quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Matem as Mulheres Primeiro

Voltamos a ter um ano negro. 39 mulheres assassinadas, 11 "danos colaterais" e 38 tentativas de homicídio (uma delas já esta semana). 
É a crise, dizem muitos/as. As pessoas andam muito mais agressivas por causa da crise. Mas esta questão, a da violência nas relações amorosas sempre foi um problema subjacente ao modo como nos relacionamos, com ou  sem crise, com ou sem informação com mais ou menos punição. 
A verdade é que continuamos a validar estes comportamentos de cada vez que procuramos justificações, de cada vez que chafurdamos nos contornos do crime à procura de motivos.  Ela provocava, ela estava a pedi-las, ela também nunca se foi embora continuam a ecoar mais alto que ele matou-a. 


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Em greve

(imagem roubada ao blog Rua do Patrocínio)

A minha participação cívica não se resume aos queixumes à mesa do café.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dos Mexeriqueiros



Por se evitarem os inconvenientes, que dos mexericos (1) nascem, mandamos, que se alguma pessoa disser à outra, que outrem disse mal delle, haja a mesma pena, assi civil, como crime, que mereceria, se elle mesmo lhe dissesse aquellas palavras, que diz, que o outro terceiro delle disse, posto que queira provar que o outro o disse.



1) Chama-se Mexerico, a acção de contar, dizer, ou referir o que se ouvio em segredo, ou em confiança a alguem, a seu inimigo, ou ao amigo, para os inimisar.
Como os mexericos, diz João de Barros, pela mór parte sempre são fundados em algumas conjecturas provaveis, quasi sempre produzem effeito.
Ordenações Filipinas, Livro XXXV

Imagem de Hieronymus Bosch

Boa Semana

domingo, 21 de novembro de 2010

Declaração de interesses


Colaborei para a presente edição do Projecto 10, dedicada aos anos 90. 
Fica aqui o agradecimento pelo convite, ao Aires Gouveia, que conheci num feliz jantar de blogger's aqui na Região (vai já para um ano). 

Lullaby de Domingo


A propósito de Cimeiras, t'shirts, FMI e gente que não sabe o que é contar tostões ao final do mês, mas que nos fala da necessidade de fazermos isso. Flexibilizemos nós as relações laborais dessa gente.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ainda a Cimeira

é uma novidade tão grande, mas tão grande, ver os governantes do mundo em reunião a queimar os seus neuroniozinhos enquanto as primeiras-damas vão ao MUDE. Sei lá, apetece-me ser chata (é assim que se diz, não é?) pois bem sei, que até já há mulheres em cargos de chefia de nações (olha a Merkel, o que é que queres mais, hã?). Afinal de contas, elas não têm cabecinha para pensar nos destinos das armas do planeta. Aliás, foi lindo ver, durante a Cimeira Ibero-Americana cada um(a) no seu papel. Ah! É tão boa esta igualdade! Uns pensam e as outras passeiam. Cada qual no seu lugar.
Segundo entrevistada na SIC, um grupo de filandes@s foi impedido de entrar em território nacional. Declararam ir participar nas manifestações anti-NATO e "faziam-se acompanhar de tarjas e t-shirts.... "

tarjas e t-shirts? É legal impedir a entrada de cidadãos que declaram ir participar em manifestações legais e que se fazem acompanhar de "t-shirts" e "tarjas"?

sábado, 13 de novembro de 2010

Lullaby de Domingo (ou sábado)


Ainda não decidimos (programado para as 23:59). 
10.

Novas Cartas Portuguesas - "Há 38 Anos foi histórico, agora é contemporâneo."*

Está já ao virar da esquina,  As Novas Cartas Portuguesas, edição anotada da responsabilidade do grupo de trabalho da Ana Luísa Amaral. Ainda não a tenho, porque só estará nas livrarias a 15 de Novembro e já se sabe que na Ilha as coisas tendem a ser ainda mais morosas, mas está formalizada a encomenda. De qualquer modo, nem a própria D. Quixote nos agraciou com a capa do livro no site. Imperdoável.

*Da entrevista dada por Ana Luísa Amaral, para a Ípsilon.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Da obrigatoriedade

Apesar de ter passado vergonha esta semana com a alegada virilidade da Chaterine Deneuve (afirmação idiota postada no facebook) e apesar da abada que a Shyz Nogud lhe deu com a maior das pintas (e não foi preciso recorrer de qualquer propriedade viril), ainda assim a Ípsilon de hoje é obrigatória. Tem as Três Marias e Grinderman. I rest my case.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Entrevistas quase, quase reais

Ricardo Salgado: "ó, que maçada, Judite! Já lhe expliquei milhares de vezes que pagamos muitos impostos! E que o TGV não é uma coisa piquena".

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

F Word


A Crise não é para Todos(as)

Confesso alguma perplexidade perante inúmeros juízos de valor que, aqui e ali, se ouvem. 
Desde que o País está em crise (e não recordo o seu início, o que contraria desde logo o conceito de crise) que arribam vozes que, num estilo declamado e geralmente pomposo, apontam o dedo aos(às) portugueses(as) em crise e que insistem em esbanjar dinheiro. Perante tão escaldante denúncia, as possibilidades não são muitas: os(as) juízes(as) tão profícuos(as) em juízos de valor não são portugueses(as). 
 Muitas vezes sustentam a tese de que os(as) portugueses(as) não sabem poupar porque, nas suas saídas de estrangeiros(as) que não estão em crise, puderam constatar que os(as) outros(as), que são todos(as) portugueses(as), também lá estavam: a jantar, os(as) incontidos(as). A esbanjar dinheiro em concertos, os(as) mãos-largas. A encher supermercados, os(as) comilões(comilonas). A comprar roupas e sapatos e malas, as grandes porcas (já sabemos que esta acusação por norma só é declinada no feminino). Claro que no caso específico do(da) observador(a) comentador(a) nada destes comportamentos viciosos, porque apesar de os ter, já sabemos que não faz parte dessa enorme massa que são os portugueses em crise. Os portugueses em crise são sempre os(as) outros(as).

domingo, 7 de novembro de 2010

Jornalismo de pacotilha

(criado por Jim Davies)*

Gostava de perceber a intenção (e já agora o motivo, se não for pedir muito) deste título gordo.  É que esses(as) professores(as) destacados(as) e a receber, não estão destacados(as) para as suas casas onde, refastelados(as) nos seus sofás, aguardam placidamente pelo salário. Esses(as) professores(as) destacados(as) e a receber estão, obviamente a trabalhar. Não necessariamente a dar aulas (mas em alguns casos também), mas a exercer funções pelas quais são, obviamente, pagos. 
A minha única dúvida reside se este é um título que revela apenas um trabalho pouco aprofundado ou pura desonestidade intelectual. É que há uma diferença enorme entre as duas, apesar de nenhuma das hipóteses ser abonatória para o Diário em questão. 

*Perdoe-me o Garfield, o abuso no uso da sua imagem para um post destes.

Lullaby de Domingo



terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quando a Palhaçada não tem Limites 2

"Tem alguma ideia de qual é a representação percentual dessa massa de ignorantes numas eleições? 
Fernando Savater - Não sei determinar. Mas o sintoma mais alarmante dessa ignorância pode ser medido nas televisões. Em Espanha, os programas de debate discutem os amores de fulana e beltrano. Há uma mulher em Espanha que é um fenómeno mediático. É famosa apenas pela sua ignorância cósmica e por dizer os maiores disparates. No entanto, uma sondagem feita numa rádio determinou que muitos espanhóis votariam nela para primeira-ministra. Na sequência disto, a rádio ligou-me para opinar sobre o assunto. “Vocês acreditariam que os mesmos espanhóis votariam nela para treinadora da selecção nacional?”, perguntei. E a resposta que obtive foi: “Não, claro que não! O lugar de treinador da selecção é um posto demasiado sério!” Ou seja, quando falamos de coisas sérias falamos de futebol, e quando falamos de política tudo é possível. Este tipo de degradação do discurso é muito grave."


Quando a Palhaçada não tem Limites 1

(imagem roubada aqui)

Ao que parece, o inenarrável Coelho pretende candidatar-se à Presidência da República. Apenas tenho a lamentar que se alimente este género de figuras que, sob a capa da denúncia, são apenas e tão somente mais do mesmo. Ou pior. 
Lamento que por cá as pessoas tenham confundido, mais uma vez, uma triste palhaçada com Política. Lamento que não se perceba a profunda falta de civismo que uma linha de actuação desta natureza significa. Leia-se, por exemplo, o blog que assenta no mesmo registo para se perceber imediatamente que esta gente não é, não pode ser, gente séria. 
A relevância que o  PND ganhou na Região é apenas resultado de um erro grotesco do eleitorado madeirense, que sempre teve predilecção por bobos da corte. Espero sinceramente que o número de idiotas seja insuficiente para que esta intenção de candidatura tenha realmente pernas para andar.  

Boa Semana

domingo, 31 de outubro de 2010

"Sou o que quero ser"

Ao ler esta notícia, lembro-me do que sempre aprendemos sobre as mulheres: que são frágeis, que são emocionais, que não são feitas para trabalhos deste género. Coitadinhas. E se já antes conhecemos mulheres que atestam que esta condescendência é falaciosa (lembram-se da polémica da entrada das mulheres nas forças armadas?), temos agora esta mulher, de 20 anos, a assumir um cargo que todos/as sabem ser perigoso. Torçamos por ela e não esqueçamos o seu nome e o seu rosto.

*Título roubado a Clarice.

Lullaby de Domingo


Há que perceber o seguinte: só sou bem mandada de mim mesma. Não tenho por hábito obedecer a déspotas. Nem à direita nem à esquerda.

sábado, 30 de outubro de 2010

Bastaram Alguns Telefonemas

Finalmente percebe-se o amuo de meados da semana. É que era mesmo preciso fundamentar todo aquele discurso do Cavaco sobre como é peça fundamental para a salvação do País. O Governo e o PSD lá lhe fizeram a vontadinha e agora passa-se de fininho a ideia de que o homem teve dedo na coisa:


(imaginar Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga comovidos com o fado de Cavaco)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Olha, rolou cá para baixo novamente

 (Ticiano)

A recandidatura que todos/as nós sabíamos que ia acontecer está aí. E porquê? Não é que realmente quisesse: Cavaco sacrifica-se pelo País, Cavaco vai salvar o País. 
As mesmas promessas messiânicas de há 4 anos atrás. Ficamos todos/as muito mais descansados/as com tanto fervor patriótico do homem que pouco se fez notar nos anos de Presidência (e quando se fez notar, foi o que se viu). Carregou nos últimos quatro anos com a crise nos ombros, qual Sísifo, Portugal acima. Ao que parece, voltou tudo ao início. Minto, está substancialmente pior. Mas já se sabe que é o homem certo. Afinal de contas, há melhor que um economista para presidir a um País em crise? Temos visto...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

"Le meilleur point de vue"

Aquele que é o meu texto de Derrida está finalmente traduzido. Por Fernanda Bernardo. Publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian (capa do livro aqui ao lado).

Divergências conceptuais

Sobre isto, mantenho um saudável diálogo com Jools; eu sou do clube do caríssimo Funes. Já Jools é um acérrimo defensor de que um alargamento do prazo limite até cerca de 3 anos (após a data indicada) é perfeitamente aceitável. O critério passa pelo aspecto da coisa...

"Piquenos" enganos

Indicar o Google (imagens) como fonte é equivalente a indicar como referência bibliográfica a Biblioteca Municipal do Funchal.

domingo, 17 de outubro de 2010

Lullaby de Domingo


Dedicada à minha direcção de turma (teremos uma longa conversa).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

E depois acontece isto, caros/as amantes do acordo ortográfico

 (a imagem aparece com link quebrado, pelo que não é possível determinar a proveniência)

Facto continua a ser facto, na medida em que apenas desaparecem as consoantes mudas. Mas há jornais e revistas que alegremente cortam tudo e todas. Já parecem a Rainha de Copas da Língua Portuguesa.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Verdadeira Vocação

Na avaliação de Professores/as , dá-se especial ênfase ao verdadeiro intuito de tal carreira: a leccionação e tarefas relacionadas com esse acto (veja-se o caso da publicação de manuais escolares, por exemplo) não é tão válida quanto outras modalidades assaz pertinentes para o ensino em Portugal: primeiro o trabalho de deputado/a, autarca ou dirigente sindical. Só depois a ralé, os que ficam nas escolas e "só" leccionam.
Chamam-lhes cargos de reconhecido interesse público. Percebe-se a distinção: é que leccionar obviamente não é um cargo de interesse público, excepto quando se trata de perorar sobre a avaliação de quem o exerce.

Baile de Máscaras - o PCP que temos (e por vezes esquecemos que temos)

 (imagem daqui)

O Partido Comunista Português, que reclama a luta pela Liberdade para seu feudo, faz comunicados destes, a lamentar a atribuição do prémio nóbel da Paz a Liu Xiaobo. Ao que parece, ao PCP não fazem impressão os regimes ditatoriais; ou melhor, apenas tem pruridos em relação aos que não são da sua cor política. 21 anos depois, Tiananmen torna a desvelar o rosto que por vezes esquecemos estar lá.

domingo, 10 de outubro de 2010

Lullaby de Domingo


"Insinuo o «coração partido» e o «amor» e alguma ordem misteriosa do Universo, mas 'I dare not speak it's name" (...). Porquê? Por medo de diluir o seu sentido, nomeando-a, ou por medo de deixar de acreditar, depois de repetir a mesma coisa, concerto após concerto, ou por medo de que aquilo se torne um cliché. "

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Viva o Regabofe!

Claro que para quem governa este país, o facto de 'o povo' (seja lá o que isso for! E, please, poupem-me à definição da CRP ou de um Dicionário!) se concentrar nos que já pouco podem traz vantagens óbvias. Enquanto 'o povo' se entretém a gastar munições contra as minorias étnicas, contra @s beneficiários do Rendimento Mínimo de Inserção (ess@s ladrões que nada querem fazer!), contra @s desempregad@s (esses que nada querem fazer!), os institutos públicos vivem à grande e à francesa. Os convites da festa do 20º aniversário da ANACOM (tinha que ser uma coisa a sério, afinal de contas, só se tem 20 anos uma vez) devem ter sido bordados pelas  mesmas virgens cegas que bordam alguns diplomas universitários....  pois custaram 12 mil euros... o que é isso nos dias que correm, em que se cortam abonos de família a quem ganha 630€....????
Para se rirem daquilo que as entidades públicas afirmam ser "compras transparentes de acordo com o código das compras públicas" e dentro da total legalidade, á favor visitar e explorar o base.

Liu Xiaobo


Nós homenageamos-te.
a ti, e a tod@s @s que sobreviveram à perseguição de um regime que insiste em matar a própria população.
E também aos que ofereceram o corpo em sacríficio por uma liberdade sonhada.
@s mort@s de Tiananamen ainda não foram suficientemente chorad@s.



O Povo que temos 2

Nos jornais portugueses, a notícia de que o Nobel da Paz será entregue a Liu Xiaobo tem indignado inúmeros leitores, que consideram um ultraje que tal prémio seja entregue a um desobediente. Preso, ainda por cima, porque não consegue ficar calado e desobedece ao Estado e promove manifestos e horrores do género. Há que encarneirar, senhoras e senhores. Sobretudo encarneirar.

O Povo que temos 1

Dos argumentos mais extraordinários que já ouvi sobre o desastre que seria a eleição de Manuel Alegre para PR, ressalvo o seguinte (cito de memória): o senhor não é bom para o cargo porque não é obediente nem disciplinado. Desobedece ao partido e isso, claro, não pode ser uma virtude nos tempos que correm. Há que encarneirar, senhores e senhoras.
If you are lonely when you're alone, you are in bad company.
Jean-Paul Sartre 
Picture by Henri Cartier-Bresson

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Contos Exemplares


"I Dare Not Speak It's Name"

Esta semana a Visão justifica o preço que por ela é pago. Na página 114.

O homem pássaro está entre vós: falou-vos no passado dia 1 de Outubro e toca esta noite na Aula Magna, também para vós . O vós só é extensível a quem está no Continente, especialmente a quem está por Lisboa (porque estar no Continente não basta e há quem trabalhe amanhã cedo e não possa ter o luxo de se deslocar até à Aula Magna e depois regressar calmamente a casa).  O homem pássaro está entre vós e desconfio que vos falou da mesma forma sublime como compõe e  como escreveu uma belíssima crónica que justifica o que se paga pela Visão (esta semana). E eu, esmagada pela inveja de apenas lhe beber as palavras escritas e a nada mais ter direito.

(a próxima lullaby será dele)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A ignorância Atrevida

Ouço Miguel Sousa Tavares (MST) garantir assertivamente, no Jornal das 9, na SIC, a inexistência de monarquias ditatoriais. Talvez não fosse má ideia, sei lá, mandar-lhe umas informações das ONG's de Direitos Humanos sobre... as monarquias (na visão dele tão democráticas) da Arábia Saudita, do Camboja, da Tailândia, do Brunei, Omã, dos Emirados Árabes Unidos.... A ignorância é triste, mas a ignorância atrevida é insuportável! MST diz estas incorrecções sem qualquer pudor. Sem qualquer reconhecimento pela responsabilidade que é ser um personagem que tem acesso ao espaço público de forma privilegiada. Não preciso de ver um telejornal para ouvir o que MST disse: já o ouvi anteriormente (por parte de alguns defensores do regime monárquico). É curioso como uma ideia se pode perder no caminho sinuoso dos argumentos e de quem os recebe. Não entendo esta defesa da monarquia baseada na alegada 'inexistência de ditaduras monárquicas' - o que, para além de ser uma incorrecção - não invalida que as monarquias europeias tivessem tido períodos de regimes ditatoriais. Sou republicana porque não concebo a ideia de que alguém ganhe o direito de representar/e/ou governar a nação apenas porque nasceu numa determinada família [terá por certo as suas vantagens - encontram-se, naturalmente, prós e contras no facto de se educar alguém (de nascença) para as tarefas de representação do reino (consoante o tipo de monarquia pode ser bem mais que representação)]. Mas voltando o foco aqui para o rectângulo, e pensando no papel do PR: sim, apesar de todos os constrangimentos existentes na eleição de um(a) PR (apenas as personalidades escolhidas pelos partidos podem ser eleitas na prática e, os partidos mais fortes - mais ricos -, têm mais hipótese que os outros) - apesar destas (e de outras questões que fragilizam a eleição de um representante da nação e outras que fragilizam o próprio regime em si), continuo a preferir um regime onde eu possa escolher quem me representa. A ideia das castas e dos privilégios e obrigações à (por) nascença carece de algum tipo de crença no destino - da qual eu sou desprovida. É claro que, reconheço a existência de castas (de famílias, de profissões, partidárias, etc.) no regime republicano democrático em que vivemos. Claro, e pior que isso, existem privilégios quanto ao número de nomes que @s descendentes da ex-família real podem usar (privilégios esses que não são extensíveis aos restantes cidadãos). Dizia MST que "foi um erro esconder o que foi a 1.ª República: que se acha que se instituiu o sufrágio universal, a inclusão das mulheres na política, a promoção da educação". Não sei com quem anda MST a falar, mas eu soube há já alguns (bastantes) anos que as mulheres acederam - timidamente - aos lugares de eleição e eleitoras já durante o Estado Novo. O que se sabe é que a Iª República prometeu o voto às mulheres republicanas e que lho retirou logo após a médica Carolina Beatriz Ângelo ter exercido o seu direito de voto (não sem antes a questão do recenseamento ter ido a tribunal). Por isso se costuma dizer que a Iª República traiu as mulheres sufragistas. E se falhou no número de escolas que implementou (porque não cumpriu o seu plano para a educação), lembremo-nos que a monarquia já contava com alguns séculos sem tentar - tão pouco - democratizar o ensino. As coisas são como são, mas eu gostava, sinceramente, que @s monárquic@s deste país dissessem mais em prol da defesa do regime que acreditam ser melhor para o país, para além de se queixarem do dinheiro gasto na representação da República (na Monarquia devia ser menos, com certeza...), ou no facto de algumas personalidades da República terem mais privilégios que ele@s (não é que tod@s nós, é del@s!) - como se o mesmo não acontecesse na monarquia... Depois, claro, para não ajudar, ainda há aquela gente que gosta de usar palavras light como nomes próprios e nomes de peso nos apelidos, a quem as revistas cor-de-rosa acompanham com títulos de baronesa, duque, e aparentados. Esses trataram de ridicularizar qualquer réstia de dignidade à coisa.

Picture by Diane Arbus

Boa Semana

sábado, 2 de outubro de 2010

Lullaby de Sábado


(lullaby de sábado para DE)

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
 Clarice Lispector

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O Fim e o Princípio (de quê?)

Depois de cada guerra
alguém tem de fazer a limpeza.
As coisas não se limpam
a si próprias, afinal.
Alguém tem de afastar os escombros
Para a berma da estradas,
Para que as carroças com os cadáveres
Possam passar.
Alguém tem de meter-se
por entre a lama e as cinzas
por entre as molas dos sofás
por entre os vidros partidos
por entre os farrapos ensanguentados.
Alguém tem de arrastar a trave
Que escorará a parede,
Alguém tem de por o vidro na janela
E colocar a porta nos gonzos.
Nada disto é digno de ser fotografado
E demora anos.
As máquinas fotográficas partiram já
Para outras guerras.
As pontes têm de ser reconstruídas
E as estações ferroviárias também.
As mangas das camisas ficarão rotas
De tanto serem arregaçadas.
Alguém, vassoura na mão,
Se lembra ainda de como foi.
Outro alguém escuta, acenando que sim
Com a cabeça
Mas já outros, ali perto
Acham tudo aquilo um pouco maçador.
De vez em quando alguém
Desenterra ainda numa moita
Um velho argumento enferrujado
E lança-o na lixeira.
Os que sabem
o porquê e o como
vão ceder lugar
aos que pouco sabem.
E aos que sabem menos ainda.
E por fim mesmo nada.
E na erva que vai crescer
Sobre as causas e os efeitos
Alguém deverá deitar-se
de espiga nos dentes
olhando as nuvens
O Fim e o Princípio por Wislawa Szymborska

Clarice ali, a olhar para mim

aTrouxe o único exemplar que havia na FNAC. Não sei se houve mais.apenas que Clarice estava lá, à minha espera, a detestar a tradução do título que fizeram. A Mulher mistério tem uma biografia cujo título português é demasiado evidente. Why This World transformou-se em Clarice Lispector - Uma Vida. Mau presságio?


Sou invadida pela mesquinhez. Invejo o autor, que tem a minha idade e que se dedicou a esta obra monumental (refiro-me ao volume e às leituras documentadas, que sobre o conteúdo ainda nada posso acrescentar). Folheio o livro a invejar uma paixão idêntica, mas que foi muito mais longe que a minha. Pobre de mim, SÓ leitora.

domingo, 26 de setembro de 2010

Qual o valor de uma biografia?

Curiosa, a forma como esta biografia é apresentada ( ainda não li). Como se a obra de Clarice Lispector não fosse suficiente para esta ser reconhecida ; como se a biografia desenhada por outras mãos suplantasse a escrita da própria. Como se esta fosse a primeira vez que se escreve sobre Clarice.
Título estranho, este. 

Lullaby de Domingo


Semana de apresentações: um admirável mundo novo. O receio estampado em alguns rostos. Noutros, desafio. Aborrecimento. Curiosidade. Entreolham-se: aquele é idiota, aquela tímida.  O do lado é giro. O que está no canto certamente não é de cá. 
Tenho cinco salas repletas de rostos ansiosos que iniciam agora um percurso num espaço que para a maioria é desconhecido (e insuficiente, em alguns casos). 
Cá vamos nós.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Lullaby de Domingo


No can do this!
No can do that!
What a hell can you do, my friend?
In this place that you call your town 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"A linguagem administrativa é a minha única língua"*

"Reduzir-se-ão todas as relações humanas aos cálculos de prejuízos e de interesses, e todos os problemas à liquidação de contas?"
Lévinas, citado por Chaterine Chalier em Lévinas, a Utopia do Humano


A Comissária Europeia Vivien Reding pronunciou-se sobre a expulsão dos ciganos ordenada pelo governo de Sarkozy e o Eliseu declarou-se profundamente ofendido, apesar das suas  pretensões xenófobas, com as palavras da comissária. Durão Barroso secundou e bem a Comissária.
Por cá, a música é outra. E dos dois principais partidos (o CDS não conta, nem surpreende) temos  vetos a moções de censura à política de Sarkozy e juras de compreensão e clarificação de intenções do mesmo apresentadas por JS e PPC.

O pormenor que parece escapar aos meninos maravilha é a de que a França de Sarkozy (e que não é dele) não expulsa "apenas" os imigrantes ilegais no País. Sarkozy ordena que a prioridade seja dada aos ciganos.  E é esta a diferença fundamental que torna esta uma questão de xenofobia e não apenas questão de segurança, bandeira que é sempre acenada quando alguns Estados pretendem usar de metodologias pouco recomendáveis, em claro choque com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
O assentimento que ambos, o efectivo e o aspirante a Primeiro Ministro,  fizeram questão de dar ao seu colega francês apenas esclarece que partilham de uma mesma dificuldade: pensar do ponto de vista do outro. É difícil para esta gente, mas é muito é perigoso para todos nós. Porque é preciso aprender com o que já fomos capazes de fazer, porque não podemos permitir que no seio desta Europa que acreditávamos muito distante da outra, voltemos a expulsar pessoas em função da sua etnia. Porque é preciso, de forma clara e inequívoca esclarecer estes burocratazinhos que nos governam ou que aspiram a governar, que os seus ares graves de estadistas não  nos enganam quanto à pequenez da sua capacidade de entender o Outro como digno de respeito.

*Eichmann, um bom funcionário, citado por Hannah Arendt em Eichmann Em Jerusalém - Uma Reportagem Sobre a Banalidade do Mal.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Já nem me refiro ao masculino neutro...



Uma mensagem com muito amor, da Isabelinha.

(imagem retirada aqui)
(vídeo primeiramente visionado aqui)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Banhado a ouro

Primeiro ri com vontade em relação à vontade do golden boy de que entremos na rota da excelência. 
Depois percebi que a meta é perfeitamente exequível, já que o garçon d'or refere-se a dados percentuais, com efeitos meramente estatísticos. Pelo menos é coerente. O nosso menino d'oiro não quer ser. Apenas parecer.

Renovação de quadros

Passos Coelho continua. Dia sim, dia sim senhor, cá está ele a lançar uma opinião, uma pergunta, um reparo., um petardo sobre quase tudo o que mexe. Até sobre a demora da divulgação do acordão do processo Casa Pia PPC teve algo a dizer. O professor Marcelo e o VPV já devem andar a fazer contas à vida. Afinal, é mais um especialista generalista a rondar-lhes a coutada (agora que as sondagens lhe tiraram a aura de menino prodígio - de ouro é o outro).

Vamos lá ver se isto consome mais 7 anos

Foram 10 dias de atraso? Então, queremos mais 10, por conta de juros de mora.

Boa Semana

Ou 14?





sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Regresso às aulas

Não posso deixar de sorrir perante os problemas de impressão e gravação que atrasam a entrega do acordão do processo Casa Pia na data prevista.
Muitos/as dos/das meus/minhas alunos/as conhecem de cor este tipo de vicissitudes quando têm que entregar algum trabalho escrito. É do tinteiro, dizem eles/as.

Está tudo grosso?

Se fiquei surpreendida com o facto de o Prós e Contra de segunda-feira ter sido dedicado à defesa de Carlos Cruz, ontem fiquei ainda mais perplexa com o facto de perceber que a Grande Entrevista de Judite de Sousa tinha como convidado a mesma personagem. Mas alguém pode perguntar à RTP o que se passa? E já agora, como vai resolver o problema de dar tempo de antena a todos os condenados pelo sistema judicial português que alegam injustiça? Ou a brincadeirinha é só permitida a alguns?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

L'étranger

Here is the scene. It takes place in my native town Oran in Algeria, in 1940 during the war. As a doctor, my father is mobilized suddenly he is a lieutenant of war in front. This necessary misfortune has an advantage: the terrestrial paradise opens before me in the form of the Cercle Militaire, a superb garden reserved for the class of officers. (...). Now I am admitted, at least this is what I think. Joy of the earth, the plants, the trees. I am inside, and yet. A superior force keeps me from being truly inside, and I do not know his name. I see that the other children do not admit me or that something separates me from them, but what? (...). There must be a key, a password, a code, a shibooleth. Until the day I hear these hard angels speaking amongst themselves of an object of desire. This species wants: stamps. Stamps!! Now I understand. What I must give to enter at last into the inside of the inside of the Cercle Militaire, to pass the invisible customs is: Stamps.
In an instant I get up, I step forward and I make my declaration. I'll bring you stamps. My house is full of stamps. Do we not have an immense family that Hitler is disseminating across the earth and in the airs? Those who have managed to escape Germany write from the four corners of the universe. I have all sort of stamps, (...), I know the entire world.
From high in the little sky a six-year-old girl spits on my head: Liar! The word is sharpened, it falls on my brow and makes a gash. I vacillate. Liar! says the voice of flint. You have no stamps. Because: all Jews are liars.
(...). Jew? Liar? I hear the hate and the veredict.
Hélène Cixous, Stigmata

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hoje os Sinos Dobram Por Ela

 (fotografia encontrada aqui)

A Ilha fica mais pequena quando abriga notícias como esta,  culminar hediondo de muitos casos de violência com porta fechada e vizinhos/as silenciosos.
Não é só este homem que tem as mãos sujas de sangue. Todos/as nós, quando ensinamos aos/às nossos/as filhos/as a lengalenga de que as mulheres são fingidas, matreiras, promíscuas, preguiçosas, idiotas, bonecas decorativas,  mulheres de alguém que não senhoras delas mesmas.; quando desvalorizamos estes casos e procuramos explicações para que um homem se passe desta maneira; quando ensinamos aos nossos/as filhos/as que as mulheres fingem agressões, que são doidas, que alguma coisa fizeram para merecer isto. Temos as mãos sujas de sangue, sempre que apelamos à reconciliação do casal, mesmo sabendo que as agressões sempre existiram.
Ao que parece, o caso estava sinalizado. Ainda assim, aquilo que oferecemos a esta mulher foi esta morte terrível, porque não estivemos à altura de responder ao seu pedido de auxílio.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Também é verdade

Que a maioria dos/as arguidos/as que foram condenados/as neste País não têm a comunicação social a propagar-lhes as declarações de inocência. Cumprem a pena aplicada porque não há ninguém que se interesse pelo que eventualmente têm a dizer.  Portanto,  não me comovem declarações sobre barras inteiras de sabão azul e branco* ou de desbarato de fortunas pessoais que já se sabia serem escassas antes do processo. E não fossem conhecidos os senhores e não tínhamos tanta  gente a consultar-lhes as páginas e a proclamarem realmente ele tem lá tudo, não m'acredito que ele seja culpado.


*E dão tempo de antena à criatura para afirmar que nos centros comerciais vão olhá-lo como se fosse um macaquinho e que quer que o mesmo aconteça a todos os envolvidos do processo, vítimas incluídas. Declarações destas, na infância, dão mesmo direito a que se lave a boca com sabão azul.

Boa Semana

domingo, 5 de setembro de 2010

Lullaby de Domingo

O mês de Agosto não ficou marcado pela saída de Suburbs, dos Arcade Fire (não sei se tornarei a ouvi-lo novamente, tal foi a sensaboria da primeira audição). Fica marcado pela saída do 3.º álbum de Isobel Campbell e Mark Lanegan. Gosto mesmo do que estes dois fazem.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Correntes do Feminismo

Na Fundação Mário Soares, a 25 de Setembro. Mais informações aqui.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma Questão de Sobrevivência para o Consumidor

E assim se resolve o problema, tão eloquentemente exposto pelos industriais do sector :



Da Idiotice Elevada a Arte

Já não basta a euforia desenfreada das editoras em relação aos manuais escolares, o sector mais mafioso da indústria. Os manuais escolares, que na forma são topo de gama (melhor papel, coloridos q.b., cheios de recursos pseudo-pedagógicos xpto) e que são enviados para as escolas mesmo em cima do limite de escolha (para que não haja grande tempo para uma verdadeira análise), são vendidos a preços que não escandalizam quase ninguém - a não ser os pais que, por esta altura e muito timidamente, ainda esboçam algumas críticas. Em vão. Nisto não se mete o Ministério, na regulação desta pouca vergonha que cresce a olhos vistos. É dar livre trânsito, que isto mexe com muito dinheiro.
Comecei este post por afirmar que já não basta a euforia do sector mais mafioso da indústria livreira; agora, temos também o restante material escolar a receber honras de projecto moda. O que eu gostei do termo "júnior fashion advisor". Pena que a maior parte dos/as destinatários/as não consiga pronunciá-lo (quanto mais compreendê-lo).

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Uma pergunta para Sancho


Quantos bolos tiveste que comer para subsidiar a visita de Bento XVI?

Um desenho para Sancho

Na caixa de comentários:

"A UMAR é uma entre muitas associações (como a Casa do Brasil, a ILGA, a SOLIM ou os proto-escuteiros de não sei onde) que ocupam espaços cedidos pela câmara, e paga renda - reduzida, é certo, mas paga!
E não esqueçamos que estamos a falar de uma Entidade de Interesse Público, estatuto publicado em Diário da República. Se as actividades desenvolvidas têm significativa relevância pública, o mínimo que o Estado pode garantir é um espaço condigno para o desenvolvimento de tais actividades.
Na primeira página do site aparecem iniciativas relacionadas com direitos LGBT porque foram as últimas iniciativas (públicas, visíveis) da UMAR. Basta olhar para as datas para ver que o critério é, precisamente, a data e a actualidade das "notícias".
(...)
E quanto à tomada de posição sobre a condenação da Sekinah, a UMAR assinou petições, anda há meses a divulgar esta barbárie (bem antes de ela ser "mediática") e divulgou a iniciativa do Camões na página do facebook, onde tem mais de 2000 amig@s. Já foi dito: ainda que os direitos das mulheres não tenham férias, as férias são um direito destas mulheres."
Ass:
Quase-Bolseira da FCT
Beneficiária da Porta 65
Subsidiada de outras coisas
Deficitária de emancipação

O que o Sancho poderia ter encontrado à distância de um click, mas não quis:

 Projecto BIG 
Mudanças Com Arte
OMA
ORGM
Centro de documentação Elina Guimarães
Grupo de trabalho Género e Água 
Iniciativas que não envolvem necessariamente bolos*

 Mas acha pouco e indigna-se com os apoios que a UMAR tem conseguido (apoios a que qualquer associação pode candidatar-se se trabalhar para tal) , como único grande contribuinte deste País que é o Sancho. 
Já agora, caro amigo, que descubro que és um mãos largas e andas a financiar isto tudo, pagas tu o jantar de sexta?

*e não continuo porque acho que já deves ter percebido como funciona um site.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Da Profanação

A terminar o mês de Agosto, as praias começam a ser abandonadas pelos/as banhistas que suspiram secretamente de alívio pelo facto de Setembro anunciar um regresso à normalidade (muito sol também cansa)*.  Faço parte desse número de banhistas de regresso a casa, com a caixa de correio repleta de correspondência mais ou menos endereçada, pouco ou nada pessoal. A revista Visão da semana transacta jaz à espera de ser lida, nem que seja de soslaio (os últimos números não merecem mais do que isso).
Logo a abrir, António Araújo ensaia as boas e más notícias da semana; a inaugurar as más, aponta os hábitos de leitura. E a partir daqui divergimos na "análise". Segundo o jurista e historiador, os/as portugueses/as não têm hábitos de leitura e revelam-no nas praias, em que se dividem  entre os jornais desportivos e as revistas do coração**.
Concordo com a falta de hábitos de leitura; contudo, considero que a praia não será o melhor sítio para aferir o que quer que seja. Por mim falo. Gosto dos meus livros limpos, com as páginas apenas maculadas pelas minhas anotações e não com nódoas de protectores solares,  gosto dos meus livros sem páginas dobradas, sem badanas destruídas pelo uso indevido, sem manchas de humidade a deformar-lhes o texto. Não consigo levar livros para a praia, conspurcá-los com areia a rodos (quando há areia), sal e afins. O objecto livro é ainda para mim um objecto sagrado, que não combina com gelados à beira-mar e com um sol abrasador a encegueirar-me a leitura.

*Esta Woab que vos escreve, que nem é uma banhista a sério, este ano foi a banhos a um ritmo que lhe é anormal, tendo inclusive ganho uma cor que lhe é inusitada: parece menos transparente no que à pele diz respeito e uma abominável cor de cabelo a roçar o louro. A voltar ao normal nos próximos dias.

**Quanto a mim, existem três locais perfeitos para a leitura de revistas do coração: cabeleireiros, consultórios médicos e  praias. Nos dois primeiros casos, regressam à proveniência (nem as pagamos, de resto, constituindo esta uma grande mais valia). No que às praias diz respeito, geralmente estas têm, à saída, inúmeros caixotes do lixo em que podemos desfazermo-nos do objecto. É mesmo só para quando se apanha sol na moleirinha, corpo envolto em protector, água e sal. 
Quanto aos jornais desportivos, não vislumbro nenhum local em que estes possam desenvolver em mim qualquer interesse.Já basta termos a maior parte dos serviços de informação a dedicar-lhes a maior parte do horário nobre.

Um Caso Sério 3020

O post e o tema abordado. Uma Ilha em chamas e comemora-se com foguetes, enquanto o Inverno não chega (e com ele as águas imparáveis). Não está tudo bem, mas o que interessa é o povo contentinho e os festeitos inchados com tanto fogo lançado ao ar. Como cai, e onde, não é da responsabilidade dos diversos intervenientes.

Boa Semana

domingo, 29 de agosto de 2010

Lullaby de Domingo (private lullaby)


E não apresento mais argumentos quanto à discussão sobre as diferenças entre os Blur e esses outros que não nomeio. E como sabes, teimosia não é defeito... 



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Interdições salgadas

O que antes era nosso e deixou de o ser, tem agora horário de funcionamento (desde que deixou de ter acesso gratuito) .
Ao descer as escadas, há um portão que determina que a praia (sim, a praia) de infância para além de ser paga, só funciona das 10 às 20h. O sol não sabe e, como tal, as crianças devem apenas fazer praia até às 11 ou a partir das 5. Mas isso não interessa à Frente-Mar. Quem quiser que pague por uma hora e pouco de praia, porque a água e o sol, ali, só abrem mesmo às 10 da manhã.

Boa Semana

domingo, 22 de agosto de 2010

Lullaby de Domingo


Como a próxima semana ainda é de férias, pulamos até à Ilha ao lado.