segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Lullaby de Domingo (private lullaby)
E não apresento mais argumentos quanto à discussão sobre as diferenças entre os Blur e esses outros que não nomeio. E como sabes, teimosia não é defeito...
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Interdições salgadas
O que antes era nosso e deixou de o ser, tem agora horário de funcionamento (desde que deixou de ter acesso gratuito) .
Ao descer as escadas, há um portão que determina que a praia (sim, a praia) de infância para além de ser paga, só funciona das 10 às 20h. O sol não sabe e, como tal, as crianças devem apenas fazer praia até às 11 ou a partir das 5. Mas isso não interessa à Frente-Mar. Quem quiser que pague por uma hora e pouco de praia, porque a água e o sol, ali, só abrem mesmo às 10 da manhã.
domingo, 22 de agosto de 2010
Lullaby de Domingo
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Summer Readings
Mom, Dad and their children are having dinner on a Wednesday night. Dad is snappy and irritable, criticizing everybody during the meal, spreading his tension around like electricity. When he finishes eating, he leaves the table abruptly and heads out of the room. His ten-year-old daughter says. “Dad, where are you going? Wednesday is your night to wash the dishes.“ Upon hearing these words, Dad bursts into flames, screaming, “You upstart little shit, don’t you dare try to tell me what to do! You’ll be wearing a dish on your face!” He grabs a plate off the table, makes like he is going to throw it at her, and then turns away and smashes it on the floor. He knocks a chair over with his hand and storms out of the room. Mom and the children are left trembling, the daughter bursts into tears. Dad reappears in the doorway and yells that she’d better shut up, so she chokes off her tears, which causes her to shake even more violently. Without touching a soul, Dad has sent painful shock waves through the entire family. We move ahead now to the following Wednesday. Dinner passes fairly normally, without the previous week’s tension, but Dad still strolls out of the kitchen when he finishes eating. Does a family member remind him that it’s his turn to wash the dishes? Of course not. It will be many, many months before anyone makes that mistake again. … Dad’s scary behaviour has created a context in which he won’t have to do the dishes anytime he doesn’t feel like it, and no one will dare take him to task for it. … The abusive man gains power.”
Why Does He Do That? Inside the Minds of Angry and Controlling Men, Lundy Bancroft
In http://www.thenarcissistandpsychopath.yolasite.com/predators.php
Imagem de Suad Al-Attar
Noomi Rapace é, definitivamente, a minha Lisbeth Salander. Michael Nyqvist é, definitivamente, o meu Mikael Blomkvist.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Lullaby de Domingo
Quase de regresso.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
"Tudo o que é sólido dissolve-se no ar"
domingo, 8 de agosto de 2010
(Desta Vez) Foi Longe Demais
Imagem roubada aqui (Gabriel Muniz)
No que diz respeito à violência contra as Mulheres - e mais especificamente na violência entre casais - a condescendência surge quase sempre nas primeiras declarações. Percebe-se o conformismo de algo que choca (mas não muito) com declarações dos que ouviam as agressões: é que desta vez ele foi longe demais. E o que me indigna é que estas pessoas não percebam que "longe demais" foi muito antes - a vez em que aconteceu a primeira agressão.
Recordo um caso de há uns anos atrás, na Região Autónoma da Madeira, em que um/a dos/as entrevistados/as dizia que alguma coisa ela devia ter feito "para lhe acontecer isto". "Isto" remetia para o assassinato à queima roupa.
Certo é que, apesar de um número muito elevado de assassinatos de mulheres que muitas vezes já haviam apresentado queixa contra a violência dos companheiros, na maior parte dos casos a queixa não protege efectivamente a vítima, que continua a ter que lidar não só com a violência já conhecida, como também com a ira por se ter atrevido a apresentar queixa (ou de a terem apresentado por ela). Assim, num ano em que são registados 24 assassinatos (o Público apresenta um número diferente:14) - e ainda só vamos a meio do ano - apenas 59 agressores respondem pelo crime que julgam que lhes é permitido por direito.
Este ano já morreram demasiadas mulheres, porque os companheiros foram longe demais. Só desta vez.
Lullaby de Domingo
Por estas bandas faz-se muito pouco. E portanto, uma lullaby condizente.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Alexandra Lucas Coelho foi a Juarez e conta o que viu.
"Cabeças cortadas. Cadáveres atirados para o deserto. Gente raptada, violada, baleada, todos os dias. Esta é a história de como se destrói uma sociedade de fronteira. Primeiro, é o bordel dos EUA. Depois, fica escrava do comércio livre. E então o narcotráfico entra a matar, porque se tornou fácil e o dinheiro é muito. A cidade mais violenta do mundo é Juárez, fronteira do México com os EUA."
Humano Demasiado (des)Humano
Uma casa de banho branca é um perigo. O excesso de claridade denuncia as viandantes ilegais, lustrosas nas suas carapaças escuras, a calcorrearem apressadamente as superfícies imaculadas.
Tivemos uma batalha com uma delas, uma noite destas. A criatura, coitada, corria assustada a esconder-se nos recantos sombrios. E eu, se inicialmente calma, fui progressivamente deixando que o pânico me invadisse e me tornasse cada vez mais implacável. O bicho não sairia vivo daquela divisão, atormentando o nosso sono. É que quando penso em virar costas e fingir que ela não existe, que as suas antenas desmesuradas e as suas patas em espigão não me incomodam, a verdade é que consigo imaginá-la - como se já a sentisse - a invadir a minha pele enquanto durmo. É isso que me incomoda: julgar que o bicho secretamente pode ter a veleidade de me tocar e eu não o sentir. E o nojo, o nojo que isso suscita. Imaginar a correria sobre os corpos adormecidos, o lastro invisível deixado em nós.
Ela tem medo, coitada. Corre a esconder-se onde pode, mesmo que seja debaixo da gata que não compreende a correria e assusta-se connosco - e não com a barata. Os olhos dela crescem, de incredulidade, perante a violência do embate na minúscula divisão. Assusta-se com os movimentos bruscos - não os da criatura em fuga, três vezes morta - mas os nossos (os teus, na verdade - que apenas denunciei e a pontei e vigiei), a exigir a morte do monstrengo, preço de uma noite descansada.
No final, já o cadáver desaparecido da vista, tenho alguma pena do animal que perdeu a vida por nós. E concordo em silêncio com a tua afirmação de que também tu lamentas que ninguém consiga gostar destas criaturas de deus.
A verdade é que entretanto adormeci e o remorso não me assaltou o sono.
domingo, 1 de agosto de 2010
[há um lado felino (humano) em tod@s nós]
Lullaby de Domingo
A mala está quase pronta.
sábado, 31 de julho de 2010
Problema de Expressão
As pessoas gritam e enervam a Isabel Alçada. As pessoas não estão abertas ao progresso e não estão preparadas para o diálogo. Afinal, a Isabel diz agora que não disse que queria acabar com os chumbos. Apenas queria dizer que gostaria de abrir o diálogo sobre esta temática com os professores, as escolas, os directores, os encarregados de educação, enfim, com a sociedade. Mas as pessoas põem-se logo aos gritos e a Isabel não gosta.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Esta mulher tem um nome: Aisha, 18 anos, jovem afegã a quem o marido cortou o nariz e as orelhas.
A última capa da Time é totalmente perturbante, mas o seu conteúdo também corre o risco de ser perturbantemente propagandístico. Esta imagem podia muito bem pertencer a uma mulher indiana (ou paquistanesa), vítima de mais uma retaliação da família do esposo por problemas com o dote. Não é, Aisha é afegã. E a Time acompanha Aisha com uma frase em jeito de interrogação: "what happens if we leave Afghanistan"
terça-feira, 27 de julho de 2010
Setembro Vai Ser Um Bom Mês
My (private) Lord está de volta, desta feita com um novo álbum de Grinderman (a 13 de Setembro). Temos, por hora, a audição do primeiro single.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Uma Estampa
Não houve tempo para visionar o documentário sobre Tamara Lempicka (lá voltaremos), mas este Self-Portrait está no Centro das Artes.
Just a Perfect Day
Restam 7 meses para esta magnífica exposição sair do Centro das Artes - Casa das Mudas. Por aqui passei neste primeiro fim-de-semana de Verão. Ainda assim, uma advertência para quem lá for: a chave está em ignorar os textos sobre a exposição que inauguram a maioria das salas: continuo a achar que Português do Brasil é assim meio a brincar. E não, não era uma tentativa de cumprir o (des)acordo ortográfico.
domingo, 25 de julho de 2010
É Preciso Apanhar Sol
"E o homem para quem trabalho riu-se:«Viu algum fantasma?
De repente ficou tão branca.» E eu não disse nada.
Vi a morte nas árvores desfolhadas, o vazio total."
Sylvia Plath
Lullaby de Domingo
And now we’re waiting
And now we’re stranded
And now we’re aching
And now we’re all waiting…
And now we’re stranded
And now we’re aching
And now we’re all waiting…
sábado, 24 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Da Desonra
Paula Rego
A vergonha é senhora dos últimos tempos. Em Janeiro, por causa dele, comecei a leitura da saga de Stieg Larsson.
Quando miúda, a leitura era a minha maior companhia. Sequiosamente, percorria as prateleiras da biblioteca das escolas por onde passei e, simultaneamente, as bibliotecas municipais. Obviamente criei as minhas predilecções e pequenos ódios; Hemingway foi um deles, apesar de este fim de semana ter ficado com vontade de lhe ler O Velho e o Mar, depois de ter visto o clássico que passou na RTP2 (ao qual não cheguei, enjoada pelos seus personagens masculinos sempre muito viris, acompanhados por idiotazinhas que só lhes atrapalham as façanhas - aos guinchos, pois claro). Dizia eu que era uma leitora compulsiva, com estratagemas para tornear as tentativas sucessivas da minha Mãe para velar o meu sono. Esperava pela respiração pesada dos meus pais às escuras, a fim de poder acender novamente a luz, ou colocava o pequeno candeeiro por baixo dos lençóis e cobertores para o quarto não passar tanta claridade por baixo da porta e denunciar o delito nocturno. Nessa altura, era uma pequena devoradora metódica que lia tudo o que conseguia apanhar de um autor cujo primeiro livro tivesse gostado (e as escolhas iniciais eram, muitas vezes, fruto do acaso).
O balanço deste ano não é muito positivo e a mulher que hoje sou certamente envergonharia a adolescente que fui; em sete meses, li apenas quatro livros, entre os quais apenas os dois primeiros livros da trilogia mencionada. A ver se me penitencio a partir de hoje, que inicio o terceiro volume da dita. Isto se não enconstar logo às primeiras páginas. Já há algum tempo que ultrapassei o problema de insónia que me perseguia há anos; agora o mais provável é conseguir adormecer a escovar os dentes.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Entregues a quem?
O homem que não é Primeiro, mas quer ser e já se arvora com ares de... decidiu levantar o véu em relação ao seu projecto político. Se dúvidas houvesse, não preciso de mais esclarecimentos.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Eles é que são muitos
Em miúda, corri atrás dos pombos no Rossio. Enchiam todo o espaço e faziam a delícia das crianças, que palmilhavam a calçada atrás de todos sem apanhar um que fosse. Quando eu era pequena, os pombos não eram ratos com asas, nem provocavam esgares de nojo ou comentários de como são incomodativos, asquerosos, demasiados a voar por aí.
Por essa altura, lembro-me também de um estribilho sobre uma gaivota que simbolizava liberdade. Nessa altura, também as gaivotas não eram demasiadas, nem incomodavam por aí além; não eram consideradas animais imundos, alvos a abater que nos cagam em cima, as porcalhonas.
Por essa altura, lembro-me também de um estribilho sobre uma gaivota que simbolizava liberdade. Nessa altura, também as gaivotas não eram demasiadas, nem incomodavam por aí além; não eram consideradas animais imundos, alvos a abater que nos cagam em cima, as porcalhonas.
A graça de um gato a dormir em cima de um carro suplantava o horror aos riscos no tejadilho ou ao incómodo que é limpar o traço deixado pelas patitas almofadadas; atropelar um cão era um drama e não uma maçada que sujava e danificava o carro (o idiota do cão, atravessar assim a estrada,que já lá estava e nem há passadeira. E agora esta despesa toda, espero que o sacana tenha ido morrer longe).
Lullaby de Domingo
Espero que sim, que ele apareça.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Cabelo em desalinho a tomar "chafé"
(juntos)
segunda-feira, 12 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Lullaby de Domingo
Uma melodia leve, a chamar o Verão (a leveza da melodia não esbate a verdade do estribilho).
terça-feira, 6 de julho de 2010
Agora Escolha
Os comentários, no facebook da TSF, à notícia de que Caster Semeya foi autorizada a voltar às competições, fazem-me questionar a obrigatoriedade de existência de cérebro para a aprendizagem da escrita:
Ao que @s iluminad@s comentam....
a) - "... na competição masculina."
b)"-....na competiçao gay"
c) "autorizada" ou "autorizado?"
d) "A atleta sul-africana Caster Semeya, campeã do mundo dos 800 metros, foi autorizada a competir," - realmente não dizem em que género foi autorizada, mas como dão a notícia no feminino..."
e) "Demorou 11 meses a decidir qual o género a que pertence a "piquena", já lá vão os tempos em que um simples e forte apertão decidia este tipo de situação!! Sinais dos tempos!
Eu sei que não é fácil, mas... vamos lá escolher qual dos comentários acima está mais imbuído de imbecilidade! Estão abertas as votações!
Tens razão, N*.
A entrevista que Alberto Manguel deu ao Público é leitura obrigatória.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
The Meatrix
domingo, 4 de julho de 2010
Lullaby de Domingo
Banda sonora para o post anterior.
sábado, 3 de julho de 2010
Mulheres, como nós
Confesso enorme dificuldade em digerir o discurso de algumas mulheres. Muito pouco solidárias para com as outras, sempre que têm a oportunidade para subir ao púlpito a retórica é direccionada para agradar aos machos; são modernas, amam de morte Nova Iorque e sapatos de saltos altos (neste caso a bigamia é assumida, oscilando entre Jimmy Choo e Manolo Blahnick).
No que diz respeito aos homens, suspiram pelo Mr. Big que lhes há-de caber (sou tal e qual a Carrie, mas da calçada portuguesa); são exigentes, mas perdoam-lhes as falhas e culpam as outras, cabras provocadoras, sempre a atentar-lhes os piquenos. São modernas, mas não muito. Atrevidas, mas recatadas; comedidas, mas vaporosas. Chi-quérrimas, vão todas as sextas ao sushi, que passou a ser o chinês lá do bairro. São magras e exigem que todas as outras o sejam. São novas, mas postulam o que chamam de dress code para as restantes (as que não cumprem, são galdérias, sem direito de contestação).
A moral das (de algumas) mulheres que adoram cupcakes e anseiam por quem lhe pague as contas seria risível, se não fosse tudo tão triste.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Contos exemplares
A acreditar na notícia, aqui está um exemplo de como estas matérias são tratadas nos nossos tribunais; quanto vale a dignidade e direito de justiça desta mulher, face a um pai (e aqui coloca-se outra questão em relação à capacidade deste indivíduo para "educar") que apenas violou pela primeira vez? Não é, portanto, de espantar a surpresa do advogado de defesa que, perante os factos, até esperava que o cliente fosse absolvido. É que faltou pouco.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
Lullaby de Domingo
E isso implica acordar demasiadamente cedo.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Um Ministério à Beira (?) de Um Ataque de Nervos
Nos últimos dias, tod@s @s professor@s que têm 3 meses de férias começaram-nas com as vigilâncias aos exames (nacionais e/ou de equivalência à frequência). Estas pessoas que começam a veranear muito cedo dentro de salas de aulas solarengas (enquanto o resto do País continua a trabalhar para @s sustentar), deparam-se com suposições que raiam a loucura por parte do órgão decisor (leia-se Ministério) e respectivos sucedâneos (comissões, inspecções e outros que tais) É que estas pessoas que dão aulas e que ao longo do ano são tratadas como malandr@s desejos@s de prejudicar o mais possível @s seus/suas alun@s (o trauma das retenções, as grelhas e justificações multiplicadas até à exaustão para garantir que estes patifes não lesam @s estudantes) são @s mesm@s que, por altura das vigilâncias, são suspeit@s de querer beneficiar a torto e a direito @s mesm@s examinand@s que tentaram tramar ao longo do ano (basta ler as normas de vigilância e as recomendações da famosa inspecção para perceber que esta hipótese é uma obsessão).
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Menina da Rádio
Não sou. Não será por não tentar, mas a TSF-Madeira é insuportável, com a mania de passar os noticiários apenas nos intervalos dos anúncios (des)animados pelos inenarráveis "bilhardeiras" (não, não é engano meu. É uma dupla de marmanjos que acha que tem piada ao estereotipar duas mulheres "do campo"). É-me totalmente incompreensível o fascínio por tanta falta de talento. Gostamos mesmo de privilegiar a mediocridade.
domingo, 20 de junho de 2010
"Este é o dia de ver, não o de olhar,"...
"...que esse pouco é o que fazem os que, olhos tendo, são outra qualidade de cegos."
Memorial do Convento
Cavaco Silva confirma hoje que não é homem para o cargo que ocupa.
A vossa atenção...
Lullaby de Domingo
Saudades dos Belle Chase Hotel.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Memorial
Gravura de 1709 (roubada aqui)
"Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda."
Memorial do Convento
Mulher não sou (como as mulheres traem as mulheres)
(Paula Rego)
Tem um aspecto impecável e regras de etiqueta milimetricamente interiorizadas. É uma mulher de homens, confissão feita a quem a quiser ouvir. Defende-os com unhas e dentes, desculpabilizando qualquer assomo sexista "dos meninos". São a-do-rá-veis, excelentes companheiros apesar das verbalizações medievais. Problemas de expressão, segundo ela. No fundo, bons pequenos, maldosos para as mulheres em geral, derretidos por algumas em particular (até ao dia) - e é o que interessa, não é?
Nunca lhe ouvi um elogio "às meninas". Essas passam despercebidas a não ser que se destaquem escandalosamente pelas saias justas ou os calções indecorosos que provocam os queridinhos.Ontem, por entre sorrisos, dizia que as mulheres são péssimas na estrada. Sempre que vê asneiras, diz comentar com o queridíssimo marido: "de certeza que é mulher. E é. E é.", conta despudoradamente por entre riso, como se não tivesse consciência das implicações da brincadeirinha.
Não há mesmo paciência para a verborreia sexista embrulhada em etiqueta e bons costumes.
Capacidade de síntese
Aqui. Nem mais.
Deco? E então as declarações do Queiroz?
A repetição de nomes é nefasta, já o defendia Isabel Allende em A Casa dos Espíritos. A nossa história recente assim o confirma: o desgosto que tenho sobre Sócrates é conhecido. Desta feita, não me afecta tanto. O futebol, para mim, só é poesia quando dito pelo Fernando Alves* (também eu, também eu).
Evoco esta questão da repetição dos nomes por causa do seleccionador nacional; as declarações do senhor Queiroz (quase Queirós - que julgava eu que a grafia era idêntica) depois do jogo deixaram-me envergonhada, quando insinuou que a Costa do Marfim foi beneficiada porque é uma equipa africana. Não passaria o mesmo pela cabeça do senhor se eventualmente o Mundial decorresse num País europeu: de que qualquer equipa europeia seria beneficiada em detrimento das restantes. De modo que apenas me ocorre uma ilação: de que para este senhor vale tudo para safar a má prestação (diz quem viu), mesmo uma declaração alicerçada em preconceito e vilania. E no entanto, na imprensa, o crucificado foi o Deco...
* A crónica a que me refiro ainda não está online.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Uma Mulher em Palco - Duas em Mente
A Electra de Olga Roriz é-me muito mais interessante que a Electra de As Coéforas. A angústia da personagem percorre todo o corpo da bailarina, assumindo um rosto de dor, dúvida e (finalmente) determinação. Ainda assim, e apesar de Olga, não compreendo Electra. Saí da sala não (só) com esta última, mas com a Mãe. A Oresteia sempre me causou grande perplexidade: os dois filhos, Orestes e Electra, preferem um Pai ausente e assassino (da irmã mais velha, Ifigénia) do que uma Mãe vingadora da morte da sua filha. Um Pai assassino e sedento de poder é preferível a uma Mãe que substitui um marido e Pai traidor?
segunda-feira, 14 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
Dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite, enumera
o que lhe sobrejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso do tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
Al Berto
Imagem de Robert and Shana ParkeHarrisson
Avenças
A atestar por isto (será isto um jornal?), teremos novidades por parte do Ministério nos próximos tempos.
Quanto aos comentários, proponho que os/as digníssimos/as comentaristas recebam um envelope cada. E que o façam em apenas 22 horas, no máximo (para poderem ir de férias, claro).
Lullaby de Domingo
5.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Confirmação de posicionamentos
Hoje como então.
Letra Dura e Arte Fina
A mentora do programa cultural que encheu as medidas da RTP Madeira durante algum tempo, com um dos melhores títulos que conheço neste género, faleceu esta noite, deixando o meio cultural madeirense substancialmente mais pobre.
Não faz mal a ninguém
Em conversa com uma das minhas turmas, soube que um sem abrigo das imediações mete-se com as adolescentes que transitam para a escola. Desde convites obscenos até apalpões indecorosos, o homem não se coibe. E é esperto, porque só se mete com as adolescentes, sabendo que, à partida, a vergonha as deixará com uma capacidade de reacção muito limitada. Tenho alunas que confessaram fazer um percurso alternativo - mais longo - a fim de evitarem passar pelo indivíduo.
Os rapazes confirmavam o testemunho das raparigas e acrescentavam com episódios que consideravam cómicos, a que tinham assistido.
Perante os relatos, defendi que alguma coisa tinha que ser feita; que as autoridades teriam que ser alertadas e a escola estar ciente dos repetidos episódios. De imediato, um aluno alega que o homem não faz mal a ninguém, coitado. Quando lhe perguntei se considerava que o tipo de agressões que as colegas sofriam se enquadravam no "não fazer mal a niguém" - só aí ele hesitou e acabou por conceder que os actos descritos não eram tão inofensivos quanto tinha julgado.
E este é um dos nossos maiores problemas: desvalorizar estes episódios em que as mulheres - meninas e adultas - são violentadas na sua liberdade para circularem livremente porque se considera, na generalidade, que a exposição a comentários obscenos, convites maliciosos, encontrões propositados e apalpões é suportável, normal, pouco grave.
Na realidade, se pensarmos sobre a frequência com que acontecessem, são efectivamente normais - porque a norma é que uma mulher, invariavelmente, os sofra.Porque convencionou-se que este tipo de abordagem não é importante, que é suportável, que é um exagero reclamar por tão pouco. Enquanto desvalorizarmos este tipo de agressão estaremos a validar a (escalada de) violência contra as mulheres.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
"E alegre se fez triste*
Nos próximos dias, espero por isto. E também porque quando aqui estiver, estarás quase de regresso.
*como se/Chovesse de repente em pleno Agosto." Manuel Alegre
segunda-feira, 7 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Lullaby de Domingo
So much more than this today
sábado, 5 de junho de 2010
O que aparece
Desde 2005 que Woman Once a Bird sou eu, sem eu ser Woman Once A Bird: o título não é meu, mas dele me apropriei de tal modo que, cinco anos depois, confundo-me entre outras variantes: Woab e Miss Woab.
Esta Woman Once a Bird que vos escreve está muito distante da ideia original de Witkin, mas foi o título da fotografia de Witkin cuidadosamente escolhido em função de um blog de cariz feminista (perdoem-me os/as bloguistas deste sítio, mais ou menos silenciosos que não o "sejam"). Serve esta introdução para evocar essa inspiração primeva (tal como foi o título de UM Quarto Que Seja Seu, de Virginia Woolf), a fotografia de Joel-Peter Witkin.
A par da fotografia inspiradora da minha segunda "identidade", guardo na memória, desde 1997, essa outra (igualmente terrífica) cuja existência cheguei a duvidar. Uma fotografia fantasmática, velada ao meu olho inquieto e saudoso, evocada inúmeras vezes em vão, revela-se agora, dez anos depois do seu último vislumbre. Ei-la:
Woman Masturbating On The Moon
sexta-feira, 4 de junho de 2010
"No momento em que vos falo"
O primeiro-ministro exercita a sua capacidade de não responder a coisa nenhuma; bonito exercício de argumentação falaciosa, que tenho pena de não conseguir gravar para apresentar no próximo ano lectivo, aquando do estudo das falácias informais.
Ao mesmo tempo, parece-e que Sócrates andou a ler Kierkegaard sem efectivamente o ter compreendido; apenas decorou o estribilho: eu sou um pobre existente.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Seria interessante...
...saber que "razões exclusivamente políticas" são essas. Só para não parecer reacção de menino mimado (nenhuma suspeita de que esta opinião seja fruto da sua própria cabeça - ou melhor, do seu ego algo ferido com combates recentes).
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Boa Semana
O mesmo filme, outra abordagem.
domingo, 30 de maio de 2010
É difícil escrever sobre isto
Lullaby de Domingo
Quando a crença desaparece e o cansaço toma conta de tudo.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Uma casa portuguesa, concerteza
Na notícia sobre o lançamento do livro Violência e Abuso - Respostas Simples para Questões Complexas, em que se constata que muitas mulheres consideram normal serem abusadas pelos seus companheiros, descubro a seguinte pérola debitada por alguém que se identifica como português (vide comentários):
«Todos nós sabemos que todos os grandes problemas da sociedade actual começaram a partir do momento que começou a chamada "emancipação da mulher". A pressão psicologica (chatice constante, pressões de todos os tipos, etc). Qual é o homem que muitas vezes, devido a isso, não anda com a cabeça cheia, prejudicando o seu bem estar, a sua alegria, e muitas vezes o seu trabalho. Portanto a mulher tem de ser reduzida ao seu lugar de "animal domestico". O mundo seria muito melhor.»
No lançamento do livro Quem Tem Medo dos Feminismos?, Anselmo Borges afirmou não ter dúvidas de que a maior revolução do século XX foi a da emancipação da Mulher, que reconfigurou as nossas estruturas. Tendo a concordar com o professor. Felizmente, reconfiguramos o nosso posicionamento. Mas ainda não foi suficiente, porque ainda há quem escreva e pense assim.
E é assustador.
Porque quem pensa assim, geralmente também age em consonância. E infelizmente são muitos/as. Demasiados/as. Um verdadeiro Portugal dos/as pequenitos/as.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
A discrição está na moda
Mais um apelo à discrição. É moda para aqueles lados (e não há paciência para politiquices* - não confundir com política).
*A politiquice requer uma elevada capacidade para a manipulação que chega a raiar o ridículo (e instrumentalização do/a outro/a). Geralmente tende a substimar o/a adversário/a, o que pode trazer alguns dissabores.
Esperemos que Sócrates tenha mais um amargo de boca.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Quem Tem Medo dos Feminismos? - Feira do Livro do Funchal
Finalmente, as Actas do Congresso Feminista 2008 reunidas numa obra em dois volumes.Amanhã, pelas 18:30, apresentação no Pavilhão dos Autores na Avenida Arriaga com a presença de:
Carla Cerqueira (direcção nacional da UMAR)
Anselmo Borges com uma comunicação subordinada ao tema: A Interpretação Feminista dos Textos Sagrados
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O Tempo Adiado (não é tempo)
Um adiamento que dependa de outrém apenas prolonga o insustentável. Após uma noite inquieta centrada na clarividência da falta de respeito reiterada, amanheço com uma (quase) certeza no meu espírito. Depois, a oferta generosa de um livro inaugurado com a seguinte citação (que traio logo em seguida, pela leitura que dela conscientemente faço):
"Il suffit de consulter notre conscience pour comprendre que, dans les conditions où nous sommes, une vie infinie ne serait plus une vie (...)."
"Il suffit de consulter notre conscience pour comprendre que, dans les conditions où nous sommes, une vie infinie ne serait plus une vie (...)."
F. Alquié, Le Désir d'Eternité
E por vezes temos a certeza que a deusa fala-nos e aponta caminhos pelos quais não mais nos é permitido seguir. Fecha-se um ciclo - importante, mas que se tornou insustentável.
Que os despojos sejam distribuídos pel@s sôfreg@s.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Eu espero poder dizer à Isabela
O quanto gosto da escrita dela. Este post é um bom exemplo disso.
Eu não vi
Portanto, digam-me lá: ele pediu desculpa? É que agora é moda* lá para aqueles lados...
* Pedir desculpa pelas decisões que tomamos é uma moda urbana que alguns querem implementar. Obviamente que não é uma moda ingénua, mas nem por isso progressista. Apenas demagógica.
A montanha...
O Presidente da República prossegue hoje a sua campanha eleitoral. Falará ao eleitorado às 20:15.
Boa Semana
Pleasant Ville
domingo, 16 de maio de 2010
Eu sei que sim, mas há um pormenor que me incomoda*
Eu sei que concordas, mas o texto do Miguel só tem um pequeno problema: parte do pressuposto de que é válida a adivinhação da posição da esquerda serôdia perante uma suposta tolerância (que nunca aconteceu**) face à visita do, por exemplo, Dalai Lama (que já cá esteve). Ora, parece-me que estruturar toda uma concepção do carácter desinformado** da tal esquerda a partir de uma suposição sobre algo que não aconteceu mas que o autor julga que seria assim se acontecesse, não será propriamente um verdadeiro conhecimento de causa, passível de ser verificado. E a importância da verificação nestas coisas é uma porra.
* mas não muito, porque já sabes que estas coisas essencialmente divertem-me.
**Lá está: isto é um facto, portanto, passível de verificação.
***seria uma maçada reproduzir aqui tudo o que o Miguel escreveu para chamar os opositores de ignorantes.
Lullaby de Domingo
Para dias difíceis, o meu caso sério de fé:
sexta-feira, 14 de maio de 2010
por estes dias a minha faceta mais 'tia' dá de si sempre que me ocorre entrar em contacto com o mundo português (tal como tem sido apresentado pelos canais nacionais). Não que não me ocorram outros vocábulos e expressões bem mais adequados à situação portuguesa, mas por ora, sempre que ligo a televisão ou tento ouvir a TSF só me sai:
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Peregrinação - actualização
A primazia ao outro: Os Bispos não esperam por Senhoras - ou subsídios para uma história de fé (dos/das outros/as).
Da Insinuação
Afinal, ao que parece, também a Senhora sabia da pedofilia mas manteve-a em segredo*.
*Declaração de intenções (ao Sancho):
Com isto não quero dizer que os padres culpados deste crime simbolizam a Igreja, ou que a maioria o praticou ou algo do género. Há padres pedófilos como há professores/as, advogados/as, pais/mães, etc. Mas o caso muda de figura quando a Instituição à qual prestam imediatamente contas opta por os encobrir e permite que continuem a ter acesso a crianças.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Peregrinações 2
Quando as cinzas sopram, é para todos/as. Não há cá milagres.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Peregrinações
Ser andarilho pode ser uma questão de design.
E como estamos num estado laico que até tem tolerância de ponto de cada vez que um chefe de estado/religioso nos visita, este blog não poderia deixar de fazer rev(f)erência a esta visita.
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