. 
A minha única dúvida reside se este é um título que revela apenas um trabalho pouco aprofundado ou pura desonestidade intelectual. É que há uma diferença enorme entre as duas, apesar de nenhuma das hipóteses ser abonatória para o Diário em questão. 

*Perdoe-me o Garfield, o abuso no uso da sua imagem para um post destes.

Lullaby de Domingo



terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quando a Palhaçada não tem Limites 2

"Tem alguma ideia de qual é a representação percentual dessa massa de ignorantes numas eleições? 
Fernando Savater - Não sei determinar. Mas o sintoma mais alarmante dessa ignorância pode ser medido nas televisões. Em Espanha, os programas de debate discutem os amores de fulana e beltrano. Há uma mulher em Espanha que é um fenómeno mediático. É famosa apenas pela sua ignorância cósmica e por dizer os maiores disparates. No entanto, uma sondagem feita numa rádio determinou que muitos espanhóis votariam nela para primeira-ministra. Na sequência disto, a rádio ligou-me para opinar sobre o assunto. “Vocês acreditariam que os mesmos espanhóis votariam nela para treinadora da selecção nacional?”, perguntei. E a resposta que obtive foi: “Não, claro que não! O lugar de treinador da selecção é um posto demasiado sério!” Ou seja, quando falamos de coisas sérias falamos de futebol, e quando falamos de política tudo é possível. Este tipo de degradação do discurso é muito grave."


Quando a Palhaçada não tem Limites 1

(imagem roubada aqui)

Ao que parece, o inenarrável Coelho pretende candidatar-se à Presidência da República. Apenas tenho a lamentar que se alimente este género de figuras que, sob a capa da denúncia, são apenas e tão somente mais do mesmo. Ou pior. 
Lamento que por cá as pessoas tenham confundido, mais uma vez, uma triste palhaçada com Política. Lamento que não se perceba a profunda falta de civismo que uma linha de actuação desta natureza significa. Leia-se, por exemplo, o blog que assenta no mesmo registo para se perceber imediatamente que esta gente não é, não pode ser, gente séria. 
A relevância que o  PND ganhou na Região é apenas resultado de um erro grotesco do eleitorado madeirense, que sempre teve predilecção por bobos da corte. Espero sinceramente que o número de idiotas seja insuficiente para que esta intenção de candidatura tenha realmente pernas para andar.  

Boa Semana

domingo, 31 de outubro de 2010

"Sou o que quero ser"

Ao ler esta notícia, lembro-me do que sempre aprendemos sobre as mulheres: que são frágeis, que são emocionais, que não são feitas para trabalhos deste género. Coitadinhas. E se já antes conhecemos mulheres que atestam que esta condescendência é falaciosa (lembram-se da polémica da entrada das mulheres nas forças armadas?), temos agora esta mulher, de 20 anos, a assumir um cargo que todos/as sabem ser perigoso. Torçamos por ela e não esqueçamos o seu nome e o seu rosto.

*Título roubado a Clarice.

Lullaby de Domingo


Há que perceber o seguinte: só sou bem mandada de mim mesma. Não tenho por hábito obedecer a déspotas. Nem à direita nem à esquerda.

sábado, 30 de outubro de 2010

Bastaram Alguns Telefonemas

Finalmente percebe-se o amuo de meados da semana. É que era mesmo preciso fundamentar todo aquele discurso do Cavaco sobre como é peça fundamental para a salvação do País. O Governo e o PSD lá lhe fizeram a vontadinha e agora passa-se de fininho a ideia de que o homem teve dedo na coisa:


(imaginar Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga comovidos com o fado de Cavaco)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Olha, rolou cá para baixo novamente

 (Ticiano)

A recandidatura que todos/as nós sabíamos que ia acontecer está aí. E porquê? Não é que realmente quisesse: Cavaco sacrifica-se pelo País, Cavaco vai salvar o País. 
As mesmas promessas messiânicas de há 4 anos atrás. Ficamos todos/as muito mais descansados/as com tanto fervor patriótico do homem que pouco se fez notar nos anos de Presidência (e quando se fez notar, foi o que se viu). Carregou nos últimos quatro anos com a crise nos ombros, qual Sísifo, Portugal acima. Ao que parece, voltou tudo ao início. Minto, está substancialmente pior. Mas já se sabe que é o homem certo. Afinal de contas, há melhor que um economista para presidir a um País em crise? Temos visto...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

"Le meilleur point de vue"

Aquele que é o meu texto de Derrida está finalmente traduzido. Por Fernanda Bernardo. Publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian (capa do livro aqui ao lado).

Divergências conceptuais

Sobre isto, mantenho um saudável diálogo com Jools; eu sou do clube do caríssimo Funes. Já Jools é um acérrimo defensor de que um alargamento do prazo limite até cerca de 3 anos (após a data indicada) é perfeitamente aceitável. O critério passa pelo aspecto da coisa...

"Piquenos" enganos

Indicar o Google (imagens) como fonte é equivalente a indicar como referência bibliográfica a Biblioteca Municipal do Funchal.

domingo, 17 de outubro de 2010

Lullaby de Domingo


Dedicada à minha direcção de turma (teremos uma longa conversa).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

E depois acontece isto, caros/as amantes do acordo ortográfico

 (a imagem aparece com link quebrado, pelo que não é possível determinar a proveniência)

Facto continua a ser facto, na medida em que apenas desaparecem as consoantes mudas. Mas há jornais e revistas que alegremente cortam tudo e todas. Já parecem a Rainha de Copas da Língua Portuguesa.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Verdadeira Vocação

Na avaliação de Professores/as , dá-se especial ênfase ao verdadeiro intuito de tal carreira: a leccionação e tarefas relacionadas com esse acto (veja-se o caso da publicação de manuais escolares, por exemplo) não é tão válida quanto outras modalidades assaz pertinentes para o ensino em Portugal: primeiro o trabalho de deputado/a, autarca ou dirigente sindical. Só depois a ralé, os que ficam nas escolas e "só" leccionam.
Chamam-lhes cargos de reconhecido interesse público. Percebe-se a distinção: é que leccionar obviamente não é um cargo de interesse público, excepto quando se trata de perorar sobre a avaliação de quem o exerce.

Baile de Máscaras - o PCP que temos (e por vezes esquecemos que temos)

 (imagem daqui)

O Partido Comunista Português, que reclama a luta pela Liberdade para seu feudo, faz comunicados destes, a lamentar a atribuição do prémio nóbel da Paz a Liu Xiaobo. Ao que parece, ao PCP não fazem impressão os regimes ditatoriais; ou melhor, apenas tem pruridos em relação aos que não são da sua cor política. 21 anos depois, Tiananmen torna a desvelar o rosto que por vezes esquecemos estar lá.

domingo, 10 de outubro de 2010

Lullaby de Domingo


"Insinuo o «coração partido» e o «amor» e alguma ordem misteriosa do Universo, mas 'I dare not speak it's name" (...). Porquê? Por medo de diluir o seu sentido, nomeando-a, ou por medo de deixar de acreditar, depois de repetir a mesma coisa, concerto após concerto, ou por medo de que aquilo se torne um cliché. "

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Viva o Regabofe!

Claro que para quem governa este país, o facto de 'o povo' (seja lá o que isso for! E, please, poupem-me à definição da CRP ou de um Dicionário!) se concentrar nos que já pouco podem traz vantagens óbvias. Enquanto 'o povo' se entretém a gastar munições contra as minorias étnicas, contra @s beneficiários do Rendimento Mínimo de Inserção (ess@s ladrões que nada querem fazer!), contra @s desempregad@s (esses que nada querem fazer!), os institutos públicos vivem à grande e à francesa. Os convites da festa do 20º aniversário da ANACOM (tinha que ser uma coisa a sério, afinal de contas, só se tem 20 anos uma vez) devem ter sido bordados pelas  mesmas virgens cegas que bordam alguns diplomas universitários....  pois custaram 12 mil euros... o que é isso nos dias que correm, em que se cortam abonos de família a quem ganha 630€....????
Para se rirem daquilo que as entidades públicas afirmam ser "compras transparentes de acordo com o código das compras públicas" e dentro da total legalidade, á favor visitar e explorar o base.

Liu Xiaobo


Nós homenageamos-te.
a ti, e a tod@s @s que sobreviveram à perseguição de um regime que insiste em matar a própria população.
E também aos que ofereceram o corpo em sacríficio por uma liberdade sonhada.
@s mort@s de Tiananamen ainda não foram suficientemente chorad@s.



O Povo que temos 2

Nos jornais portugueses, a notícia de que o Nobel da Paz será entregue a Liu Xiaobo tem indignado inúmeros leitores, que consideram um ultraje que tal prémio seja entregue a um desobediente. Preso, ainda por cima, porque não consegue ficar calado e desobedece ao Estado e promove manifestos e horrores do género. Há que encarneirar, senhoras e senhores. Sobretudo encarneirar.

O Povo que temos 1

Dos argumentos mais extraordinários que já ouvi sobre o desastre que seria a eleição de Manuel Alegre para PR, ressalvo o seguinte (cito de memória): o senhor não é bom para o cargo porque não é obediente nem disciplinado. Desobedece ao partido e isso, claro, não pode ser uma virtude nos tempos que correm. Há que encarneirar, senhores e senhoras.
If you are lonely when you're alone, you are in bad company.
Jean-Paul Sartre 
Picture by Henri Cartier-Bresson

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Contos Exemplares


"I Dare Not Speak It's Name"

Esta semana a Visão justifica o preço que por ela é pago. Na página 114.

O homem pássaro está entre vós: falou-vos no passado dia 1 de Outubro e toca esta noite na Aula Magna, também para vós . O vós só é extensível a quem está no Continente, especialmente a quem está por Lisboa (porque estar no Continente não basta e há quem trabalhe amanhã cedo e não possa ter o luxo de se deslocar até à Aula Magna e depois regressar calmamente a casa).  O homem pássaro está entre vós e desconfio que vos falou da mesma forma sublime como compõe e  como escreveu uma belíssima crónica que justifica o que se paga pela Visão (esta semana). E eu, esmagada pela inveja de apenas lhe beber as palavras escritas e a nada mais ter direito.

(a próxima lullaby será dele)