quarta-feira, 8 de setembro de 2010

L'étranger

Here is the scene. It takes place in my native town Oran in Algeria, in 1940 during the war. As a doctor, my father is mobilized suddenly he is a lieutenant of war in front. This necessary misfortune has an advantage: the terrestrial paradise opens before me in the form of the Cercle Militaire, a superb garden reserved for the class of officers. (...). Now I am admitted, at least this is what I think. Joy of the earth, the plants, the trees. I am inside, and yet. A superior force keeps me from being truly inside, and I do not know his name. I see that the other children do not admit me or that something separates me from them, but what? (...). There must be a key, a password, a code, a shibooleth. Until the day I hear these hard angels speaking amongst themselves of an object of desire. This species wants: stamps. Stamps!! Now I understand. What I must give to enter at last into the inside of the inside of the Cercle Militaire, to pass the invisible customs is: Stamps.
In an instant I get up, I step forward and I make my declaration. I'll bring you stamps. My house is full of stamps. Do we not have an immense family that Hitler is disseminating across the earth and in the airs? Those who have managed to escape Germany write from the four corners of the universe. I have all sort of stamps, (...), I know the entire world.
From high in the little sky a six-year-old girl spits on my head: Liar! The word is sharpened, it falls on my brow and makes a gash. I vacillate. Liar! says the voice of flint. You have no stamps. Because: all Jews are liars.
(...). Jew? Liar? I hear the hate and the veredict.
Hélène Cixous, Stigmata

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hoje os Sinos Dobram Por Ela

 (fotografia encontrada aqui)

A Ilha fica mais pequena quando abriga notícias como esta,  culminar hediondo de muitos casos de violência com porta fechada e vizinhos/as silenciosos.
Não é só este homem que tem as mãos sujas de sangue. Todos/as nós, quando ensinamos aos/às nossos/as filhos/as a lengalenga de que as mulheres são fingidas, matreiras, promíscuas, preguiçosas, idiotas, bonecas decorativas,  mulheres de alguém que não senhoras delas mesmas.; quando desvalorizamos estes casos e procuramos explicações para que um homem se passe desta maneira; quando ensinamos aos nossos/as filhos/as que as mulheres fingem agressões, que são doidas, que alguma coisa fizeram para merecer isto. Temos as mãos sujas de sangue, sempre que apelamos à reconciliação do casal, mesmo sabendo que as agressões sempre existiram.
Ao que parece, o caso estava sinalizado. Ainda assim, aquilo que oferecemos a esta mulher foi esta morte terrível, porque não estivemos à altura de responder ao seu pedido de auxílio.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Também é verdade

Que a maioria dos/as arguidos/as que foram condenados/as neste País não têm a comunicação social a propagar-lhes as declarações de inocência. Cumprem a pena aplicada porque não há ninguém que se interesse pelo que eventualmente têm a dizer.  Portanto,  não me comovem declarações sobre barras inteiras de sabão azul e branco* ou de desbarato de fortunas pessoais que já se sabia serem escassas antes do processo. E não fossem conhecidos os senhores e não tínhamos tanta  gente a consultar-lhes as páginas e a proclamarem realmente ele tem lá tudo, não m'acredito que ele seja culpado.


*E dão tempo de antena à criatura para afirmar que nos centros comerciais vão olhá-lo como se fosse um macaquinho e que quer que o mesmo aconteça a todos os envolvidos do processo, vítimas incluídas. Declarações destas, na infância, dão mesmo direito a que se lave a boca com sabão azul.

Boa Semana

domingo, 5 de setembro de 2010

Lullaby de Domingo

O mês de Agosto não ficou marcado pela saída de Suburbs, dos Arcade Fire (não sei se tornarei a ouvi-lo novamente, tal foi a sensaboria da primeira audição). Fica marcado pela saída do 3.º álbum de Isobel Campbell e Mark Lanegan. Gosto mesmo do que estes dois fazem.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Correntes do Feminismo

Na Fundação Mário Soares, a 25 de Setembro. Mais informações aqui.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma Questão de Sobrevivência para o Consumidor

E assim se resolve o problema, tão eloquentemente exposto pelos industriais do sector :



Da Idiotice Elevada a Arte

Já não basta a euforia desenfreada das editoras em relação aos manuais escolares, o sector mais mafioso da indústria. Os manuais escolares, que na forma são topo de gama (melhor papel, coloridos q.b., cheios de recursos pseudo-pedagógicos xpto) e que são enviados para as escolas mesmo em cima do limite de escolha (para que não haja grande tempo para uma verdadeira análise), são vendidos a preços que não escandalizam quase ninguém - a não ser os pais que, por esta altura e muito timidamente, ainda esboçam algumas críticas. Em vão. Nisto não se mete o Ministério, na regulação desta pouca vergonha que cresce a olhos vistos. É dar livre trânsito, que isto mexe com muito dinheiro.
Comecei este post por afirmar que já não basta a euforia do sector mais mafioso da indústria livreira; agora, temos também o restante material escolar a receber honras de projecto moda. O que eu gostei do termo "júnior fashion advisor". Pena que a maior parte dos/as destinatários/as não consiga pronunciá-lo (quanto mais compreendê-lo).

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Uma pergunta para Sancho


Quantos bolos tiveste que comer para subsidiar a visita de Bento XVI?

Um desenho para Sancho

Na caixa de comentários:

"A UMAR é uma entre muitas associações (como a Casa do Brasil, a ILGA, a SOLIM ou os proto-escuteiros de não sei onde) que ocupam espaços cedidos pela câmara, e paga renda - reduzida, é certo, mas paga!
E não esqueçamos que estamos a falar de uma Entidade de Interesse Público, estatuto publicado em Diário da República. Se as actividades desenvolvidas têm significativa relevância pública, o mínimo que o Estado pode garantir é um espaço condigno para o desenvolvimento de tais actividades.
Na primeira página do site aparecem iniciativas relacionadas com direitos LGBT porque foram as últimas iniciativas (públicas, visíveis) da UMAR. Basta olhar para as datas para ver que o critério é, precisamente, a data e a actualidade das "notícias".
(...)
E quanto à tomada de posição sobre a condenação da Sekinah, a UMAR assinou petições, anda há meses a divulgar esta barbárie (bem antes de ela ser "mediática") e divulgou a iniciativa do Camões na página do facebook, onde tem mais de 2000 amig@s. Já foi dito: ainda que os direitos das mulheres não tenham férias, as férias são um direito destas mulheres."
Ass:
Quase-Bolseira da FCT
Beneficiária da Porta 65
Subsidiada de outras coisas
Deficitária de emancipação

O que o Sancho poderia ter encontrado à distância de um click, mas não quis:

 Projecto BIG 
Mudanças Com Arte
OMA
ORGM
Centro de documentação Elina Guimarães
Grupo de trabalho Género e Água 
Iniciativas que não envolvem necessariamente bolos*

 Mas acha pouco e indigna-se com os apoios que a UMAR tem conseguido (apoios a que qualquer associação pode candidatar-se se trabalhar para tal) , como único grande contribuinte deste País que é o Sancho. 
Já agora, caro amigo, que descubro que és um mãos largas e andas a financiar isto tudo, pagas tu o jantar de sexta?

*e não continuo porque acho que já deves ter percebido como funciona um site.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Da Profanação

A terminar o mês de Agosto, as praias começam a ser abandonadas pelos/as banhistas que suspiram secretamente de alívio pelo facto de Setembro anunciar um regresso à normalidade (muito sol também cansa)*.  Faço parte desse número de banhistas de regresso a casa, com a caixa de correio repleta de correspondência mais ou menos endereçada, pouco ou nada pessoal. A revista Visão da semana transacta jaz à espera de ser lida, nem que seja de soslaio (os últimos números não merecem mais do que isso).
Logo a abrir, António Araújo ensaia as boas e más notícias da semana; a inaugurar as más, aponta os hábitos de leitura. E a partir daqui divergimos na "análise". Segundo o jurista e historiador, os/as portugueses/as não têm hábitos de leitura e revelam-no nas praias, em que se dividem  entre os jornais desportivos e as revistas do coração**.
Concordo com a falta de hábitos de leitura; contudo, considero que a praia não será o melhor sítio para aferir o que quer que seja. Por mim falo. Gosto dos meus livros limpos, com as páginas apenas maculadas pelas minhas anotações e não com nódoas de protectores solares,  gosto dos meus livros sem páginas dobradas, sem badanas destruídas pelo uso indevido, sem manchas de humidade a deformar-lhes o texto. Não consigo levar livros para a praia, conspurcá-los com areia a rodos (quando há areia), sal e afins. O objecto livro é ainda para mim um objecto sagrado, que não combina com gelados à beira-mar e com um sol abrasador a encegueirar-me a leitura.

*Esta Woab que vos escreve, que nem é uma banhista a sério, este ano foi a banhos a um ritmo que lhe é anormal, tendo inclusive ganho uma cor que lhe é inusitada: parece menos transparente no que à pele diz respeito e uma abominável cor de cabelo a roçar o louro. A voltar ao normal nos próximos dias.

**Quanto a mim, existem três locais perfeitos para a leitura de revistas do coração: cabeleireiros, consultórios médicos e  praias. Nos dois primeiros casos, regressam à proveniência (nem as pagamos, de resto, constituindo esta uma grande mais valia). No que às praias diz respeito, geralmente estas têm, à saída, inúmeros caixotes do lixo em que podemos desfazermo-nos do objecto. É mesmo só para quando se apanha sol na moleirinha, corpo envolto em protector, água e sal. 
Quanto aos jornais desportivos, não vislumbro nenhum local em que estes possam desenvolver em mim qualquer interesse.Já basta termos a maior parte dos serviços de informação a dedicar-lhes a maior parte do horário nobre.

Um Caso Sério 3020

O post e o tema abordado. Uma Ilha em chamas e comemora-se com foguetes, enquanto o Inverno não chega (e com ele as águas imparáveis). Não está tudo bem, mas o que interessa é o povo contentinho e os festeitos inchados com tanto fogo lançado ao ar. Como cai, e onde, não é da responsabilidade dos diversos intervenientes.

Boa Semana

domingo, 29 de agosto de 2010

Lullaby de Domingo (private lullaby)


E não apresento mais argumentos quanto à discussão sobre as diferenças entre os Blur e esses outros que não nomeio. E como sabes, teimosia não é defeito... 



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Interdições salgadas

O que antes era nosso e deixou de o ser, tem agora horário de funcionamento (desde que deixou de ter acesso gratuito) .
Ao descer as escadas, há um portão que determina que a praia (sim, a praia) de infância para além de ser paga, só funciona das 10 às 20h. O sol não sabe e, como tal, as crianças devem apenas fazer praia até às 11 ou a partir das 5. Mas isso não interessa à Frente-Mar. Quem quiser que pague por uma hora e pouco de praia, porque a água e o sol, ali, só abrem mesmo às 10 da manhã.

Boa Semana

domingo, 22 de agosto de 2010

Lullaby de Domingo


Como a próxima semana ainda é de férias, pulamos até à Ilha ao lado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Summer Readings

Mom, Dad and their children are having dinner on a Wednesday night. Dad is snappy and irritable, criticizing everybody during the meal, spreading his tension around like electricity. When he finishes eating, he leaves the table abruptly and heads out of the room. His ten-year-old daughter says. “Dad, where are you going? Wednesday is your night to wash the dishes.“ Upon hearing these words, Dad bursts into flames, screaming, “You upstart little shit, don’t you dare try to tell me what to do! You’ll be wearing a dish on your face!” He grabs a plate off the table, makes like he is going to throw it at her, and then turns away and smashes it on the floor. He knocks a chair over with his hand and storms out of the room. Mom and the children are left trembling, the daughter bursts into tears. Dad reappears in the doorway and yells that she’d better shut up, so she chokes off her tears, which causes her to shake even more violently. Without touching a soul, Dad has sent painful shock waves through the entire family. We move ahead now to the following Wednesday. Dinner passes fairly normally, without the previous week’s tension, but Dad still strolls out of the kitchen when he finishes eating. Does a family member remind him that it’s his turn to wash the dishes? Of course not. It will be many, many months before anyone makes that mistake again. … Dad’s scary behaviour has created a context in which he won’t have to do the dishes anytime he doesn’t feel like it, and no one will dare take him to task for it. … The abusive man gains power.” Why Does He Do That? Inside the Minds of Angry and Controlling Men, Lundy Bancroft
In http://www.thenarcissistandpsychopath.yolasite.com/predators.php Imagem de Suad Al-Attar